Estudante relata desvio de doações no Pinheirinho

A estudante Isadora Szklo, 19 anos, me enviou um relato bastante preocupante por email sobre uma situação que viveu nesta quarta (25) no Pinheirinho.
Aliás, se a situação é ruim ela pode ficar pior, porque a mídia (incluindo a independente) que cobria o caso, já deixou o local. Os moradores agora estão à mercê da mão violenta dos governos de da polícia.
Segue o relato de Isadora:

“Fomos hoje entregar as muitas doações para as famílias desalojadas na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Ao chegar próximo do local, notamos uma grande movimentação e vimos que os ex-moradores estavam sendo removidos da Paróquia, a pedido do Padre, e sendo encaminhados para outro lugar, um ginásio, a 4 km dali. Quatro quilômetros percorridos por eles no sol de 35 graus, a pé.

Chegando ao ginásio, a Prefeitura estava tomando conta do local e a PM estava cercando, coisas que não haviam ocorrido na Igreja. Entregamos nossas mais de 15 sacolas enormes com doações de roupas, comida e itens de higiene à Juliana, que era quem estava organizando, na medida do possível, tudo lá dentro.

Arapongagem na USP: Victoria Benevides, “isso só acontece em estado de exceção”

A edição de janeiro da revista Fórum trouxe uma denúncia sobre um esquema de arapongagem estruturado para investigar professores, movimentos estudantis e trabalhadores na USP. Para a socióloga e professora titular da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, Maria Victoria Benevides, o sistema de espionagem fere o espaço estudantil e só faria sentido em um contexto de estado de exceção.
A professora comenta também que não compreende como a universidade não se manifesta diante da tamanha gravidade que traz a denúncia da reportagem. “Me espanta profundamente a falta de posição mais democrática dos órgãos da USP, das autoridades competentes da universidade. Eu me aposento neste semestre, estou afastada das atividades da universidade, mas, pelo que sei de colegas e pelo que recebo pela internet de informação, fico indignada de ver que eles não se manifestam, nem que seja para negar”, critica a professora.
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Advogado membro da OAB retifica entrevista dada a TV Brasil

O advogado e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São José dos Campos, Aristeu César Pinto Neto, que afirmou à TV Brasil, que “havia mortos, inclusive crianças”, por conta da violência policial no Pinheirinho, acaba de ser entrevistado pelo repórter Igor Carvalho e retificou a informação.

Disse que deu uma entrevista no calor da hora da ocupação e que naquele momento havia muitas histórias circulando sobre assassinatos e desaparecidos e que por isso afirmou aquilo.

Aristeu disse que não se arrepende de ter dado a entrevista porque a deu num contexto de defesa dos direitos humanos dos moradores, mas que, agora, depois de uma apuração mais aprofundada, pode afirmar que não há confirmação de vítimas.

A ausência de um cadáver não diminui a violência no Pinheirinho

O repórter Igor Carvalho está em São José cobrindo in loco a ocupação do Pinheirinho. Ao mesmo tempo, estamos eu e Adriana Delorenzo, em São Paulo, buscando informações e alinhavando outras entrevistas. Desde domingo um dos nossos objetivos tem sido revelar os absurdos da ocupação e buscar descobrir, entre outras coisas, se há vítimas fatais. Até o momento não há nenhuma informação neste sentido.

Ontem a noite bancamos esta informação nos contrapondo há uma entrevista dada à TV Brasil e divulgada por grandes portais pelo advogado e dito presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São José dos Campos, Aristeu César Pinto Neto. Hoje a OAB publicou no seu site  o seguinte:  “Informamos à toda mídia e demais órgãos de imprensa, que o único autorizado a fazer qualquer pronunciamento em nome da OAB Subeção de São José dos Campos é o seu Presidente Dr. Julio Aparecido Costa Rocha.”

Ele falou em mortos, inclusive crianças, mas não deu nenhum nome. O repórter da Fórum ficou atrás dessa confirmação até altas horas da noite. E nenhuma liderança confirmou-a. Mas apanhamos muito nas redes sociais por conta disso.

Pinheirinho e o desrespeito aos direitos humanos

O repórter da Fórum, Igor Carvalho, está desde ontem, domingo, 22, em São José dos Campos, apurando a invasão da PM no Pinheirinho. Ele chegou à noite na cidade e nesta manhã presenciou cenas chocantes e sem qualquer respeito aos direitos humanos.

Ele acaba de presenciar um homem tomando quatro tiros de borracha pelas costas e uma mulher com um filho de 3 meses no colo, tomando um tiro de borracha na cabeça.

Segundo o repórter, cerca de 2 mil moradores estão numa igreja. A PM cercou o local, impedindo-os de sair de lá. As pessoas estão sem documentos, roupas, dinheiro e pertences. Além disso, desde ontem, estão sem comer, sem beber água, sem ir ao banheiro.

Alckmin e prefeito de São José não cumpriram acordo, diz Suplicy

Entrevistei o senador Suplicy e o deputado federal Paulo Teixeira, líder do PT na Câmara Federal, que estavam negociando com o governo do estado no caso da ocupação Pinheirinho, em São José dos Campos. Ambos me confirmaram que havia um acordo com o governador Alckmin e com o prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury, para que se buscasse um entendimento nos próximos quinze dias e o Pinheirinho não fosse invadido pela Polícia Militar.

