A história do ódio no Brasil

Se tivesse nascido no Brasil, Gandhi não seria um homem sábio, mas um “bundão” ou um “otário”

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Se tivesse nascido no Brasil, Gandhi não seria um homem sábio, mas um “bundão” ou um “otário”

Por Fred Di Giacomo, do Gluck Project

As decapitações que chocam nos presídios eram moda há séculos e foram aplicadas em praça pública para servir de exemplo nos casos de Tiradentes e Zumbi (Reprodução/Gluck Project)

“Achamos que somos um bando de gente pacífica cercados por pessoas violentas”. A frase que bem define o brasileiro e o ódio no qual estamos imersos é do historiador Leandro Karnal. A ideia de que nós, nossas famílias ou nossa cidade são um poço de civilidade em meio a um país bárbaro é comum no Brasil. O “mito do homem cordial”, costumeiramente mal interpretado, acabou virando o mito do “cidadão de bem amável e simpático”. Pena que isso seja uma mentira. “O homem cordial não pressupõe bondade, mas somente o predomínio dos comportamentos de aparência afetiva”, explica o sociólogo Antônio Cândido. O brasileiro se obriga a ser simpático com os colegas de trabalho, a receber bem a visita indesejada e a oferecer o pedaço do chocolate para o estranho no ônibus. Depois fala mal de todos pelas costas, muito educadamente.

Olhemos o dicionário: cordial significa referente ou próprio do coração. Ou seja, significa ser mais sentimental e menos racional. Mas o ódio também é um sentimento, assim como o amor.  (Aliás os neurocientistas têm descoberto que ambos sentimentos ativam as mesmas partes do cérebro.) Nós odiamos e amamos com a mesma facilidade. Dizemos que “gostaríamos de morar num país civilizado como a Alemanha ou os Estados Unidos, mas que aqui no Brasil não dá para ser sério.” Queremos resolver tudo num passe de mágica. Se o político é corrupto devemos tirar ele do poder à força, mas se vamos para rua e “fazemos balbúrdia” devemos ser espancados e se somos espancados indevidamente, o policial deve ser morto e assim seguimos nossa espiral de ódio e de comportamentos irracionais, pedindo que “cortem a cabeça dele, cortem a cabeça dele”, como a rainha louca de Alice no País das Maravilhas. Ninguém para 5 segundos para pensar no que fala ou no que comenta na internet. Grita-se muito alto e depois volta-se para a sala para comer o jantar. Pede-se para matar o menor infrator e depois gargalha-se com o humorístico da televisão. Não gostamos de refletir, não gostamos de lembrar em quem votamos na última eleição e não gostamos de procurar a saída que vai demorar mais tempo, mas será mais eficiente. Com escreveu  Sérgio Buarque de Holanda, em “Raízes do Brasil“,  o criador do termo “homem cordial” : “No Brasil, pode dizer-se que só excepcionalmente tivemos um sistema administrativo e um corpo de funcionários puramente dedica­dos a interesses objetivos e fundados nesses interesses. Ao contrário, é possível acompanhar, ao longo de nossa história, o predomínio constante das vontades particulares que encontram seu ambiente pró­prio em círculos fechados e pouco acessíveis a uma ordenação im­pessoal” Ou seja, desde o começo do Brasil todo mundo tem pensando apenas no próprio umbigo e leva as coisas públicas como coisa familiar. Somos uma grande família, onde todos se amam. Ou não?

O já citado Leandro Karnal diz que os livros de história brasileiros nunca usam o termo guerra civil em suas páginas. Preferimos dizer que guerras que duraram 10 anos (como a Farroupilha) foram revoltas. Foram “insurreições”. O termo “guerra civil” nos parece muito “exagerado”, muito “violento” para um povo tão “pacífico”. A verdade é que nunca fomos pacíficos. A história do Brasil é marcada sempre por violência, torturas e conflitos. As decapitações que chocam nos presídios eram moda há séculos e foram aplicadas em praça pública para servir de exemplo nos casos de Tiradentes e Zumbi. As cabeças dos bandidos de Lampião ficaram expostas em museu por anos. Por aqui, achamos que todos os problemas podem ser resolvidos com uma piada ou com uma pedrada. Se o papo informal não funciona devemos “matar” o outro. Duvida? Basta lembrar que por aqui a república foi proclamada por um golpe militar. E que golpes e revoluções “parecem ser a única solução possível para consertar esse país”. A força é a única opção para fazer o outro entender que sua ideia é melhor que a dele? O debate saudável e a democracia parecem ideias muito novas e frágeis para nosso país.

