A secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura entregou nesta tarde sua carta de demissão ao secretário executivo do ministério, Vitor Ortiz. Toda a sua equipe teria decidido sair em solidariedade. A secretaria de Marta Porto é a que se relaciona com o programa Cultura Viva e os Pontos de Cultura.
Marta e Ana de Hollanda estão em rota de colisão há algum tempo. Este blog chegou a informar que o presidente da Funarte Antonio Grassi articulou a substituição da ministra por Marta.
Nos últimos dias, porém, a crise se tornou pública. A ministra havia impedido Marta de representar o ministério em eventos e passou a não comparecer em solenidades da secretaria.
Representantes dos Pontos de Cultura que estão em Brasília consideram que a substituição de Marta Porto tem de ser discutida de forma ampla. O nome com maior força no movimento é o de Célio Turino. Mas nas articulações internas do MinC há quem aposte em Cláudia Leitão, da secretaria de Economia Criativa, para substitui-la. Fala-se também no nome de Américo Córdula, da equipe de Sérgio Mambertti.
A saída de Marta Porto significa uma perda de espaço para o grupo de petistas do ministério, principalmente para os que se articulam em torno de Grassi.
Quem também está numa situação bastante delicada é a ex-secretaria nacional de Cultura do PT, Morgana Eneille. A ministra não repassa funções a ela e tem demonstrado que não confia no seu trabalho.
Há gente apostando que outras demissões devem ocorrer nos próximos dias. No Planalto, o constrangimento é geral quando se discute o ministério. A avaliação do desempenho de Ana de Hollanda é péssima. Mas a sua demissão é sempre tratada como um problema por conta da “dívida histórica” que o PT e a presidenta julgam ter com a família Buarque de Hollanda.






Midiático Poder

Ta tudo errado!!! Cultura é partidária
Documentário – MPB dos Tempos da Repressão
http://fwd4.me/07mW.
O que fica bastante claro é que toda a viagem sentimental de Ana de Hollanda vem lhe rendendo espaço no MinC. Esse jogo de tráfico familiar mais seus amigos, inclusive os de partidos de esquerda, que Ana construiu para servir de terraço para se manter distante das intempéries climáticas virou tradição em um MinC transformado em criadouro de cobras que usa a cultura como utensílio de poder, poder este esculpido e dependurado no pescoço de Antonio Grassi.
Pelo panorama que você descreve, Rovai, há uma racha lá dentro e talves seja mais profundo que os laços de fraternidade possam segurar. O que está vivo aí fora não é a ancestralidade da ministra, mas a batata quente histórica que ela está colocando no colo do PT. Afinal, a memória cobrará sempre que esta gestão ficou sob a responsabilidade do partido. Espero que tenha mais gente sem bóia nessa canoa furada de Marta Porto. Seria bom os timoneiros do MinC também pedirem o quepe e zarparem pela mesma porta de saida.
Demorou para a Marta Porto cair. Ja era estranho ela ter sido nomeada….
Mas espero que não volte a corrupção antiga ligada aos pontos de cultura. Ninguem nunca olha que esse tal movimento de pontos de cultura tem pouquissimos pontos e que são sempre os que tem milhares de verbas com editais criados pra eles quem andam gritando pela volta da “boquinha”.
O ministerio tem muitos problemas, uma ministra fraca, mas espero que não volte a bandalheira dos amigos do “Turino”.
Difícil falar do que não conhece!
Bem se percebe que você desconhece boa parte (diria quase tudo) do que falou. Apresentar um discurso bem escrito, mas vazio de conteúdo e verdade é bem fácil… é “bater com a língua nos dentes”, falar sem falar nada!
Sugiro que informe-se primeiro a respeito dos Pontos de Cultura e sobre os trabalhos que realizam antes de criticar.
