Yasser Arafat, a agonia de um líder enclausurado

Revista Fórum
fevereiro 9, 2012 14:37

Em confinamento, Arafat, mesmo com a saúde bastante abalada, falou sobre a situação imposta aos palestinos, os avanços e descumprimentos de acordos por parte de Israel, e reafirmou sua esperança em um futuro de paz na região.

Por Anselmo Massad

 

Encontro com um chefe-sem-Estado

Foi em abril de 2004 que acompanhei uma delegação parlamentar em viagem aos territórios palestinos ocupados. O convite à Fórum foi feito pelo então deputado federal Jamil Murad (PCdoB), hoje vereador em São Paulo, e incluía uma entrevista com Yasser Arafat, líder da Autoridade Nacional Palestina (ANP). De Amã, capital da Jordânia, o grupo partiu por estrada para Ramallah, na Cisjordânia. Por 12 dias, diversas cidades foram percorridas.
As paradas frequentes em checkpoints do exército israelense eram dramáticas. Mas, na Faixa de Gaza, o clima era de guerra. Abdul Aziz Rantissi, líder do Hamas, havia sido alvo de um “assassinato seletivo” no dia do nosso desembarque.
Ver caças sobrevoando a cidade de Gaza teve menos impacto do que reconhecer a borracha de pneu fundida ao asfalto no ponto exato em que o carro no qual Rantissi trafegava fora atingido por um míssil, disparado de um helicóptero israelense.
Arafat vivia isolado fazia três anos. Tinha olhos amarelados, estava pálido e tremiam-lhe as mãos e os lábios. Sentado, em alguns momentos, equilibrava-se sobre dois pés da cadeira inclinada. O braço esquerdo ficava livre, balançando, a um palmo de uma submetralhadora que descansava na parede.
Eram os cuidados com a segurança de um chefe-sem-Estado, jurado de morte por uma potência militar regional. Arafat morreria em novembro daquele ano.
Passados sete anos, a região assistiu à desocupação “unilateral” da Faixa de Gaza, ao fortalecimento do Hamas, a rachas e reconciliações dos partidos palestinos e à defesa, por parte de um presidente dos Estados Unidos, da criação do Estado Palestino sob fronteiras de 1967.
O período também incluiu retrocessos, como o anúncio recente da retomada da expansão de colônias israelenses na Cisjordânia e pouca perspectiva de paz para a região.

(Anselmo Massad)

Desde 26 de novembro de 2001, um chefe de Estado permanece confinado e não pode sair para nada. Não é figura de linguagem. Naquele dia, o exército israelense cercou o local onde o presidente da Autoridade Nacional Palestina eleito em janeiro de 1996, Yasser Arafat, estava e de lá ele não saiu mais. Hoje, mesmo sem o cerco, permanece preso e é apontado abertamente por autoridades israelenses, incluindo o primeiro-ministro Ariel Sharon como alvo de assassinatos seletivos . Israel não negocia com ele.

A Muqata, escritório de Arafat, era um complexo grande, mas agora só restam dois prédios para seus seguranças e assessores. Ele recebe todas as visitas em uma mesma sala, no terceiro andar. Ao lado dela, dois cômodos servem de quarto para assessores e seguranças do presidente durante a noite, com duas camas sem lençol por quarto.

As janelas do terceiro andar estão lacradas com placas de metal. Nos outros andares, sacos de areia formam barricadas nas janelas com pequenas frestas suficientes apenas para o cano de uma arma, permitindo alguma reação em um eventual novo cerco. Do lado de fora, escombros e restos de construção formam um cenário de pós-bombardeio. Ferragens contorcidas, pilhas de detritos, rombos em paredes, carros destruídos amontoados, tudo isso é mantido também para dificultar o acesso.

