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O Blog da Cultura é um espaço coletivo, alimentado colaborativamente.

Aqui você encontra posts sobre diversas manifestações artísticas, movimentos, dicas de shows, exposições, festas populares, enfim, tão diversos quanto a cultura brasileira.

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3 Responses para “Sobre”

  1. Bosco Maciel disse:

    A CULTURA EM CATARSE

    Andando pelo centro da cidade, encontrei Zé de Dalina, um antigo amigo meu. Um desses caras que lutam por uma ‘Cultura’ que reflita a vontade do ‘Artista’, e, responda aos puros anseios do povo.
    Nos cumprimentamos, e ele já foi dizendo:
    “Rapaz, eu tenho umas coisas pra falar…”.
    E começou a despejar …
    “Tu sabes a diferença entre ‘Cultura popular’ e ‘Cultura de massa’”?
    Não deu tempo nem de preparar a resposta, e ele já arrematou:
    “A ‘Cultura popular’ é a Cultura que nasce do povo expressando a alma de cada um”.
    “A ‘Cultura de massa’ é a cultura que é imposta ao povo, por interesses de poder”.
    E, mandou mais uma:
    “Tu sabes o que é ‘Identidade cultural’”?
    E ele mesmo respondeu:
    “’Identidade cultural’ é a propriedade do cidadão, repleta de ‘ valores culturais’ que enaltecem os sons, as cores, os cheiros, os sabores, e os costumes de sua terra. Leon Tolstói já expressava este princípio quando disse: ‘Só seremos universais se conhecermos e amarmos nossa aldeia’”.
    E, seguiu em frente:
    “E, são os ‘Artistas’ fazendo arte com talento e sensibilidade, os responsáveis por estimular o povo a produzir Cultura. E, um povo que produz sua própria Cultura, é um povo com ‘Identidade cultural’”.
    E, com eloqüência, e gestos visivelmente acentuados, prosseguiu:

    “Se, como vimos, é tão fundamental a ação dos Artistas como Agentes culturais, faz-se necessário que os mesmos disponham de um cenário favorável à execução de seus papéis. E, porísso, cabem algumas considerações. Por exemplo”:
    “É preciso que os Artistas atuem (cada vez mais) coletivamente cobrando ações do Poder público em favor da Cultura, assim como, os homens públicos entendam a importância da Cultura para a formação de uma sociedade. Se estas questões não forem minimamente resolvidas, seguiremos tendo; de um lado da ponte, ‘Fazedores de cultura’ com pastas de ‘projetos culturais’ embaixo do braço. Do outro lado da ponte, Administradores públicos sentados em cima de um ‘cofre’ com uma folha de papel na mão onde se lê: ‘Mil maneiras de dificultar o acesso do ‘dinheiro público’ aos ‘Fazedores de cultura’’. E esta ponte precisa ser transposta, pois os Agentes culturais precisam do dinheiro público, a eles destinados por lei, para fazerem cultura.”.
    “Percebo também um descompasso no diálogo entre a ‘Classe cultural’ e a ‘Classe Empresarial’. Nesta relação os ‘Agentes culturais’ não tem acesso aos ‘Empresários’ . E, nossa cidade dispõe de um Parque industrial, de um Comércio, e, de um setor de prestação de serviços, dos maiores do Brasil. No entanto, toda essa riqueza, passa distante da ‘realidade cultural’. Talvêz, pelo desejo capitalista da obtenção de lucro imediato. Quando esse lucro pode vir, não de projetos culturais, mas dos cidadão ‘ cultos ‘ renascidos da execução desses mesmos projetos. Basta que para isso os empresários abram suas portas para os Agentes culturais com ‘oficinas culturais’, ‘shows musicais’, ‘aulas de música’, ‘teatro’, ‘…’ nas ‘Lojas comerciais’, nos ‘hotéis’, nas ‘fábricas’, ‘…’”.
    Agora Zé de Dalina entrava nos finalmente…

    “Diante das dificuldades acima expostas, de mais outras aqui não levantadas, e, da necessidade de se vislumbrarem novas propostas, faz-se necessário que os Artistas se organizem para através de discussão ampla, construírem suas legítimas reinvidicações. É com organizações consistentes, que as idéias se materializam, abrindo janelas para projetos sólidos e coesos. São nos Debates, Encontros, Fóruns, que os problemas são discutidos. E, quanto mais plurais os Encontros, mais representativos são os resultados. Sempre com a consciência de que estes eventos são passos iniciais e preparatórios no caminho que conduz à valorização da ‘Arte‘ e da ‘Cultura’ no Brasil”.

