Assédio no Carnaval: Jovem faz denúncia contra bar na Vila Madalena, em SP

De acordo com uma universitária, ela e as amigas foram vítimas de assédio a agressão no bar Quitandinha, um dos mais frequentados da região, e teriam sido completamente ignorada pelos funcionários, que teriam amizade com os agressores; estabelecimento não se pronunciou. Confira a íntegra...

649 0

De acordo com uma universitária, ela e as amigas foram vítimas de assédio a agressão no bar Quitandinha, um dos mais frequentados da região, e teriam sido completamente ignorada pelos funcionários, que seriam “amigos” dos agressores; estabelecimento refuta as acusações e ameaça de processar as vítimas caso o episódio não seja comprovado. Confira a íntegra do rela

Por Redação

quita

Apesar de o Carnaval deste ano contar com campanhas e até marchinhas contra o assédio, um primeiro relato de agressão já circula com força pelas redes sociais. Uma jovem universitária publicou em seu Facebook, na noite da última sexta-feira (5), um texto em que revela que foi vítima de assédio e agressão no bar Quitandinha, um dos mais frequentados no principal reduto dos blocos de rua em São Paulo, a região da Vila Madalena.

“O Carnaval começou com uma dose cavalar de silenciamento”, escreveu a jovem na abertura da postagem que já tem mais tem mais de 16 mil compartilhamentos.

Em seu relato, a estudante conta que estava na mesa do bar com uma amiga e que foram abordada por outros dois homens, que aproveitaram para sentar no momento que os amigos das garotas levantaram para sair e fumar. Depois de se recusarem a interagir com os agressores, uma das jovens teria sido agarrada pelo braço e depois ambas teriam sido xingadas e ofendidas. Com medo, a jovem relatou que procuraram pelo gerente, que teria dado um cumprimento “caloroso nos agressores” e que, no fim das contas, foram obrigadas a se retirarem do bar.

“Um dos agressores finalmente saiu do bar para falar com a polícia. E a cena foi a seguinte: ele e o policial se cumprimentaram com um toque íntimo de mão e algumas risadas. Apontaram para nós, nos chamaram de histéricas, e retornou para sentar dentro do bar com seu amigo. Tranquilo. Suave”, completou a jovem, informando ainda que o policial disse que “não poderia fazer nada” e ela deveria ir com o agressor até a delegacia para registrar um boletim de ocorrência.

Procurados pela reportagem da Fórum, os responsáveis pelo bar Quitandinha refutaram as acusações e garantiram que, se o fato não for comprovado, entrará com processo por “calúnia e difamação” contra as vítimas. Confira a resposta completa aqui.

Nas redes sociais, internautas vêm articulando uma campanha contra o estabelecimento. Na página do bar no Facebook, por exemplo, há dezenas de mensagens de críticas e avaliações negativas.

Não trato sobre lugares coniventes e com equipe conivente ao machismo e à agressão sexista.

Posted by Renato Stockler on Saturday, 6 February 2016

Um lugar que nao respeita mulheres, e que amigo do dono vale mais que respeito por clientes.

Posted by Bia Amaral on Friday, 5 February 2016

Confira a íntegra do relato:

O Carnaval começou com uma dose cavalar de silenciamento.
Senta que lá vem textão.

Ontem à noite, eu e meus amigos tivemos a infelicidade de ir parar no Bar Quitandinha, na Vila Madalena. Sentamos em um mesão com nossos amigos homens e só eu e a Isabella de mulher. Bebemos algumas durante umas horas, até que todos os homens resolveram se levantar para ir fumar ao mesmo tempo. Absolutamente normal. Eu e ela continuamos sentadas, batendo papo.

E, no intervalo de 5 minutos sem a escolta masculina, um absurdo aconteceu.

Dois caras se sentaram na nossa mesa de forma extremamente desrespeitosa. Puxaram a cadeira e se acomodaram, sem nenhum tipo de convite ou abertura. Tentaram puxar papo insistentemente, enquanto nós desconversávamos, bastante incomodadas. Um deles achou conveniente se servir da nossa cerveja. Obviamente indignadas com a situação, pedimos para que ele não fizesse isso e deixasse a mesa. Ele ignorou e seguiu fazendo o que bem entendesse. Chamamos o garçom e pedimos para ele afastar os caras, que, a esse ponto, já estavam perdendo a linha. Nada – nada – foi feito.

Enquanto eu e a minha amiga tentávamos ignorar os dois trogloditas, eles resolveram partir para o contato físico, já que uma conversinha amigável não estava adiantando. Um deles puxou meu braço. Pedi para ele não tocar em mim. E aí, meu amigo, imagina um cara que ficou puto. Como assim eu não posso tocar numa mulher que tá sentada sozinha? Eles se levantaram da mesa e começaram a nos xingar dos piores nomes da face da terra. “Puta e “lixo” foram dos mais leves. Disseram que não queriam nos tocar mesmo, já que somos feias, gordas e escrotas. Que eles tinham tanto dinheiro (?) que poderiam até nos comprar, se eles quisessem. É. Esse tipo de babaca.

O garçom chegou com o gerente no meio da discussão. Ah! Esses daí vão ajudar a gente, pensamos. Até parece. Eles deram um cumprimento caloroso nos dois assediadores – clientes da casa há 10 anos, reforçaram inúmeras vezes, para tirar a nossa credibilidade. E, ao invés de retirar os caras, o segurança nos retirou, de forma bruta. Sim. As duas meninas que estavam sentadas na mesa tomando conta das nossas próprias vidas. Nesse ponto, nossos amigos homens já tinham voltado e estavam tentando convencer a equipe do bar de que a culpa não era nossa, também em vão, também indignados com tudo.

Saímos e o gerente veio conversar conosco. Aliás, conversar não, dar mais um dose de humilhação. Enquanto minha amiga tentava explicar o absurdo que tinha acontecido, o tal gerente não a olhou nos olhos nenhuma vez e bufava com desprezo. Quando resolveu falar, disse que, se não houve agressão física (que aliás, mais tarde, descobri roxos e cortes nos meus braços, adquiridos no momento em que o lindo me segurou para me xingar), não poderia fazer nada. Que os dois indivíduos que nos assediaram eram clientes e não iriam lidar com as nossas acusações.

Enquanto tudo isso acontecia, a dupla ficou lá dentro, tranquila, sendo servida como príncipes. Olhavam para trás entre um gole e outro para rir mais um pouquinho da nossa cara e nos mostrar o dedo do meio.

A polícia chegou. Ufa, quem sabe agora vai nos escutar? Pff. Não dá pra fazer nada não, moça. Se você quiser, vai ter que ir até a putaqueopariu fazer um BO junto com os seus agressores. Tudo o que você precisa ouvir em um momento traumático e sem nenhum suporte.

Um dos agressores finalmente saiu do bar para falar com a polícia. E a cena foi a seguinte: ele e o policial se cumprimentaram com um toque íntimo de mão e algumas risadas. Apontaram para nós, nos chamaram de histéricas, e retornou para sentar dentro do bar com seu amigo. Tranquilo. Suave.

Tudo isso aconteceu diante dos nossos olhos ardendo de chorar de impotência e raiva. Nenhum grito foi suficiente para ser ouvida: nem pelos dois caras, nem pela equipe do bar, nem pela polícia. Ninguém saiu perdendo, só nós: as mulheres, vítimas daquela merda toda.

‪#‎vamosfazerumescândalo‬

 

Foto: Divulgação

No artigo

Comentários