É hora de perder a paciência: trabalhadores da cultura vão às ruas

Por Cainã Vidor

Nesta segunda-feira (25), os trabalhadores da cultura farão uma manifestação contra o corte de orçamento que o Ministério da Cultura sofreu no ano de 2011, e as consequências desse corte para a produção cultural brasileira e seus trabalhadores.

“A gente está fazendo isso por acreditar ser inaceitável o corte que a área da cultura sofreu por parte do governo federal. Estamos tentando fazer com que a cultura faça parta do desenvolvimento do país, e, dessa maneira, com esse corte, o projeto nacional da cultura fica inviável. Nossas demandas ficam paradas, com algumas pequenas inserções que são muito insuficientes. Como tentamos dialogar com o governo várias vezes este ano e não houve resposta, a gente resolveu perder a paciência”, disse Ney Piacentini, Presidente da Cooperativa Paulista de Teatro, a este blogue.

A manifestação será às 14h, na Rua Apa, à altura do número 83, no bairro de Santa Cecília (próximo à Funarte-SP), e contará com a participação de mais de 250 grupos artísticos do Estado de São Paulo, além de trabalhadores das diversas áreas culturais, como música, circo, dança, teatro e das culturas populares. Haverá também espetáculos de dança e teatro e apresentações de samba, maracatu e um sarau.

Mantenha fora do alcance de crianças

Por Cainã Vidor

Um apartamento. É verão, faz muito calor. Figuras se movimentam e dançam pela sala, cozinha e quintal ao som de um jazz convulsivo. Figuras impassíveis, inatingíveis, descabeladas – trágicas. Ouve-se um choro, um lamento. Há um ar de reencontro pela casa. Se são família, amigos ou somente moradores desta mesma casa, não importa mais, algo maior ali incomoda estas figuras. “Faz um ano e ninguém se lembrou”, diz uma delas chorando.

Mantenha fora do alcance de crianças se dá a partir desta básica premissa: numa reunião, neste reencontro, a falta de copos na casa instaura uma crise, trazendo à tona os incômodos dessas figuras trágicas. Incômodos evidentemente muito maiores que a falta de copos, maiores que essas figuras, que a casa e, especialmente, maiores que o próprio espetáculo onde são colocados em pauta.

Com uma estética incrivelmente bem construída, o espetáculo vai se desenrolando, as desmedidas vão tomando seus lugares e nos tocando, muitas vezes sem que percebamos. Muitas coisas ali discutidas só foram fazer sentido algum tempo depois de eu ter saído do espetáculo, e muitas outras talvez só façam sentido daqui a um tempo.

Dica: Show Rebelião na Zona Fantasma

Dica de show que está rolando em São Paulo, às terças-feiras de 15 em 15 dias, lá na Coletivo Galeria. O próximo show é terça-feira que vem, dia 19.

ADEMIR ASSUNÇÃO E A REBELIÃO NA ZONA FANTASMA

O poeta Ademir Assunção apresenta uma surpreendente fusão de poesia, blues, e rock’n’roll, no show Rebelião na Zona Fantasma. O lirismo provocativo abre caminho para uma nova linguagem, densa, sofisticada e inconformada. Ademir sobe ao palco acompanhado pelos músicos Marcelo Watanabe (guitarra, violão e vocais), Caio Góes (contrabaixo) e Caio Dohogne (bateria).

Rebelião na Zona Fantasma

Dica: Exposição retrata mulheres que fizeram história no Brasil

Dica interessante de exposição para quem estiver pelo Rio: A exposição Brasil Feminino vai acontecer na Biblioteca Nacional, e tem sua cerimônia de abertura amanhã, às 18h horas.

De 06.07 a 26.08
No 1º andar da Biblioteca Nacional (Rua México, s/nº – Centro – Rio de Janeiro)
De segunda a sexta – das 10h às 17h
Aos sábados, domingos e feriados – das 12h às 17h
Entrada franca

Programa:

Remixofagia – Alegorias de uma revolução

Por Cainã Vidor

Deixo a dica aqui deste filme pensado, construído e devidamente remixado (como os próprios produtores dizem) numa forma internética, com sobreposições de imagens, inserções de sons, falas e textos, mesclando elementos tecnológicos, políticos e históricos. O vídeo nos leva de um link a outro numa velocidade precisa para que o espectador não perca nenhum segundo do conteúdo ali explícito.

Há mudanças em curso e devemos acompanhá-las, mudar com elas – é preciso que sejamos antropófagos desta revolução em curso. Do contrário, quem ficará obsoleto somos nós.

“Todos os direitos reservados a todos.” Esta é frase que fecha o curta-metragem feito, ou remixado, pela FLi e pela Filmes para Bailar. A frase é bastante elucidativa em relação ao filme, sobre o qual prefiro não me estender muito, por achar que vale mais assisti-lo (é rápido, só 15 minutos) do que ler alguém falando sobre ele.

Dica: curso explora universo da literatura de cordel

Uma boa dica para os moradores da capital paulista: acontece nos sábados do mês de julho o curso Literatura de Cordel: artimanhas, finuras e espessuras dos romances e folhetos. A participação é gratuita. É uma oportunidade para conhecer com mais profundidade a história do cordel.