    Ele, já se preparando para sair, voltou-se pra min, e disse:
    “Quando cada um se mostra como parte da história, o todo se traduz em reserva de imensa sabedoria”.
    E, sumiu em meio à multidão…

    Eu fiquei ali parado, pensando em tudo que Zé de Dalina me falou. E, deduzí que a condução de uma ‘política cultural’ pelo poder público, deve levar em conta a vontade dos que executam as ações culturais. Concluindo que, o contrário disso estimula o surgimento de bolhas de improdutividade, e, de conflitos, dentro do processo administrativo. Foi quando me veio à mente uma frase do Poeta Castelo Hanssen: ‘O palhaço não pode ser o dono do circo porque ele entende de arte, não entende de dinheiro’. Eu, ainda extasiado com a fala de Zé de Dalina, imaginei o que ele (há pouco falou bastante sobre Cultura) talvêz dissesse como réplica: ‘O palhaço não. Mas o Bilheteiro sim pode ser o dono do circo, pois ele não tem a habilidade do trapezista, mas sabe o que o circo precisa para continuarem os espetáculos’.

    Bosco Maciel – Poeta, Folclorista, Cantador, Produtor cultural, Criador da Casa dos cordéis, Membro da AGL – Academia Guarulhense de Letras

    A Casa dos cordéis pede aos artistas que vão à Funarte e juntem-se aos que lá estão. Artistas, Fazedores de cultura, Agentes culturais, Afins, …, ajudem a transformar nosso País em ‘Nação’.

  2. Mariana Machado disse:

    Olá, gostaria de saber como faço para sugerir pautas para o blog.
    desde já agradeço.
    abs

