Professora da Fatec é alvo de grupo que prega a “neutralidade” em sala de aula

Organização coordenada por membro do Instituto Millenium divulgou uma crítica à professora Cléo Tibiriçá por indicar "material didático com viés ideológico"

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Organização coordenada por membro do Instituto Millenium divulgou uma crítica à professora Cléo Tibiriçá por indicar “material didático com viés ideológico”

Por Redação

Cléo Tibiriçá, professora da FATEC, foi acusada pelo articulista do Instituto Millenium Miguel Nagib (Wikimedia Commons)

Coordenado pelo advogado e articulista do Instituto Millenium Miguel Nagib, o site Escola Sem Partido divulgou no dia 22 de novembro uma nota acusando uma professora da Faculdade de Tecnologia de São Paulo de doutrinação ideológica de seus alunos. Para o advogado, a professora Cléo Tibiriçá não deveria ter indicado um material didático com viés ideológico, acusando-a de desenvolver nos alunos uma aversão a tudo que não se identifique com a “visão esquerdista”.

Entre os autores recomendados pela docente estão o historiador Eric Hobsbawn, o linguista Marcos Bagno e o sociólogo Ruy Braga, além de uma canção de Chico Buarque e documentários sobre Milton Santos e a participação dos Estados Unidos no golpe militar.

“Não nos move nessa iniciativa nenhuma indisposição pessoal em relação à professora — que sequer conhecemos –, mas a convicção de que é necessário denunciar publicamente essa prática ilícita que é a doutrinação política e ideológica em sala de aula”, justifica-se Miguel Nagib na nota. O texto foi encaminhado ao coordenador do curso de Comércio Exterior da FATEC-Barueri, Givan Fortuoso, ao diretor da faculdade, Evandro Cleber da Silva, à Diretora Superintendente do Centro Paula Souza, Laura Laganá, e ao secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, Rodrigo Garcia.

Site do Escola Sem Partido lista características que identificam o professor doutrinador

O ideal do Escola Sem Partido é o fim das aulas com “visão ideológica”, por meio da construção de uma aula pretensamente regida pela neutralidade e imparcialidade. O site da ONG republica textos de Luiz Felipe Pondé, coautor do livro Por Que Virei à Direita, e persegue professores que se identificam com o que chamam de “ideologia esquerdista”.

Em nota, a professora Cléo acusou o site de divulgação de correspondência eletrônica particular. Além disso, ela critica a postura autoritária do autor ao julgar seu método de ensino: “Dado que a questão me é dirigida como docente, e não como simples cidadã, quero salientar, antes de qualquer coisa, a ausência de legitimidade de seu blog para julgar conteúdos ministrados por mim ou por qualquer outro professor”.

A professora também reprova os objetivos da ONG, classificando as ameaças como tendenciosas e infundadas e mostrando o apoio do blog a quem sempre quis ditar os rumos do Brasil. Por fim, Cléo publica na nota o artigo 207 da Constituição Federal: “As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.”



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12 comments

  1. Bruno Uchoa Responder

    A quem apoia essa loucura: desafio a dizer um único livro que não tenha “visão ideológica”.

  2. Marcia Matos Responder

    Gente, isso é insano! Desde a escola primária, na tv e na mídia, cinema, os Estados sempre vendeu sua imagem de Heróis e ninguém nunca julgou quem concordasse com essa ingenuidade. Mostrar um outro lado da questão agora é punível??? Eu já tive uma professora que foi impedida de lecionar numa escola (na minha, quando eu tinha 14 anos) por professar o fim do mundo numa aula de filosofia!!!!! Ela tinha crença nas teorias de conspiração, nos números da besta espalhado pelo mundo, etc… Era total doida, mas a gravidade foi uma colega nossa ter tido crise do pânico e não querer mais sair de casa, desesperada todas as manhãs antes de ir ao colégio. Isso sim, foi sério! Essa reportagem me parece uma bobagem pra não dizer um ataque direitista bem etiquetadinho e de muito mal gosto.

  3. Narcio Responder

    Só posso rir de uma “asneira” desta magnitude.

  4. Guilherme Sá Responder

    acabemos com a propaganda para, pelo mesmo raciocínio, de fazer dutrinação burguesa!! Neutralidade na formação da pessoa e igreja somente após os 18 anos!! Sem doutrinação religiosa também!!

  5. Milton Fernandes Responder

    Se eles tem o Pondé como inspiração…rsrsrsr Sem comentários A idéia de ‘neutralidade’ é uma prova da profunda ignorância filosófica.