Em 30 anos, tivemos um crescimento de cerca de 502% na taxa de homicídios no Brasil. Só em 2012 os homicídios cresceram 8%. A maior parte dos comentários raivosos que se lê e se ouve prega que para resolver esse problema devemos empregar mais violência. Se você não concorda “deve adotar um bandido”. Não existe a possibilidade de ser contra o bandido e contra a violência ao mesmo tempo.  Na minha opinião, primeiro devemos entender a violência e depois vomitar quais seriam suas soluções. Por exemplo, você sabia que ocorrem mais estupros do que homicídios no Brasil? E que existem mais mortes  causadas pelo trânsito do Brasil do que por armas de fogo? Sim, nosso trânsito mata mais que um país em guerra. Isso não costuma gerar protestos revoltados na internet. Mas tampouco alivia as mortes por arma de fogo que também tem crescido ano a ano e se equiparam, entre 2004 e 2007, ao número de mortes em TODOS conflitos armados dos últimos anos. E quem está morrendo? 93% dos mortos por armas de fogo no Brasil são homens e 67% são jovens. Aliás, morte por arma de fogo é a principal causa de mortalidade entre os jovens brasileiros. Quanto à questão racial, morrem 133% mais negros do que brancos no Brasil. E mais: o número de brancos mortos entre 2002 e 2010 diminuiu 25%, ao contrário do número de negros que cresceu 35%. É importante entender, no entanto, que essas mortes não são causadas apenas por bandidos em ações cotidianas. Um dado expressivo: no estado de São Paulo ocorreram 344 mortes por latrocínio (roubo seguido de morte) no ano de 2012. No mesmo ano, foram mortos 546 pessoas em confronto com a PM. Esses números são altos, mas temos índices ainda mais altos de mortes por motivos fúteis (brigas de trânsito, conflitos amorosos, desentendimentos entre vizinhos, violências domésticas, brigas de rua,etc). Entre 2011 e 2012, 80% dos homicídios do Estado de São Paulo teriam sido causados por esses motivos que não envolvem ação criminosa. Mortes que poderiam ter sido evitadas com menos ódio. É importante lembrar que vivemos numa sociedade em que “quem não reage, rasteja”, mas geralmente a reação deve ser violenta. Se “mexeram com sua mina” você deve encher o cara de porrada, se xingaram seu filho na escola “ele deve aprender a se defender”, se falaram alto com você na briga de trânsito, você deve colocar “o babaca no seu lugar”. Quem não age violentamente é fraco, frouxo, otário. Legal é  ser ou Zé Pequeno ou Capitão Nascimento.  Nossos heróis são viris e “esculacham”

Se tivesse nascido no Brasil, Gandhi não seria um homem sábio, mas um “bundão” ou um “otário”.

O discurso de ódio invade todos os lares e todos os segmentos. Agora que o gigante acordou e o Brasil resolveu deixar de ser “alienado” todo mundo odeia tudo. O colunista da Veja odeia o âncora da Record que odeia o policial que odeia o manifestante que odeia o político que odeia o pastor que odeia o “marxista” que odeia o senhor “de bem” que fica em casa odiando o mundo inteiro em seus comentários nos portais da internet. Para onde um debate rasteiro como esse vai nos levar? Gritamos e gritamos alto, mas gritamos por quê?

Política não é torcida de futebol, não adianta você torcer pela derrota do adversário para ficar feliz no domingo. A cada escândalo de corrupção, a cada pedreiro torturado, a cada cinegrafista assassinado, a cada dentista queimada, a cada homossexual espancado; todos perdemos. Perdemos a chance de conseguir dialogar com o outro e ganhamos mais um motivo para odiar quem defende o que não concordamos.