Na entrada do prédio onde Arafat despacha e faz suas reuniões, três soldados controlam a entrada. Ao redor da sala de encontro, uma dúzia de guardas fica de plantão, monitorando câmeras instaladas nos arredores do local. Em uma de nossas visitas à Muqata, próximo à entrada, cerca de 40 soldados perfilados em treinamento militar podiam ser vistos. A Palestina não pode ter exército e nem a polícia pode andar armada. Mas os seguranças de Arafat carregam fuzis automáticos, comprados clandestinamente. Vestem-se de verde e cuidam precariamente da proteção do líder. Nada que impeça helicópteros Apache ou caças F-16 de promoverem os tais assassinatos seletivos (realizados extrajudicialmente).

Diferentemente do que pregam o governo Sharon e alguns “especialistas” no conflito, Arafat é reconhecido como líder e admirado pela quase totalidade do povo palestino, incluindo militantes e seguidores de movimentos extremistas, mesmo discordando da opção dele pela paz e convivência amigável entre dois Estados. Por isso, matá-lo seria suicidar qualquer possibilidade de paz na região. Ele é o único interlocutor com respaldo junto aos diversos setores da sociedade palestina.

Para entrar na Muqata, a senha é ser de confiança. Não há nem detectores de metal ou revista apurada. A confusão reina e a tensão é permanente, o que provoca pequenas e freqüentes discussões entre os guardas.

Arafat está preso, mas isso não significa que haja soldados israelenses guardando as redondezas. Mas caso ouse desafiar a ordem e sair do prédio, sabe que estará se condenando à morte. Por isso, sua pele está mais clara do que nunca e a saúde, abalada. Suas mãos tremem continuamente.

Era em torno das 21h45, quarta-feira, 21 de abril, quando, convidados pela embaixada da Palestina no Brasil, os repórteres chegaram a Muqata para uma entrevista. Era o terceiro encontro com Arafat. O primeiro havia sido domingo – na cerimônia em que ele, ao lado de 20 membros do parlamento da Autoridade Nacional Palestina, recebeu as condolências pela morte de Abdul Aziz Rantissi, líder do Hamas, assassinado na cidade de Gaza dois dias antes por um míssil disparado por um Apache israelense. O segundo foi numa reunião formal com a delegação de deputados.

A entrevista aconteceu no mesmo local onde Arafat trabalha. É uma sala de quatro por 10 ou 12 metros que tem uma ampla mesa de madeira com 20 lugares e presentes das várias delegações e visitas empilhados num canto, aparentemente sem muita ordem. Uma campainha anuncia cada pessoa que entra na sala, geralmente para entregar recados ao presidente.

Em seu uniforme verde-oliva, ele sempre prende broches. Neste último encontro, duas dezenas deles celebravam as embaixadas palestinas na Grécia, nos EUA e em Israel e homenageavam a União Européia e outros parceiros, como ONGs, por exemplo. Arafat senta-se à cabeceira, a poucos centímetros da parede. À sua esquerda, parcialmente embrulhada por panos, uma sub-metralhadora descansa não muito escondida, ao alcance da mão. Seguranças não se afastam mais do que três metros dele.

Arafat convida os repórteres e amigos, para jantar. A toalha não é comprida o suficiente para cobrir toda a mesa, o que permite que parte da pilha de documentos e relatórios a que ele se dedica permaneça ao seu lado.

No cardápio, pão árabe e coalhada, grão-de-bico refogado, queijos, doce de gergelim, verduras e legumes, tudo em pratos de louça branca. Não há talheres nem pratos individuais, exceto para Arafat. Bem-humorado, ele manda “presentes” aos jornalistas. Pedaços de legumes e pão com uma pasta específica. É uma receita especial, feita para ele, com sementes moídas ao mel. Seu prato preferido.

Arafat sorri muito, elogia o Brasil e cita pirâmides construídas por índios. Não se importa em que países estejam atualmente localizadas, pois despreza as fronteiras atuais: “Estava tratando do povo histórico que ali vivia”. Estabelece relações entre o Norte da África e as Américas e sustenta que os africanos integravam as tripulações das grandes navegações européias e podem ter ajudado na “segunda descoberta”, do novo mundo.

