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acontecer encontros no fim do ano e começo de 2002", esclarece Vicente. A internet deve ser outro ponto forte, como neste ano. Dessa vez haverá um noticiário diário pela rede.
As temáticas do Fórum já estão definidas. "Temos dezesseis temas principais que serão abordados nas discussões. Para cada um deles serão indicadas redes internacionais que entregarão propostas já em outubro", explica Antônio Martins, jornalista e membro da Attac, uma das entidades organizadoras do Fórum. As formas de discussão também devem ser ampliadas com a introdução de seminários com duração de dois a três dias, aprofundando assuntos mais específicos, como a instituição da Taxa Tobin e o desenvolvimento de estratégias conjuntas para tratar do problema da dívida externa.
Entretanto, a estrutura básica do primeiro encontro com oficinas, painéis e testemunhos será mantida. Quanto ao local do Fórum, Chico Withaker, da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, acredita que a base do encontro continuará sendo a PUC do Rio Grande do Sul. "A tendência é essa, mas pretendemos expandir as discussões para toda a cidade", diz. Para ele, a percepção do Fórum como um evento que veio realmente para ficar foi consolidada com a criação do Conselho Internacional em junho deste ano. O conselho terá a função de orientar as diretrizes políticas e definir os rumos estratégicos do Fórum, sendo espaço permanente de discussões entre as várias organizações participantes. "A próxima reunião deverá ser em novembro, na cidade de Dacar, e lá definiremos os últimos detalhes", adianta
Withaker.
Outra tendência do próximo encontro é a afirmação de seu caráter propositivo. É com esse espírito que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) estará presente em Porto Alegre. Gilmar Mauro, um dos dirigentes da entidade, acha que, além das discussões, o evento deve apresentar também propostas que possam ser viabilizadas. "É importante que o Fórum não seja um lugar só de debates, mas que tenha conseqüências práticas na vida do povo", defende. Outra preocupação de Mauro é que possa ser elaborado amplo arco de forças sociais e políticas para combater o neoliberalismo, incentivando a participação das organizações de massa. "O grande desafio é fazer com que essas organizações estejam cada vez mais presentes, já que não há possibilidade de construir uma alternativa sem a participação delas", aponta.
As entidades sindicais também estão se articulando para a realização do próximo Fórum. Para João Felício, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a formação da Alca tem de ser incluída na pauta de debates. "Precisamos aproveitar a presença de grande parte do movimento sindical das Américas para discutir a questão da Alca, temos que ampliar esse debate que hoje está restrito ao meio acadêmico", justifica. Segundo Felício, cerca de 5 mil sindicatos devem participar. "Tanto eu como o Kjeld Jakobsen estamos viajando e realizando muitos contatos para que a representação dos sindicatos seja a mais ampla possível", diz. Tudo leva a crer que 2002 será outro ano em que os magnatas de Davos (Suíça) não terão sossego.
Mundo
Afora
Contra o G-8
Gênova foi o centro das atenções do mundo durante o mês de julho. Nem tanto pela reunião do G-8, onde dirigentes dos sete países mais ricos e a "agregada" Rússia se reuniram, mas sim pelas diversas manifestações contra o neoliberalismo. Como sempre, os manifestantes primaram pela criatividade, mas ficaram bem distantes do local da reunião dos mandatários do G-8. Mesmo assim, a polícia italiana abusou da violência. Além de inúmeras pessoas feridas, Carlo Giuliani, ativista de 23 anos, foi assassinado com um tiro na cabeça por um
carabinieri.
A volta do fascismo
Ato mais bárbaro, a morte do ativista italiano não foi o único "excesso" da guarda neofascista do magnata-presidente Silvio Berlusconni. A polícia invadiu a sede do Fórum Social de Gênova, sem ordem judicial, e o Centro de Mídia Independente. Houve confrontos por mais de 1 hora e o saldo foi mais de quarenta feridos e vários equipamentos destruídos e outros furtados.
Protestos no Brasil
Em São Paulo as manifestações contra o G-8 transcorreram sem problemas. Cerca de 2 mil pessoas protestaram sem que se repetissem os incidentes do dia 20 de abril, na Avenida Paulista, onde houve violenta repressão policial. O protesto terminou em frente ao consulado americano. Outro consulado, o italiano, foi alvo de manifestações contra a violência da polícia de Gênova. Durante 3 horas os manifestantes impediram a saída do cônsul e dos funcionários.
Washington vem aí!
O próximo grande protesto contra o neoliberalismo deve ocorrer em Washington. De 28 de setembro a 4 de outubro o Banco Mundial e o FMI vão realizar o seu encontro anual e várias organizações já começam a preparar os protestos contra os donos do cassino global.
A força de Fidel
O presidente cubano Fidel Castro comandou uma das maiores marchas da história do país em comemoração ao 48º aniversário do ataque ao quartel de Moncada. O evento contou com 1,2 milhão de pessoas e foi marcado por protestos contra o bloqueio americano à ilha.
Educação globalizada
Mais de 7 mil pessoas são esperadas para o Fórum Mundial de Educação, que acontecerá em Porto Alegre de 24 a 27 de outubro. Promovido pela prefeitura local em parceria com outras entidades, o encontro terá como tema central a Educação no Mundo Globalizado e serão realizadas oficinas, mostras e conferências. Para inscrever-se acesse o site
www.forummundialdeeducacacao.com.br
Memorial do Fórum
Porto Alegre já conta com um Memorial do Fórum Social Mundial. O espaço, inaugurado em agosto, pretende preservar e difundir as idéias discutidas durante o evento, além de oferecer informações sobre o próximo encontro.
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