O discurso de ódio invade todos os lares e todos os segmentos (Reprodução/Gluck Project)

Eu também me arrependo muitas vezes de entrar no calor das discussões de ódio no Brasil; seja no Facebook, seja numa mesa de bar. Às vezes me pergunto se eu deveria mesmo me pronunciar publicamente sobre coisas que não conheço profundamente, me pergunto por que parece tão urgente exprimir minha opinião. Será essa a versão virtual do “quem não revida não é macho”? Se eu tivesse que escolher apenas um lado para tentar mudar o mundo, escolheria o lado da não-violência. Precisamos parar para respirar e pensar o que queremos e como queremos. Dialogar. Entender as vontades do outro. O Brasil vive um momento de efervescência, vamos usar essa energia para melhorar as coisas ou ficar nos matando com rojões, balas e bombas? Ou ficar prendendo trombadinhas no poste, torturando pedreiros e chacinando pessoas na periferia? Ou ficar pedindo bala na cabeça de políticos? Ficar desejando um novo câncer para o Reinaldo Azevedo ou para o Lula? Exigir a volta da ditadura? Ameaçar de morte quem faz uma piada que não gostamos?

Se a gente escutasse o que temos gritado, escrito e falado, perceberíamos como temos descido em direção às trevas interiores dos brasileiros às quais Nélson Rodrigues avisava que era melhor “não provocá-las. Ninguém sabe o que existe lá dentro.

Será que não precisamos de mais inteligência e informação e menos ódio? Quando vamos sair dessa infantilidade de “papai bate nele porque ele é mau” e vamos começar a agir como adultos? Quando vamos começar a assumir que, sim, somos um povo violento e que estamos cansados da violência? Que queremos sofrer menos violência e provocar menos violência? Somos um povo tão religioso e cristão, mas que ignora intencionalmente diversos ensinamentos de Jesus Cristo. Não amamos ao nosso inimigo, não damos a outra face, não deixamos de apedrejar os pecadores. Esquecemos que a ira é um dos sete pecados capitais. Gostamos de ficar presos na fantasia de que vivemos numa ilha de gente de bem cercada de violência e barbárie e que a única solução para nossos problemas é exterminar todos os outros que nos cercam e nos amedrontam.

Mas quando tudo for só pó e solidão, quem iremos culpar pelo ódio que ainda carregaremos dentro de nós.

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36 comments

  1. Nelson Responder

    Fantástico texto. Não é suficiente para mudarmos o rumo das coisas mas é um começo.

  2. Rodrigo Xavier Responder

    Interessante abordagem do autor. Parece que a internet intensificou o discurso violento que acaba alimentando as ações violentas. Atrás da tela “matam-se” milhares de pessoas todos os dias.
    Todos nós devemos tentar pensar antes de reagir verbalmente ou fisicamente contra alguém. E estou nesse grupo.
    Me amedronta o fato de o número de pessoas que se dizem cristãs terem aumentado no brasil e não se verifica esse reflexo na vida prática, os índices só aumentam também.
    Onde está o amor? Primeiro vou buscá-lo dentro de mim…

  3. Júlia Responder

    Uma sugestão: não teria como vocês colocarem os links para abrir em outra janela? Facilitaria muito a vida do leitor, agradeço desde já! (:

    1. Geovanne Nash Responder

      Aperte CTRL ao clicar no link.

    2. Liah Responder

      Aperta o botão direito do seu mouse em cima do link e clica “abrir em nova aba” (;

    3. Marcos Responder

      Tenta clicar usando a roda do mouse.

  4. Fred Di Giacomo Responder

    Olá, amigos, tudo bem? Fico feliz que vocês tenham gostado (e divulgado) do meu texto no Glück. Mas será que vocês poderiam republicar só o começo e depois deixar um link “Veja matéria completa no Glück Project”? Somos um site novo e independente e nossa audiência ainda está em construção. Quando o Google vê dois textos indênticos, ele geralmente penaliza o do site “menos relevante” por considerar plágio, o que pode derrubar nosso page rank. Obrigado pela compreensão e um abraço

    1. SPressoSP Responder

      Fred, confira sua caixa de “Outros” no seu perfil de Facebook

    2. Mari Luiza Responder

      Excelente texto, de fácil compreensão.
      Nossos jovens não conhecem a real história do nosso país. Somente àquela que o Sistema /educacional quer que ele aprenda.
      Recebi o texto quero divulgá-lo, mas não tenho o link, pode me enviar?
      Abraços

  5. Fernando Costa E Silva Responder

    Poxa, eu juro que queria escrever cada linha que você escreveu! A reflexão que você propôs se faz necessária demais! Parabéns por enxergar o que muitos não querem!

    1. Fred Di Giacomo Responder

      Obrigado, Fernando, espero que você curta meus outros posts lá no http://www.gluckproject.com.br. Grande abraço!