Os pratos e a toalha são retirados e a entrevista começa. Arafat, os repórteres da Fórum e de dois jornais brasileiros, o embaixador da Palestina no Brasil e um assessor são os únicos presentes na sala, além de um fotógrafo oficial. Os óculos só são tirados quando as máquinas fotográficas aparecem; na seqüência, ele ajeita o inseparável Kaffiyeh (turbante branco com listras pretas). Toda a conversa é em inglês – ainda que às vezes recorra aos assessores para entender melhor as perguntas e encontrar termos específicos. Arafat insiste em citar exemplos e diz que as vítimas da política israelense são também cristãos palestinos, para mostrar que não se trata de repressão a extremistas islâmicos, mas um massacre contra todo o povo palestino.

Bem disposto, por várias vezes joga o corpo para traz, equilibrando a cadeira apenas nas pernas traseiras, gesticulando com a mão direita e deixando a esquerda parada. Após menos de 30 minutos da entrevista, um dos assessores, em árabe, aconselha Arafat a dispensar os jornalistas, por achar que as perguntas estão duras demais, pró-Israel. Arafat mantém-se tranqüilo, mas não deixa de se irritar para responder algumas perguntas. Em seu ritmo pausado, não permitia interrupções dos repórteres.
Nos cerca de 50 minutos da entrevista que segue, Arafat fala da situação imposta aos palestinos, dos avanços e descumprimentos de Israel, e lembra do que já fez por Israel ao reconhecer o Estado em 1988 e convencer outros 60 países a segui-lo. Dias depois da conversa, um assessor divulgou a informação de que a Autoridade Palestina poderia deixar de reconhecer Israel caso as ameaças de morte a Arafat não fossem retiradas.

Pior do que o Apartheid
A ministra das relações exteriores da África do Sul visitou a região e disse que o que viu aqui nunca ocorreu lá ou em nenhum país da África. Um famoso cientista israelense (Mordechai Vanunu) que trabalhou na bomba atômica foi libertado hoje (dia 21 de abril). Na prisão, ele se converteu ao cristianismo. Ele disse: “o que estamos fazendo aos palestinos, nunca aconteceu em nenhum lugar do mundo”. E não apenas isso. Os EUA atacaram Bagdá por causa do urânio. Há relatórios de grupos americanos (International Action Center – IAC) e holandeses (Laka Foundation) que denunciam o uso de urânio enriquecido por Israel. Com as armas de urânio enriquecido, o número de casos de câncer já se iguala ao das cidades de Hiroxima e Nagasaqui, no Japão. E pior, aumentou o índice de infertilidade de nossas mulheres. Nossas famílias se orgulham de ter filhos.

Massacre
Nenhum povo no mundo perdeu tanto quanto nós. São 72 mil pessoas entre mortos e feridos: 31% eram menores de 16 anos e 38% dos feridos foram mutilados. As barreiras de controle (checkpoints) impedem mulheres grávidas de ir ao hospital, muitas deram a luz ali mesmo, e duas mães e três recém-nascidos morreram por falta de cuidados. Ambulâncias da Cruz Vermelha foram atingidas e mesmo carros da própria ONU que iam a Gaza prestar ajuda aos refugiados. Estudantes e professores não podem ir às escolas e a ajuda internacional não consegue chegar. Quem pode acreditar nisso? O que enfrentamos, nenhum povo sofreu. O que ocorre comigo ocorre com cada palestino. Minha casa foi bombardeada e eu estou preso nela, não posso sair. Fazem isso porque sabem quem é o negociador número 1.

Muro da vergonha
É preciso construir pontes, não muros de separação. O muro confiscou 58% da nossa terra destruindo nossas melhores áreas para agricultura. Visitem Qalqilia, onde 64% das nossas oliveiras foram cortadas, muitas dos tempos dos romanos. Não apenas isso. Esse muro perverso em torno de Jerusalém cortou a sagrada e histórica relação entre a Igreja da Natividade, em Belém, e a do Santo Sepulcro, em Jerusalém. Todos os nossos patriarcas fizeram uma manifestação implorando: “Façam o muro se quiserem, mas na entrada de Belém, façam uma porta”. Eles recusaram e agora vocês podem perguntar como é que na Sexta-feira Santa eles impediram que todos os nossos cristãos fossem rezar no Santo Sepulcro em Jerusalém. O que isso significa? Quem pode aceitar isso? E impediram que nosso povo fosse rezar na mesquita de Al-Aqsa. Impediram nosso povo de rezar na mesquita de Abraão, em Hebron. E o sítio de Nablus foi destruído. Eles não respeitam nem a própria história. São José, seu pai e seus irmãos viviam lá antes de fugir para o Egito. Destruíram os campos de refugiados em Jenin – que eu chamo agora de Jeningrado – e em Rafah – que chamo de Rafahgrado – e em toda parte. Mas não é só isso. Toda a nossa infra-estrutura foi destruída. Em todo lugar.

