Marta Suplicy: O amor é lindo, mas passa longe do BBB

Segue um belo artigo publicado na Folha de S. Paulo de hoje assinado pela senadora Marta Suplicy, que está cotadíssima para assumir o MinC no lugar de Ana de Hollanda.

 

O amor é lindo

Coloque um monte de jovens -homens e mulheres- com pouca roupa, jogos e brincadeiras que propiciem tensão e esfrega-esfrega, menos camas do que participantes (esta eu achei incrível!), muita bebida, diversão suficiente para descontrair, intrigas para algum suspense e você tem o “BBB”. Acrescente uma busca e seleção de personagens em escala nacional com promoção de mídia, todos com perfil para o enredo ter o mix mais picante e consegue-se a garantia de boa audiência, um pornô palatável, pois os que gostam se deliciam e os que desprezam passam longe e não criam confusão.

Até que das redes sociais ouvimos um grito de protesto. Este, agora, seguido por várias instituições que exigem apuração e questionam os procedimentos no programa. Duas novidades importantes: as redes sociais fizeram diferença e a questão da violência contra a mulher entrou na pauta!

O esperto dessa história toda é o Kassab

Quando Serra ainda era prefeito e refletia entre deixar a prefeitura para ser candidato a governador ou para presidente da República tive um encontro com um experiente analista político de São Paulo que me disse o seguinte: “o esperto dessa história toda é o Kassab, que já convenceu o Serra que ele tem que ser candidato a alguma coisa”.

A conversa foi se desenvolvendo e o meu interlocutor foi contando histórias do então vice-prefeito. De como tinha chegado, sem carisma, por exemplo, deputado federal e depois a vice de Serra, indicado, aliás, por Alckmin. E ao fim, disse: “se ele virar prefeito, como já está ficando claro, a Marta pode tirar o cavalo da chuva. Ele vai se reeleger”.

Achei a aposta muito arriscada, mas desde aquele dia comecei a prestar mais atenção em Kassab.

FNDC pede imediata responsabilização da TV Globo no caso BBB

Segue o texto que o Fórum Nacional da Democratização da Comunicação acaba de enviar com o posicionamento público das entidades que representa no que diz respeito ao episódio Daniel, Monique, Bial e Boninho. Ou seja, no caso da violência sexual que a Globo quis transformar em romance.

Além deste texto, este blogueiro sujo foi informado pela amiga Bia Barbosa, do Intervozes, que a entidade em conjunto com outras, entre elas a Rede Mulher e Mídia, deve entrar com uma representação no MP/SP, solicitando um direito de resposta coletivo em nome das mulheres brasileiras. Notícia alvissareira. Segue o texto.

Dois fatos muito graves ocorreram esta semana envolvendo o Big Brother Brasil. O primeiro foi com a participante Monique, que pode ter sido vítima de crime praticado por outro integrante do programa. O segundo foi a absurda atitude da TV Globo frente ao ocorrido. Em relação ao primeiro, cabe à polícia apurar e à justiça julgar, buscando ouvir os envolvidos, garantindo que eles estejam livres de pressões e constrangimentos. Já em relação ao segundo, é preciso denunciar a emissora e os anunciantes que sustentam o programa, e cobrar as autoridades do setor.

Daniel do BBB, Boninho e a força das mulheres nas redes

Pedro Bial acaba de anunciar a eliminação de um certo Daniel, que participava do atual Big Brother Brasil.  Disse que ele saiu da casa por “prática inadequada” e depois de “uma criteriosa apuração da direção programa”. Papagaiada.

Não assisto essa porcaria de BBB por respeito aos dois neurônios que me sobraram, mas desde ontem por conta de algumas tuiteiras guerreiras (entre elas BinahIre, Vida de Letícia, Vange Leonel, KatytaSV e a Maira Kubik) fui sendo informado durante o dia do que aconteceu e resultou na decisão anunciada há pouco.

Daniel teria violentado Monique, outra participante, enquanto ela dormia depois de uma festa onde todos beberam freneticamente.

