Venezuela: Novo presidente da Assembleia Nacional defende saída de Maduro em 6 meses

Henry Allup prometeu impulsionar projeto para anistiar políticos e também anunciou uma reforma no sistema de comunicação público

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Henry Allup prometeu impulsionar projeto para anistiar políticos e também anunciou uma reforma no sistema de comunicação público

Por Opera Mundi

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A oposição venezuelana elegeu, na noite deste domingo (03/01), Henry Ramos Allup como o novo presidente da Assembleia Nacional. Após a confirmação do resultado, o deputado sinalizou medidas de embate ao governo do presidente Nicolás Maduro como um projeto para anistiar os políticos que se encontram detidos no país, como Leopoldo López, e uma “solução democrática” para tirar o mandatário chavista do poder nos primeiros seis meses do ano.

Com 62 votos, Allup, do partido AD (Ação Democrática), venceu Julio Borges do PJ (Primeiro Justiça), que obteve 49 da Unidade Democrática. Ambos são integrantes da coalizão opositora MUD (Mesa). De acordo com o secretário-geral da MUD, Jesús Torrealba, a escolha foi feita por 111 dos 112 deputados eleitos em 6 de dezembro.

“Ganhamos todos, ganhou a Venezuela”, disse Ramos Allup após o anúncio. Ele presidirá o primeiro dos cinco anos de mandato da nova Assembleia Nacional, integrada por 112 deputados opositores e 55 governistas, o que dá à oposição maioria qualificada para fazer mudanças na Constituição, por exemplo.

Com a nova posição obtida, Allup reiterou que tão logo tomem posse no Parlamento — o que acontecerá nesta terça-feira (05/01) — será apresentado um projeto de lei de “anistia e reconciliação nacional” para libertar aqueles que consideram ser presos políticos, entre eles o político Leopoldo López.

Allup ressaltou que a medida não precisa ter apoio do governo para ser implementada: “não vamos entrar em uma disputa com o governo, se o presidente [Nicolás Maduro] diz que aceita ou não a lei de anistia. Nós temos faculdades constitucionais para promulgá-la caso neguem”, afirmou.

Além disso, o deputado lembrou o acordo firmado pelos integrantes da MUD em julho do ano passado, e se comprometeu a buscar, nos primeiros seis meses do ano “uma solução democrática, constitucional, pacífica, e eleitoral para a mudança do atual governo”.

Entre as possíveis vias para a saída de Maduro, Allup considera ser a renúncia a mais viável, com a consequente convocação de eleições em 30 dias. Segundo ele, tal proposta tem apoio dos demais partidos que compõem a MUD. Também são consideradas opcções a convocação de um referendo revogatório ou a declaração de uma assembleia nacional constituinte, que seria usada como instrumento para reduzir o mandato de Maduro.

O deputado também deu declarações contrárias ao sistema nacional de meios públicos de comunicação que, segundo ele, não oferecem informação verdadeira e oportuna aos venezuelanos e por isso vai reformar o atual sistema.

De acordo com a agência governamental venezuelana AVN, Allup, que foi seis vezes deputados durante 27 anos, respaldou a abertura petroleira e privatização das empresas como a Companhia Anônima de Telefones da Venezuela e a Siderúrgica do Orinoco e, em 2002, apoiou o golpe de Estado contra o então presidente Hugo Chávez.

Foto: Arquivo Telesur

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