O Ministério da Saúde se acovarda e as mulheres sentem no útero

Qualquer brasileiro que estudou história na escola sabe que nosso país é laico. Diferente de lugares como o Afeganistão, onde uma liderança religiosa tem soberania para governar com base em suas crenças, nossa legislação prevê o respeito igualitário entre todas as religiões. Mas e...

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Qualquer brasileiro que estudou história na escola sabe que nosso país é laico. Diferente de lugares como o Afeganistão, onde uma liderança religiosa tem soberania para governar com base em suas crenças, nossa legislação prevê o respeito igualitário entre todas as religiões. Mas e se você descobrisse que existe um grupo religioso no Brasil que detém poder absoluto para criar e mudar leis, impedir políticas públicas e até mesmo barrar o acesso de pessoas – especialmente aquelas com crenças divergentes – ao atendimento de saúde? Saiba que essa é a realidade atual – em pleno ano de 2014, no mesmo Brasil que você pensa que conhece.

A grande evidência disso pode ser vista hoje, quando foi publicada no Diário Oficial da União, a Portaria 437, que revoga a Portaria 415/14 – aquela que regulamentava e tornava mais acessível o aborto pelo SUS, nos casos que já eram permitidos legalmente: gravidez gerada por estupro, risco de morte para a mulher e anencefalia do feto. O Ministério da Saúde do governo Dilma simplesmente voltou atrás, num tremendo ato de covardia e ausência de compromisso com a vida de milhares de mulheres brasileiras.

Mas, afinal de contas, é ano de eleição e a bancada fundamentalista leva o país na coleira. Para o desespero das mulheres, pessoas da sigla LGBT, negros e indígenas, vivemos um governo que não se importa com Direitos Humanos e não pensa duas vezes antes de trocar a dignidade básica de seus cidadãos por votos manipulados.

Para quem compactua com essa bancada e baixa a cabeça diante de suas ameaças, a vida das mulheres não interessa. A quem sensibiliza uma adolescente que foi estuprada e sofre diariamente com o atraso da menstruação? É inadmissível que obrigar uma mulher estuprada a gerar um filho de seu agressor não seja considerado antiético e violento. As mulheres do Brasil são rebaixadas à condição de objeto, sem direito ao próprio corpo, sem socorro e sem empatia daqueles que deveriam zelar por sua cidadania. E a cena desse quadro de horror é protagonizada por uma mulher presidenta.

É difícil se convencer de que essa é a única realidade possível e aceitar a resignação que querem nos impor. Será que passou da hora de buscar mobilização nacional entre grupos das ditas minorias para que nosso Estado se lembre de sua laicidade? Esquecemos da nossa força? É preciso agir; afinal, quanto vale o nosso voto? O valor pode ser mensurado pelo número de mulheres que morrem todos os anos vítimas do aborto clandestino, em sua maioria negras e pobres, condenadas a um destino que a Bolsa Família não pode solucionar.

Quem erradica a miséria das mulheres?


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Comentários

15 comments

  1. Marcio Responder

    É derradeiro considerar que qualquer partido político que levante a bandeira do aborto no Brasil, ainda que nos casos mais graves, está fadado à morte política. A igreja, principalmente, tem uma influência diante da opinião pública muito grande nesse tipo de decisão. Não é covardia da presidenta, não é qualquer partido que vai mudar a polêmica no atual momento conturbado em que passa as instituições políticas. Esse tema terá que ser revisto, pensado e analisado, mas não agora.

  2. adonicom Responder

    É necessário que as mulheres se mobilizem para garantir direitos básicos, pois nessa cruzada vence quem luta. Os partidos e políticos religiosos querem é dificultar que se diminuam os nascimentos para que haja mais pobres, analfabetos e manipulados para sua legião de doutrinados alienados… O Estado brasileiro é LAICO logo não podem ser critérios religiosos que irão guiar o futuro da Nação e sim, cada religião adote e utilize, entre seus doutrinados, os próprios critérios e deixem para o restante do povo a opção democrática de escolher o que lhe apetece… Sou ateu e acredito que a religião é uma forma de opressão social e política, mas não saio por aí pregando contra quem tem fé, pois creio no direito inalienável de cada um fazer suas escolhas.

  3. Dharly Responder

    Indico a leitura do ARTIGO A QUESTÃO DO ABORTO escrito por Drauzio Varella
    http://drauziovarella.com.br/mulher-2/gravidez/a-questao-do-aborto/

  4. Flavio Responder

    Quem escreveu isso é que deveria ter sido abortado.
    Covarde, é muito fácil querer eliminar um problema executando um ser indefeso.
    Se houvesse pena de morte a estuprador, o camarada iria pensar antes de estuprar.

    1. Patricia Responder

      Concordo!! De fato, independente de religião, é uma questão de bom senso. Assassinato é assassinato independente da política ou da religião. Sou a favor da PENA DE MORTE PARA ADULTO, NÃO PARA UM SER PURO E INDEFESO.

  5. FERNANDO JOSE CHUSCA Responder

    Me diga a que grupo religioso vc está se referindo?

  6. FERNANDO JOSE CHUSCA Responder

    A que grupo religioso vc esta se referindo?

  7. osair oliveira novaes Responder

    o problema não é a legalidade do aborto, mas sim o abuso por parte dos irresponsáveis que em pelo seculo 21 com existência de de camisinha, pilula do dia seguinte e outras cositas más, trasam engravidam, e depois abortam como se a vida fosse qualquer coisa, se houver a aprovação e não houver controle, haverá o abuso.

