O afundamento moral do governo de Israel

Por Reginado Nasser,  As ações militares de Israel colocam o país num situação insustentável. Creio que a desastrada nota, nada diplomática, do governo de Bibi, chamando o Brasil de “anão diplomático” é mais consequência do que propriamente causa do isolamento político...

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Por Reginado Nasser, 

As ações militares de Israel colocam o país num situação insustentável. Creio que a desastrada nota, nada diplomática, do governo de Bibi, chamando o Brasil de “anão diplomático” é mais consequência do que propriamente causa do isolamento político de Israel. O que revela, mais uma vez, o hábito de reagir de forma “desproporcional” a qualquer crítica às suas posições. 

Eliane Cantanhêde, sempre muito ácida em relação à política externa de Dilma, conclui em sua coluna do último dia 25,  na Folha de S. Paulo, que “a posição brasileira, clara e dura, marca uma inflexão da política externa de Dilma, a meses do fim do governo, e confirma que Israel perdeu a guerra da opinião pública internacional e está cada vez mais isolado.” Denise Crispin, no Estadão, ouviu o ex-chanceler do governo FHC, Lampreia, que avaliou a reação do governo israelense como “exagerada e injuriosa” e complementou dizendo que Israel “se vale da lei de talião até as ultimas consequências”. Rubens Barbosa, coordenador da campanha de Aécio, ponderou que o Brasil deveria ter condenado o Hamas, mas que agiu corretamente ao condenar o uso da força de forma desproporcional.

No Estadão da última sexta-feira, o sempre antenado Gilles Lapouge avalia da seguinte forma a posição de Israel no mundo: “Em Israel há 4,5 milhões de palestinos árabes sob ocupação israelense, que assistem petrificados ao que vem ocorrendo na Faixa de Gaza. Uma espécie de África do Sul à época do apartheid está em vias de se formar neste país de Israel que foi outrora uma magnífica democracia e uma das glórias do mundo. A comunidade internacional, que há muito tempo tem se mostrado condescendente com Israel, acha cada vez mais difícil assistir, sem reagir, a esse salto para a desgraça”. Não diria que Israel é um “anão diplomático”, frase infeliz, eivada de preconceito; mas que não é aquilo que imagina ser. Sua prepotência e arrogância se sustentam por estar nos ombros do gigante (EUA).

Questionado por Diego Bercito, da Folha, sobre a razão de ataques sem aparente objetivo militar, como as quatro crianças recentemente mortas na praia, o advogado palestino Raji Sourani, fundador do Centro Palestino para os Direitos Humanos, compara a ocupação israelense dos territórios palestinos a uma areia movediça. Há um “afundamento moral”. “Depois de um tempo, você se move e afunda sem perceber. Eles não sentem mais, pois crêem ter o monopólio da palavra ‘vítima’.”

Ponto para a política externa de Dilma.


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