Funai repudia agressões racistas a indígenas no Ceará e no Rio Grande do Sul

Estudante de Veterinária da Universidade Federal do Rio Grande do Sul foi agredido e insultado por ter entrado no curso pela política de cotas; outros estudantes da mesma etnia já deixaram a UFRGS em razão de atos discriminatórios

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Estudante de Veterinária da Universidade Federal do Rio Grande do Sul foi agredido e insultado por ter entrado no curso pela política de cotas; outros estudantes da mesma etnia já deixaram a UFRGS em razão de atos discriminatórios

Da Redação

Foto: Daniel Caron / FAS

A Funai divulgou nesta quinta-feira (24/03) uma nota de repúdio a agressões cometidas contra indígenas em função de sua etnia. Um estudante da Universidade Federal do Rio Grande do Sul foi espancado e ofendido em frente à moradia estudantil da instituição por ser indígena e ter sido aprovado no vestibular pelo sistema de cotas.

Seis homens cercaram Nerlei Kaingang e o agrediram na noite de sábado. A violência foi registrada pelo circuito de câmeras de segurança do local.

Segundo a coordenação técnica da Funai em Porto Alegre (RS), não foi um caso isolado e outros estudantes universitários indígenas já abandonaram os estudos em razão da discriminação que sofreram dentro da própria universidade.

No Ceará, uma líder indígena também sofreu um atentando contra sua vida. Militante com atuação nacional pelos direitos indígenas, Ceiça Pitaguary foi atacada a facadas.

Leia a nota na íntegra:

A Funai manifesta sua total indignação frente a dois outros casos de violência baseados em racismo e discriminação contra os povos indígenas, ocorridos o último sábado (19). Desta vez, as vítimas foram o estudante Nerlei Fidelis, do povo Kaingang, agredido em Porto Alegre (RS), e a liderança Ceiça Pitaguary, agredida em Maracanaú (CE).
 
Nerlei Kaingang foi agredido em frente à moradia estudantil da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde cursa medicina veterinária. O estudante ingressou na UFRGS por meio do sistema de cotas e, na noite de sábado, foi espancado por um grupo de seis homens. A agressão foi registrada por câmeras de segurança e o estudante relatou que, além dos golpes físicos, os agressores desferiram ataques verbais de cunho racista e discriminatório pelo fato de Nerlei ser indígena e cotista.
 
Infelizmente, este não é o único registro de atitudes discriminatórias contra indígenas que ingressam naquela universidade pelo sistema de cotas. Segundo informações da Coordenação Técnica Local da Funai em Porto Alegre, outros estudantes indígenas já desistiram de cursar o ensino superior por terem sofrido discriminação dentro da própria universidade.
 
Ceiça Pitaguary foi vítima de tentativa de assassinato por parte de um cidadão que reside na aldeia Santo Antônio do Pitaguary, em Maracanáu-CE. Ela sofreu um ataque de facão que lhe causou lesões nos braços e na cabeça. Ceiça é uma importante liderança do povo Pitaguary, com atuação estadual e nacional na defesa dos direitos dos povos indígenas. Sua agressão representa uma tentativa de fazer calar sua luta e a luta dos povos indígena no Ceará e no Brasil.
 
A Funai repudia veemente tais atitudes que afrontam a democracia, os valores cidadãos e os direitos humanos conquistados em nosso país, e colocam na berlinda a construção de um país verdadeiramente pluriétnico e multicultural.
 
Fundação Nacional do Índio
Brasília-DF, 24 de março de 2016

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