Dez anos de retorno à Palestina
Não se esqueçam de que assinei o acordo de paz com meu parceiro (Yitzakh) Rabin na Casa Branca, em Washington, o que havíamos começado em Oslo. Lembrem-se de que o mundo todo estava lá durante a cerimônia da assinatura. Demos um passo muito importante, porque o que foi assinado foi aceito por todos os membros da Conferência de Países Árabes, pelo movimento dos países não-alinhados, pela conferência islâmica, pelos africanos. As portas foram abertas para meu parceiro Rabin da China à Indonésia, ao Senegal e assim por diante. Muitos se recusavam categoricamente a reconhecer Israel. É difícil entender o quanto esse passo foi importante para construir a paz na terra da paz, na Terra Santa. A paz não é importante só para nós, mas para o mundo todo. Eles abriram as portas para meu parceiro Rabin em mais de 65 países. Agora são mais de 130 países que reconhecem Israel como país. Antes não passava de 62 ou 63. O que aconteceu é que o grupo de fanáticos que está no poder em Israel matou meu parceiro Rabin e anda dizendo abertamente que a paz está parada, que o acordo de Oslo está parado.

Tão perto e tão longe
Israel está há 44 meses confiscando recursos de impostos da autoridade palestina. Os acordos assinados com meu falecido amigo Rabin – assassinado por seus irmãos, por firmar o tratado de Oslo – em Paris, determinam que Israel deve arrecadar os impostos aduaneiros (nas fronteiras terrestres, nos desembarques por água e ar) dos palestinos e os repassar. Tudo ia bem. Até pensamos em fazer um acordo de integração econômica, semelhante ao realizado pelos países baixos (no Benelux que inclui Holanda, Bélgica e Luxemburgo), na Europa, reunindo Jordânia, Palestina e Israel. Até o Líbano estava de acordo. Mas assassinaram Rabin e o processo de paz parou. O acordo agora é entre Sharon e Bush. Quando chegamos a um acordo, (Ehud) Barak não foi assinar, e deixou todos esperando por três horas e meia.

Planos não cumpridos
É preciso considerar que até mesmo o acordo que firmei com (Ariel) Sharon e (Benjamim) Netanyahu, em Wye River não foi implementado, e havia sido assinado por eles que agora estão no poder. Nos entendimentos de George Tennet, (George W.) Bush e (Colin) Powell vieram a mim e a Sharon com propostas. Nós aceitamos os entendimentos mas eles não. Ou aceitaram teoricamente, sem implementá-la. Não apenas isso: o acordo de Sharm el-Sheikh, feito na presença do presidente Clinton, do presidente (Hosny) Mubarak (do Egito), do rei Hussein (da Jordânia), de Koffi Annan, e de (Javier) Solana da União Européia, no escritório do presidente (Jacques) Chirac? (Ehud) Barak e eu estávamos de acordo para ir na manhã seguinte a Sharm el-Sheikh assinar na presença do presidente Mubarak. Todas as delegações foram juntas, exceto a de Israel. Depois de três horas e meia, Mubarak recebeu uma nota dizendo que Barak não iria assinar. Havíamos chegado a um acordo. Tivemos os entendimentos de George Tennet, o acordo de Wye River, o de Oslo, o de Paris. E o último, o Mapa do Caminho (Road Map), oferecido pelo Comitê do Quarteto (formado por EUA, União Européia, Rússia e ONU) e aceito no Conselho de Segurança da ONU, resolução de número 1515 (de 2003). Agora, como se vê, depois de voltar dos Estados Unidos, presenciamos uma escalada de crimes militares de Israel em toda parte em nossa terra. Hoje em uma área no norte de Gaza, 14 foram mortos, 57 feridos e todas as terras de agricultura, as melhores flores – que enviávamos por meio dos israelenses para a Holanda – foram apropriadas pelo exército israelense em menos de 24 horas. Tínhamos um acordo feito por Maratinos, com Lester Crook, chefe dos observadores europeus com aprovação dos americanos. Outros países também participaram como os russos. Retiramos palestinos de algumas regiões. Ao mesmo tempo, a contrapartida seria a retirada de Israel de Bayt Lahia (ao norte da Faixa de Gaza). Há dez dias, eles voltaram para reocupar a cidade. Todos os dias ocorrem tragédias em Bayt Lahia. Durante mais de um ano, a situação – e você pode perguntar aos europeus e observadores que lá estavam continuamente – foi muito calma e tudo corria conforme o acordo, pacificamente. E ocuparam de novo.