  6. Marcos Simião Grisi Responder

    estranho, poderia falar um pouco da (ÁFRICA) e o que acontece lá por falta apenas de comida??? No Brasil nós só temos (UM PROBLEMA) a corrupção. pq temos adolescentes usando drogas dentro das escolas do estado??? a polícia sabe, tb sabe e conhecem todas as biqueiras e pontos de droga das regiões mas, para q prender??? se amanhã estarão soltos. penso q as pessoas precisam começar a fazer pesquisa com famílias q levaram para o resto de suas vidas as dores de uma perca. Acidentes de trânsito?? tanto quem escreveu como quem leu já se perguntaram para q serve aquela alavanca ao lado do volante?? os carros de hj podem sair das fábricas sem seta pois, as mesmas não são usadas por ninguém, ricos, pobres, jovens, velhos, mulheres, etc… temos sim um déficit de fiscalização mas, todo mundo sabe. Todo ladrão adulto e adolescente sabe, se roubar, traficar, matar, estuprar, etc… todos sabem o resultado então, pq são em quase sua maioria reincidentes?????? será q cristo surrou a todos os camelôs em frente ao seu templo apenas para se exercitar??? O mal tem sim q ser combatido e da melhor maneira possível e digo mais… a famosa frase (BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO) esquartejado, esfaqueado, atropelado, linchado, seja lá como for. As famílias precisam de paz, (O BRASILEIRO É BÁRBARO)??? me desculpe, quem escreveu isso não conhece BRASILEIRO. vou dar uma dica (EXPERIMENTE ESCREVER SOBRE A IGREJA CATÓLICA, SÉCULO XV, INQUISIÇÃO) querem conhecer barbárie??? o mal está em todos os lados, só mais uma coisa… O princípio da democracia é (DIREITOS E DEVERES) E SIM, ESSE É O MAIOR ERRO DE TODOS OS POVOS, conhecerem apenas seus direitos.

    1. iamKawa Responder

      Você jura que depois de ler o texto você escreveu um comentário assim? Cara, que pena que eu sinto de você neste momento, sério! Procuro não ter dó das pessoas, mas você realmente não entendeu nada, coitado!

  7. Fred Di Giacomo Responder

    Obrigado, Jones!

  8. Fred Di Giacomo Responder

    Obrigado, Pedro. Tenho mais alguns textos lá no http://www.gluckproject.com.br. Espero que curta também :-)

    1. Tatiane Carmo Responder

      Não consigo mais abrir sua pagina! :(

  9. Fernando Augusto Almeida de Ab Responder

    Cara que texto incrível. Obrigado por proporcionar essa reflexão mais profunda nos problemas sociais que andamos enfrentando.

  10. Lorena Melirra Responder

    Eu realmente precisava ter lido isso, obrigada.

  11. Luciano Ferreira Responder

    Belo texto, mas é aí ? Qual seria a solução efetiva? Parar de ficar com raiva dos problemas crassos do Brasil? Na prática o que mudaria? Não acorrentar o marginal no poste também vai mudar alguma coisa? Não desejar que os políticos corruptos morram, irá melhorar o país em algo? Vejo muitos ativistas do direitos humanos dizendo que não se pode odiar os bandidos pois eles são apenas vítimas do sistema, mas nunca vi um sequer apresentar uma solução ou fazer algo para reduzir esse problema. A questão é que o brasileiro está desse jeito porque está cansado e confuso diante desses problemas. A corrupção enlouquece, a violência enlouquece, saúde e educação precárias enlouquecem, o que acaba surgindo um estresse generalizado. O brasileiro é mau educado também, mas isso é fruto de um longo investimento do governo em deixar as pessoas burras, mau educadas e confusas. Essa raiva generalizada é extremamente fomentada pelo Estado, pois pessoas unidas e felizes têm mais força contra a política. Basta comparar o Brasil à Ucrânia, que se percebe que nosso país ainda tem muito o que aprender sobre revolução. Por enquanto só digo que não ter raiva uns dos outros não é a solução e também não é o problema principal, e sim a informação e educação.

  12. Laura Responder

    Texto irretocável que adoraria ter escrito!