  6. Sarau Literarua Responder

    A velha batalha entre esquerda e direita que sempre acaba em conluio de ambas as partes que só prejudica toda a nação!!
    Continuamos formando tecnocratas e menos pensadores!!

  7. Osvaldo Aires Bade Responder

    A questão é que essa doutrina esquerdista, em todos os lugares do mundo, onde foi aplicada só deu em catástrofes mortais.

    1. Igor Morgado Responder

      Numero de pessoas contempladas pela educaćào militar 0.001%. Alunos
      que são aceitos em colegio militar (somente os melhores avaliados em
      prova).

      Nao defendendo a educaćào publica de modo geral, mas é
      importante salientar que o governo atual procura uma educacao inclusiva,
      ou seja todo mundo na escola. É óbvio que desta forma vamos ter um
      controle da “procedencia” do aluno. O professor de escola publica
      convencional é obrigado a lidar com multiplos cotidianos e saber superar
      esta dificuldade. Enquanto em uma escola militar o jovem que não se
      adequar as regras é imediatamente expulso.

      Se aplicarmos estas
      regras a todas as escolas em busca de um filtro para os que “querem
      estudar” o que faremos com todos os que forem excluidos? Enterraremos?
      Criaremos uma cidade e cercaremos todos eles? Mataremos? Fingiremos que
      nao vemos?

      A educaćào exclusiva dos militares, foi o que gerou esta gigantesca disparidade na nossa sociedade.

      E é obvio que esta reportagem é EXTREMAMENTE tencendiosa, conheco muitas escolas publicas que não tem as paredes queimadas.

      É facil fazer estatistica de contraste quando escolhemos nossa amostragem.

      Pq nao compararam os militares com o CAP UFRJ, ou o Pedro II ou as IFRJ?

      1. LUANA ALBUQUERQUE SOIVÉR Responder

        SENHOR IGOR MORGADO, ante qualquer coisa, se faz necessário sanar as dúvidas que pairam em muitas pessoas ao se depararem com algumas informações “obscuras”, porém, diretas em seu comentário, em parte, equivocado:

        FATEC NÃO É ESCOLA.

        FATEC É UMA DAS 4 FACULDADES PÚBLICAS DO ESTADO DE SÃO PAULO, SENDO ELAS:

        USP, FATEC, UNESP E UNICAMP.

        Em suma, são estas as faculdades mais “poderosas” do país em virtude de serem pertinentes ao ESTADO DE SÃO PAULO. FATEC É DIFERENCIADA POR SER TECNÓLOGO, ISTO É, POR SEGUIR O MODELO AMERICANO, conforme as melhores faculdades de tecnologias do mundo, ambas nos EUA.

        Quanto ao Rio de Janeiro, não sabemos nada acerca de Pedro II, dentre outros_ mesmo porque o sr foge ao mérito da questão tão somente a fim de propagar vossa ideologia culminada as ESCOLAS ESTADUAIS CARIOCAS.

        Se és docente no Rio, sobretudo de ESCOLAS, procure outra matéria que possa privilegia-lo no tocante da situação. AQUI, o assunto é a FACULDADE PÚBLICA FATEC: FACULDADE DE TECNOLOGIA DO ESTADO DE SÃO PAULO…. não confunda com ETEC, sendo esta tão somente uma extensão de escolas com a marca do governo militante, cuja concorrência por vaga em seu vestibulinho é similar a concorrência da FATEC e USP: entre 10 e 30 por um!!!!!! AINDA ASSIM, ela nada tem a ver com a faculdade pública FATEC.

        Peço a vossa compreensão de não efetuar comentrários de forma equivocada, conforme o fez.

  8. Eiras Responder

    Essa professora é extremamente imparcial nos seus comentários. E digo mais…meu filho estuda na CEFET (federal) no Rio de janeiro. Tenham curiosidade e constatem no programa de aulas disponível no site da Instituição: nas matérias de Sociologia e Filosofia somente são abordadas ideologias materialistas, com foco no Marxismo e Positivismo. E ainda, os professores professam abertamente o Marxismo. Meu filho não pode contribuir com suas idéias liberais e conservadoras…tem que ficar calado, pois grande parte da turma já caiu na doutrinação esquerdista. Se esse pais fosse sério, essa professora teria que se retratar. Sabe qual o livro de filosofia escolhido pelo governo no CEFET, Marilena Chaui…que, como burguesa, deve estar muito rica.

  9. Eneida Melo Responder

    E deixa eu adivinhar, na época da ditadura não tinha doutrinação ideológica? Sei.

  10. rudimara andrade Responder

    esta senhora esta sim fazendo endoutirnacao ideologica, marxismo eh uma falsa sociologia, como pode uma coisa dessas?