O fim do PT será o fim da corrupção?

Nessa “briga de foice” entre revoltados e “comunistas”, um lembrete: o erro de análise não existe em fundamentar a legalidade...

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Nessa “briga de foice” entre revoltados e “comunistas”, um lembrete: o erro de análise não existe em fundamentar a legalidade da Lava-Jato nas apurações em relação ao PT e Governo, até porque ela é legal em seu todo.
O erro que as pessoas não percebem é algo tão óbvio e simples, mas que ninguém que odeia o PT, lulistas etc consegue perceber ou mesmo explicar: – Por que não existe uma força-tarefa do mesmo nível para investigar a todos, inclusive a oposição? Por que a mídia só engrossa o coro contra o PT e dá ênfase e repercute as demais operações – como, por exemplo, a Zelotes, os Trens de SP ou a misteriosa Lista de Furnas, envolvendo denúncias de corrupção que soam bilhões de reais?
Respostas que sempre ouço:
– Porque só o PT é corrupto, foi o PT quem criou a corrupção; governos atuais ou anteriores da oposição nunca foram corruptos – não, santa ingenuidade, claro que não.
– Porque eu odeio o PT, quero que o Lula morra e todos se lasquem – não santa indulgência, isso não vai acabar a corrupção nem aqui nem na China comunista.
– Porque primeiro o PT e depois os outros – Não mesmo, primeiro porque agentes públicos e uma imprensa livre não devem se pautar apenas para “punir” um partido ou ideologia, ou cobrir a caça à corrupção parcialmente, até porque isso não seria investigação, mas sim inquisição, por mais legal que seja e mais boa-vontade tenha a investigação que for. A paralisação do País em investigações que já levam anos, já permitiria uma “faxina geral”, como deveria ser o desejo de nós todos.
E enquanto todos ficam a se digladiar online e nas ruas, qualquer esquema de corrupção que não atinja o governo ou por parte de quem não faz parte do governo, segue dando gargalhadas na cara da sociedade, e muitos outros acusados de corrupção aparecem na imprensa aplaudindo a “prisão” do Lula e o fim dos “esquerdistas”.
Até porque sem cobrança e cobertura implacável da imprensa livre, agentes públicos não terão o necessário apoio popular e até mesmo verbas para investigar todo mundo. O que não é deglutido por boa parte da esquerda é o fato de que essa concentração máxima contra um lado irá, certamente, alçar o outro de volta ao Poder. Nesse diapasão, podemos falar em Justiça?
Recentemente li um texto interessante escrito por Rodrigo Aguiar, sobre a atuação do mesmo MPF durante o governo FHC, através de um Procurador quase solitário nos ataques ao Governo de então. Em um editorial do O Globo, ele chegou a ser exposto por “acusar” o governo sem esperar o fim do julgamento. Pois é, leiam, vejam e acreditem.
Se o Brasil e a sua imprensa livre e teoricamente imparcial estivesse mirando o seu canhão não apenas para denúncias de corrupção do PT e do governo, mas sim para QUAISQUER denúncias de corrupção, provavelmente não estaríamos no estado de coisas atuais.
Até lá, a histeria que tomou conta do Brasil levará à criminalização de um projeto que teve erros e acertos, como o de resgatar dezenas de milhões da pobreza absoluta. Neste diapasão, Lula não é chefe de uma quadrilha, mas sim um dos maiores líderes de nossa história. Até porque, salvo se for provado o contrário, todos são inocentes – até mesmo o Lula, para os que não o engolem.
Antes que pensem, criticar essa escalada que levará ao fim de um governo eleito democraticamente com mais de 50 milhões de votos, não é compactuar com qualquer corrupção, não é. É justamente o contrário: é saber que sem uma investigação geral não se estará condenando corruptos e corruptores, mas sim lhes dando a oportunidade de continuar ou escapar para o outro lado.


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