Feministas comentam importância da ação #PrecisamosFalarSobreAborto 24 h

Texto de Thaís Campolina...

Texto de Thaís Campolina

Imagem de divulgação. Arte feita por Samuel de Paula Gomes.
Imagem de divulgação. Arte feita por Samuel de Paula Gomes.

28 de setembro é o dia de luta pela descriminalização do aborto na América Latina e Caribe. A data foi definida em 1990, na Argentina, durante o 5º Encontro Feminista Latino-Americano e Caribenho e desde então feministas tem organizado ações, campanhas e debates sobre o assunto durante a data e períodos próximos.

Think Olga, Gorda&Sapatão, Justificando e nós, do Ativismo de Sofá, organizamos a ação #PrecisamosFalarSobreAborto 24 horas, que consiste numa virada online feminista que começará às 00:00 do dia 28 e terminará só com o último live às 00:00 do dia 29 de setembro. Nesse período, organizações, coletivos, páginas, blogues, pesquisadoras e pessoas públicas farão transmissões online através do facebook, divulgarão textos sobre o assunto e vídeos já gravados, utilizando a hashtag que nomeia a campanha.

A programação das transmissões ao vivo contam com nomes como Clara Averbuck, Karina Buhr, Djamila Ribeiro, Debora Diniz, Marcia Tiburi, Ana Lucia Keunecke, Melania Amorim, Silvia Badim e coletivos/organizações/sites como MinasNerds, Revista Azmina, Rede Feminista de Juristas, Maternativa, ONU Mulheres e Catarinas. Acesse a agenda oficial dos lives através do link do evento e confira os horários.

Durante a data e dias próximos, é comum que ocorra atos, panfletagens, intervenções artísticas em várias cidades, rodas de conversa e palestras em universidades. Em outros anos, tuitaços com hashtags relacionadas ao tema também aconteceram. Fazer ativismo nesse período ou através da internet não é bem uma novidade, mas a campanha desse ano chama atenção por utilizar uma nova ferramenta das redes sociais e por contar com a força coletiva de diversas colaboradoras e apoiadoras. Até então, há quarenta e oito lives confirmados. Fora as outras formas possíveis de participação.

Jéssica Ipólito, escritora do blogue Gorda&Sapatão, considera essa ação importante por encurtar as pontes que distancia o “público geral” de pessoas “especialistas”, estabelecendo um outro contato entre quem se interessa por um assunto que se destrincha em vários outros, oferecendo pontos de vistas diversos e embasados. E ressalta “fazer uma ação nas redes sociais desse porte, significa oferecer subsídios para as pessoas formularem seus pontos de vista; é também fazer formação política com meninas e jovens que, desde muito cedo, já estão em contato com o feminismo através de memes e gifs, discursos de empoderamento que tem seu pano de fundo a política feminista. Então é muito entusiasmante essa ação, que é a primeira e única que já vi acontecer nesse viés, simultaneamente, na internet – e ainda carregando essa data importante.

Juliana de Faria, criadora do Think Olga, acredita que o evento online é interessante, pois trará o debate sobre aborto sob diversas óticas e acrescenta “O MinasNerds, por exemplo, que produz conteúdo sobre cultura pop vai falar sobre aborto em séries, filmes, etc. É uma forma de gerarmos reflexão para diversos públicos. Além disso, de interagimos com públicos que não são o nosso. Todas e todos, que estão na ação ou a acompanhando, vão aprender muito”.

Joice Berth, arquiteta, colunista dos sites Justificando, Nó de Oito e Revista Língua de Trapo e pesquisadora sobre feminismo negro e questões raciais, acrescenta “eu creio que, apesar do acesso a rede não atender 100% da população brasileira, deixando de fora pessoas de grande e média vunerabilidade social, já podemos considerar as ações em rede como um poderoso instrumento de comunicação e informação” e reflete que frente à necessidade, urgência e o interesse geral de abordar esse assunto, uma ação como essa possibilita que a discussão aconteça de maneira competente e informal, sem o peso que muitas vezes tem uma roda de conversa ou um conteúdo técnico que se faz em palestras que para muitos não são muito acessíveis. “A quantidade e qualidade de especialistas que vão participar vai sem dúvida, esclarecer muitas confusões sobre o assunto que pairam pelas cabeças da população simplesmente porque não há espaço e tempo para desfazer equívocos e falar de maneira direta sobre essa questão urgente e inadiável”, destaca Joice.

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