Dois sem-terra são assassinados pela PM no interior do Paraná e outros seis ficam feridos

MST afirma que vítimas foram emboscadas por mais de 40 policiais militares e que a maioria delas foi atingida pelas costas; PM garante que foi atacada quando tentava combater um foco de incêndio, mas apenas acampados ficaram feridos no tiroteio Por Leonardo Fuhrmann...

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MST afirma que vítimas foram emboscadas por mais de 40 policiais militares e que a maioria delas foi atingida pelas costas; PM garante que foi atacada quando tentava combater um foco de incêndio, mas apenas acampados ficaram feridos no tiroteio

Por Leonardo Fuhrmann

Dois militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foram mortos e outros seis ficaram feridos – dois deles com gravidade – em um ataque da Polícia Militar contra o grupo na tarde dessa quinta-feira (07/04) no acampamento Dom Tomás Balduíno, em Quedas do Iguaçu, na região Oeste do Paraná. O movimento afirma que a ação teve também a participação de funcionários da Araupel, empresa do ramo de madeira e celulose que ocupava a área antes do MST.

Segundo o MST, cerca de 30 acampados da equipe de disciplina faziam uma vistoria na área quando foram atacados por mais de 40 policiais militares. Diariamente, os sem-terra percorrem o local em uma caminhonete e motos para garantir a segurança do acampamento e também monitorar incêndios e a presença de caçadores, principalmente em uma área de proteção ambiental que faz parte do terreno.

Ainda segundo a versão do movimento, eles foram atacados e tentaram fugir se embrenhando na mata. Dois deles foram mortos no local e outros seis ficaram feridos pelos tiros disparados pelos policiais, a maioria deles atingido pelas costas, o que demonstraria que elas estavam tentando fugir do ataque.

O MST reclama também da demora para socorrer as vítimas feridas, pois os PMs não permitiram que outros representantes do movimento atendessem os companheiros, e que os corpos das vítimas fatais foram retirados do local e levados para a delegacia, o que dificulta o trabalho técnico de perícia. Segundo os relatos, os baleados tiveram de esperar até quatro horas para serem encaminhados a hospitais da região.

Em nota, a Polícia Militar garante que duas de suas equipes é que foram vítimas de uma emboscada praticada pelos sem-terra quando tentavam ajudar a combater um incêndio numa área conhecida como Fazendinha. “Assim que o fogo começou, os policiais da Rotam (Rondas Ostensivas Tático Móvel) e uma brigada de incêndio da empresa Araupel foram até o local para combater as chamas. Mas antes de chegar até o local da queimada, os policiais foram alvo de uma emboscada”, afirma a nota, que confirma a presença dos funcionários da empresa no momento dos tiros.

A polícia informa ter apreendido com os acampados uma pistola 9 milímetros e uma espingarda calibre 12, além de negar que tenha havido omissão de socorro. “A PM enviou equipes para o local para resgatar as vítimas – inclusive um helicóptero para remover os feridos. Além disso, foram destacados policiais militares e civis para a região com o objetivo de reforçar a segurança – uma vez que há uma briga judicial envolvendo o MST e a empresa Araupel”, diz. E informou que a Polícia Civil já abriu inquérito para apurar as circunstância do tiroteio.

A ONG Terra de Direitos contesta a versão policial e pede uma apuração rigorosa do ataque. “É uma contradição dizer que a polícia sofreu emboscada, mas quem morreu foram os trabalhadores”, avalia o advogado Fernando Prioste, em texto divulgado pela entidade. O MST já vinha denunciando o aumento da tensão na região desde a semana passada, quando o governo estadual – comandado por Beto Richa (PSDB) – determinou o aumento do policiamento, após uma visita do secretário chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, e do secretário de Segurança Publica do Paraná, Wagner Mesquita, à cidade.

Presente na região há 20 anos, o MST alega que o acampamento – localizado no imóvel Rio das Cobras – foi grilado pela empresa Araupel. “A Justiça Federal declarou, em função da grilagem, que as terras são publicas e pertencem a União, e devem ser destinados para a reforma agrária”, explica. Agora, além da apuração sobre as circunstâncias do ataque, o MST quer o cumprimento da decisão judicial com a retirada da Araupel das áreas e a garantia de segurança para seus acampados.









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