Terrorismo
(Eleva o tom da voz, que falha como quem tem um nó da garganta.) Vocês estão se esquecendo da ocupação. Os palestinos são o único povo do mundo que vive sob ocupação. Vocês se esqueceram disso? O que fez George Washington na ocupação britânica? Lutou contra ela, resistiu. Os americanos têm de se lembrar. Não estou falando de outros, mas de George Washington. Oferecemos desde o início um Estado único e democrático, antes de Oslo. Eles não quiseram. Aceitamos dois países, apenas 22% da Palestina histórica para ser nossa área. E agora estão nos destruindo. Você acha que isso pode promover a paz na área? Definitivamente não. Não é só para os palestinos, é a Terra Santa para o mundo todo.

Grupos extremistas
Quem estabeleceu o Hamas? Foi Israel para competir com a OLP ou não? Está claro, foi declarado e mencionado por Rabin e pelo Partido Trabalhista. Apesar disso, não rompemos nossas relações com grupos de paz de Israel. Um importante encontro ocorreu em Alexandria, continuou em Jerusalém e agora em Marrocos, estabelecendo terreno comum entre religiões, muçulmanos, judeus e cristãos. O que isso significa? Que estamos tentando, mas não sozinhos, com grupos de paz de Israel, os altos líderes religiosos e ajuda de todo mundo, mesmo partes dos EUA. Peçam-lhes que mostrem um item em que eu estava com os terroristas. Eles estão seguindo isso, porque informei abertamente ao Comitê do Quarteto e aos árabes o que fiz muitas vezes para deter os grupos fanáticos. Ontem, conseguimos evitar dois atentados e hoje mais outro. Nós estamos usando as próprias mãos para deter as explosões. Por isso, ainda insistimos, se não forem forças, que venham aqui pelo menos observadores internacionais.

Resistência
Tudo isso é trivial. Estão falando de torpedos. Mostrem-me um civil israelense ferido. A maioria dos torpedos atingiram a quem? Os homens-bomba são diferentes. Conseguimos impedir muitos deles e somos completamente contra isso. Não se esqueçam de que, se temos grupos fanáticos, Israel também têm, e é assim no mundo todo: nos EUA, na Europa, na América Latina, na Ásia, nos países árabes. Ou não é?

A causa
A paz é tão importante que leva os povos do mundo todo a seguir nesse rumo. Não estamos pedindo paz para nós, mas para um lugar que é de todos. Esquecem-se de que, depois do acordo de Oslo, tivemos a melhor de todas as celebrações dos dois mil anos do nosso Jesus Cristo no mundo? Foi a última celebração na Igreja da Natividade, 28 presidentes compareceram. Depois disso, eles começaram a explodir tudo. Não me esqueço do que consegui naquela celebração. Tenho muito orgulho do que atingi ao promover o primeiro encontro das 13 igrejas juntas naquela cerimônia. É histórico e não pode ser esquecido porque é a paz nesta terra de paz. E por que a reunião das três religiões em Alexandria teve sucesso e vai seguir no fim do mês para o Marrocos? Porque a paz na região é importante.