Exclusivo: Documentos apontam arapongagem na USP

A Fórum deste mês (já nas bancas) traz uma denúncia gravíssima e que exige investigação ampla por parte do Ministério Público e outros órgãos competentes. Um esquema de arapongagem teria sido montado para investigar a movimentação dos estudantes e do Sindicato dos trabalhadores da universidade na greve de abril de 2010.
O repórter Igor Carvalho obteve um documento produzido por uma tal “sala de crise” e enviado a Ronaldo Pena, diretor  da Divisão Técnica de Operações e Vigilância da Coordenadoria do Campus (Cocesp), a quem cabe a segurança do local.
O documento começou a ser feito no dia 28 de abril. E se inicia assim:
“1° Dia – 28/04 – Reconhecimento da unidade e dos locais de atuação nas assembleias.”
Durante os próximos 28 dias, cada passo da movimentação das lideranças do movimento foi acompanhado de perto. Com apresentação de fotos e dados com sobrenomes de pessoas, departamentos nos quais trabalham, cargos e até detalhes sobre valores arrecadados para financiar a greve. As informações antecipam encontros de líderes e até movimentos estratégicos do comando da greve.
Pelo documento, fica claro que a arapongagem não era realizada por funcionários ou prestadores de serviço da universidade. Num dos trechos, o autor do relato diz o seguinte.
“Adentramos na unidade da USP Butantã com certa dificuldade, já que era feriado e estava fechada, podendo acessar apenas alunos e funcionários com credencial. Burlada a segurança pelo HU [Hospital Universitário] por onde se entra livremente com qualquer argumento. Percorremos todos os prédios e não havia nenhum tipo de encontro ou manifestação.”
Fórum, depois de ter recebido o documento, foi checar alguns fatos descritos. Num dos trechos, por exemplo, do dia 5 de maio, o relatório aponta que: “Moradores do Crusp informaram que, se durante a greve cortarem a comida como é de costume em greve, irão invadir o bandejão”. Uma aluna, que pediu para não ser identificada, é moradora do conjunto há quatro anos e confirma a informação que consta no relatório. “Lembro muito bem, foi exatamente essa a nossa deliberação na reunião daquele dia.”
No dia 16 de maio, o 19º dia de trabalho da arapongagem, o documento fala sobre estudantes e médicos do Hospital Universitário comprando drogas na favela São Remo, localizada atrás do campus da USP. “Para entrar na USP, tivemos que burlar a segurança pelo portão da favela (local complicado). Os vigilantes têm medo de ficar no local sem proteção, muitos estudantes compram drogas no local, incluindo médicos e funcionários do Hospital Universitário.”
No dia que Fórum teve acesso a este documento (16/12/2011), coincidentemente recebeu na redação a visita do reitor João Grandino Rodas.
O coincidentemente não tem nenhuma ponta de ironia. Como havia publicado neste blogue uma nota sobre o empréstimo de um tapete persa da Faculdade de Direito para a Reitoria exatamente no último dia de Rodas como diretor do Largo São Francisco e ao mesmo tempo procuramos o reitor para que ele esclarecesse a denúncia de uma compra de um outro tapete persa por 32 mil reais (matéria também na edição impressa deste mês), Rodas aceitou dar uma entrevista exclusiva para Igor Carvalho e manifestou o interesse de agendar uma visita à Fórum para que conversássemos.
Na visita, informei-o de que havia recebido a promessa de ter acesso a esta documentação que está publicada na edição deste mês. O reitor disse que poderíamos procurá-lo quando o documento estivesse em nosso poder. O contato com a assessoria de Rodas foi realizada, ainda naquela tarde, pelo editor executivo de Fórum, Glauco Faria, mas não houve resposta.
Ronaldo Pena, o destinatário do documento, confrontado com as informações obtidas pela revista, disse que a “sala de crise”, responsável pela elaboração do documento, “é passiva e consultiva e somente recebe os contextos cotidianos produzidos pelo meio natural de informações circulantes, não tem poder nenhum de mandar fazer algo e, ainda mais, ilegal, como uma escuta.”
A íntegra da reportagem, com a entrevista exclusiva de Rodas, está na edição impressa deste mês. Já em bancas.
A pergunta que fica é: o esquema policial que está invadindo a USP e outras ações contra estudantes em várias partes do Brasil não é algo que precisa de um freio de arrumação urgente?
Arapongagem ou “elaboração de documentos com contextos cotidianos” que revelam que o “investigador” burlou a segurança “é algo típico de ditaduras.
Com a palavra a comunidade uspiana, educadores, o reitor e o governador do Estado.

