Em Leilão da Resistência, ruralistas arrecadam R$ 1 milhão para ações contra índios

Produtores e políticos se organizam contra ocupações indígenas; eles criticam Funai e ONGs e defendem segurança na porta das fazendas

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Produtores e políticos se organizam contra ocupações indígenas; eles criticam Funai e ONGs e defendem segurança na porta das fazendas

Da Redação

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Senadora Kátia Abreu criticou a Funai: órgão seria “atrasado e retrógrado” (Foto: Antonio Cruz/ABr)

Intitulado como o “Leilão da Resistência”, figuras políticas e produtores rurais organizaram evento neste sábado (7) para levantar dinheiro com o objetivo de financiar ações contra retomadas de áreas indígenas.

Segundo reportagem de Nealla Machado, publicado originalmente no MidiamaxNews (7/12), o evento organizado por pecuaristas do Mato Grosso do Sul (MS) contou com cerveja e espetinhos.

“Essa é a resistência democrática que o MS levanta nesse momento. Chega de desrespeito ao cidadão que faz e que produz”, declarou o deputado federal pelo estado de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM).

Quem também marcou presença foi a senadora por Tocantins, Kátia Abreu (PSD). Em sua fala, a parlamentar teceu pesadas críticas à Funai (Fundação Nacional do Índio), a qual considera ser “falida, retrógrada e atrasada”.

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O deputado Zé Teixeira (DEM) disse em discurso que “pouco importa o leilão e o dinheiro arrecadado”, que o mais importante é fazer com que os produtores defendam suas propriedades. “Há anos os produtores gastam com invasões. Se o banco tem um segurança na porta, por que a fazenda não pode ter? Esse leilão é um alerta para mostrar que o setor produtivo não vai esperar pelo poder público e precisa de segurança”, declarou o deputado que ainda atacou as Ongs, pois, para ele são as Organizações não Governamentais que “promovem as invasões e não os índios”. “Essas organizações de esquerda querem desarticular o setor produtivo”, declarou o deputado.

O secretário de Habitação do estado do Mato Grosso do Sul, Carlos Marun (PMDB), que também marcou presença no evento, foi mais contido em sua fala e disse “não concordar 100% com tudo que estava sendo dito ali”, porém, classificou as ocupações indígenas uma “afronta ao estado de direito democrático” e que “alguma coisa precisa ser feita”.

Cerveja e espetinho aos presentes

De acordo com a reportagem de Nealla Machado, o evento foi “muito bem organizado” e teve serviço profissional de garçons que serviam água, refrigerante e cerveja aos participantes. Do lado de fora tinha uma tenda com dois televisores e climatizadores.

Além dos parlamentares já citados, marcaram presença no “Leilão da Resistência” o senador Waldemir Moka (PMDB-MS), os deputados federais Luiz Henrique Mandeta (DEM-MS), Reinaldo Azambuja (PSDB-MS) e Fábio Trad (PMDB-MS). Os deputados estaduais Mara Caseiro (PTdoB-MS), Jerson Domningos (PMDB-MS), Junior Mochi (PMDB-MS). O ex-prefeito de Campo Grande (MS) e secretário estadual Nelsinho Trad, também marcou presença.

Justiça determina que arrecadação do leilão seja depositada em juízo

De acordo com o portal MidiaMaxNews, o Leilão da Resistência arrecadou em torno de R$ 1 milhão na comercialização de gados. Porém, a Justiça de Mato Grosso do Sul determinou que o valor seja depositado em juízo, “assim como o nome dos doadores e valor individual, sob pena de multa do dobro de todo o valor arrecadado”.

Antes de acontecer de fato, o “Leilão da Resistência” enfrentou uma batalha judicial, pois, organizações indígenas acusaram o evento de querer montar “milícias” com o dinheiro arrecadado, visto que o motivo da realização do evento era levantar “fundos pra segurança armada das fazendas”.

No dia 4, uma liminar da Justiça proibia o evento, porém, na noite de quinta-feira a Justiça liberou a realização do leilão. E agora, liminar do sábado determinou que todo o valor arrecadado seja depositado em juízo, a partir de um mandado de segurança impetrado pelo advogado Luiz Henrique Eloy, representante dos grupos Aty Guasu e Conselho do Povo Terena.

 

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Comentários

2 comments

  1. Josué Borges de Oliveira Responder

    A cara de pau e o sinismo não têm limites. Para alguns, eu espero que o inferno exista.