Apeoesp rebate Rede Globo: porta-vozes do governo do Estado

Sindicato dos professores das escolas estaduais paulistas protestou por conta da emissora ter desqualificado os dados apresentados pela entidade sem pesquisar sobre o assunto Da Redação A presidenta da Apeoesp (Associação...

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Sindicato dos professores das escolas estaduais paulistas protestou por conta da emissora ter desqualificado os dados apresentados pela entidade sem pesquisar sobre o assunto

Da Redação

foto: reprodução - Facebook

A presidenta da Apeoesp (Associação dos Professores da Rede Oficial do Estado de São Paulo), Maria Izabel Azevedo Noronha, enviou uma carta ao jornalista César Tralli – com cópia para o diretor de jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel – em que protesta contra a forma como a emissora tratou os dados feitos pela entidade sobre o fechamento de salas de aula pelo governo Geraldo Alckmin.

Segundo Bebel, a reportagem divulgou a contestação do governo paulista aos dados apresentados pela Apeoesp, mas sequer se deu ao trabalho de ouvir a entidade sobre o levantamento. “Sem ouvir a APEOESP, nos chama de mentirosos, de foram assertiva, inclusive com uma entonação de voz intencional da repórter ao dizer que a ‘apuração do sindicado está ERRADA’, induzindo desta forma a um juízo de valor por parte do telespectador. Em seguida, a repórter passa a ouvir um dirigente regional de ensino e, finalmente, o Secretário Estadual da Educação para, novamente, reforçar a posição do Governo Estadual, como se nós, da APEOESP, fôssemos pessoas levianas e sem responsabilidade”, protestou.

Para ela, a emissora não faz jornalismo investigativo, ainda mais quando o assunto são irregularidades na gestão do governo de São Paulo. “Vocês se limitam à condição de porta-vozes do Governo do Estado, acreditando a priori nas informações da Secretaria da Educação em detrimento das nossas”, afirma. Bebel cita ainda outras vezes em que a Rede Globo preferiu publicar a versão do governo de Geraldo Alckmin sem checar o que estava ocorrendo de fato.

Leia a carta na íntegra:

Senhor César Tralli,

Assisti à edição do jornal SPTV 1ª edição de hoje, 15/02, e fiquei indignada com a reportagem sobre a volta às aulas na rede estadual de ensino, sobretudo ao ouvir a repórter corroborar a posição da Secretaria Estadual da Educação de que estaria errado o levantamento feito pela APEOESP sobre o fechamento de classes que está ocorrendo em todo o estado de São Paulo e que, neste momento, chega a 1112 classes. E este número continua crescendo.

Vosso telejornal, sem ouvir a APEOESP, nos chama de mentirosos, de foram assertiva, inclusive com uma entonação de voz intencional da repórter ao dizer que a “apuração do sindicado está ERRADA”, induzindo desta forma a um juízo de valor por parte do telespectador. Em seguida, a repórter passa a ouvir um dirigente regional de ensino e, finalmente, o Secretário Estadual da Educação para, novamente, reforçar a posição do Governo Estadual, como se nós, da APEOESP, fôssemos pessoas levianas e sem responsabilidade. O senhor qualificaria isto de jornalismo isento, correto, ético?

Vocês se limitam à condição de porta-vozes do Governo do Estado, acreditando a priori nas informações da Secretaria da Educação em detrimento das nossas. A Rede Globo, como as demais, é uma concessão pública, mas não pratica jornalismo investigativo quando se trata de assunto que possa incomodar o Governo do Estado; não busca a verdade dos fatos. A matéria de hoje presta um desserviço aos estudantes, às famílias, aos professores, à educação pública no estado de São Paulo. Amanhã ou depois terão que se dobrar aos fatos, pois o número de classes fechadas não para de aumentar.

Não é a primeira vez que a Rede Globo de Televisão age desta forma contra a APEOESP e contra os professores. Em 2015, vocês reproduziram as versões da Secretaria Estadual de Educação de que não havia greve na rede estadual de ensino, até que foram obrigados a reconhecer a realidade. Agora, fazem referência à “maior greve dos professores estaduais”, como se nunca tivessem agido de outra forma.

Também puseram em dúvida nossas informações sobre a reorganização da rede estadual de ensino, fazendo coro com o Governo Estadual quando dizia que estávamos exagerando ou inventando. Novamente, tiveram que reconhecer a realidade concreta, quando o movimento iniciado pela APEOESP ganhou corpo e extrapolou a própria categoria, envolvendo estudantes, pais, comunidades e movimentos sociais, levando finalmente o Governador a recuar e a Justiça a determinar a suspensão do processo.
Novamente tentam desmoralizar a APEOESP perante a opinião pública, nos qualificando de mentirosos. Não vamos admitir. Sequer nos deram a oportunidade de demonstrar nossos dados, que a TV Globo, assim como os demais meios de comunicação, recebe de forma detalhada, com os nomes das escolas, suas regiões e os números de classes fechadas. Escolheram justamente uma escola que ganhou mais uma classe para, a partir daí, enfatizar uma avaliação enganosa da Secretaria da Educação.

Nosso levantamento é sério. Aliás, se o levantamento é de autoria da APEOESP, deveriam ter solicitado ao sindicato que indicasse as escolas a serem visitadas, como procedem quando lhes interessa. Mas o propósito da Rede Globo neste caso não parece ser o de informar e sim de prestar um serviço ao Governo Estadual, cuja imagem está cada vez mais desgastada nas escolas e na sociedade.

Não aceitamos isto e não autorizamos mais a Rede Globo a citar nossos levantamentos nem utilizar o nome da APEOESP em seus telejornais, sob pena de processo judicial. Não queremos ser desrespeitados. Somos o maior sindicato da América Latina e sabemos enfrentar os projetos do Governo Estadual que prejudicam os professores e a educação e também a Rede Globo, se for necessário.
Atenciosamente,

Maria Izabel Azevedo Noronha – Presidenta da APEOESP
C/c: Ali Kamel Diretor Geral de Jornalismo e Esportes da Rede Globo de Televisão

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