Cuidado com o que se escreve por aí em comentários sem conhecimento. São 2000 pontos de cultura no Brasil. A maioria está passando por dificuldades e não existe milhares de editais, pelo contrário. Quem recebe milhões do governo são as multinacionais, a rede globo e cia. Os pontos de cultura significam a classe popular artística, que é a grande maioria, construindo políticas públicas a partir da realidade e não de um gabinete de Brasília. O movimento continua, com ou sem Marta Porto, mas pressionando para a saída da empresária Ana de Hollanda
Maria do Rosário, quanta baixaria em um único texto. Que maldade querer julgar os outros por sí mesma. Marta Porto é uma pessoa exacerbada de uma índole ímpar, jamais botou a mão em cumbuca. Ela é respeitadíssima e não são interesses pessoais seu contrariada que devem prevalecer, muita leviandade de sua parte. Com o mesmo veneno que fere Marta Porto em sua honra, o faz também em relação ao cidadão prestante Célio Turino, o “pai” do Cultura Viva. Não sei quais são as suas diferenças, se é uma pessoa má amada, só sei que é leviana ao cubo, irresponsável e desaforada. Comentários como os seus não devem ser levados a sério, pois na primeira linha vê-se que não tem berço e tão pouco compustura. Esta na hora de voce reaviliar a sí e à suas amizades, não seja tão mal amada assim.
A claque se faz presente. Só mesmo para pessoal desinformadas ou mal intencionadas fazem colocações como a sua.
Primeiro, os Pontos de Culturas possuem muitos casos mal explicados de emprego de gente inclusive da União Nacional dos Estudantes e Uniões Estaduais dos Estudantes de alguns estados. Inclusive com Pontos de Cultura na sede destas entidades.
Em segundo lugar, deixe de ser puxa-saco. Não sei se você é mais um das centenas de terceirizados daquela secretaria de Cidadania Cultura, que só é cidadã para os poucos que lá ficam mamando na teta das verbas públicas.
Por fim, o que importa além dos ditos dois mil pontos e saber o quento eles custam ao país. Qual o custeio deles ? Ninguém sabe! Aliás de programa nenhum do MinC alguém sabe alguma coisa sobre relação custo-benefício.
Por isso, acredito sim que são programas ineficientes até prova em contrário. Tem muito terceirizado, “consultor” e chefe incompetente no MinC.
“Ninguem nunca olha que esse tal movimento de pontos de cultura tem pouquissimos pontos e que são sempre os que tem milhares de verbas com editais criados pra eles quem andam gritando pela volta da “boquinha”.”
De fato, tem toda razão, são pouquíssimos pontos: Num país de dimensões continentais como o Brasil, dois mil e quinhentos pontos se tornam pouquíssimos. Fica a minha torcida para que os pontos dupliquem, quadrupliquem em quantidade. E fica a torcida também pela volta da “boquinha” aos pontos de cultura, que estão há meses sem ver os repasses aos quais tem direito e seguem na ativa, embora na precariedade. Enquanto isso, a turma da indústria criativa, os Barretões, as Fundações, os ECADistas e os Rouanetólogos seguem tranquilos e silenciosos, com a “boquinha livre” e a corrupção de sempre.
Eduardo Lucas escreveu :”Fica a minha torcida para que os pontos dupliquem, quadrupliquem em quantidade. E fica a torcida também pela volta da “boquinha” aos pontos de cultura,(…)”
Precisa dizer mais alguma coisa sobre uma pessoa assim ? Dinheiro público é mato pra este tipo.
Deviam ter convidado o próprio Chico para ministro. Seria ótimo comparar o seu desempenho com o de Gil que foi muito bom. Baianamente diria que foi um desempenho delirante. Como seria o de Chico?
[...] aqui [...]
O que me assusta mais é esta mentalidade feudal de quem acha que há divida histórica com a familia Holanda ou com outra qualquer. É a hereditariedade da meritocracia.
Se é pra pensar assim é melhor transformar o ministério em um feudo, ou assumir de vez esta condição anacrônica.
Agora é dividir as capitanias hereditárias e investimentos públicos entre os amigos.
Doença, doença doença!
Ana de Hollanda tem que sair e dar lugar a alguém mais comprometido principalmente com a liberação da produção e difusão da cultura digital.
Mas alguns no movimento de oposição à este MinC também tem uma atuação bem estranha…
1º Tratam o MinC como se apartado do governo Dilma, quando na verdade ele é uma expressão da gestão da Dilma. Quem promoveu o brutal corte de verbas do MinC? Quem matém o desmanzelo em relação à pasta da cultura, matendo os baixos salários e a falta generalizada de mão-de-obra na cultura? Quem mantem Ana de Hollanda no poder?
Assim, toda crítica à gestão da cultura deve ser voltada também à Dilma e ao PT.