  13. Lucila Responder

    Perfeito! Conseguiu organizar em texto também a minha forma de pensar. Parabéns pela magnifica escrita.
    Tomara esse ato seja também capaz de provocar reflexões e mudanças de comportamento.
    Obrigada

  14. João Haroldo Diniz Responder

    Gostei demais do texto, é um começo para repensarmos nossas atitudes,como conheço um pouco de Espíritismo ,nós nos colocamos como Kardec ,que fora da caridade não há salvaçào ,(evolução) devemos ver todos os acontecimentos, como explica a doutrina ,estamos num planeta de provas e expiação,esses tempos de todo tipo de barbáries,entendemos que os espíritos encarnados fazem o que querem ,mas responderão pelos seus atos, não devemos cultivar ódio, pois toda plantação resulta numa colheita,e que todos nós vamos evoluir, quer queiramos ou não,então vamos fazer preçe por todos os irmãos que tem ódio pois ele vai responder por ele,isto é políticos corruptos,etc,etc…

  15. bruna Responder

    Excelente texto, mas gostaria que o autor apresentasse as fontes dos dados citados no texto. Obrigada.

    1. Fred Di Giacomo Responder

      Oi, Bruna, tudo bem? O texto foi originalmente publicado no Glück Project com todas as fontes: http://www.gluckproject.com.br/a-historia-do-odio-no-brasil. Replico elas aqui: Anuário de Segurança Pública: http://www.forumseguranca.org.br/produtos/anuario-brasileiro-de-seguranca-publica/7a-edicao. Homicídios e Juventude no brasil: http://www.mapadaviolencia.org.br/mapa2013_jovens.php. Dados de homicídio com armas de fogo: http://www.mapadaviolencia.org.br/mapa2013_armas.php

  16. Felipe Responder

    Texto bem escrito, porém discordo de tudo. (1) Na nossa caótica realidade, quem tenta ser ‘de bem’ não muda nada, pois bandidos não lêem essas coisas bonitinhas na internet e continuarão brutais, armados, e sem entrar em diálogo.(2) Os políticos corruPTos vão dar risada de um texto destes, como o lula que aplaudiu o discurso de ódio à classe média, em meio às gargalhadas.(3) O texto eh utópico e ingênuo, pois deseja implicitamente o desarmamento e comete o absurdo de enfiar a culpa (ou causa) da violencia no tal discurso de ódio dos q pedem por mudança. Mas sabemos que a culpa da violencia está na corrupção, nas prioridades erradas e na mídia e$$$$timulando alienação ao invés de usar seu poder de influência pra pedir justica. (4)Os poucos que xingam, protestam, escrevem: geralmente estão certos, mas incomodam muito o estado, incomodam muito a turma dos direitos humanos. Portanto, o autor pede que entreguem suas armas e calem seu ‘discurso de ódio’. Mas quem o autor quer proteger com a passividade do cidadao cordial que atualmente pede cabeças (leia-se, pede justiça) de bandidos!? De bandidos assassinos e de bandidos ladrões na politica. (5)Porque sera que uns pedem justiça enquanto outros pedem silêncio? Reflita sobre isso. O silencio dos bons é a coisa mais perigosa no cenário de corrupção escancarada em que vivemos. E quanto a mim, prefiro ver um desabafo verbal (Sherazade) do q mais um latrocínio na rua.
    (6)E por expor minhas opinioes, talvez alguem desista de refuta-las e apenas me ataque diretamente, tentando dizer q nao entendi o texto etc, como observei em outros comentários. Quanta infantilidade.
    (7) O grito nao eh por mais violencia, eh por prevenção (= segurança publica) e por justiça! Portanto, entre o grito (por justiça, por ordem, por mudança) e o silencio, eu fico com o grito do homem cordial.

    1. Christiane Responder

      concordo com tudo que vc disse!!!

  17. ana kanzler Responder

    Como dissseram outros leitores acima, voce conseguiu escrever muitos dos meus pensamentos. Continue produzindo pois, nós brasileiros temos que aprender a ler, refletir, reproduzir e colocar em prática. Parabéns.

  18. Ricardo Schmidt Responder

    Enquanto muitos se ocupam em destilar ódio como remédio para todos os males, um texto lúcido e coerente, como esse, propõe um reflexão para que nos vejamos como de fato somos.

  19. Alexandre Taricano Junior Responder

    Eu só vejo a educação como solução para todos os problemas do Brasil. O aluno deve permanecer na escola período integral, alimentado, fazendo exercício fisico, e controlando seus impulsos animais, por meio da convivência com outras pessoas. Sendo educado para ser cidadão e não operário, educação formal e não instrumental. Assim não perguntar porque tem que saber o valor de delta, ou porque estudo História se não vou usar.

