Governo Alckmin divulga taxa de homicídios fora do padrão mundial

Em São Paulo, o índice é calculado a partir do número de casos, e não de vítimas - cada registro pode ter mais de um óbito. O método foge do que é utilizado por outros estados ou do recomendado por organismos internacionais e apresenta...

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Em São Paulo, o índice é calculado a partir do número de casos, e não de vítimas – cada registro pode ter mais de um óbito. O método foge do que é utilizado por outros estados ou do recomendado por organismos internacionais e apresenta taxas abaixo da realidade

Por Redação*

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Ao divulgar as estatísticas de 2015, o governo de São Paulo, sob o comando de Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou que a relação de mortes intencionais por grupo de 100 mil habitantes foi de 8,73. No entanto, a taxa é calculada a partir do número de casos, e não de vítimas – cada registro pode ter mais de um óbito. A investigação de uma chacina, por exemplo, seria única.

A metodologia foge do que é utilizado por outros estados do país e também do que é recomendado por organismos internacionais. A maioria deles considera outras mortes violentas intencionais, como latrocínios (roubos seguidos de morte). Por esse critério, São Paulo teria a taxa de 10,03, maior que a divulgada oficialmente. Se incluídas as mortes decorrentes de intervenção policial, como sugere o Fórum Brasileiro
de Segurança Pública, o número sobe para 11,93.

Seguindo esse método, o estado estaria na chamada “zona epidêmica” de homicídios, termo usado em divulgações do governo para se referir ao índice acima de 10 mortes por 100 mil habitantes. “O que São Paulo faz é calcular uma taxa de boletins de ocorrência, só que chama incorretamente de taxa de homicídios”, afirmou Julio Waiselfisz, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, em entrevista à Folha de S. Paulo sobre o assunto.

* Com informações da Folha de S. Paulo

Foto de capa: Fernando Frazão / Arquivo Agência Brasil

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