Movimento antimanicomial protesta em Brasília contra retrocesso

Movimentos em defesa da luta antimanicomial realizaram ato nesta quinta (14) em Brasília pedindo a saída de Valencius Wurch da Coordenação Geral de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde. Ele foi diretor do maior hospital psiquiátrico privado da América Latina,...

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Movimentos em defesa da luta antimanicomial realizaram ato nesta quinta (14) em Brasília pedindo a saída de Valencius Wurch da Coordenação Geral de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde. Ele foi diretor do maior hospital psiquiátrico privado da América Latina, acusado de maus-tratos

Por Portal Vermelho

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Movimentos em defesa da luta antimanicomial realizaram ato nesta quinta (14) em Brasília pedindo a saída de Valencius Wurch, da Coordenação Geral de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde. De acordo com as entidades, o atual coordenador declarou publicamente posicionamento contrário aos avanços na política da saúde mental. O movimento informou que até a saída de Valencius os protestos continuam.

Em Brasília, os ativistas foram recebidos pela chefia de gabinete da Secretaria de Governo do Palácio do Planalto. “Após nova exposição de motivos, foi reforçado que não haverá recuo do movimento até a saída de Valencius, e que só será entendido como linha de acordo a nomeação de profissional comprometido com a construção histórica da Reforma Psiquiátrica, e em diálogo com os movimentos sociais”, afirmou o movimento em publicação no facebook da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

Após o encontro, os manifestantes, que vieram de vários estados do Brasil, realizaram uma assembleia que decidiu pela criação de um Grupo de Alinhamento Político (GAP). A partir deste grupo, formado pelas entidades e movimentos presentes, será construído um calendário de mobilização. “Todo o dia 18 será dia de protestos em todo o país”, informou o texto no facebook da Abrasco.

Retrocesso

De acordo com informações publicadas pela Rede Brasil Atual, especialistas e militantes do setor entendem que a permanência do ex-diretor de manicômio privado pode retroceder políticas de enfrentamento a distúrbios psiquiátricos, como a reforma antimanicomial.

Nomeado em dezembro do ano passado para o cargo, Wurch dirigiu, desde 1994, a Casa de Saúde Dr. Eiras, em Paracambi, na Baixada Fluminense, que foi o maior hospital psiquiátrico privado da América Latina. Valencius ocupou o cargo até o ano 2000.

O relatório da I Caravana Nacional de Direitos Humanos de 2000, promovido pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, constatou ali graves violações de direitos humanos, típicas dos grandes manicômios, como uso sistemático de eletroconvulsoterapia, ausência de roupas, alimentação insuficiente e de má qualidade e número significativo de pessoas em internação de longa permanência.

Em entrevista ao Jornal do Brasil em 7 de junho de 1995 (“Médico critica lei que extingue manicômios”), Wurch criticou os fundamentos do Projeto de Lei 3.657/1989, que deu origem à atual Lei federal 10.216/01 – marco regulatório da Política Nacional de Saúde Mental. Afirmou serem os fundamentos “de caráter ideológico, e não técnico, e se baseiam em situações ultrapassadas”.

A política criticada por Wurch é apoiadas pelo movimento social da saúde mental em todo país que defendem práticas que caminhem para o fim dos manicômios e toda forma de exclusão da pessoa com transtorno mental.

“O temor é que Wurch, entre outras coisas, encontre brechas para retirar recursos de programas avançados, como os centros de atendimento psicossociais e consultórios nas ruas, e privilegie iniciativas retrógradas, como comunidades terapêuticas, consideradas manicômios para dependentes químicos”, diz a presidenta da Federação Nacional dos Psicólogos (Fenapsi) e dirigente do Sindicato dos Psicólogos de São Paulo (Sinpsi) Fernanda Magano.

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