Conheça 10 produções culturais que retratam o universo trans

Neste Dia Nacional da Visibilidade Trans, confira 7 filmes e 4 peças, nacionais e internacionais, que abordam o tema de formas diferentes, únicas e aprofundadas

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Neste Dia Nacional da Visibilidade Trans, confira 7 filmes e 3 peças, nacionais e internacionais, que abordam o tema de formas diferentes, únicas e aprofundadas

por Redação

transamerica

A população trans ainda luta muito pela representatividade em muitos espaços sociais, mas tem ganhado cada vez mais visibilidade no mundo cultural: séries de TV como “Orange Is The New Black” e “Sense 8” trazem atrizes e personagens transexuais; o filme “A garota dinamarquesa”, um dos destaques do Globo de Ouro, conta a vida de Lili Elbe, considerada a primeira mulher trans a fazer a transição cirúrgica. Com estreia no Brasil prevista para o dia 25 de fevereiro, o filme rendeu uma indicação ao Oscar de melhor ator para Eddie Redmayne. Mas estes são apenas os exemplos mais recentes. Dentro e fora do Brasil, existem várias outras produções culturais que têm como foco as pessoas trans e suas vivências, da transfobia e à aceitação. Confira algumas delas:

Filmes

1. A Garota Dinamarquesa (2015) – direção:  Tom Hooper

O longa, baseado no romance homônimo de David Ebershoff, conta a historia de Lili Elbe (interpretada no filme por Eddie Redmayne), uma das primeiras pessoas do mundo a se submeter a uma cirurgia de readequação do sexo biológico, ainda na década de 1920. Lili, nascida Einar Mogens Wegener, percebe-se mulher quando começa a posar como modelo feminina para sua esposa, a pintora Gerda Wegener (Alicia Vikander). O filme rendeu a Redmayne uma indicação ao prêmio de melhor ator no Oscar 2016 e no Globo de Ouro, mas tem recebido críticas por não ter colocado uma atriz transexual no papel de Lili.

2. Meu Amigo Claudia (2009) – direção:  Dácio Pinheiro

O filme é um documentário sobre a vida da atriz, cantora e travesti Claudia Wonder, que além de ativista dos Direitos Humanos, foi uma das figuras mais marcantes na cena cultural de São Paulo. Composto por vários depoimentos de Claudia em diferentes épocas da vida, somados a recortes de jornal e a entrevistas com personalidades como Zé Celso, o longa vai mostrando a transfobia e a homofobia na cidade junto à a história do Brasil da década de 1980 até os dias de hoje, passando por temas como o surgimento do HIV, as transformações políticas do Brasil e, claro, a questão de gênero e as polêmicas e preconceitos aí envolvidos.

3. Os Sapatos de Aristeu (2009) – direção: René Guerra

“Os Sapatos de Aristeu” é um curta-metragem em preto e branco que acompanha a preparação do corpo de uma travesti para o enterro: de um lado, a família decide enterrá-lo vestido como homem; do ouro, suas amigas travestis tenta prepará-lo como mulher. O embate entre a o conservadorismo da família e o respeito que as amigas travestis têm pela identidade de gênero da falecida dão o tom do curta. O filme ganhou diversos prêmios, como o Grande Prêmio Canal Brasil de 2010 e o Grande Prêmio do Silhouette Short Film Festival, em Paris, em 2009, e conta com a atuação de travestis famosas.

3. De Gravata e Unha Vermelha (2014) – direção: Miriam Chnaiderman

O documentário, vencedor do Prêmio Felix no Festival do Rio 2015, é uma colagem de entrevistas de diversas personalidades brasileiras que são famosas por questionar e subverter a cisgeneridade – entre elas, a cantora Mel, vocalista da Banda Uó, Laerte, Rogéria, Ney Matogrosso e vários outros nomes conhecidos. Alem dos famosos, o filme também conta a historia de diferentes pessoas anônimas que enfrentam os estereótipos de gênero e o preconceito por fazê-lo.

