Movimentações em contas na Suíça podem provar envolvimento de Cunha no esquema da Petrobras

Segundo jornal O Estado de S. Paulo, Operação Lava Jato obteve registros de transações feitas entre contas secretas mantidas na Suíça por Fernando Baiano e Nestor Cerveró. Movimentações guardariam relação com a propina que Eduardo Cunha teria cobrado do delator Julio Camargo

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Segundo jornal O Estado de S. Paulo, Operação Lava Jato obteve registros de transações feitas entre contas secretas mantidas na Suíça por Fernando Baiano e Nestor Cerveró. Movimentações guardariam relação com a propina que Eduardo Cunha teria recebido do delator Julio Camargo

Por Redação

A Operação Lava Jato rastreia supostos pagamentos feitos na Suíça pelo ex-diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró, e Fernando Baiano – apontados como favorecedores do PMDB no esquema de corrupção da estatal – para beneficiar Eduardo Cunha (PMBD-RJ). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo a reportagem, o juiz Sérgio Moro, responsável pela operação na primeira instância, em Curitiba, anexou, na última sexta-feira (17), extratos bancários com movimentações das contas nos autos da ação penal na qual Cunha foi citado pelo lobista Julio Camargo. Os registros foram enviados por autoridades suíças.

“A documentação relativa às contas secretas na Suiça, da Three Lions Energy Inc, no Banco Clariden Leu Ltd., supostamente controlada pelo acusado Fernando Antônio Falcão Soares, da Russel Advisors SA, no Banco UBP (Union Bancaire Privée), de Genebra, supostamente controlada pelo acusado Nestor Cuñat Cerveró, da Forbal Investment Inc, no Banco Heritage, de Genebra, supostamente controlada pelo acusado Nestor Cuñat Cerveró, encontra-se em arquivo eletrônico, na Secretaria deste Juízo”, informa o despacho de Moro. Conforme apontaram as investigações, as contas citadas são de empresas offshores abertas por Baiano e Cerveró para movimentar recursos em paraísos fiscais.

Os documentos obtidos pela Lava Jato na primeira instância são compartilhados com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que comanda os inquéritos na esfera do Supremo Tribunal Federal (STF), entre os quais está o que apura o envolvimento de Cunha com o esquema.

Ainda de acordo com a matéria do Estadão, o Ministério Público do Paraná considera que as transações “entre as contas das offshores Piamont, atribuída a Camargo, para a Three Lions, atribuída a Fernando Baiano, e posteriormente para a Russel Advisors Inc, que seria mantida por Cerveró, comprovariam os pagamentos de propina”.

Na quinta-feira (16), Camargo, um dos delatores da Lava Jato, disse à Justiça, em depoimento, que o atual presidente da Câmara lhe cobrou, em 2011, US$ 5 milhões de propina para manter contratos de navios-sonda firmados pela coreana Samsung em parceria com a japonesa Mitsui. Camargo relatou ter depositado o dinheiro a Baiano em contas no exterior, e que parte dos recursos seria repassada a Cunha.

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)



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