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	<title>Crônica de uma catástrofe ambiental - Reportagem Especial - Revista Fórum</title>
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	<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 17:08:08 +0000</pubDate>
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		<title>Ibama multa Basf por agrotóxico irregular</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Oct 2009 19:09:07 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Por produção e comercialização de agrotóxicos em desconformidade com a licença obtida, duas filiais da Basf S.A. foram autuadas pelo Ibama, somando mais de R$ 470 mil em multas aplicadas. A empresa tem 20 dias a contar da aplicação da penalidade administrativa para apresentar defesa ao Ibama. Até o momento, a operação apreendeu 99 sacos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por produção e comercialização de agrotóxicos em desconformidade com a licença obtida, duas filiais da Basf S.A. foram autuadas pelo Ibama, somando mais de R$ 470 mil em multas aplicadas. A empresa tem 20 dias a contar da aplicação da penalidade administrativa para apresentar defesa ao Ibama. Até o momento, a operação apreendeu 99 sacos de 15 kg do agrotóxico Granutox 150 G, armazenados na empresa em Ibiporã/PR. Amostras do produto foram encaminhadas para análise. A fiscalização continua em outras empresas que trabalham com agrotóxicos nos estados do Paraná, São Paulo e Minas Gerais.<br />
�<br />
 Segundo o diretor substituto de Proteção Ambiental do Ibama, Bruno Barbosa, esta ação inaugura uma nova frente de batalha para a proteção ambiental. O processo de vistorias fiscalizatórias relacionadas a autorizações para produção de agrotóxicos seguirá adiante. Participam da operação agentes ambientais federais do Ibama de Uberlândia/MG, Curitiba/PR e São Paulo/SP, que com a colaboração de equipe técnica da Diretoria de Qualidade Ambiental do órgão (Diqua) estão lavrando os autos de infração, termos de apreensão e embargos.<br />
�<br />
 A Diqua está realizando o levantamento de todos os ingredientes ativos registrados no Brasil na produção de agrotóxicos, para que seja possível proceder a reavaliação daqueles que possuam grandes riscos ambientais. A reavaliação de agrotóxicos é um processo contínuo para aperfeiçoar os mecanismos de controle relacionados à segurança ambiental do uso desses produtos.<br />
�<br />
 O ingrediente ativo Forato, utilizado no Granutox 150 G, foi um dos selecionados para ser reavaliado devido a indícios de danos ambientais constatados por meio de restrições de uso, banimentos e cancelamentos em outros países. Uma das reavaliações do ingrediente ativo foi conduzida pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA). A agência demonstrou preocupação em relação às características ecotoxicológicas deste ingrediente ativo. Os riscos para aves e peixes foram considerados elevados. Além disso, foram reportados nos Estados Unidos alguns casos de mortandade de pássaros relacionados à utilização de Forato.</p>
<p>Em 1996, no Canadá, um estudo demonstrou a mortandade de aves devido ao uso de Forato na região de Vancouver. Em virtude desse estudo, a empresa AMVAC, que detém o registro do produto, solicitou voluntariamente a retirada do mesmo da região. O Forato também se encontra na lista de ingredientes ativos a serem reavaliados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) devido a indícios de danos à saúde humana.</p>
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		<title>Segundo deputado, lobby é maior obstáculo para banir agrotóxicos</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Oct 2009 19:06:18 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Quando se fala de agricultura no Brasil, as riquezas produzidas no campo não podem ser desconsideradas. Porém também não é possível esquecer os crimes cometidos contra os trabalhadores da terra, verdadeiros responsáveis pelo crescimento cotidiano do segmento.
Entre as muitas dificuldades encontradas pelos homens e mulheres que garantem o sustento no campo, está a exposição a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando se fala de agricultura no Brasil, as riquezas produzidas no campo não podem ser desconsideradas. Porém também não é possível esquecer os crimes cometidos contra os trabalhadores da terra, verdadeiros responsáveis pelo crescimento cotidiano do segmento.</p>
<p>Entre as muitas dificuldades encontradas pelos homens e mulheres que garantem o sustento no campo, está a exposição a agrotóxicos que causam doenças, muitas vezes, fatais. A falta de proteção adequada e o alto índice do grau de contaminação em alguns produtos químicos são os motivos mais frequentes para que trabalhadores rurais tenham a saúde afetada com sequelas irremediáveis ou mesmo morram com os efeitos nocivos.</p>
<p>Foi essa situação que levou o deputado estadual Simão Pedro (PT-SP), coordenador da Frente Parlamentar pela Reforma Agrária da Assembleia Legislativa e membro da Frente Parlamentar Latino Americana Contra a Fome da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a elaborar um projeto que pretende banir 14 princípios ativos extremamente tóxicos em todo o estado</p>
<p>Formam a lista: abamectina, acefato, carbofurano, cihexatina, endosulfan, forato, fosmete, glifosato, lactofem, metamidofós, paraquate, parationa metílica, tiram e triclorfom. Pela proposta, a proibição passa a valer a partir do dia 1º de janeiro de 2010.</p>
<p>O projeto obriga também as unidades de saúde das redes pública e privada a notificar todos os casos de doenças e óbitos decorrentes da exposição a qualquer tipo de agrotóxico. Hoje, as ocorrências são subnotificadas, mas um levantamento do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) da Fundação Oswaldo Cruz, demonstra a gravidade do problema. Em 2007, último período analisado, foram registrados mais de 5,3 mil casos de intoxicação e 162 mortes causadas por contaminação.</p>