Desengajamento unilateral em Gaza
Se a retirada de Gaza for parte do Mapa do Caminho, podemos aceitar. Vou me referir ao que o próprio Sharon declarou abertamente quando voltou dos EUA. Vai controlar em Gaza as entradas do Egito, do mar, do ar. Não temos o direito de reconstruir nosso porto – para o que temos ajuda da União Européia –, nem o aeroporto que foi completamente destruído pelos israelenses. Pelo acordo, temos direito a isso e começamos a fazê-lo, tínhamos a aprovação. Rabin e mesmo Netanyahu e Sharon firmaram o acordo de Wye River sobre Hebron. E agora é uma tragédia. Vocês viram a tragédia ali? Quem pode aceitar isso?

Saúde e isolamento
Sabem o que é isso (aponta para um equipamento à sua esquerda, semelhante a um ar-condicionado)? É um aparelho para oxigenar o ar, porque o oxigênio aqui não é suficiente. Vocês imaginam o que isso significa. Mas eu continuo trabalhando duro como você pode ver (aponta para as pilhas de relatórios e documentos ao seu redor sorrindo). É um costume desde o começo.

Camp David
Nos últimos três dias, Barak se recusou a se encontrar com qualquer um, até de sua delegação. E estávamos discutindo uma das questões mais complicadas, o espaço aéreo de Jerusalém. Ele não aceitou e parou. Mesmo assim, continuamos em Sharm el-Sheikh e Paris, que era uma continuação de Camp David, e chegamos a um acordo. Por que ele não foi implementado, assim como os entendimentos de George Tennet, que era parte de Sharm el-Sheikh e parte de Wye River?

Intifada
Em primeiro lugar, não é a primeira Intifada. Antes de eu voltar, ocorreram três intifadas. E não se esqueçam de que começou quando Barak permitiu que Sharon visitasse a Mesquita de Al-Aqsa (em Jerusalém). Dois dias antes, fui à casa de Barak com outros líderes palestinos, para não dar chance a Sharon de visitar a mesquita. A conferência islâmica foi iniciada após a tentativa desse grupo de fanáticos de incendiar parte de outra mesquita, no altar. Barak não nos respondeu nem que sim nem que não. Ele estava com quatro ministros importantes e líderes dos EUA. E se recusou a responder. Depois de 36 horas, Sharon estava lá e, no dia seguinte, fizeram o massacre contra nosso povo que rezava. Mais de 34 pessoas foram mortas e 87 feridas. O que se esperava das pessoas? Que ficassem caladas? Elas passaram a enfrentar. Estamos enfrentando a ocupação.

Enquanto estão distraídos
Não estamos pedindo a Lua, não pedimos o impossível, só o que foi acordado e assinado. Agora, o papel dos europeus e russos é muito importante. É ano de eleição nos EUA. Os europeus têm de trabalhar com os russos e a ONU enérgica e rapidamente nos próximos cinco ou seis meses, porque a administração americana estará totalmente envolvida com a campanha eleitoral. É preciso haver uma iniciativa rápida e forte internacionalmente para salvar a paz na terra da paz, a Terra Santa.

Parceria com os EUA
Onde eu assinei o acordo de Oslo? Os EUA são o diabo? Qual a diferença entre hoje e ontem? Não me esqueço de que o pai, presidente (George) Bush iniciou a Conferência de Madri para a paz, não só com palestinos e israelenses, mas com todo o Oriente Médio. E seguimos comprometidos com a paz que foi assinada na Casa Branca. E depois assinamos outras tantas.

Brasil no Conselho de Segurança
O povo brasileiro nos apóia. Lembrem-se de minha breve visita no encontro dos movimentos não-alinhados. Não posso me esquecer de minha grande visita ao Brasil. Precisamos de uma pressa contínua para avançar e implementar a paz na terra da paz. Isso não pode ser esquecido pelo Brasil. A cadeira no Conselho de Segurança não apenas representa os brasileiros, mas também o povo palestino.

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