 

Wellington Dias: “Deus nos livre de alguém vir a morrer nesses conflitos.”

O ex-governador e atual senador pelo Piauí, Wellington Dias (PT), afirmou em entrevista ao blog que esteve reunido com o atual governador do Piauí, Wilson Martins (PSB), com o prefeito de Teresina, Elmano Ferrer (PTB) e representantes dos estudantes para tratar do conflito instalado nas ruas da capital. Sua intenção, segundo ele, foi a de buscar alternativas para o entendimento já que o PT participa tanto do governo municipal quanto do estadual.
Wellington diz que sugeriu ao prefeito que aumente de 1 hora para 2 horas o período da integração, inclua no grupo de trabalho que discutindo o transporte na cidade representantes do movimento, que a gratuidade da segunda passagem que está prevista para junho seja antecipada e que o grupo de trabalho que vai discutir o transporte faça um levantamento na planilha dos custos da tarifa de ônibus para verificar se há gordura que permita cobrar uma passagem menor.
Além disso, considera que esse grupo também deveria verificar porque em Teresina 32% das passagens cobradas são meias, enquanto na média nacional, inclusive na região Nordeste, a porcentagem é de 18%. Da mesma forma, na gratuidade a média também estaria acima das capitais do porte de Teresina.
Segundo o senador, o prefeito ficou de analisar com a sua equipe as propostas e disse que ainda hoje talvez pudesse apresentar alguma proposta para reabrir o diálogo com os estudantes. Wellington, porém, disse que a negociação com o movimento é difícil porque ele “tem muitas lideranças e ao mesmo tempo não tem com que dialogar e negociar”.
A preocupação de Wellington é que a forma como a situação vem sendo conduzida leve a um desfecho trágico. “Deus nos livre de alguém vir a morrer nesses conflitos…”.
Em relação à conversa com o governador, Wellington disse que Wilson Martins lhe teria afirmado que solicitou abertura de um processo investigativo sobre a ação da polícia na tarde de ontem (que pode ser visto aqui e aqui nos vídeos dos posts que seguem abaixo).
Wellington disse que da parte do movimento também foram realizados incêndios de ônibus e depredação do espaço público e que isso precisa de fato ser coibido pela polícia. Segundo ele, algumas das pessoas que foram presas (não os da tarde de ontem, mas nas manifestações dos dias anteriores) nem eram estudantes e foram flagradas cometendo esses atentados. Mas, ponderou: “o Estado tem outros meios para agir, como utilizando a inteligência investigativa, ao invés de fazer o uso da violência”.
Indagado se não sente vergonha de o seu partido participar de um governo onde estudantes são agredidos da forma como foram na tarde de ontem, disse que “é preciso levar em conta que nem na prefeitura nem no governo do Estado é o PT quem está liderando as administrações” e que as ações realizadas “não foram de áreas sob a administração e gestão do PT”. Ainda reafirmou que o governador disse a ele que mandou apurar o que aconteceu ontem.
Wellington também disse que foi jovem “e sei como é cabeça de jovem, os movimentos precisam se sentir vitoriosos, por isso estou defendendo que se busque uma negociação para acabar com este conflito”.
Enquanto fechava esse post havia uma grande manifestação nas ruas de Teresina. E muito maior do que a de ontem. Ou seja, a violência policial serviu para mobilizar mais gente. Falava-se em 2,5 mil numa grande passeata que juntavam gente de vários outros segmentos, além do estudantil.