  8. Gilberto Responder

    Olha nao tenho nenhuma religião, mas nao apoio esse tipo de lei, acho um absurdo vcs quererem colocar uma lei dessa.
    Vcs falam que estao pensando na mulher, mas nao tao pensando coisa alguma.
    Alem disso tem um inocente que esta para vir ao mundo e esse inocente nao tem culpa de nada.
    Se caso a mãe nao quiser criar esse inocente por algum motivo.
    Tem mulheres que nao podem gerar filhos que querem adotar uma criança.
    Nao sejam ipocritas, mas pense na vida, nos outros.
    NAO SOMENTE NO VCS QUEREM, PORQUE SAO A MINORIA

  9. José Tiago Responder

    Falácias e mais falácias marxistas. Mulheres (femininas) do meu brejil (dos PTralhas), digo, Brasil, o aborto é assassinato de inocente! As feministas, filhotes de Lênin, são um verdadeiro câncer! Não caiam nesse engodo.

  10. Aldo Mello Responder

    Com todo respeito, mas deverias te informar melhor sobre política e administração. Nosso país não é laico. O estado sim! País é igual a nação, conjunto formado por povo, território e cultura, e religião faz parte da cultura. Estado é o conjunto de instituições que administram uma nação, subordinado aos três poderes. Outro sim, é que DEMOCRACIA é a legítima expressão da maioria do povo, mesmo que haja uma minoria que discorde. Suas palavras rançosas como FUNDAMENTALISTA só demonstra sua insatisfação com a opinião da maioria discordante. Veja suas palavras: “Para quem compactua com essa bancada e baixa a cabeça diante de suas ameaças, a vida das mulheres não interessa”. Você não fala da vida das mulheres, mas sim da comodidade. Vida se fala dos embriões humanos, que pessoas descartáveis se sentem no direito de eliminar como se animal fosse. Aliás, animais no Brasil são mais protegidos que pessoas. A única realidade, é que a força popular, DA MAIORIA por enquanto ainda está vencendo a ignorância de minorias egoístas. Quem não concorde, que se mude para uma nação que compartilhe destes preceitos mesquinhos. Por enquanto, o Brasil é uma nação de pessoas moralmente honradas e decentes na sua maioria.

  11. santos Responder

    Estupro? ai você esta tirando o direito a vida de um ser inocente! Queria saber se você gostaria de ser abortada!

  12. Patricia Responder

    Independente da política ou religião, assassinato é assassinato. Como nosso amigo aí mencionou, se existisse pena de morte para o estuprador, o camarada pensaria melhor antes de praticar tal ato. Sou a favor da PENA DE MORTE PARA O ADULTO SEM VERGONHA, NÃO PARA O SER PURO E INDEFESO. De fato, como tbm foi mencionado…existem mulheres que adorariam ter filhos e não podem. Se é pobre e não pode criar, não mate a criança…eu como inúmeras mulheres sei que sim, adorariam adotar! Aborto é assassinato, independente da política, e religião. Se não quer engravidar, PREVINA-SE. Se foi abuso/estupro, votemos por LEIS DE PUNIÇÃO MAIS SEVERAS, não á legalização dessa monstruosidade, porque não é assim que vamos resolver.

  13. Boechat Responder

    A lei sancionada pela presidente Dilma Rousseff visa autorizar o aborto
    A Portaria 415 do Ministério da Saúde, publicada nesta quinta-feira (22), oficializou o aborto nos hospitais do Brasil, e o Sistema Único de Saúde pagará R$ 443 pelo procedimento.

    A lei sancionada pela presidente Dilma Rousseff visa autorizar o aborto para casos de estupro e anencéfalos, mas deixa brechas para a prática geral: a mulher não é obrigada a apresentar Boletim de Ocorrência policial ao médico que a atender, e uma única vírgula no texto da portaria abre interpretações jurídicas que podem causar a liberação do aborto sob qualquer motivação.

    Sem B.O., a mulher interessada em abortar pode alegar que foi estuprada, mesmo que tenha semanas de gestação e tenha decidido não ter o bebê. A lei não é clara sobre se o procedimento deve ser imediato logo após o estupro.

    E o texto da Portaria pode abrir brecha para o aborto em casos gerais: “consiste em procedimento direcionado a mulheres em que a interrupção da gestação é prevista em lei, por ser decorrente de estupro, por acarretar risco de vida para a mulher ou por ser gestação de anencéfalo’’.

    Em suma, há três motivações. A vírgula abre interpretações como: o ‘risco de vida para a mulher’ não está necessariamente ligado à causa estupro. A gestante pode alegar qualquer risco à sua saúde, mesmo que não tenha sido estuprada.

    Procurada para se posicionar sobre as questões supracitadas, a assessoria do Ministério da Saúde informou que não teria resposta a tempo para a noite de ontem. Um assessor também informou que não enviaria uma posição por e-mail devido à alta demanda por outros assuntos na pasta.

    MEMÓRIA – O projeto surgiu anos atrás, apresentado pela então deputada federal Iara Bernardi (PT-SP), e só ano passado tornou-se o PLC 3/13, aprovado e sancionado.

    Leandro Mazzine

    TO MALUCA OU ELA ASSINOU A FAVOR? EU SOU A FAVOR!!!

  14. Mary Responder

    Que interessante: os mesmos que incentivam leis de liberação do aborto são os que acusam, condenam e criticam aquelas mulheres que, ao darem à luz, jogam seus filhos em caçambas, lixões, rios, etc. Incoerente, não?