Mulher procura estuprador e escreve um livro com ele sobre a violência que sofreu

Após uma série de protestos contra a iniciativa, a jovem Thordis Elva defende que o livro pode gerar uma consciência maior entre os homens sobre o problema.

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Após uma série de protestos contra a iniciativa, a jovem Thordis Elva defende que o livro pode gerar uma consciência maior entre os homens sobre o problema

Por Redação

A islandesa Thordis Elva tinha 16 anos quando foi estuprada por Tom Stranger, com 18 anos à época. Os dois namoravam há um mês, tinham bebido em uma festa e ela foi levada para casa pelo jovem depois de passar mal.

Elva não denunciou a violência. “Estava apaixonada pela primeira vez na vida. Fiquei machucada e chorei muito por semanas, mas tudo era muito confuso para mim. Tom era meu namorado, não um lunático. E o estupro ocorreu na minha cama, não em uma viela. Quando finalmente concluí que havia sido estuprada, Tom já tinha voltado para a Austrália, ao final de seu programa de intercâmbio”, contou.

Nove anos mais tarde, ela decidiu entrar em contato com Stranger por meio de uma carta. O australiano respondeu confessando o ato e disse que faria “o que fosse necessário”. Como o crime já havia prescrito, de acordo com a legislação islandesa, os dois resolveram escrever um livro juntos sobre o ocorrido.

Uma palestra da dupla no evento TED, realizada em outubro do ano passado, foi assistida por mais de 2,7 milhões de pessoas. Em sua fala, Stranger frisou que sufocou as memórias do estupro e que dias depois da agressão tinha plena noção de que havia feito “algo muito errado”.

“Repudiei o ato mesmo quando o cometia. Mas contei para mim mesmo uma mentira, a de que havia sido sexo, não estupro. Negligenciei o imenso trauma que causei a Thordis. E a mentira me deixou com uma culpa atroz”, afirmou.

Desde então, os dois participam de eventos ao redor do mundo, mas a iniciativa gerou muitos protestos. Grupos de defesa dos direitos da mulher argumentam que, mesmo não recebendo dinheiro por isso, a atitude beneficia Stranger. As militantes também ressaltam que estupradores não devem “receber aplausos” por admitirem seus crimes.

Elva, no entanto, afirma que o debate pode gerar uma consciência maior entre os homens sobre o problema. “A demonização dos agressores pela mídia atrapalhou minha recuperação. O fato de Tom não ser um monstro e, sim, uma pessoa que tomou uma decisão terrível tornou ainda mais difícil para mim reconhecer seu crime. Não quero receitar uma fórmula às pessoas”, frisou.

“Ninguém tem o direito de dizer a uma vítima de estupro como lidar com a dor. Mas a violência sexual não pode ser tratada apenas como assunto feminino. Homens cometem a maioria dos ataques, mas suas vozes não estão representadas proporcionalmente nessa discussão”, complementou.

Foto: BBC
Com informações da BBC Brasil









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