Brasil: nos tempos do Já Era!

No texto anterior que publiquei aqui (“A atualidade é velha”), listei “desaforismos” (aforismos um tanto desaforados) sobre a realidade política, econômica e social do Brasil hoje....

No texto anterior que publiquei aqui (“A atualidade é velha”), listei “desaforismos” (aforismos um tanto desaforados) sobre a realidade política, econômica e social do Brasil hoje.

E ameacei continuar!

Pois, cumpro a minha palavra. Aí vão mais alguns “desaforismos”. Mas vou além, publicando também alguns “pós-conceitos, preguntas e kai-kais” extraídos de um livro que não publiquei e nem devo publicar.

Antes que me acusem de “autoplágio”, lembro que publiquei muitas coisas neste blog, com o título “Recanto das Abobrinhas” e posso estar repetindo algumas dessas abobrinhas aqui.

Desaforismos

(aforismos um tanto desaforados)

Pragmatismo é o nome que se dá a uma forma de prostituição política.

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Este país é de foder! Não é à toa que tem o nome de um pau.

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Para acabar com os resquícios da “Era Vargas”, FHC quebrou a espinha dos sindicatos, extinguiu os direitos trabalhistas e desestatizou o que pôde. Se tivesse mais um mandato, ia desproclamar a República, para acabar com os resquícios da “Era Deodoro”, e por fim, desabolir a escravatura, para acabar com o que sobrou da “Era Pedro II”.

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Parcas economias? Porca miséria!

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Para passar de cidadão emérito para persona non grata, às vezes basta o homenageado tornar-se realmente mais conhecido.

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Entrou por um ouvido e saiu pelo outro: foi tiro de fuzil.

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O dízimo cobrado por certas igrejas não é uma dízima periódica, mas também se repete indefinidamente.

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Não se pode garantir que a Justiça brasileira seja cega, mas o que faz de vista grossa!…

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Político brasileiro sofre de amnésia seletiva. Esquece tudo que se relacione a promessa de campanha.

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Legislativo, executivo, judiciário… Um não legisla, outro não executa, só o que funciona é o outro… que judia! Mas sabe selecionar quem deve ser judiado.

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Não é à toa que um dos significados da palavra congresso é “intercurso sexual”.

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Nestes tempos de galinhagem, é preciso ter postura!

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No Brasil, confunde-se estado de direito com Estado de direita.

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Nem só o peido é prenúncio de uma cagada. Eleição também pode ser.

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A Era em que vivemos pode ser chamada de Já Era. Emprego? Já era. Decência política? Já era. Sistema educacional? Já era. Lei? Já era. Política habitacional? Já era. Saúde pública? Já era…

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Num sistema com péssima distribuição de renda, todo pecado é capital.

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Acompanhando a atuação da grande maioria dos nossos deputados, senadores e vereadores, a conclusão mais óbvia é que falta uma letra na função de parlamentar. É para lamentar.

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No Brasil, até a independência foi no grito!

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Em terra de endividados, quem tem um banco é rei.

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Os governos dançam conforme a música: se é samba, eles dançam rock; se é valsa, eles dançam tango; se é tango, eles dançam bolero…

Preguntas

(perguntas perfurantes)

Com o perdão das prostitutas, que não têm nada com isso, com quantos filhos da puta se faz um governo?

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Tá certo que o dinheiro não traz felicidade. Mas e a miséria, traz?

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Para que haja governança, é preciso toda essa lambança?

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No seio do governo… só tem mamata?

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Dizem que o trabalho enobrece o homem, mas quem já viu alguém que virou nobre por ter trabalhado?

Pós-conceitos

(Conceitos que você não vai encontrar em nenhum dicionário)

Comissão permanente – cada vez que alguns políticos executam ou mandam executar um projeto, eles cobram uma comissão, uma taxa, da empreiteira ou executor do projeto. Não é à toa que viadutos, túneis e asfalto acabam custando tão caro. Há outros que não cobram por projeto: as empreiteiras, bancos etc dão a eles uma comissão fixa por mês, que por isso é chamada “permanente”.

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Empresa privada – estabelecimento que sonega impostos, paga mal os empregados, atrasa pagamentos, suborna… enfim, é uma merda. Mas diz que está pagando o pato.

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Ministério da Fazenda – dissidência do Ministério da Agricultura.

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Plataforma continental – os políticos chamam de plataforma as promessas que fazem antes das eleições. Alguns, com mania de grandeza, não se contentam em prometer soluções para o município, estado ou país: suas plataformas são para o continente inteiro.

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Obsceno – uma das divisões da era geológica chamada cenozóico, que começou há 65 milhões de anos e rola até hoje. São vários os períodos dessa era, entre eles o Oligoceno, o Mioceno e o Holoceno, que durou até há poucos anos. O Obsceno começou em datas diferentes em cada país. No Brasil, foi em 1964 e parecia que ia acabar em 1985, mas continua firme.

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Talento – é o que identifica o governo: na educação… tá lento; na saúde… tá lento; na construção e manutenção de estradas… tá lento; no combate ao tráfico de drogas… tá lento. Tá lento em tudo.

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Malufar – não consegui achar o significado desta palavra porque malufaram meu dicionário.

Kai-kais

(desaforismos imitando haicais)

Político fantástico!

Tem senso ético

Pra lá de elástico

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É muito disputado:

Rende muito

O cargo de deputado

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Cega justiça!

Sua cegueira

Parece postiça

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Constituição…

Que gênero mais chato

De ficção!

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Enchente ou seca: o povo sofre

E o político safado

Recheia seu cofre

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É fundamental

A quem não tem fundamento

Ser fundamentalista

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Banqueiro dos bons

Não morre de amores

Por ladrões amadores

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Que caráter bélico

Tem o pastor

Que se diz evangélico

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Ofensa ao corrupto:

Foi investigado

De modo abrupto

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CPI radical:

Quem se deu bem

Julga quem se deu mal

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Grita o povo!

Os políticos fingem escutar…

Não há nada novo

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Corrupção tucana?

Quem liga pra isso?

Acham até bacana!

Golpe 16 - O livro da blogosfera em defesa da democracia

Golpe 16 é a versão da blogosfera de uma história de ruptura democrática que ainda está em curso. É um livro feito a quente, mas imprescindível para entender o atual momento político brasileiro

Organizado por Renato Rovai, o livro oferece textos de Adriana Delorenzo, Altamiro Borges, Beatriz Barbosa, Conceição Oliveira, Cynara Menezes, Dennis de Oliveira, Eduardo Guimarães, Fernando Brito, Gilberto Maringoni, Glauco Faria, Ivana Bentes, Lola Aronovich, Luiz Carlos Azenha, Maíra Streit, Marco Aurélio Weissheimer, Miguel do Rosário, Paulo Henrique Amorim, Paulo Nogueira, Paulo Salvador, Renata Mielli, Rodrigo Vianna, Sérgio Amadeu da Silveira e Tarso Cabral Violin. Com prefácio de Luiz Inácio Lula de Silva e entrevista de Dilma Rousseff.




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