Boechat com a história da rola botou o guizo no gato

Eu entendo perfeitamente a crítica que tem sido feita à expressão “procurar rola”. Mas não vou entrar nessa briga com ressalvas.

malafaia-rolinhaO ditado é velho e muito repetido. Mas algo me diz que quase todo mundo sabe o que é gato, mas poucos têm ideia do que é guizo.

O tal do guizo é um objeto de metal que tem umas bolinhas também de metal dentro. Quando aquilo a que ele está preso se movimenta, ele faz um barulho como de um sino.

Ao colocar o guizo no gato, o que não é exatamente algo fácil, seu dono fica sabendo quando ele está em movimento. Se o gato mexer, o guizo avisa.

Sem querer comparar Malafaia com o bichano, até porque, convenhamos, ele guarda mais semelhanças simbólicas com outro bicho, o rato, o que Boechat fez foi pendurar umas frases no pastor que irão tilintar por muito tempo como definidoras do seu caráter.

Homofóbico, otário, explorador do suor alheiro e tomador de dinheiro.

E, claro, o procurar rola.

Antes de continuar na história da rola, nunca é demais lembrar que o ofendido Malafaia é o mesmo que chamou a jornalista Eliane Brum de vagabunda.

E que é o mesmo que, segundo a Revista Forbes, teria uma fortuna estimada em 150 milhões de dólares.

Ou seja, não vai ser difícil para Boechat provar que o pastor é de fato tudo isso que afirmou.

O jornalista da Band pode, via redes sociais, organizar a fila daqueles que gostariam de ser seus testemunhas de defesa.

E pode aproveitar esse momento em que se é possível fazer biografias de forma mais livre para escrever um livro sobre a história do obreiro que virou milionário.

Iria vender mais que sorvete em dia de ano novo na praia.

Eu entendo perfeitamente a crítica que tem sido feita à expressão “procurar rola”. Mas não vou entrar nessa briga com ressalvas.

Boechat merece todo o meu apoio por ter carimbado com ousadia, irreverência e indignação um pastor fundamentalista que tem feito muito mal ao país.

A partir de agora, onde Malafaia for o guizo vai tocar.

Vai ter muita gente lembrando que ele é aquele pastor que alguém mandou procurar rola. Porque essa pessoa, como muitas outras, o acham além de homofóbico um explorador de suor alheio.

E Malafaia, com o guizo tocando, ficou mais fraco e mais vulnerável.

E isso, todos nós que defendemos o direito ao aborto, a união homoafetiva e tantas outras coisas, vamos dever ao Boechat.

Porque colocar o guizo no gato não é fácil.

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5 comments

  1. Sanco Responder

    Cara, toda vez que me lembro da cena vem a gargalhada. Ficará marcado pra sempre como o pastor da rola!!!

  2. Heloisa Responder

    Malafaia tu pregas, toda a hipocrisia será revelada, com esse guizo aonde fores a tua será exposta.

  3. Vicente Moragas Responder

    Liliam! Só lendo o seu comentário que entendi o tom de machismo que querem atribuir a frase, mas te afirmo! Esta errado. Não dá pra enxergar machismo em tudo. A mim, homem criado com grande a liberdade de expressão e por três mulheres magníficas e feministas (avó, mãe e irmã mais velha), a expressão fálica soou como a antiga expressão: “De homem pra homem.”
    Não vamos agora dizer que essa expressão exclui a mulher, pois há momentos em que dois homens precisam sim falar “de homem pra homem” e isso não pertence ao universo feminino, assim como a maternidade e o parto não pertencem ao universo masculino. Não quero entrar aqui em uma discussão sobre a possibilidade de um homem se assumir e sentir mãe, mas friso o caráter totalmente tete-a-tete dessa discussão.
    Se fosse pra mandar “roçar uma ostra” seria o mais do mesmo, os argumentos do Malafaias e do Boechar já são velhos conhecidos de todos. Mas o que vimos foi um confronto pessoal, e por ser pessoal, foi íntimo, foi sangue no sangue, homem contra homem se olhando e se encarando em suas verdades. Pra mim o “vai procurar uma rola” tem o sentido de “vai procurar sua hombridade” (nesse caso o Aurélio sim, é bem machista) ou em outras palavras “honre o que vc tem entre as pernas! É isso não é machismo, pois isso pertence ao universo masculino. Entendo, que por ter entendido da forma “mulher só é feliz com rola” e “para de histeria e vai ser feliz com una rola” ese comentario possa ser visto com óptica machista. Mas tomar essa interpretação como única, parece ser bastante arriscado, pois nem todos tem em mente o universo feminino 100% das vezes funcionando como filtro de percepção. Algumas vezes o assunto “mulher” nem foi cogitado, como me parece ser o caso.
    Digo e repito: não dá pra enxergar machismo em tudo.

  4. Eduardo Responder

    O sujo falando do mal lavado, Malafaya sabemos quem é, já o disseram, só o fato d ser pastor já tá errado, pastor é Um…agora quem é Boechat?……pois é amigos…a história é longa……

    1. Jogon Santos Responder

      Se você não sabe quem é o Boechat lhe digo que não é nem o sujo nem o mal lavado. É um jornalista de primeira linha que não tem papas na língua e acertou em cheio na resposta a esse mercador da palavra de Jesus que enriqueceu às custas da boa fé e da esperança dos que sofrem.