Brincar é coisa séria!

Durante 15 anos tive a rica experiência de entrevistar para a revista Almanaque Brasil de Cultura Popular brasileiros admiráveis dos mais diversos segmentos da sociedade, depois parti para o rádio onde durante 1 ano entrevistei outros tantos. Agora aqui na Fórum volto a falar de...

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Durante 15 anos tive a rica experiência de entrevistar para a revista Almanaque Brasil de Cultura Popular brasileiros admiráveis dos mais diversos segmentos da sociedade, depois parti para o rádio onde durante 1 ano entrevistei outros tantos.

Agora aqui na Fórum volto a falar de iniciativas de grandes brasileiros que apaixonados pelo nosso país se dedicam para transformar a realidade à sua volta e fazer da criatividade do nosso povo um combustível para um futuro melhor.

Em tempos onde as escolas do Estado de São Paulo estão no centro do debate politico por conta das ocupações, falei com a Renata Meirelles do projeto Território do Brincar que tem dedicado seu tempo para registrar nos quatro cantos do país o que as crianças fazem no seu momento mais nobre, o brincar.

“Há quase 20 anos eu estou nessa pesquisa do que as crianças fazem nos seus momentos espontâneos, do que elas brincam, do que elas gostam de fazer. Foram inúmeras descobertas que demoram um tempo para fazer um sentido profundo do que é a infância, do que existe por detrás da brincadeira e como a gente pode dar voz para as crianças. O que elas estão fazendo atrás dos seus gestos.”

Renata e seu marido David viajaram por 21 meses percorrendo 9 Estados, 14 comunidades na companhia dos filhos.

“Em todos os lugares estivemos com as crianças nos seus momentos de brincar livre.”

O material virou um filme de longa metragem, duas séries para TV, um livro com receitas de pratos infantis. Mais do que um registro o projeto é um mapeamento das brincadeiras populares brasileiras além de ser uma fonte riquíssima para entender a criança no seu tempo mais espontâneo, o de brincar.

Em sua trajetória Renata e David aprenderam muito e destacam a seriedade da brincadeira.

“A seriedade que as crianças levam essa atividade pra si, o que a gente tem visto na brincadeira, nos gestos a evolução humana, mas claro precisamos ter um olhar muito apurado para isso, ai esse é outro ponto, o quanto nós adultos nos afastamos das crianças enquanto elas brincam. A brincadeira não morreu, ela está completamente viva, orgânica seja na roça, seja na grande cidade”.

A atividade de fazer os brinquedos está cada vez mais distante da realidade das crianças brasileiras, os brinquedos já vem prontos. O projeto Território do mostra para quem quiser ver que temos muito saberes ainda em atividade, principalmente fora das capitais.

“O brinquedo que as crianças constroem na verdade o fazer dele já é o brincar. Antes de construir, pegar os materiais para a construção já é o brincar. É desse lugar que sai a brincadeira, quando ela exprime o desejo daquilo que ela quer fazer, um desejo livre, desejar uma coisa livremente já é estar na brincadeira, e ai ela participa de todo o ciclo da construção”.

Para saber mais do projeto Território do Brincar acesse:
http://territoriodobrincar.com.br
https://www.facebook.com/TerritoriodoBrincar



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