Manifestação contra o aumento da passagem termina em tumulto em São Paulo

Na avenida 23 de Maio, a Polícia Militar encurralou e dispersou os manifestantes com bombas e balas de borracha

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Na avenida 23 de Maio, a Polícia Militar encurralou e dispersou os manifestantes com bombas e balas de borracha

Por Helô D’Angelo

Os cartazes de "3,80 não" foram distribuídos aos participantes. Na parte de trás, explicações sobre o ato

O Movimento Passe Livre (MPL) realizou um ato contra o aumento da passagem do transporte público no fim da tarde desta sexta-feira (8) em São Paulo. A manifestação começou por voltas das 18h, em frente ao Theatro Municipal, no centro da cidade, e foi pacífica até a chegada dos manifestantes na avenida 23 de Maio, às 19h30, quando a Polícia Militar dispersou a multidão usando bombas de efeito moral e balas de borracha. De acordo com o G1, a organização contou 30 mil manifestantes, enquanto a PM calculou 3 mil pessoas.

Segundo alguns manifestantes que preferiram não se identificar, a confusão com a polícia começou embaixo do Viaduto do Chá, quando parte do grupo passou para a faixa da contramão na avenida, que não estava bloqueada pela PM. Participantes e transeuntes ficaram encurralados no Vale do Anhangabaú por alguns minutos – a polícia cercou as entradas para o Vale e bloqueou as estações de metrô enquanto perseguia alguns dos manifestantes.

Depois de algum tempo, o ato foi dispersado antes de chegar à Praça da Sé, onde deveria acabar. Alguns participantes voltaram para a República, outros foram para a região do cruzamento da avenida Paulista com a Consolação, mas a mulditão não voltou a se reunir. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), 17 pessoas foram detidas e três policiais foram feridos por pedradas.

O ato foi um protesto contra o aumento de 8,57% nas tarifas de transporte público de ônibus e metrô – de R$3,50 para R$3,80 -, que entra em vigor a partir de amanhã (9). Na manhã de hoje, o MPL começou a manifestação fechando o terminal Lapa e explicando para os trabalhadores a luta contra o aumento das passagens.

O militante Vitor Quintiliano, de 19 anos, estava no papel de porta-voz do movimento durante o ato. Em declaração à imprensa, ele resumiu: “Essa manifestação é parte de uma jornada que nós, do MPL, e outros parceiros nossos faremos, pedindo um Estado que beneficie a população, e não só os empresários que sempre andam de mãos dadas com o governo”.

Vitor fez também um apelo à população, pedindo adesão nas próximas caminhadas. “Está acontecendo uma jornada de mobilizações contra o aumento das tarifas e para denunciar os governos que governam para as pessoas ricas, e não para a população. O Estado e tem a coragem de tomar medidas muito antipopulares, como não abrir postos de saúde, fechar escolas, bater em moradores de rua, provocar o genocídio da população negra e periférica e fechar os olhos para a péssima qualidade do nosso transporte. Se esses governos têm a coragem de governar desse jeito, a população tem que ter, sim, a coragem de ir para rua e combater todas essas medidas.”

Confira as fotos da manifestação:

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