Bancada eleita do PSOL declara voto em Dilma Rousseff

Em manifesto, parlamentares da legenda afirmam que avanço da ultradireita é “preocupante” e que o momento pede posicionamento político.

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Em manifesto, parlamentares da legenda afirmam que avanço da ultradireita é “preocupante” e que o momento pede posicionamento político

Por Redação

Depois que Marcelo Freixo, deputado estadual reeleito pelo Rio Janeiro com o maior número de votos, e Jean Wyllys, reeleito à Câmara dos Deputados Federais, ambos pelo PSOL fluminense, declararam apoio e voto a Dilma Rousseff, a bancada federal do Partido Socialismo e Liberdade divulgou manifesto coletivo em que se posiciona a favor da candidatura petista e afirma que o avanço da ultradireita é “preocupante”.

O manifesto, que é assinado por todos os deputados federais eleitos pelo PSOL, elenca sete pontos por que é necessário frear o avanço da candidatura de Aécio Neves (PSDB). “O PSOL vê com preocupação o avanço conservador no Congresso Nacional, com a votação expressiva de representantes da ultradireita, do fundamentalismo, do corporativismo empresarial e latifundiário, do ruralismo antirreforma agrária e violador dos direitos indígenas, do patrimonialismo, do discurso de ódio à diversidade e aos direitos humanos e do clientelismo dos currais eleitorais”, diz o manifesto.

dilma jean

Em outro ponto, o documento busca deixar claro por que os parlamentares resolveram tornar público o seu apoio à candidatura do Partido dos Trabalhadores. “Diante da composição de forças políticas e sociais que se constituiu, com os vínculos entusiasmados dos setores mais conservadores e retrógrados com a candidatura tucana, e do retrocesso que isso pode representar, dentro dos marcos aprovados pelo PSOL em Resolução divulgada em 8/10, declaramos nosso voto em Dilma”, explica o texto.

Marcelo Freixo foi a primeira liderança do Partido Socialismo e Liberdade a declarar o seu voto em Dilma Rousseff. Em sua declaração, Freixo disse que possui muitas críticas ao PT e ao governo Dilma, mas que não “admite a possibilidade de um retrocesso que possa haver com um governo tucano. Independente do que o partido vier a decidir, eu vou votar na Dilma no segundo turno”, disse o deputado mais votado no estado do Rio de Janeiro.

A seguir, confira o manifesto dos deputados federais eleitos do PSOL em apoio à candidatura de Dilma Rousseff:

“Nós, deputados federais do PSOL, trocando ideias e respeitando os princípios partidários, como é nosso dever, construímos uma posição COLETIVA – serena e clara – diante do embate do 2º turno presidencial:

1. Um pleito em 2º turno, quando nosso projeto partidário não está ali representado, é mais uma eleição do não do que do sim;

2. O PSOL vê com preocupação o avanço conservador no Congresso Nacional, com a votação expressiva de representantes da ultradireita, do fundamentalismo, do corporativismo empresarial e latifundiário, do ruralismo antirreforma agrária e violador dos direitos indígenas, do patrimonialismo, do discurso de ódio à diversidade e aos direitos humanos e do clientelismo dos currais eleitorais;

3. No plano nacional, há uma divisão na sociedade, com os setores mais à direita, do privatismo total, da corrupção estrutural e sistêmica, de parte significativa da mídia grande e dos avessos à participação popular alinhados com Aécio, isto é, com PSDB, DEM, PTB, PSC; de outro, com as evidentes contradições do PT e do governo Dilma, assemelhado aos tucanos até na continuidade da corrupção, alinham-se movimentos, personalidades e partidos com viés mais progressista;

4. Para nós, do PSOL, nossa missão principal nesta disputa eleitoral encerrou-se no 1º turno, no qual, nos estados e no país, com Luciana Genro, afirmamos nossas propostas programáticas básicas e um novo modo de fazer campanha política, sem os aparatos enganosos das candidaturas milionárias, prisioneiras de empreiteiras, bancos, frigoríficos e mineradoras que as financiam;

5. Sem qualquer intenção de participação num eventual novo governo ou de formar ‘base de sustentação’ a ele, manteremos nossa condição de oposição programática de esquerda, seja qual for o(a) presidente eleito(a), preservando assim, nossa posição crítica, fiscalizadora e propositiva;

6. Diante da composição de forças políticas e sociais que se constituiu, com os vínculos entusiasmados dos setores mais conservadores e retrógrados com a candidatura tucana, e do retrocesso que isso pode representar, dentro dos marcos aprovados pelo PSOL em Resolução divulgada em 8/10, declaramos nosso voto em Dilma;

7. Seguiremos na luta, nas ruas, nas redes e nos parlamentos, por Reforma Política com participação popular, por Reforma Tributária que grave os mais ricos, por políticas de superação estrutural da desigualdade social e inter-regional, pela auditoria da dívida, pelo combate a todas as discriminações, por uma política externa independente da hegemonia estadunidense e por um Brasil livre, soberano, justo, igualitário e fraterno.

Brasília, 10 de outubro de 2014

Edmílson Rodrigues (PA)
Chico Alencar (RJ)
Jean Wyllys (RJ)
Ivan Valente (SP)
DEPUTADOS ELEITOS PELO PSOL”

Foto: Coligação com a Força do Povo

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