2º Coincidência?… Depois do “vão quebrar a cara” de Gilberto de Carvalho, em 11 de maio, a movimentação ficou congelada… Cadê o SouMinc??? Cadê o mobilizaCultura? Por quê essa reação ridícula (crítica preconceituosa e pelega de Zé Celso e Pablo Capilé e apatia geral do mobilizacultura e afins) contra a ocupação da FUNARTE/SP pelo MTC?
3º Conclusão: Os movimentos que se propõem a atuar para o desenvolvimento cultural e que, desta forma, estão em conflito com a atual gestão do MinC, devem romper a parede ideológica imposta pelo petismo e atuar de forma independente. Só assim é possível uma verdadeira oposição e a superação desta situação deplorável que assola o MinC e a cultura do pais.
Por que minha mensagem não foi publicada?
Vladimir, partilho de muitas coisas que você disse, porém não acho que uma santa inquisição à Presidente Dilma ou a crucificação do petismo seja símbolo desse mundo criado pelo grupo de Ana de Hollanda que reduziu a pó a cultura brasileira.
Se é para sermos profundos, a coisa tem que começar a partir da força sedutora e da apetitosa corruptora chamada Lei Rouanet que, aliás, além de grande adversária da sociedade, calcula por antecipação, na fonte, quem será instrumento de exclusão, e qual objetivo será atendido.
Gostaria que você falasse da “redentora” GIFE que, na verdade, é quem concentra com bastante clareza a verdade sobre o inferno que a cultura brasileira vive, pois a GIFE coroa um alinhamento pleno de todos os institutos e fundações privados e, assim, inverte os valores da cultura e nos apresenta esse funesto reino dos gestores corporativos.
As declarações de guerra contra o governo ou contra o PT não darão vitória à sociedade. Se cairmos nessa sublime vingança, triunfará o ideal dos gestores corporativos que, com suas trapaças literárias e cheias de efeitos, imprimem uma disputa por dinheiro público, o que torna esse conflito moral contra a própria natureza da cultura um fato banal, comum, quando não é. Este é o verdadeiro campo de batalha. Aliás, foram os fundamentalistas do neoliberalismo cultural que tomaram o MinC em apoio a Ana e que propuseram a represália ao Cultura Viva e aos outros movimentos sociais da cultura.
Ana, Grassi e Cia. castigam as bases sociais da nossa cultura sob o ímpeto dessa cólera corporativa que está tão profundamente enraizada na forma de relação contratual e intercâmbio de comércio cultural que acabamos por achar que a nossa filosofia crítica tem que estar situada apenas à Dilma e ao PT. Os outros partidos de esquerda são absolutamente omissos nesta questão. Já reclamei diretamente com caciques do PSOL, por exemplo, a omissão em relação aos desmandos de Ana de Hollanda, por serem, principalmente os do Rio, amigos pessoais dela.
Por outro lado, como falo incansavelmente, o MinC é reponsabilidade do PT e ele tem que responder à sociedade. Mas a militância petista é de longe a mais crítica a todos os desmandos que vêm ocorrendo a partir do comando do MinC.
Outra coisa é ver que poucos são os blogs progressistas como o do Rovai que mantêm aceso o debate sobre as políticas atuais do MinC. Houve um resfriamento sobre esta questão de forma quase generalizada na blogosfera progressista. Acho que em muitas questões você tem razão, mas temos que ampliar as críticas para vincular uma nova consciência e, juntos, desenvolvermos uma crítica ao conjunto verognhoso e sombrio em que se transformou o doentio monopolismo nas realções institucionais da cultura brasileira.
Grande abraço e seguimos na luta.
Prezado Carlos Henrique eu votei e apóio o governo Dilma e por isso fico muito decepcionado com os rumos que este governo está dando para a cultura.
O que me deixa intrigado é ver que muitas vezes as críticas são dirigidas à Ana de Hollanda e sua turma como se estivessem fora do contexto político maior e me intriga ver também como alguns setores do ativismo cultural estão vinculados ao governo e ao petismo a ponto de haver uma ideologia congelante, o estabelecimento de um marco que certas pessoas não se permitem transpor. Por isso digo que a movimentação contra a atual gestão do MinC deva ser independente.
