Reginaldo Nasser diz não à GloboNews: “Foi uma decisão política”

O cientista político recusou um convite para participar de um programa sobre os atentados na Bélgica por entender que a emissora "não faz jornalismo". À Fórum, Nasser explicou que já teve falas suas editadas e que tomou a decisão pois, agora, "as coisas passaram...

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O cientista político recusou um convite para participar de um programa sobre os atentados na Bélgica por entender que a emissora “não faz jornalismo”. À Fórum, Nasser explicou que já teve falas suas editadas e que tomou a decisão pois, agora, “as coisas passaram dos limites”

Por Ivan Longo

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O professor Reginaldo Nasser recusou uma entrevista ao canal a cabo GloboNews, do Grupo Globo, e fez questão de divulgar o motivo em seu perfil no Facebook.

Mestre em Ciência Política pela Universidade de Campinas (Unicamp) e doutor em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Nasser foi convidado por uma produtora da emissora, via WhatsApp, para participar de uma entrevista na tarde desta terça-feira (22) sobre os atentados na Bélgica desta manhã.

“Não dou entrevista para um canal que, além de não fazer jornalismo, incita a população ao ódio num grave momento como esse”, respondeu o professor.

À Fórum, Nasser explicou a razão pela qual resolveu negar o convite, já que participa com certa frequência da programação da GloboNews. Ele deixou claro que cede entrevistas ao canal há mais de dez anos e que, até então, sempre foram programas bons e de qualidade.

“Sempre avaliei que, eventualmente, em crises, há um espaço para profissionais que possam discutir relações internacionais. Mas nos últimos anos eu comecei a notar que as coisas não estavam como antes. Inclusive, em dois programas ‘Painel’ editaram minha fala. De lá para cá, diminuí bastante minha participação até porque os convidados não estavam mais em equilíbrio”, comentou.

De acordo com ele, a ‘gota d’água’ desta vez foi o fato de divulgarem amplamente áudios de conteúdos privados – como foi o caso dos grampos do ex-presidente Lula – e a supercobertura dos protestos pró-impeachment em detrimento das manifestações em defesa da democracia.

“O que eles estão fazendo não é jornalismo. O ápice foi essa coisa apelativa, essa coisa de colocar no ar todo e qualquer diálogo em esfera privada da presidenta e de outras pessoas. Eu avalio que passou do limite”, disse o estudioso, que afirmou ainda ter feito questão de divulgar sua recusa por se tratar de um caso de interesse público.

“Não é uma questão de foro individual. É uma questão pública. Sou professor falando em um meio público. Foi uma decisão política. Se outras pessoas, olhando para isso, julgarem uma uma atitude adequada, que tenham também essa decisão”, pontuou.

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