Cunha pode ter vazado dados da Lava Jato contra ministros e Haddad

Presidente da Câmara trocou mensagens com Léo Pinheiro, da OAS, mas nega vazamento do conteúdo à imprensa. Segundo colunista, governo suspeitou e pediu inquérito para apurar divulgação à imprensa

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Presidente da Câmara trocou mensagens com Léo Pinheiro, da OAS, mas nega vazamento do conteúdo à imprensa. Segundo colunista, governo suspeitou e pediu inquérito para apurar divulgação à imprensa

Por Jornal GGN

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Embora petistas tenham defendido o ministro Jaques Wagner e atribuído à Polícia Federal o vazamento de informações sigilosas obtidas através da interceptação de mensagens do empresário Léo Pinheiro, da OAS, condenado na Lava Jato, o governo pediu ao ministro José Eduardo Cardozo a instauração de um inquérito para apurar o caso porque desconfia que Eduardo Cunha (PMDB) foi o responsável pela divulgação à imprensa.

Segundo informações do jornalista Gerson Camarotti (G1), publicadas na noite de quinta (7), “de forma reservada, o Palácio do Planalto atribui ao presidente da Câmara o vazamento de informações contra Jaques Wagner, chefe da Casa Civil, e Edinho Silva, ministro da Secretaria de Comunicação”. Os dois titulares protagonizaram reportagens sobre negociações de doações eleitorais e demandas da OAS junto ao governo.

Na manhã de quinta, Dilma criticou, em café da manhã com jornalistas, os “vazamentos seletivos” e levantou suspeitas sobre a autoria dos vazamentos. A presidente não entrou no mérito, mas a suspeita é de que o vazamento se deu no circuito da Procuradoria Geral da República e do Supremo Tribunal Federal, que receberam as informações da Polícia Federal porque figuras com foro privilegiado estão envolvidas. Caso de Cunha, objeto de ao menos outros dois inquéritos no STF.

Discretamente, Cunha apareceu em reportagem do Estadão trocando mensagens com Léo Pinheiro e citando o prefeito Fernando Haddad (PT), que acabou sendo o destaque do texto. O empresário da OAS e o deputado fizeram lobby para aprovar um projeto de lei na Câmara que beneficiava a cidade de São Paulo. Só no final da matéria, o periódico lembrou que procuradores suspeitam que a relação de Cunha com grandes empresas viabilizou uma série de pagamentos de vantagens indevidas ao peemedebista.

Cunha se limitou a dizer que continua sendo alvo de ataques pessoais de Rodrigo Janot e de vazamentos seletivos. Nesta sexta (8), em nota à imprensa, Cunha lamentou “a atitude seletiva do ministro da Justiça, que nunca, em nenhum dos vazamentos ocorridos contra o presidente da Câmara – e são quase que diários – solicitou qualquer inquérito para apuração. No entanto, bastou citarem algum integrante do governo para ele, agindo partidariamente, solicitar apuração imediata.”

O deputado também disse a Camarotti que não é responsável pelo acesso do Estadão às mensagens que renderam reportagens contra os ministros petistas e Haddad.

A coluna da Folha nesta sexta publicou conteúdo novo a partir dos documentos vazados da Lava Jato. O ex-presidente Lula, chamado de “Brahma” por Pinheiro, é citado em várias mensagens de textos. A maioria sugerindo que empresários da companhia deveriam aproveitar eventos públicos onde o ex-presidente estaria para cobrar demandas relacionadas a obras públicas.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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