Em relação ao PSOL não tenho conhecimento para comentários mais aprofundados, mas a criação da CPI do ECAD pelo senador Randolf me parece ser já uma coisa importante.
Acho que está faltando um lugar de aglutinação para todo o movimento contra a atual gestão do MinC. Várias pessoas estão atuando de forma muito pulverizada. Faz algum tempo achei que a criação do site do Mobiliza Cultura poderia representar um ponto importante de aglutinação, principalmente pela proposta inicial – muito interessante – de servir como uma espécie de site do MinC paralelo onde se discutiria reforma da Lei de Direito Autoral e os outros assuntos da cultura. Mas, como já apontado, este site encontra-se congelado desde maio (mesma época do “quebra cara” do Gilberto de Carvalho [coincidência???? eu relamente não sei]).
Vou aproveitar o espaço para escrever sobre uma coisa venho acompanhando.
Desde o final do ano passado eu acompanho diariamente o site do MinC e posso dizer sobre ele:
1º O site do MinC encontra-se hoje sob forte censura. As mensagens postadas num dia só são publicadas no outro ou até depois de 03 ou 04 dias. Se posto uma mensagem na sexta-feira ou no sábado, ela só é publicada na segunda-feira ou depois (dependendo do teor crítico dela). Muitas mensagens simplesmente não são publicadas. São censuradas. Quando da ocupação da FUNARTE pelo MTC (movimento dos trabalhadores da cultura), todas as mensagens de apoio à ocupação que tentei publicar no site do MinC foram censuradas. Nenhuma foi publicada. Resumindo: o site do MinC, que tem a natureza de um espaço público está está servindo ao ministério de Ana de Hollanda como um mero instrumento privado de propaganda;
2º A política no site do Minc é de tentar individualizar o relacionamento com quem faz reivindicações ou reclamações (ou mesmo tenta participar do processo) por meio do site. Por exemplo, várias pessoas (e eu também) estão reivindicando a publicação imediata do anteprojeto de lei de alteração da Lei de Direitos Autorais – coisa que o MinC reluta até agora em fazer – e invariavelmente a resposta do MinC a estas reivindicações é essa “envie seu questionamento para os responsáveis, por meio do link http://fale.cultura.gov.br/sisouvidor/autoatendimento/cadastro/formularioMensagem.jsp?strSelecao=ouvidoria“. Essa é a prática geral adotada pelos gestores do site do MinC de Ana de Hollanda, tentam burocratizar o relacionamento castrando as possibilidades de participação social efetiva por meio do site. Diz muito também sobre a atual gestão do site do MinC a existência de bloqueio à publicação de qualquer “link externo” nas postangens. Isto faz parte da “Regras para comentários”, onde se lê o seguinte: “A postagem de comentários com links de matérias não produzidas por este ministério será excluída”. Acho que está regra já estava estampada no site na gestão anterior (Gil/Juca), mas me lembro que naquela gestão os links externos não eram excluídos. De qualquer forma, essa regra tem que ser revista porque obstaculariza a livre circulação da informação e funciona também como tipo de censura;
3º OCUPAÇÃO DO SITE DO MINC.
O site do MinC é um espaço público e tem que ser ocupado.
Hoje os vários movimentos que atuam inclusive na rede mundial de computadores pela liberdade de produção e difusão cultura e reivindicam, neste sentido, a alteração da Lei de Direitos Autorais encontram-se muito dispersos. Acredito que o site do MinC – que não é Ana de Hollanda, nem de nenhuma gestão específica – pode ser um ponto muito interessante de aglutinação deste movimento. Esboçou-se até intenção de criação de uma espécie de site do MinC paralelo, o http://www.mobilizacultura.org/ coisa que vi na época com grande euforia, mas que infelizmente e estranhamente, parou e virou um barco fantasma virtual. De qualquer forma, acredito que seria mais eficaz (o que, claro, não exclui outras formas e locais de atuação) a atuação direta massiva no site do MinC, forçando cada vez mais os limites de participação na criação/recriação deste espaço. Assim conclamo a todos os interessados na liberação da produção e difusão da cultura a ocuparem o site do MinC.
Falou Carlos Henrique. Um abraço e abraços a todos.
Vladimir, vou adotar um trecho de sua fala para torná-la mediadora dos nossos assuntos.
