“Nós, Mulheres da Periferia” e o protagonismo feminino

Coletivo é mais um dos convidados que fazem parte do seminário "A Periferia no Centro", organizado pela revista Fórum, na próxima sexta-feira (14). Confira entrevista com integrante do movimento.

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Coletivo é mais um dos convidados que fazem parte do seminário “A Periferia no Centro”, organizado pela revista Fórum, na próxima sexta-feira (14). Confira entrevista com integrante do movimento

Por Igor Carvalho

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Trazer as mulheres da periferia para o protagonismo de suas lutas, revelar seus dilemas e anseios. Esses são alguns motivos para a criação do coletivo “Nós, Mulheres da Periferia”, que já nasceu fundamental.

“Em uma sociedade machista, ser mulher já é um grande desafio. Ser mulher e ser da periferia torna essa missão pelo menos duas vezes mais difícil”, definiu o grupo, em entrevista ao Outras Palavras em maio deste ano, dando a exata dimensão do quão importante e difícil pode ser a atuação do movimento pelas quebradas paulistanas.

Na próxima sexta-feira (14), no Museu de Arte Moderna (MAM), o “Nós, Mulheres da Periferia” vai estar no seminário “A Periferia no Centro”, organizado por Fórum. O grupo, que integra a primeira mesa, “Movimentos de Rede e Movimentos de Rua”, irá falar sobre sua atuação pelas periferias e dividir experiências.

Para participar do seminário, assim como saber mais informações sobre a programação, entre no site.

Em entrevista à Fórum, Semayat Oliveira, que vai representar o coletivo, adiantou alguns aspectos que serão debatidos no evento.

Fórum – Como surgiu o Nós, Mulheres?

Semayat Oliveira – Todas as integrantes do coletivo se conheceram no Blog Mural, veículo sustentado por mais de 40 correspondentes periféricos com a missão de publicar notícias da periferia com um olhar mais ampliado e positivo do que a grande mídia. E com o compromisso de acabar com os estereótipos. Perto do dia das mulheres de 2012, a editora convidou 5 das atuais integrantes para refletir o tema ‘gênero para as mulheres da periferia’. Nasceu o artigo ‘Nós, mulheres da periferia’, publicado na [seção] Tendências/Debates da Folha de S. Paulo. O texto foi, unicamente, baseado na nossa experiência, vivência, cotidiano. Com a repercussão e a reação de identidade das mulheres, entendemos que conhecer o funcionamento da mídia, sermos mulheres, jornalistas e periféricas nos trazia a partir dali um desafio e o compromisso: ocuparmos o vazio latente que o primeiro artigo nos comprovou existir.

Fórum – De que forma as mulheres da periferia têm dialogado com as demandas apresentadas pelo movimento?

Oliveira –A reação ao nosso coletivo foi positiva desde o início. Nosso trabalho começou na rede, nosso termômetro para decidir por um site foi a rede social, exatamente pelo primeiro artigo ter tido muitos compartilhamentos de mulheres que se identificaram com a gente. E isso continua! Mas nosso trabalho também passa e se fortalece muito pelo movimento de rua. E aí, nosso principal contato é durante as entrevistas e em rodas de conversa. Quando convidamos uma mulher para ser entrevistada, percebemos o quanto a história dessas mulheres nunca foi ouvida e o quanto elas estranham que alguém ache interessante ouvir. Mas depois da prosa travada, o quanto elas falam e se interessam por essa missão de valorizar suas trajetórias é encantador. Por isso, depois de publicado o texto, muitas já nos procuraram para agradecer.

Fórum – Qual a importância de se debater a periferia neste momento?

Oliveira – Na visão feminina, é a importância de valorizar uma mulher que sempre trabalhou, sustentou seu lar, cuidou de seus filhos e encontrou, no coletivo ou solitária, uma solução para os problemas do dia a dia. Da moradia, da criação dos filhos, da falta de creche, do sustento do lar. É como escrevemos em nosso primeiro artigo, o que nos originou: “Se a periferia tivesse sexo, certamente seria feminino. Como coração de mãe, ela abraça os seus filhos sem distinção, sem ver se é belo ou feio, dentro ou fora dos padrões”.

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