Salvador: Policiais proíbem exibição de documentário sobre morte de garoto por PMs

Revista Fórum
agosto 7, 2013 14:12

Salvador: Policiais proíbem exibição de documentário sobre morte de garoto por PMs

Agentes armados impediram exibição do filme alegando que o mesmo incitava a população contra a polícia. Assista o documentário Menino Joel na íntegra 

Da Redação

Joel foi garoto propaganda de uma publicidade do governo estadual da Bahia (Foto: Reprodução)

No último sábado, 3, policiais militares impediram a exibição do documentário Menino Joel (assista no final da matéria) no Nordeste de Amaralina, comunidade de Salvador, capital baiana.  Segundo denúncia publicada no blog da AMNA (Associação de Moradores do Nordeste de Amaralina), membros da associação foram coagidos por PM’s para que não exibissem o filme.

Segundo a denúncia publicada no blog, policiais fortemente armados ameaçaram membros da associação e impediram a exibição do filme alegando que o mesmo incitava a população contra os policiais.

“Policiais fortemente armados ameaçaram com truculência os jovens, alegando que os vídeos incitavam a população contra os policiais. Os jovens ainda tentaram negociar se propondo a passar outro video-documentário mas os policiais impediram ameaçando de arma em riste e alegando a operação Copa do Mundo como motivo para não deixar os jovens exibirem o vídeo”, diz o texto.

O documentário, que seria exibido por meio do projeto Cine Maloca, trata da morte do garoto Joel da Conceição Castro, de 10 anos, durante uma operação policial na comunidade em 2010. O garoto foi atingido por uma bala perdida em casa enquanto se preparava para dormir. Segundo relatos de moradores do Nordeste de Amaralina, policiais militares vinham de outra parte da comunidade atirando a esmo quando Joel foi baleado na cabeça. O caso ganhou maior repercussão na imprensa por Joel ter sido o garoto propaganda de um vídeo publicitário do governo estadual da Bahia.

A investigação da morte apurou ainda que os policiais negaram socorro ao garoto. Os nove PM’s envolvidos no crime foram afastados das suas funções nas ruas, mas o processo contra eles ainda não passou das audiências de instrução .

Em junho deste ano, um primo de Joel foi morto durante outra operação policial na comunidade. De acordo com familiares, Carlos Alberto Conceição Júnior trabalhava em um hotel e, na sua folga, teria saído de casa para encontrar com amigos quando foi morto durante a abordagem policial. Já a PM, em nota, defende que uma viatura fazia ronda no local quando foi recebida a tiros por oito homens, entre eles Carlos Alberto. A morte gerou protestos dos moradores do Nordeste de Amaralina. A família de Joel e Carlos Alberto diz estar sofrendo ameaças sem que as autoridades tomem qualquer providência.

No texto divulgado no site da AMNA, a associação diz que vai continuar com a exibição de filmes através do projeto Cine Maloca e que irá entrar “com uma representação junto ao Ministério Público e a Defensoria Pública do Estado no sentido de assegurar o direito democrático de livre expressão”. A nota pede ainda que defensores dos direitos humanos enviem cartas ao Comando da Policia Militar da Bahia e ao governador Jaques Wagner (PT) divulgando o documentário proibido.

Em nota, a Polícia Militar da Bahia afirmou que vai apurar os motivos da exibição do documentário ter sido impedida e colocou  a Ouvidoria da PM à disposição da comunidade.

“A Polícia Militar, enquanto instituição mantenedora da ordem, da Lei e do estado democrático de direito, garante a liberdade de expressão, ao tempo em que irá apurar os motivos pelos quais teria sido impedida a exibição do documentário Menino Joel no último sábado (3), no Nordeste de Amaralina.

A PM coloca à disposição da comunidade do Nordeste de Amaralina a sua Ouvidoria, através do 0800 284 0011 e do site www.pm.ba.gov.br.”, diz a nota. 

Comentários

Comentários

Revista Fórum
agosto 7, 2013 14:12
Escrever um comentário

10 Comentários

  1. carolina agosto 7, 15:36

    Até quando teremos essa polícia militarizada que se acha superiores aos outros cidadãos.

    Reply to this comment
  2. Immanuel agosto 7, 16:14

    Deviam fazer denúncias contra os marginais que controlam aquela região. Grande maioria da população apoia o trafico de drogas pq dele faz parte ou tem parentes ou se beneficia de algum modo. O nosso país é o da hipocrisia e da inversaõ de valores. A verdadeira história n é essa. Minha sugestão é largar de mão, cruzar os braços e ver o circo pegar fogo.

    Reply to this comment
    • Felipe Aguena agosto 7, 23:26

      O sistema abandona a criança. A criança analfabeta faminta sem noção alguma do mundo vê no crime a única chance de obter algum conforto. A criança cresce e vira bandido. O sistema retornar e mata essa criança. Justo não?

      Reply to this comment
    • Quézia abril 22, 17:45

      Que pena que você é tão medíocre Duvido se fosse seu filho você estaria falando essa merda.

      Reply to this comment
  3. Jorge agosto 9, 10:15

    Tragedias, Tragedias e tragedias. Até quando?

    Reply to this comment
  4. Hosana Reis setembro 20, 03:12

    esse fato trágico não pode ser esquecido,,me emocionei bastante vendo esse documentário,,tem q ser mostrado em toda favela,,para que não se engane,não se calem e corram atrás dos seus direitos,,se manifestem,ai também nos deixa várias lições,a primeira é que nem em casa estamos seguros,,e quem faz nossa segurança é Deus,,então não se afaste dele,

    Reply to this comment
  5. romeu cordeiro do nascimento outubro 8, 01:22

    a policia militar deveria ser extinta,pois, somente no brasil e na turquia é que se tem duas policias.apesar de termos alguns bons policiais na maioria das vezes o que temos nas ruas são um monte de policiais mau preparados, mau remunerados e fortemente armados: o resultado dessa combinaçâo nós já sabemos(assassinos,corruptos e arbitrarios).
    acabar com a impunidade dos crimes praticados pela polícia será a unica solução e isso somente será possível quando as vítimas e ou seus parentes processarem o estado

    Reply to this comment
  6. mestre falcao março 22, 21:09

    beleza

    Reply to this comment
  7. Cida Castro abril 22, 15:09

    São as consequências de uma sociedade excludente que os tornaram marginalizados considerados ‘escória’ e, uma gama de falsos burgueses juntamente com um Poder Público que pouco pode fazer para reverter esse quadro.

    Reply to this comment
  8. Ângelo Elizario Zirbes abril 22, 16:46

    Capitães do Mato até quando?

    Reply to this comment
Visualizar Comentários

Escrever um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.
Campos obrigatórios estão marcados com*

Fórum Semanal

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Apoiadores

Publicidade

Facebook