Defesa de Lula diz que Léo Pinheiro mentiu para ter sua delação aceita

De acordo com a defesa do ex-presidente, o empresário, que prestou depoimento nesta quinta-feira (20) em Curitiba, foi incumbido de criar uma narrativa que sustentasse ser Lula o proprietário do chamado triplex do Guarujá....

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De acordo com a defesa do ex-presidente, o empresário, que prestou depoimento nesta quinta-feira (20) em Curitiba, foi incumbido de criar uma narrativa que sustentasse ser Lula o proprietário do chamado triplex do Guarujá. “É a palavra dele contra o depoimento de 73 testemunhas, inclusive funcionários da OAS”, disse o advogado do petista

Por Redação

A defesa do ex-presidente Lula negou, por meio de nota publicada nesta quinta-feira (20), todas as acusações do empresário Léo Pinheiro, da OAS, que prestou depoimento hoje em Curitiba. De acordo com o advogado Cristiano Zanin Martins, Pinheiro tenta ter sua delação aceita e, assim, conseguir benefícios penais, e por isso criou toda uma narrativa com relação ao caso do triplex no Guarujá.

“Ele foi claramente incumbido de criar uma narrativa que sustentasse ser Lula o proprietário do chamado triplex do Guarujá. É a palavra dele contra o depoimento de 73 testemunhas, inclusive funcionários da OAS, negando ser Lula o dono do imóvel”, escreveu em nota o advogado.

Confira, abaixo, a íntegra da nota.

“Léo Pinheiro no lugar de se defender em seu interrogatório, hoje, na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, contou uma versão acordada com o MPF como pressuposto para aceitação de uma delação premiada que poderá tirá-lo da prisão. Ele foi claramente incumbido de criar uma narrativa que sustentasse ser Lula o proprietário do chamado triplex do Guarujá. É a palavra dele contra o depoimento de 73 testemunhas, inclusive funcionários da OAS, negando ser Lula o dono do imóvel.
 
A versão fabricada de Pinheiro foi a ponto de criar um diálogo  – não presenciado por ninguém – no qual Lula teria dado a fantasiosa e absurda orientação de destruição de provas sobre contribuições de campanha, tema que o próprio depoente reconheceu não ser objeto das conversas que mantinha com o ex-Presidente. É uma tese esdrúxula que já foi veiculada até em um e-mail falso encaminhado ao Instituto Lula que, a despeito de ter sido apresentada ao Juízo, não mereceu nenhuma providência. 
 
A afirmação de que o triplex do Guarujá pertenceria a Lula é também incompatível com documentos da empresa, alguns deles assinados por Léo Pinheiro. Em 3/11/2009, houve emissão de debêntures pela OAS, dando em garantia o empreendimento Solaris, incluindo a fração ideal da unidade 164A. Outras operações financeiras foram realizadas dando em garantia essa mesma unidade. Em 2013, o próprio Léo Pinheiro assinou documento para essa finalidade. O que disse o depoente é incompatível com relatórios feitos por diversas empresas de auditoria e com documentos anexados ao processo de recuperação judicial da OAS, que indicam o apartamento como ativo da empresa.
 
Léo Pinheiro negou ter entregue as chaves do apartamento a Lula ou aos seus familiares. Também reconheceu que o imóvel jamais foi usado pelo ex-Presidente.
 
Perguntado sobre diversos aspectos dos 3 contratos que foram firmados entre a OAS e a Petrobras e que teriam relação com a suposta entrega do apartamento a Lula, Pinheiro não soube responder. Deixou claro estar ali narrando uma história pré-definida com o MPF e incompatível com a verdade dos fatos. 
 
Cristiano Zanin Martins”









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