4. Má Educação (2004) – direção: Pedro Almodóvar

Almodóvar é um dos diretores que mais questionam a noção estabelecida de gênero, seja criando personagens que não se encaixam nas caixas de “feminino” e “masculino”, seja utilizando atores e atrizes transexuais em seus longas. Em “Má Educação”, essa escolha de tema fica bem clara: Ignacio (Gael Garcia Bernal) é uma travesti que encontra seu amigo de infância, o cineasta Enrique (Fele Martínez), e propõe que os dois produzam um filme sobre a história dos dois, que envolve, além do caso de amor entre os meninos, a pedofilia de um dos professores dos garotos, o padre Manolo (Daniel Giménez Cacho).

6. Transamérica (2005) – direção Duncan Tucker

Esse filme ficou famoso pelo seu poster – uma mulher trans observando as portas de banheiros masculino e feminino em uma parada de estrada – e acabou se tornando um clássico da temática. “Transamérica” narra a transexualidade do ponto de vista de Bree (Felicity Huffman), uma mulher trans que descobre, a poucos dias de fazer a cirurgia de mudança de sexo, que tem um filho de 17 anos. Ela, então, é encorajada por sua terapeuta a conhecer o menino em Nova York antes de fazer a transição. Juntos, eles viajam de volta a Los Angeles e acabam conhecendo um ao outro e a si mesmos. Felicity Huffman ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz em um filme dramático em 2006 por sua interpretação de Bree.

7. Minha Vida em Cor de Rosa (1997) – direção: Alain Berliner

O filme francês “Minha Vida em Cor de Rosa” toca em um ponto, em geral, pouco explorado quando se fala em transexualidade no cinema: as crianças. Se gênero é uma construção social, quando ela começa? Quando nos identificamos como ‘menino’ ou ‘menina’? E como a família pode atrapalhar nesse aspecto? O longa vai em cheio nessa questão, contando a história de Ludovic (Georges Du Fresne), uma menina trans que luta para ser vista como garota, e cuja família e amigos teimam em tratar e vestir como um menino.

Peças

1. BR Trans (Coletivo As Travestidas) – direção: Jezebel De Carli

O ator Silvero Pereira, do Coletivo As Travestidas, escreveu a peça “BR-Trans” a partir de histórias reais de travestis e transexuais do Brasil inteiro, recolhidas ao longo de 12 anos de viagem. Silvero percorreu cidades grandes e pequenas, lugares ermos e até o segundo presídio com ala para travestis do Brasil, em Porto Alegre – a ideia era recolher narrativas que pudessem despertar a empatia no público. Na peça, o ator e autor usa apenas um holofote, uma penteadeira e alguns poucos figurinos para transitar entre essas histórias reais. Atualmente, a peça concorre ao prêmio da Associação de Produtores de Teatro do RJ (APTR) nas categorias Ator e Dramaturgia.

2. Luis Antonio-Gabriela (Cia. Mungunzá) – direção: Nelson Baskerville)

Neste documentário cênico, o diretor Nelson Baskerville e a Cia. Mungunzá contam a história do mais velho do diretor, Luis Antonio, homossexual assumido que se muda aos 30 anos para a Espanha. Lá, percebe-se trans, assume a identidade de Gabriela, e acaba contraindo HIV e falecendo. Na peça, além da questão da transexualidade, são abordados temas tabu, como a intolerância gerada pela sexualidade homoafetiva. Além disso, a bilheteria da peça foi revertida à instituição LGBT Casarão Brasil e teve indicações a prêmios como o da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), e oPrêmio Shell de Teatro.

3. A Maria que Virou Jonas (Cia. Livre) – direção: Cibele Forjaz

A Cia Livre de teatro retrata parte do ensaio ‘Da Força da Imaginação’, do filósofo francês Michel de Montaigne. O texto conta a história de Marie, uma jovem do século XVI que, ao srealizar um esforço, acaba soltando um pênis que estava preso dentro de seu organismo. Marie então passa a se chamar Germain e é aceito socialmente como homem. A peça questiona o que seria de Marie se tivesse “virado” Germain nos dias atuais. Os atores da Cia. Livre se revezam nos papéis de homem e mulher e questionam identidade de gênero, sexualidade, sociedade e realidade.

 

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