“Acho que está faltando um lugar de aglutinação para todo o movimento contra a atual gestão do MinC”
Realmente. Acho que o que você falou é uma trágica realidade, pior, é uma tragédia entre nós mesmos. Infelizmente o que para nós parece caótico foi concebido por um só sistema, e é ele que rege todo esse universo, e o mais grave, isso não começou agora, despontou nos anos 60 e 70, sobretudo com os chamados movimentos revolucionários, incluindo aí a adoração imposta à contracultura.
Pouca gente, quando fala da existência desses movimentos, bossa nova, jovem guarda e tropicália, discute todo o processo de desequilíbrio que esse condensado sistema causou à música brasileira. Tom Zé já falou sobre isso, assim como Paulinho da Viola. Mas o que era chamado de “incontestavelmente moderno” tem questões profundas de controle absoluto sobre todo um processo que se deu daí por diante na produção fonográfica do Brasil. Para não sermos tão extensos nesta questão específica, gostaria que você, com calma, analisasse a produção fonográfica no Brasil antes e depois das décadas de 60 e 70, seguindo o sistema de mídia. Observe a crueldade que foi armada contra os músicos negros no Brasil que desapareceram das gravadoras. Paulo Moura, antes de morrer, comentou sobre isso em uma entrevista ao jornal Capital Cultural, RJ. Sem falar que por uma má coincidência tudo o que correspondia à existência da música dos índios ou da proporção do que foi contruído entre negros, índios e brancos sumiu das rádios num projeto sombrio instalado pela PE (Plano Estratégico)que as empresas multinacionais passaram a adotar inspiradas na ocupação militar do pós guerra.
A questão é trazer isso para os dias atuais e incluir Dilma nesse contexto para julgá-la a respeito desse absurdo desvio de rota e regra que o novo MinC tem deixado como principal marca, já que o princípio ativo é o mesmo desse período que citei acima. Ser hostil com a vida coletiva para promover a dissolução e a destruição da cultura espontânea e jogar em um futuro sintomático que tem finalidades idênticas e comandadas pelas mesmas multinacionais hoje dentro do MinC.
O importante nessa história é pegarmos uma frase de Milton Santos sobre esse sistema em seu livro, Por Uma Outra Globalização, onde ele diz que foi construído um sistema confuso para ser confusamente interpretado. É aí que está a origem da nossa fatalidade, por enquanto, espero.
Acontece que o mundo da cultura em cada fração é intimamente orgânico. E isso, sem perceber, subjugamos a urgência de um outro grupo. Vou lhe dar um exemplo claro: estou tão envolvido com a questão dos pontos de cultura quanto com a questão dos músicos demitidos da OSB. Os dois que aparentemente estão em lados separados, não opostos, acendem velas para santos distintos para discutir as suas dificuldades. No entanto, toda a narrativa que estrutura o massacre dos dois grupos, seja na consequência política, seja na função empresarial, é sangrada pelo mesmo cérebro. Apenas são instrumentos de ação com pequenas diferenças, mas estão situados no mesmo campo que sofre o ataque das grandes potências econômicas que manipulam a cultura em nome de uma excelência técnica e, por isso vemos Ana de Hollanda repetir o mesmo termo que Minczuck.
Tomei seu tempo para lhe dizer isto. Se nós imaginamos em determinado momento que fomos jogados em corpo e alma numa liquidação sem encontrarmos uma explicação plausível para tal fato, imagine o estado de espírito de Dilma diante de todas as demandas, estas reflexo da própria natureza da cultura institucional do Brasil que nasceu redentora e mantém oficialmente confrontando a natureza da sociedade. A cultura institucional está longe de ser uma comunidade harmoniosa, algumas sofrem de questões existencialistas, outras da deficiência da bitola doutrinária. E o espetáculo do pão para todos jamais alcança o espaço comum.
Por isso é fundamental debatermos ponto a ponto todos os fenômenos de hoje, juntos e de forma incansável, de olho na história e sem medo de cometer um ato bruto contra as verdades absolutas. Como eu disse, verdades que podem ser introduzidas pelo mercado ou pelo velho Estado patriarcal e oligárquico que hoje se fundem para um novo processo de concentração, de centralização e competitividade.
