Rearticular e ampliar os Pontos de Cultura será uma prioridade do MinC, garante Ivana Bentes

Em entrevista exclusiva, a nova secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do ministério admitiu que a política dos pontos de cultura foi deixada de lado nas últimas gestões e firma compromisso com sua retomada; foco na cultura de periferia e na mídia livre são...

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Em entrevista exclusiva, a nova secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do ministério admitiu que a política dos pontos de cultura foi deixada de lado nas últimas gestões e firma compromisso com sua retomada; foco na cultura de periferia e na mídia livre são outras demandas para os próximos quatro anos

Por Ivan Longo

Produtores culturais, artistas, coletivos e movimentos de todo o país podem comemorar: a maior política pública no âmbito cultural já criada no país – os Pontos de Cultura – está prestes a ser retomada. Pelo menos é o que garante Ivana Bentes, a mais nova secretária de Cidadania e Diversidade do Ministério da Cultura.

No início do mês, Ivana participou de uma série de eventos com agitadores culturais da periferia e, em um deles, com a Liga do Funk de São Paulo, concedeu uma entrevista exclusiva à Fórum. Ela admitiu que as últimas gestões do MinC [Marta Suplicy e Ana de Hollanda] deixaram a desejar na gestão dos Pontos de Cultura mas que, agora, sua prioridade será rearticular e ampliar o programa.

“A gente sabe que no governo Dilma o número de Pontos de Cultura diminuiu muito em relação à gestão Lula e queremos retomar efetivamente o programa e ampliar recursos. Nosso ministro [Juca Ferreira] está disposto a levar nosso plano para a presidenta para a gente, efetivamente, dar visibilidade à base social que esse programa tem”, afirmou.

Entre outros eixos que considera centrais em sua atuação como secretária de Cidadania e Diversidade no Ministério está o diálogo e as políticas públicas para as periferias e a questão da comunicação, por meio da valorização e dos editais voltados à mídia livre.

Confira a íntegra da entrevista.

Fórum – A senhora assume uma secretaria em um ministério totalmente novo depois de duas gestões consideradas menos ativas em relação às políticas públicas. Quais você considera que sejam os principais desafios para os próximos quatro anos?

Ivana Bentes  Antes de tudo, no caso da secretaria, [o principal desafio] é a gente rearticular a rede nacional dos Pontos de Cultura, que ficou meio inviabilizada. Claro, a entrada dos estados e municípios na política acabou dando uma sobrevida, foi fundamental para a sobrevivência do programa, mas a gente tem consciência de que não basta só o recurso dos estados e municípios, tem que ter política, tem que ter gestão, tem que ter aquilo que os Pontos de Cultura sempre demandaram que é participação política, participação na gestão das políticas. Então, uma das principais questões que temos pensado é essa articulação da rede nacional, a expansão do programa. A gente sabe que no governo Dilma o número de pontos de cultura diminuiu muito em relação à gestão Lula e queremos retomar efetivamente e ampliar recursos. Nosso ministro [Juca Ferreira] está disposto a levar nosso plano para a presidenta para a gente, efetivamente, dar visibilidade à base social que esse programa tem.

O programa Cultura Vivahoje tem de quilombola à cultura digital, passa pelas questões de diversidade, da intolerância religiosa, de racismo… Ou seja, é um programa estratégico e que coloca a cultura no centro de outras políticas públicas importantes para esse governo. Achamos que a principal questão é dar visibilidade, dar centralidade à cultura na discussão, inclusive, de outras políticas públicas, e articular com essas outras políticas uma gestão interministerial, para além só do Ministério da Cultura.

Fórum – As últimas articulações que a senhora tem feito são com produtores e agitadores culturais de periferia. Qual será a importância dada para esse público na secretaria e no MinC?

Ivana  Os Pontos de Cultura sempre trabalham com as bordas do Brasil. Nos municípios, por exemplo, existe uma rede muito grande de Pontos de Cultura, mas a gente tem também a consciência de que uma política própria para as periferias, para as favelas, para essas áreas de vulnerabilidade, não foi feita. Queremos nos dedicar e começar a pensar esse arranjo: o que seriam os pontos de periferia, o que seriam ações territoriais para as favelas do Brasil todo. Porque a gente vê a riqueza cultural que vem da periferia. Os novos movimentos urbanos que vêm da periferia aparecem  realmente como uma novidade, produzindo moda, linguagem, valor… O cartão de visitas cultural do Brasil passa pela periferia. Então, acho que o ministério, e especialmente a secretaria de Cidadania e Diversidade, tem que, num primeiro momento, olhar para onde a política pública de cultura não olhou.

Fórum – Em gestões anteriores no MinC, chegou-se a falar sobre Pontos de Mídia Livre. Foram, inclusive, aberto dois editais nesse sentido. Há planos para retomar esse tipo de política?

Ivana  Há planos, é uma das nossas prioridades. Para mim, quem produz cultura tem que produzir mídia para fazer essa difusão e essa comunicação. E grande parte dos Pontos de Cultura são produtores audiovisuais e fazem mídia. A gente vai, sim, começar a discutir com os midialivristas, com os veículos de comunicação independentes, o que pode ser uma política para a mídia livre. Por que se não conseguimos fazer uma mudança no Brasil com a regulamentação dos meios de comunicação, se ela está travada como agenda, nesse meio tempo essa nova ecologia da mídia livre explodiu e ela está se organizando. Acho que ela [a mídia livre] merece e tem que ter uma política.

Essa política dos Pontos de Mídia saíram do Fórum de Mídia Livre e hoje ela é uma demanda dos midialivristas do Brasil todo. É uma prioridade porque a cultura pode fazer a disputa simbólica, a disputa política que tem que ser feita. Gosto muito de falar da “ruidocracia”, acho que não tem nada melhor para a democracia do que a “ruidocracia”, e acho que está faltando isso nesse sistema midiático atual: tudo muito monopolizado e muito polarizado. Polarização não leva a nada e a gente quer apostar na pluralidade e nessa “ruidocracia”. Me parece que a mídia livre e a mídia independente trazem e essa pluralidade de vozes. Vamos apostar na mídia livre, sim, e vamos pensar em políticas e editais.

Foto: Fora do Eixo









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