  3. Camila Falconi disse:

    Não é novidade para ninguém a informação de que fazer arte no Brasil é um desafio, assim como todos sabem que realizar um sonho, aquele mais íntimo e inconfessável, também se figura como um grande abismo caso você não encontre as pessoas certas e os lugares certos.
    A Trupe Intacta Retina se formou nesse tropeço: vários sonhos. Esses novos atores, sim, são as pessoas certas que eu deveria encontrar na vida para realizar meu egoísta sonho – levantar uma nova linguagem artístico-teatral. Encontrar as pessoas certas e os lugares certos para você se realizar não necessariamente pousa sobre os mais influentes da sociedade, mas naqueles que, em força da natureza, cavam meios de construir algo impossível que é uma paixão.
    Fuçamos, exatamente, cavamos nossos caminhos e estradas Brasil a fora porque os meios públicos não são estáveis. A nova administração do Ministério da Cultura titubeia, mas, sinceramente, não podemos esperar algo que se resolva, algo que se solucione pela gente! É por isso que é paixão, é por isso que ela é o nosso motor – algo que não se cessa de lutar.
    O nosso projeto de estréia, a peça de teatro “Hamlet 2012”, está marcado pelos nossos trajetos, de nossas paixões esculpidas em cada personagem, causando essa erupção.
    Através dos mais singulares problemas, que cada um carrega consigo, conseguimos semear um objeto de arte, algo que poderá ser compartilhado ao outro, a esse grande público ansioso.
    O carinho que temos por esse trabalho transparece no olhar brilhante de profissionais que se aliaram à gente, sendo um deles o querido padrinho da turma, o ator Maurício Gonçalves. Eis o seu testemunho:
    “As identidades e práticas culturais estão na ordem do dia. Sublinhar a heterogeneidade de grupos – estigmatizados ou não – incluídos à revelia na recente globalização, destrói todo um pensamento hegemônico. Qual seja, vivemos por muito tempo, nós, ocidentais, sob a égide de um binarismo de base. Acreditávamos no “bem em si”, e nas escolhas únicas entre pares antagônicos – homem/mulher, senhor/escravo, capitalismo/comunismo. O que está em jogo é a criação de caminhos transversos, de sentidos que excedam estas dicotomias. Vale lembrar o Deleuze de Mil platôs, ao propor um espaço
    transiente. A troca da lógica do “isto ou aquilo” pelo “isso e aquilo”. E aí entra em cena o papel das diferenças.
    Vivemos numa sociedade descentrada, que começa a gerir suas peculiaridades através das famosas “guerras de identidade”. No lugar de um Homem, existe um indivíduo que, espantado, descobriu que sua vontade não passava de uma ilha no oceano de si mesmo. Não somos donos de nossas aparências, ferozmente cultivadas por mentiras e mitos “congênitos”. Descobrimo-nos apenas células quando procurávamos o deus da cidade. Os anos sessenta estão a colher seus frutos nesse momento. A contingência e o caráter não sintético dos empreendimentos brilham na ponta do iceberg. Uma síntese fecha um discurso, cria uma certeza, fecha os possíveis horizontes, resseca o solo do conhecimento.
    Hamlet 2012 me parece uma proposta imbuída desse novo espírito. É uma aposta. Cada um tem seu Shakespeare. Harold Bloom entronizou o bardo no centro do cânone ocidental; Peter Brook, em suas encenações, surrupiou o “respeito” pelo tradição do império; Tom Stoppard tirou-lhe as calças. O grupo da Trupe Intacta Retina, formado basicamente por mulheres, pretende – e é assim que me parece – destruir a máquina de alteridade que conformou a mulher, aqui, por estas plagas. Não é um Hamlet feminino. É um flerte, uma obra aberta, em processo, um trabalho de reconfiguração. Seja dito: Carolina Floare, a tradutora dessa montagem, é a própria imagem das novas articulações. Bailarina, portuguesa, poliglota, “brasileira”, atriz, escritora e tudo que o verso ainda tiver fôlego para dizer. Portanto, o que se espera não é somente uma “peça de teatro”. Sim, um convite de outras sereias, de novas cantoras. Que o Ulisses-espectador se perca e jamais retorne à casa. Para o emigrado, toda terra é estrangeira, inclusive a sua origem.”
    O clássico do teatro, a peça “Hamlet”, de Shakespeare, apesar de ter como principal característica o questionamento do lugar do homem na sociedade e suas diferentes implicações e possibilidades, se estagnou em propostas teatrais conservadoras e previamente estabelecidas no âmbito da crítica teatral.
    Então, na tempestade de nossas carreiras, montamos esse vulcão: fazer aflorar a essência última da dramaturgia, o conflito da condição humana e suas implicações. Ao revestir a trama de uma nova forma, radicalmente diferente, a adaptação busca fazer aflorar a essência última
    do conflito dramático que foi escrito. Pois despojado de toda a espécie de contingência – sexual, social, temporal ou espacial – é o modo como esse conflito humano se mantém intacto que traz um novo fascínio sobre o clássico da dramaturgia mundial.
    Entretanto, francamente, torna-se cada vez mais difícil concretizar esse sonho. É complicado conseguir recursos financeiros. Nossa política cultural baseia-se em estimular o uso da cultura para fins de marketing empresarial, apesar de nem toda manifestação artística poder servir a esses propósitos.
    Apelo, então, mais uma vez, a esse ato de compartilhamento ao outro inegável ao ser humano – o da empatia. O de você perceber, através do outro, os seus próprios conflitos e dilemas, os próprios sonhos, as próprias paixões que lhe foram negadas em outro tempo.
    Se é possível entender essa idéia, nossa produção seria um sucesso, pois se cada um colaborasse com 15 reais para o projeto, sendo nosso querido mecenas, poderíamos nos apresentar em vários teatros no Rio de Janeiro, quiçá pelo Brasil! A gente só precisa compartilhar essa paixão, essa coisa louca que é o teatro!

    Dê uma olhada na página da nossa campanha, http://www.facebook.com/event.php?eid=117094998395368

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