O que estamos vivendo é uma situação insustentável. Pois como disse Milton Santos, estamos diante dos novos totalitarismos. Mas sinto que há uma mensagem de esperança na construção de um novo universalismo feito por nós, este que também disse Milton Santos, bom para todos os povos e pessoas.
Mas falando de Ana de Hollanda, Rovai deixa bem claro o que está efetivamente no fundo dessa complicada questão política. Nós é que precisamos nos unir numa solidariedade com liberdade para aumentarmos a pressão sobre o PT e sobre o governo Dilma, além de participarmos diretamente do debate público, enchermos as caixas de mensagens dos políticos do PT, do Blog do Planalto, já que o MinC está sob censura, como você bem disse. Aliás, censura que impôs a minha saída do Cultura e Mercado nessa nova dinâmica de adesão do site com os caciques do MinC.
Deixo aqui um ótimo artigo para que todos leiam. Acho que ele dá conta, de forma bastante objetiva, de todo o jogo de poder das multinacionais que estão hoje pautando o MinC.
Grande abraço e desculpe por ser tão extenso.
http://www.quadradodosloucos.com.br/1887/da-lei-sinde-a-ana-de-hollanda-o-comum-resiste/
lamentavel , marta era muito qualificada para a funcao que exercia ja a ministra…acho que ja esta na hora ate de acabar com ministerio da cultura e fazer um stf da cultura e que cultura eh essa que nao aceita diferencas? o que tem que mudar nesse pais eh o proprio conceito de cultura porque tudo eh cultura , tudo eh arte, arte politica, como assim? confusao para letrados como anta de holanda imagine para o povao…cultura e educacao deveriam ser prioridade porem na realidade eh moeda de troca.. e as discussoes? eh a verdade relativizada onde ninguem se entende porque nao ha parametros basicos sequer pois cada um tem sua verdade e fim de papo que nem comecou ou seja, nunca nos entenderemos.. que tipo de cultura construiremos assim? a desconfianca que nos separa nao tem mais lugar no mundo de hoje onde a integracao do coletivo seja das ideias onde usamos diferencas para potencializar resultados.
O Programa Pontos de Cultura Indígena prevê a implantação de 150 Pontos no Brasil. Vejam bem, 150 para a Cultura indígena dentre os mais de 2000 Pontos de Cultura já implantados país afora. É pouco? Pois desde novembro de 2009, quando o projeto para os Pontos de Cultura Indígena do Sul e Sudeste do Brasil foram submetidos ao CNPC e ali foi aprovado, nenhum Ponto de Cultura Indígena foi implantado. O Projeto foi aprovado em nov/09, a primeira parcela chegou a ser empenhada, mas dias depois o EMPENHO foi cancelado sem motivo legal algum. Depois de meses, o MinC lançou um Edital, onde cinco entidades indígenas ou indigenistas foram selecionadas, para 86 Pontos. Os Convênios foram assinados em dezembro, mas a verba foi suspensa e nada aconteceu. Ana de Hollanda prometeu uma solução em fevereiro, e nada. Marta Porto prometeu em maio, e nada. As Comunidades Indígenas mobilizaram-se, foram a Brasília, e nada. Agora, Marta deixou o MinC.
O que acontecerá com os Pontos de Cultura Indígena? Informações seguras de dentro do MinC dão conta ded que não há mais nenhum impedimento jurídico ou financeiro para esse projeto. Falta apenas vontade política. É demais esperar tal vontade do MinC? A enorme diversidade cultural dos nossos Povos Indígenas não é merecedora de uma certa consideração do MinC?
Aqui não sew trata de discutir as mazelas partidárias ou os interesses políticos de uns ou de outros.
Trata-se de saber se de fato existe algum interesse na difusão, crescimento e fortalecimento da cultura indígena por parte do MinC.
Afinal, cultura não é só teatro, música ou literatura. Ou é?
Rocha Lima
guinter.
Porque essa gigantesca diversidade cultural brasileira criada e nutrida pelo povo brasileiro não tem representatividade no comando das relações institucionais?
Ficamos dizendo maravilhas desta diversidade ao passo que eternizamos um pequeno grupo “técnico” para fazerem uso exclusivo deste poder. O resultado é essa situação horrorosa e insustentável.
[...] o blog do Rovai, a ministra Ana de Hollanda havia impedido Marta de representar o ministério em eventos e passou a [...]