Para “economizar” tucano acaba com Sinfônica de São José que consome 0,09% do orçamento

O prefeito tucano de São José dos Campos, Felicio Ramuth (PSDB), anunciou o fim da Orquestra Sinfônica da cidade para cortes de despesas. A orquestra, no entanto, consome apenas 0,09% do orçamento municipal. A decisão gerou revolta de artistas e moradores da cidade. Ex-prefeito...

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O prefeito tucano de São José dos Campos, Felício Ramuth (PSDB), anunciou o fim da Orquestra Sinfônica da cidade para cortes de despesas. A orquestra, no entanto, consome apenas 0,09% do orçamento municipal. A decisão gerou revolta de artistas e moradores da cidade. Ex-prefeito Carlinhos Almeida lamentou a atitude: “Sei muito bem que um patrimônio como esse não se reconstrói da noite para o dia e o prejuízo à cultura da cidade seria tremendo”.

Por Julinho Bittencourt, com informações do Meon e do G1

Posse da nova diretoria do Conselho da Maçonaria Joseense, no Teatro do Sesi, com a presença do prefeito Carlinhos Almeida e apresentação da Orquestra Sinfônica de São José dos Campos (OSSJC). Foto: Charles de Moura

O prefeito tucano de São José dos Campos, Felício Ramuth (PSDB), anunciou através de transmissão ao vivo pela sua conta no Facebook, no começo da tarde desta segunda-feira (9), o fim do contrato com a Orquestra Sinfônica da cidade. O motivo alegado é o corte de despesas do município. A orquestra, que é gerida pela Associação para o Fomento da Arte e da Cultura (Afac), consome apenas 0,09% do orçamento municipal.

De acordo com o tucano, a manutenção da Orquestra requer um gasto de R$ 2,5 milhões por ano, valor que seria incompatível com o atual momento econômico da cidade. “Nós temos dívidas de água, de luz, falta de medicamentos básicos… É com tristeza que eu tomo essa decisão, mas é a atitude correta, tenho convicção disso”, disse Felício.

O ex-prefeito da cidade, Carlinhos de Almeida (PT-SP), disse à Fórum que “enfrentar dificuldades sem prejudicar os serviços é a tarefa de todo gestor. Vivi intensamente isso à frente da Prefeitura. A própria Orquestra Sinfônica de São José dos Campos foi um dos que experimentaram esforços de racionalização de gastos ao longo dos últimos quatro anos”.

Carlinhos diz ainda que foi questionado muitas vezes se, diante da crise econômica e queda de arrecadação, não seria o caso de acabar com a orquestra: “Sei muito bem que um patrimônio como esse não se reconstrói da noite para o dia e o prejuízo à cultura da cidade seria tremendo”.

O ex-prefeito lembrou ainda que a orquestra sempre teve um papel determinante na educação: “Nos últimos anos conseguimos criar forte vínculo entre a orquestra e os alunos das nossas escolas, com concertos didáticos que levaram clássicos da música universal a escolas da periferia e finalizamos o ano letivo com apresentações memoráveis dos alunos com os músicos da orquestra. Por isso e muito mais, mesmo com dificuldade, mantivemos a orquestra”.

Diante das dificuldades econômicas e da necessidade de austeridade que atual situação impõe Carlinhos concluiu que “na hora de cortar é preciso também pesar os custos imateriais e em longo prazo”.

De acordo com maestro, decisão pegou os músicos de surpresa

A Orquestra Sinfônica foi criada em 2004 e, atualmente era composta por 35 músicos sobre regência do maestro Marcello Stasi. O maestro disse que a equipe da orquestra está de férias e que a decisão pegou todo mundo de surpresa.

“Não esperávamos isso. A orquestra é um trabalho conquistado ao longo de anos. Nós conseguimos levar 9 mil pessoas para o parque para apresentação de música clássica e isso não foi um trabalho do dia pra noite. O Felício tomou essa decisão em poucos dias na administração sem averiguar outras possibilidades, sem discussão. Ficamos assustados porque algo assim não se constrói do dia para a noite. É uma trajetória”, afirmou.

Outras pessoas, ligadas à cultura e à arte em São José, também se mostraram contrárias à decisão. “Estou indignada, será que daqui a pouco vai querer fechar a Fundação Cultural também? A cultura é direito do povo, não só da elite. A orquestra fazia um trabalho maravilhoso e agora todo dinheiro gasto vai para o ralo. A cultura não pode ser culpada pelos outros problemas da cidade. Não sou partidária, penso na cultura”, disse Andreia Barros.

O ex-presidente da Fundação Cultural, Alcemir Palma, lamentou a notícia. “É uma pena, eu lamento porque é a cidade que perde. Ele deveria tentar outros meios antes de cancelar”, afirmou ela.

Por nota, a Associação para o Fomento da Arte e da Cultura (Afac), gestora da orquestra, apenas confirmou o encerramento das atividades e agradeceu a equipe que participou da orquestra.

O professor, ativista e cordelista Paulo Roxo Barja também lamentou o fim da orquestra. Para ele, “o trabalho de Marcello Stasi e dos músicos tem sido belíssimo, como pudemos ver há um mês, no incrível concerto de encerramento da temporada 2016: ouvimos a íntegra de Carmina Burana no Parque Vicentina Aranha”. De acordo com Paulo, “a Sinfônica de SJC tem atuado inclusive junto à Educação”. Além disso, ele reitera que “é uma falácia fingir que o objetivo é ‘economizar para investir em Educação e Saúde’, pois o investimento na Sinfônica é mínimo (apenas 0,09% do orçamento municipal) diante da verba de que o município dispõe para Educação e Saúde”.

Diante da pouca atenção que o governo de Felício Ramuth dá à cultura, vários jornais da cidade especulam também sobre o fechamento da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, responsável por intensa programação de eventos, espetáculos e cursos na cidade.

Desde o anúncio da extinção da orquestra corre uma petição pública exigindo a revogação da medida. Para assinar entre aqui.

Foto: Divulgação

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