Polêmica envolvendo uso de turbante por garota com câncer divide opiniões na internet

Thuane Cordeiro fez um post questionando o conceito de “apropriação cultural” depois de contar que foi repreendida por mulheres negras no metrô por estar usando um turbante, que para ela serve para disfarçar a...

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Thuane Cordeiro fez um post questionando o conceito de “apropriação cultural” depois de contar que foi repreendida por mulheres negras no metrô por estar usando um turbante, que para ela serve para disfarçar a queda de cabelo causada pelo câncer. Atitude dividiu opiniões e acendeu debate. Confira

Por Redação

A postagem da jovem Thuane Cordeiro questionando o conceito de “apropriação cultural” para o uso de turbante já passou dos 30 mil compartilhamentos. Ela conta que estava no metrô usando a peça na cabeça para disfarçar a queda de cabelo causada pelo câncer e que foi repreendida por mulheres negras, que julgaram que Thuane, por ser branca, estava se apropriando da cultura negra e que, por isso, não poderia usar o pano.

Trecho de sua postagem:

“Vou contar o que houve ontem, para entenderem o porquê de eu estar brava com esse lance de apropriação cultural:
Eu estava na estação com o turbante toda linda, me sentindo diva. E eu comecei a reparar que tinha bastante mulheres negras, lindas aliás, que estavam me olhando torto, tipo ‘olha lá a branquinha se apropriando da nossa cultura’. Enfim, veio uma falar comigo e dizer que eu não deveria usar turbante, porque eu era branca. Tirei o turbante e falei ‘tá vendo essa careca, isso se chama câncer, então eu uso o que eu quero! Adeus.’, Peguei e saí e ela ficou com cara de tacho.”

“Vai ter todas de turbante, sim”, disse a garota ao final seu desabafo, que acendeu o debate sobre o termo “apropriação cultural” nas redes sociais.

As opiniões são divididas dentro do próprio movimento negro. Há aqueles que fizeram críticas à garota, a acusando de vitimismo e endossando a tese de que brancos não podem adotar elementos da cultura negra. Outros foram por outro lado, procurando entender o conceito de apropriação cultural, mas explicando que é preciso analisar caso a caso.

Sobre o caso, a filósofa e ativista feminista e do movimento negro, Djamila Ribeiro, escreveu:

A moça tem câncer e é complicado se isso realmente aconteceu. Sim, coloco em dúvida porque parece ter interesses aí.
O debate sobre a apropriação cultural não pode ser feito de modo individual, a meu ver. Estou mais interessada em discutir porque empresas lucram com a cultura negra enquanto a população negra morre. Porque cantores brancos medíocres enriquecem cantando samba enquanto compositores e cantores negros geniais morrem ou morreram na pobreza. Quero discutir o nosso apagamento e aniquilamento. Porém, o que aconteceu com a garota (se aconteceu) NÃO pode ser usado para deslegitimar um debate tão caro. Essa moça não pode reduzir a questão para dizer “vai ter branca de turbante sim” esvaziando uma questão tão séria.mE , por fim, sofrimento NÃO é a mesma coisa que opressão.

Do outro lado, vem sendo compartilhado, para discutir o assunto, um texto de 2015 do blog Colunas Tortas, cujo título é “A mentira da apropriação cultural”. Diz trecho do artigo:

A apropriação cultural, como é dita na internet, não existe. O que existe é consumo no capitalismo tardio (…) O que existe é a indústria cultural.Mas há um problema, as longas discussões em blogs (pois foi só na superfície dos blogs – no mundo da internet, no discurso próprio da internet – que essa discussão teve vida) sobre as origens do turbante não levam em consideração que este elemento sempre foi utilizado pelos povos do oriente médio, para além da África, o que já prova a multiplicidade de significados que um mesmo objeto material pode conter em diferentes locais ao longo do tempo.

Confira, abaixo, algumas outras reações sobre o assunto.



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