Sábados – de 02.07 a 30.07 – sempre das 12h30 às 15h30
Na Biblioteca Brito Broca: Av. Mutinga, 1425 – Pirituba

Audiência pública pelo tombamento do Cine Belas Artes será dia 16

Qualquer um que tenha cruzado a esquina da Av. Paulista com a Rua da Consolação nos últimos três meses encontrou ali um local vazio, fechado e quase totalmente absorvido pela paisagem de lugares abandonados da cidade. Há três meses, mais precisamente no dia 17 de março de 2011, o Cine Belas Artes fechava suas portas.

O motivo do encerramento das atividades foi a falta de acordo sobre o pagamento do aluguel entre o dono do imóvel e o sócio-proprietário, André Sturm. Sem o patrocínio do HSBC, e com dificuldades para pagar o valor que o dono do imóvel exigia, o Cine Belas Artes ficou com seus dias contados até que acabasse o contrato de locação, no fim de fevereiro.

Após o prazo o cinema se manteve funcionando por algum tempo, enquanto duravam as tentativas de negociação. Neste período, organizou-se um movimento pelo salvamento do Cine Belas Artes, que ganhou certa proporção. A sua última sessão, na noite do dia 17, reuniu manifestantes e defensores do cinema, quando foram exibidos seis filmes clássicos: No Tempo do Onça, O Águia, A Doce Vida, O Leopardo, Queimada e O Joelho de Clair.

Mudanças na direção do MIS causam transtornos a artistas

Por Adriana Delorenzo

Banda Test, que teve show cancelado em cima da hora, reúne público na calçada em frente ao MIS

Foram mais de dois meses de preparação para o show que estava marcado para 21 de maio, um sábado. Mas na quinta-feira, 19, dois dias antes do evento, a banda Test foi avisada que não haveria mais nada. O show e outras atividades programadas para acontecer no Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo foram cancelados. Essa foi a informação que João Kombi, guitarrista e vocalista da banda Test, recebeu. “Quando ficamos sabendo, fizemos uma reunião com a direção do museu para tentar entender o que havia acontecido”, diz.

João conta que a proposta do show, que seria realizado no auditório do MIS, era transmitir um filme enquanto a banda faria a trilha sonora. Foram dois meses de preparação, que incluiu a produção do vídeo de 40 minutos, e divulgação, feita pelos próprios músicos e seu produtor. Em dois dias, eles teriam que fazer a divulgação contrária, avisando o cancelamento.

Orquestra mistura erudito e popular

Por Cainã Vidor

Integrantes da Orquestra Superpopular

O que é a música popular brasileira? Quem escuta a MPB? Quem produz música popular hoje? O que significa ‘MPB’? A nova ou a velha MPB? Há uma nova e uma velha MPB? Essas são perguntas que surgem, inevitavelmente, quando se dá de cara com um projeto que atende pelo nome de Orquestra Superpopular. Sem entrar no debate, mas simplesmente atravessando-o, os integrantes do projeto Orquestra Superpopular trazem essas questões à tona não debatendo, mas fazendo, movimentando, compreendendo, brincando, atuando em cima delas a partir do conceito autonomeado de Superpopular.

A ideia surgiu no início de 2011 no Rio de Janeiro através de uma brincadeira dos músicos do grupo de artes Companhia Bananeira, enquanto ensaiavam um espetáculo teatral. Eles simplesmente começaram a tocar entre eles, com os instrumentos que tinham em mãos, canções que não estavam no repertório da peça. A brincadeira ia de Michael Jackson a Noel Rosa, quando perceberam que a maioria das músicas que entravam na roda eram aquelas músicas brasileiras de massa, desde as que embalaram a adolescência dos anos 90 até aquelas que, curiosamente, todos conheciam a letra sem saber quem era o intérprete.

Pontos de Cultura defendem continuidade de políticas do MinC

Centenas de representantes de Pontos de Cultura estão em Brasília desde terça-feira, 24, em defesa da continuidade e avanço do Programa Cultura Viva. Eles estão com pagamentos atrasados e editais como Agente Cultura Viva e Agente Escola Viva podem ser cancelados. Segundo o MinC, novos convênios para Pontões de Cultura só serão realizados em 2012.

Segundo a Comissão Nacional de Pontos de Cultura, “os Pontos de Cultura são a expressão mais visível do avanço das políticas culturais do Brasil nos últimos 8 anos”. Diz o informe da Comissão que com os Pontos foram reconhecidas e valorizadas a diversidade cultural do povo brasileiro, “democratizando o acesso aos bens e produtos culturais, mas também – e principalmente – ampliando e democratizando as ferramentas de produção, expressão e comunicação, padrões tecnológicos livres, criação de ambientes reais e virtuais de articulação em rede, promovendo a autonomia e o protagonismo social através da cultura”.

A agenda da caravana incluiu reunião com a Secretária Marta Porto e a equipe da Secretaria de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura e uma marcha até o Congresso Nacional, onde os manifestantes foram recebidos pela Ministra da Cultura Ana de Hollanda, e por deputados e senadores da Frente Parlamentar de Cultura.

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