  20. Peterson Silva Responder

    É um texto muito inspirado, mas cuidado com o apagamento! Dizer que o problema está na “violência” é jogar toda violência num mesmo saco e dizer “olhem, ali está o problema!”. Embora eu concorde que seria uma boa ideia parar, respirar, e começar a dialogar muito mais do que essa ideia difundida de que as coisas se resolvem na força, não se pode esquecer que o discurso da paz é o preferido da manutenção do status quo. Não se pode confundir a violência do opressor com a reação do oprimido – e acho que pra fazer esse discernimento é importante não apenas inteligência, mas empatia também; afinal, o que você escreveu sobre a ideia de “gente de bem” cercada de gente por mal (ou seja, um jeito tipicamente ocidental, falogocêntrico contemporâneo de lidar com a alteridade; por exemplo: https://www.youtube.com/watch?v=A8lO1ot-uS4) está também ligado ao individualismo, à atomização social, especialmente na sociedade de massa em que vivemos.

  21. Higor Damaso Responder

    Apesar de não concordar com tudo, achei um ótimo texto, pois como o autor mesmo propõe, a geração de ódio está um buraco muito mais em baixo do que aparenta.
    Por exemplo, eu não acho que todos que dizem “tiro na cabeça dos políticos” realmente queiram que eles sejam baleados, mas o fato da não punição ou aquelas penas de prisão domiciliar, penas finais que caíram mais da metade desde a que fora proposta inicialmente etc, enquanto eles roubam milhões de reais dos cofres públicos que poderiam ser usados para diminuir esses índices demonstrados no texto, nos faz pensar que o mundo seria um lugar melhor sem eles nos representando. Por isso, quando se vê um Capitão Nascimento espancando a cara de um político, você se sente satisfeito por ele sair prejudicado de alguma forma, ou seja, como vc vê que o sistema não o pune, vc fica feliz dele ser punido de outra forma que o sistema não foi capaz de abarcar.
    quanto aos índices de homicídios, eu já acredito que deveria haver uma série de reformas na Lei que vão desde o treinamento de policiais e maioridade penal até programas de distribuição de renda mais igualitários para a sociedade e de educação de uma forma geral.
    De qualquer forma, a introdução dessa discussão foi colocada de uma maneira bem simples e direta. Parabéns pelo texto!!

  22. Ricardo Caselli Moni Responder

    O que foi colocado no texto não é nada mais nada menos que a cultura , a formação , do povo brasileiro . A Casa Grande e a Senzala . Vide nossa a nossa formação e entender por que somos assim . A violencia na Senzala e a exubernacia da Casa Grande . O grande desafio será a mudança da cultura . A nossa formação explica tudo : o escravo , o indio e o português …. Levar vantagem , não trabalhar , malandragem : “Ópera do Malandro !” e depois para finalizar temos a globalização da Sociedade do Espetáculo ou a Civilização do Espetáculo onde tudo é consumido, improfanável , e vira um espetáculo onde nos mostram o que eles querem que vejamos para dar audiencia . Cultura e Educação sempre foram alicerces das grandes sociedades . E a nossa , qual é o alicerce ? A tríade acima propalada alimentada por outra tríade : americanização ,globalização e capitalismo . Ou seja se quisermos mudar teremos que esperar muitas gerações …….

  23. Ivone Responder

    Falando em ódio……E a filósofa que diz odiar a classe média…..????..eta nós… só servimos para pagar impostos…..tststs.. Sem ter retorno nenhum….Devem nos odiar, mesmo…..

  24. alan Responder

    Cruz-credo! E eu que já me imaginava uma espécie de solitário “Patinho feio” do ódio, perseguido por muitos, desde atendentes a vendedores, passando por vizinhos de bairro e agora, perplexo, descubro que sou apenas um cidadão brasileiro, como os outros cuja única diferença é que eles são religiosos e eu, graças a Deus, não.

  25. Oleisa Responder

    Texto mega reflexivo! Sintetizo generalizando assim: o outro eh o errado! Ele eh o culpado !Eu eu tenho razão,não erro ! “Odeio” quem pensa diferente de mim.
    ……e se pensarmos para nos o que desejamos ao outro?
    Educação!!! Mudança de atitudes! Compreensão! Será muito para os humanos deste milênio???

  26. Mário Responder

    Um texto lindo e reflexivo, até que um bandido mate alguém de nossa família, estupre uma das nossas filhas ou roube o que conseguimos com esforço. A bandidagem está se lixando pra essas reflexões.