Como o acordo não foi cumprido, ao saber da invasão, às 6h30 da manhã, o senador Suplicy pegou seu carro e foi para o Palácio dos Bandeirantes. Chegou lá às 7h e foi atendido às 8h30 por Alckmin, que lhe disse que teve que cumprir ordem judicial. Suplicy ponderou que havia uma decisão federal em outro sentido e Alckmin lhe respondeu que a que valia era a decisão paulista.

Suplicy disse que como não é jurista, achou estranho, mas decidiu não discutir a questão e ponderou que essa não era a melhor solução. Alckmin lhe disse que tinha enviado muitos assistentes sociais para o local e que a ocupação seria “absolutamente pacífica”.
Antes disso acontecer, o senador, no entanto, afirmou que esteve em uma reunião na sexta-feira, no Fórum João Mendes, em São Paulo, que contou com a participação dos deputados estaduais Carlos Gianazzi (PSOL) e Adriano Diogo (PT) e o deputado federal Ivan Valente (PSOL).

Marta Suplicy: O amor é lindo, mas passa longe do BBB

Segue um belo artigo publicado na Folha de S. Paulo de hoje assinado pela senadora Marta Suplicy, que está cotadíssima para assumir o MinC no lugar de Ana de Hollanda.

 

O amor é lindo

Coloque um monte de jovens -homens e mulheres- com pouca roupa, jogos e brincadeiras que propiciem tensão e esfrega-esfrega, menos camas do que participantes (esta eu achei incrível!), muita bebida, diversão suficiente para descontrair, intrigas para algum suspense e você tem o “BBB”. Acrescente uma busca e seleção de personagens em escala nacional com promoção de mídia, todos com perfil para o enredo ter o mix mais picante e consegue-se a garantia de boa audiência, um pornô palatável, pois os que gostam se deliciam e os que desprezam passam longe e não criam confusão.

Até que das redes sociais ouvimos um grito de protesto. Este, agora, seguido por várias instituições que exigem apuração e questionam os procedimentos no programa. Duas novidades importantes: as redes sociais fizeram diferença e a questão da violência contra a mulher entrou na pauta!

O esperto dessa história toda é o Kassab

Quando Serra ainda era prefeito e refletia entre deixar a prefeitura para ser candidato a governador ou para presidente da República tive um encontro com um experiente analista político de São Paulo que me disse o seguinte: “o esperto dessa história toda é o Kassab, que já convenceu o Serra que ele tem que ser candidato a alguma coisa”.

A conversa foi se desenvolvendo e o meu interlocutor foi contando histórias do então vice-prefeito. De como tinha chegado, sem carisma, por exemplo, deputado federal e depois a vice de Serra, indicado, aliás, por Alckmin. E ao fim, disse: “se ele virar prefeito, como já está ficando claro, a Marta pode tirar o cavalo da chuva. Ele vai se reeleger”.

Achei a aposta muito arriscada, mas desde aquele dia comecei a prestar mais atenção em Kassab.

FNDC pede imediata responsabilização da TV Globo no caso BBB

Segue o texto que o Fórum Nacional da Democratização da Comunicação acaba de enviar com o posicionamento público das entidades que representa no que diz respeito ao episódio Daniel, Monique, Bial e Boninho. Ou seja, no caso da violência sexual que a Globo quis transformar em romance.

Além deste texto, este blogueiro sujo foi informado pela amiga Bia Barbosa, do Intervozes, que a entidade em conjunto com outras, entre elas a Rede Mulher e Mídia, deve entrar com uma representação no MP/SP, solicitando um direito de resposta coletivo em nome das mulheres brasileiras. Notícia alvissareira. Segue o texto.

Dois fatos muito graves ocorreram esta semana envolvendo o Big Brother Brasil. O primeiro foi com a participante Monique, que pode ter sido vítima de crime praticado por outro integrante do programa. O segundo foi a absurda atitude da TV Globo frente ao ocorrido. Em relação ao primeiro, cabe à polícia apurar e à justiça julgar, buscando ouvir os envolvidos, garantindo que eles estejam livres de pressões e constrangimentos. Já em relação ao segundo, é preciso denunciar a emissora e os anunciantes que sustentam o programa, e cobrar as autoridades do setor.

Daniel do BBB, Boninho e a força das mulheres nas redes

Pedro Bial acaba de anunciar a eliminação de um certo Daniel, que participava do atual Big Brother Brasil.  Disse que ele saiu da casa por “prática inadequada” e depois de “uma criteriosa apuração da direção programa”. Papagaiada.

Não assisto essa porcaria de BBB por respeito aos dois neurônios que me sobraram, mas desde ontem por conta de algumas tuiteiras guerreiras (entre elas BinahIre, Vida de Letícia, Vange Leonel, KatytaSV e a Maira Kubik) fui sendo informado durante o dia do que aconteceu e resultou na decisão anunciada há pouco.

Daniel teria violentado Monique, outra participante, enquanto ela dormia depois de uma festa onde todos beberam freneticamente.

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