Nomeação do pastor para a CDHM revoltou parte da população, que pede a sua renúncia
Por Igor Carvalho

Se antes de assumir a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados Marco Feliciano (PSC) já não gozava de popularidade entre boa parte da população, após sua nomeação os protestos saíram da internet e ganharam as ruas. Nesse sábado (9), manifestantes caminharam da Avenida Paulista até a Praça Roosevelt, região central de São Paulo.
Aos gritos de “racista, ladrão, cadê a solução?”, e “se até o papa renunciou, Feliciano, sua hora já chegou”, representantes de diversos movimentos sociais, com forte predominância de ativistas da causa LGBT, chegaram a deitar nas quatro faixas da rua da Consolação, parando completamente o trânsito.

O ato foi tratado como “histórico” por alguns organizadores. Apesar do comando da Polícia Militar, por meio do tenente Fabretti, comandante da operação, alegar que havia apenas “entre 800 e 1.200 pessoas”, o sentimento dos presentes e as imagens demonstravam que o número era muito maior. “Somos, aqui, com certeza umas 20 mil pessoas protestando contra essa vergonha nacional, contra essa anomalia que é a eleição de Marcos Feliciano”, disse Daniel de Ogum, um dos organizadores.
Fernando Quaresma, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, está preocupado com o crescente número de radicais religiosos nas diferentes esferas de poder. “Nossa democracia social está ameaçada pelo fundamentalismo religioso. Eu, encarado como minoria, mesmo não sendo, não me sinto representado por esse homem [Feliciano]. Ele vai tentar confundir nossas reivindicações com sua Bíblia.”
Caminhando com os ativistas estava o historiador, idealizador dos Pontos de Cultura e blogueiro da Fórum Célio Turino, que preferiu fazer uma análise mais ampla da nomeação de Feliciano. “É um divórcio entre a política institucional e a vontade popular. Não é só o pastor, observe que um dos maiores desmatadores da história brasileira, o Blairo Maggi (PR), é presidente da Comissão do Meio Ambiente; o Gabriel Chalita (PMDB), acusado de desviar recursos da educação, está na Comissão de Educação. As pessoas estão saindo às ruas para tentar colocar um freio nisso.”
Histórico
Na última quinta-feira (7), o pastor e deputado Marco Feliciano foi eleito o novo presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (ver mais aqui). Antes mesmo de sua nomeação, o parlamentar já colecionava opositores. Uma petição, que corre na internet, já reuniu mais de 70 mil assinaturas contra o mandato de Feliciano à frente da Comissão, em apenas 24 horas.
Também houve manifestações contra Marco Feliciano em outras cidades do Brasil. Em breve, mais informações aqui.
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