Mais de um negro

A queda do regime racista sul-africano teve Mandela como figura máxima, mas a militância de tantos outros líderes negros
não foi menos importante

Onde há opressão, há reação. Mas nem sempre ela torna-se
mundialmente conhecida ou devidamente famosa. Quando Mandela co-fundou a Liga Juvenil da CNA, por exemplo, estava acompanhado por dois outros importantes líderes negros, Walter Sisulu e Oliver Tambo. Sisulu (1912-2003) teve papel de destaque nas atuações do grupo militante Lança da Nação, e foi também secretário geral do CNA. Ele foi libertado em 1989, após 26 anos de prisão. Tambo (1917- 1993) também foi secretário geral do CNA, e militante incansável da causa negra.Mesmo antes da fundação da Liga Juvenil, ambos
já se mostraram importantes na vida política de Mandela. A
primeira atividade política de Mandela ocorreu por ter conhecido Tambo – em 1940 foram expulsos da Fort Hare University por participarem de uma greve estudantil. Mais tarde Mandela conhece Sisulu, que é quem conseguirá
para ele um trabalho em uma firma de advocacia, garantindo
um rendimento financeiro, fundamental para seu engajamento
nas lutas políticas. Bem mais jovem que Mandela, e com
a vida e um histórico de lutas mais curtos, foi Steve Biko (1946-
1977), assassinado numa prisão, e por isso mesmo transformado em mártir do povo negro sul-africano.

Biko foi o fundador e o primeiro
presidente da South African
Student´s Organisation e
presidente honorário, em 1972,
da Black People´s Convention.
Quem discursou durante o funeral
de Biko, foi o bispo Desmond
Tutu, outro importante líder negro,
e este com relativa proeminência
internacional. Foi a morte
de Biko que fez Tutu perceber a
importância do engajamento político
da Igreja Anglicana para
combater o apartheid. Primeiro
negro a ocupar o posto de bispo
anglicano em Joanesburgo e prêmio
Nobel da Paz em 1984, Tutu
também teve papel de destaque
na campanha para o boicote econômico
internacional ao regime
racista sul-africano, além de presidir
a famosa Comissão Verdade
e Reconciliação da África Sul
organizada por Mandela. Vê-se
que a luta incomparável do grande
líder negro foi árdua, mas ele
nunca esteve sozinho.