Novo vídeo do massacre em Teresina que agora tem oito presos políticos

As manifestações dos estudantes continuam em Teresina e a cidade tem hoje 8 presos políticos. Todos garotos e garotas que estavam em manifestação contra o aumento da passagem e a integração de meia-pataca que o prefeito local propôs (leia o post abaixo para entender o contexto) e que foram massacrados ontem pela polícia.
Aliás, o vídeo abaixo é mais uma prova inconteste do massacre. Veja como policiais atiraram indiscriminadamente contra os jovens e como arrastaram pelos cabelos meninos e meninas.

Os oito presos políticos são:

Estudantes são massacrados nas ruas de Teresina

As ruas de Teresina se tornaram uma praça de guerra na tarde desta terça-feira, numa jornada de protestos que se iniciou no dia 2 deste mês, quando o atual prefeito da cidade anunciou o aumento da passagem e uma integração de araque no transporte público local.
Veja abaixo um vídeo feito por um manifestante dos conflitos que pesquei no youtube (o som está ruim, mas vale pelas imagens). Há ainda sequênicas de imagens piores, como a de uma menina que foi covardemente arrastada pela rua por um bando de policiais.

Quem administra Teresina no momento é o empresário Elmano Ferrer, do PTB. A cidade foi governada pelo PSDB nos últimos 18 anos. Em 2010 o tucano Silvio Mendes renunciou o mandato para ser candidato a governador.
E perdeu.
Os estudantes têm sido tratados como bandidos pela mídia local. Por este motivo, publico um texto produzido a partir de um relato que me foi enviado por Álvaro Dias Feitosa, estudante de Direito da Universidade Federal do Piauí, e Lucas Vieira, advogado. Atentem para um fato absurdo, em Teresina, o cartão de integração será administrado por empresa de cartão de crédito. E poderá ser utilizado como tal.

Retrospectiva 2011: Kassab ressucita o PFL

Segue mais um texto da retrospectiva que acaba na terça, quando já estarei em SP.

Kassab ressuscita o Pefelê com o PSD
04 de outubro de 2011 às 20:14
A eleição de Lula em 2002 fez com que boa parte das oligarquias que se organizavam em torno do PFL tivesse de ir para a oposição. Algo inédito, pelo menos desde 1964. Afinal, o PFL saiu da costela do PDS para criar a Aliança Liberal, que construiu a vitória de Tancredo Neves contra Paulo Maluf.

Antes disso, durante toda a ditadura, os pefelistas estiveram no poder,como Arena e depois PDS. Quando o governo Sarney começa a fazer água, o PFL não se intímida. Fica até o final do mandato e lança Aureliano Chavez à presidência,rompendo com o PMDB que foi às urnas com Ulisses Guimarães.

Mas a candidatura de Aureliano não era para valer. E os líderes do PFL sabiam disso. Alguns tentaram, com a anuência de Sarney, lançar o apresentador Silvio Santos. Mas boa parte foi para a canoa da campanha de Fernando Collor. Avistando no líder alagoano a possibilidade de continuar na situação e no governo. O que aconteceu.

Retrospectiva 2011: Zé Dirceu e a arapongagem da revista Veja

A entrevista que segue foi realizada logo após o quarto do hotel onde o ex-ministro Zé Dirceu, em Brasília, ter sofrido tentativa de invasão por um repórter da revista Veja. Destaco na retrospectiva 2011 porque este caso é simbólico do que se tornou o “jornalismo” dessa publicação.

Entrevista exclusiva: Zé Dirceu diz que vai à OEA e SIP contra Veja
02 de setembro de 2011 às 17:50
Entrevistei o ex-ministro José Dirceu por telefone. Ele disse que está aguardando a investigação policial para processar a Veja, mas que vai, inclusive, à OEA e à SIP contra a revista. Dirceu cogita várias hipóteses para a tentativa de invasão do seu apartamento no Hotel Naoum, até a de terem tentado colocar uma escuta no seu quarto.

Também afirma que não recebeu solidariedade de nenhum diretor de grande veículo da imprensa nacional no episódio: “Eles querem me ver morto ou preso.”

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