No Facebook, as páginas “Feminismo sem Demagogia” e “Jout Jout Prazer” são derrubadas

Fanpages disseminadoras de discursos de ódio podem ter articulado um “derrubaço” de páginas feministas, pró-LGBT e anti-racismo

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Fanpages disseminadoras de discursos de ódio podem ter articulado um “derrubaço” de páginas feministas, pró-LGBT e anti-racismo

Por Helô D’Angelo

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No domingo (1), a página “Orgulho de ser hetero”, notória por compartilhar conteúdo misógino, machista e homofóbico para mais de 2 milhões de seguidores, foi tirada do ar.  A derrubada foi comemorada por usuários e por outras páginas na rede social. “Racistas, misóginos, preconceituosos e todos aqueles que inferiorizarem e discriminarem as pessoas baseados em suas características, também como etnia, orientação sexual, religião, entre outras: não passarão”, postou a página Dilma Bolada.

A resposta veio no mesmo dia. Além do retorno da “Orgulho de ser hetero” com a descrição “renascemos das cinzas, livres das cicatrizes, mais fortes e renovados”, grupos alinhados à ideologia machista dsseminada pela fanpage uniram-se e tiraram do ar duas das páginas mais famosas entre os militantes feministas e LGBT: “Feminismo sem demagogia” e “Jout Jout Prazer”.

Depois da derrubada, a “Feminismo Sem Demagogia” foi replicada em três paginas diferentes, todas com posts que ridicularizam o feminismo de forma irônica e caricata. Um deles diz: “Queridxs, não deixemos que a sociedade atual nos imponha esses padrões de belezas esdrúxulos, ao qual nós somos obrigadas todos os dias a se adequar. Por meio deste, então, trago mais um de muitos outros tutoriais de como se portar perante a sociedade patriarcal, e nos darmos bem com os homens e, os satisfazerem na hora do bate-bife. Tutorial adequado de como manter as axilas cuidadas e hidratadas! Breve postarei novos tutorial de como agradar nossos homens em casa com coisas simples. ‪#‎RaspeDuasAxilas”‬.

A página “Jout Jout Prazer”, que antes reunia quase 300 mil likes, não foi satirizada ou replicada, mas segue fora do ar. No Twitter, a youtuber Julia Tolezano, criadora da página, disse: “Meu Facebook foi desativado de vez agora. O que está acontecendo, Brasil? Alguma prank (brincadeira) de quarta série? To velha, não entendo mais essas coisas”. Julia, conhecida como Jout Jout na rede, tem estimulado milhares de meninas com seus vídeos sobre a situação da mulher no dia-a-dia – um dos mais recentes, “Vamos Fazer um Escândalo”, trata da campanha #PrimeiroAssédio e chegou a ser replicado pela página do Google Brasil no Facebook.

Ontem (2), um evento chamado “Multirão Hétero” [sic] foi criado pelo usuário Mauro Graeff,  convidando os internautas a denunciar e derrubar as páginas “Dilma Bolada”, “Travesti Reflexiva”, “Orgulho de ser heterofóbico” e “Quebrando o Tabu”. “Essa corja toda já derrubou ás páginas Orgulho De Ser Hetero, Bolsonaro Zoeiro Eu não Mereço Mulher Rodada !!! Olho por olho,dente por dente !!!”, dizia a descrição do evento, que tinha cerca de 150 confirmados antes de sair do ar nesta tarde, junto com o perfil de Graeff.

Ainda na descrição do evento, os criadores instruíam a denunciar os posts militantes em geral como discursos de ódio, e as postagens feministas como assédio sexual. Segundo os padrões da comunidade do Facebook, são considerados discurso de ódio “conteúdos que ataquem pessoas com base em sua raça, etnia, nacionalidade, religião, gênero, orientação sexual, deficiência ou doença, sejam elas reais ou presumidas, não são permitidos. No entanto, permitimos tentativas claras de piadas ou sátiras que não tenham caráter de ameaças ou ataques. Isso inclui conteúdos que muitas pessoas podem considerar de mau gosto (por exemplo: piadas, comédia stand-up, certas letras de músicas populares etc.)”.

Já a definição de exploração sexual inclui “solicitação de material sexual, qualquer conteúdo sexual envolvendo menores, ameaças de compartilhamento de imagens íntimas e ofertas de serviços sexuais. Se for o caso, encaminhamos o conteúdo para as autoridades. Ofertas de serviços sexuais incluem prostituição, serviços de acompanhante, massagens sexuais e atividades sexuais filmadas”.

Ao denunciar um conteúdo no Facebook, o usuário tem uma série de opções para justificar a ação: “Simplesmente não gostei”, “Está me assediando ou assediando um conhecido”, “Acredito que não deveria estar no Facebook”, “É uma fraude” ou “Acredito fazer uso não autorizado da minha propriedade intelectual”. A denúncia segue para o setor de Operações do Utilizador, responsável por estas questões, onde as justificativas servem como filtros que determinam a equipe de funcionários que analisarão o conteúdo – existem funcionários espalhados pelo mundo inteiro, 24h por dia, sete dias por semana. Se o conteúdo denunciado ferir os termos de uso do Facebook, a página pode ser removida do ar.

Fórum tentou contato com o Facebook, mas até o fechamento desta nota, não obtivemos resposta.

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