<p>Em entrevista exclusiva concedida à reportagem da Fórum, Simão Pedro explica aspectos da proposta e diz que o lobby da indústria do agronegócio é o maior entrave para a aprovação da matéria.<br />
�<br />
 <strong>Fórum –</strong> O que motivou o senhor a elaborar o projeto?<br />
�<br />
 <strong>Simão Pedro –</strong> O que mais motivou foram casos de contaminação por produtos altamente cancerígenos. Pessoas, trabalhadores rurais que enfrentam um cotidiano duro, contaminadas por agrotóxicos como a cihexatina, que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) já declarou que é potencial causador de câncer.<br />
�<br />
 <strong>Fórum –</strong> O senhor acompanha de perto o trabalho rural. Como vê as condições dos trabalhadores no campo?<br />
�<br />
 <strong>Simão Pedro –</strong> Difíceis, muitas vezes, precárias. Os salários são baixos, os direitos poucos, o trabalho é excessivo e ainda há riscos enormes de contrair doenças graves. Por todo esse conjunto, o número de suicídios de trabalhadores relacionados com a agricultura tem subido.<br />
�<br />
 <strong>Fórum –</strong> E no que consiste seu projeto?<br />
�<br />
 <strong>Simão Pedro –</strong> Resumidamente, o projeto pede o banimento de 14 princípios ativos – presentes na formulação de mais de 200 agrotóxicos – para que não sejam mais utilizados no estado de São Paulo.<br />
�<br />
 <strong>Fórum –</strong> E com que base chegou-se ao número?<br />
�<br />
 <strong>Simão Pedro –</strong> Bem, foi fruto de um esforço conjunto, a base reuniu estudos da Anvisa, consultas ao Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) a pesquisadores independentes e de universidades.<br />
�<br />
 <strong>Fórum – </strong>O senhor falou no Idec. O projeto também abarca preocupações com o consumidor?<br />
�<br />
 <strong>Simão Pedro –</strong> Sim. É uma questão de saúde pública. Além do trabalhador rural, o consumidor final, com a comida que vai para o prato no cotidiano, também é afetado pelo uso de produtos tóxicos na agricultura.<br />
�<br />
 <strong>Fórum –</strong> A algum impedimento legal, em âmbito federal, que possa barrar o projeto na Assembleia?<br />
�<br />
 <strong>Simão Pedro –</strong> Não. A Constituição legitima a ação da Assembleia<br />
�<br />
 <strong>Fórum – </strong>Mas há dificuldades em aprovar a proposta, embora ela trate de uma questão de saúde pública?<br />
�<br />
 <strong>Simão Pedro –</strong> Há. O Brasil ainda investe muito em agrotóxicos. Enquanto outros países baniram princípios ativos do tipo, nós continuamos permitindo a utilização. Então, ocorre que as empresas que não podem comercializar os produtos no exterior vêm para cá.<br />
�<br />
 <strong>Fórum –</strong> A agroindústria é poderosa economicamente. O senhor sofre pressões?<br />
�<br />
 <strong>Simão Pedro –</strong> Não diretamente. Mas pessoas ligadas ao agronegócio contataram meu gabinete pedindo informações sobre o projeto.<br />
�<br />
 <strong>Fórum –</strong> O senhor tem receios?<br />
�<br />
 <strong>Simão Pedro –</strong> A preocupação que tenho é do poder de lobby da indústria junto ao estado.<br />
�<br />
 <strong>Fórum –</strong> O senhor tem informações de que isso ocorreu em relação ao seu projeto?<br />
�<br />
 <strong>Simão Pedro –</strong> Não tenho como dizer de quem ou para quem, mas sabemos que o lobby é constante. Mas estamos preparados para enfrentá-lo.<br />
�<br />
 <strong>Fórum –</strong> Como fazer esse enfrentamento?<br />
�<br />
 <strong>Simão Pedro –</strong> Com convocações, mobilização e pressão popular. Não tem outro jeito, as pessoas precisam gritar, se movimentar para denunciar o que acontece.<br />
�<br />
 <strong>Fórum –</strong> Como responder aos argumentos da indústria de que com o banimento dos princípios haverá queda na produção agrícola?<br />
�<br />
 <strong>Simão Pedro –</strong> O estado de São Paulo tem três universidades de ponta, 18 institutos de pesquisa renomados na área, por exemplo, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) que é centenário. Com essa estrutura, a possibilidade de criar alternativas para a produção é inegável.<br />
�<br />
 <strong>Fórum –</strong> E, neste momento, qual a situação do projeto na Assembleia? Como os outros deputados recebem a ideia?<br />
�<br />
 <strong>Simão Pedro –</strong> A proposta é bem recebida pela maioria. Agora, tem que passar por várias comissões. No total, as Comissões de Constituição e Justiça, de Saúde, Agricultura e Finanças têm que emitir pareceres.<br />
�<br />
 <strong>Fórum –</strong> Se as comissões forem favoráveis, em quanto tempo o projeto pode ser regulamentado? E o governador José Serra? O que o senhor espera dele no tratamento do tema?<br />
�<br />
 <strong>Simão Pedro –</strong> Bem, entre os pareceres das comissões e a aprovação na Assembleia, o projeto deve caminhar até o final do ano e depois tem que passar pelo governador. Eu espero que ele seja sensível à urgência do tema.</p>
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		<title>Servatis e CSN acatam acordos por contaminação do Paraíba do Sul</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Oct 2009 19:01:35 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Um acordo realizado na última segunda-feira, dia 14, entre a Secretaria do Meio Ambiente do Rio de Janeiro e a Servatis, indústria do ramo agro-químico responsável pela contaminação ambiental com o produto Endosulfan, que atingiu o rio Paraíba do Sul, em novembro de 2008, estabeleceu que a empresa terá que investir R$1 milhão na recuperação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um acordo realizado na última segunda-feira, dia 14, entre a Secretaria do Meio Ambiente do Rio de Janeiro e a Servatis, indústria do ramo agro-químico responsável pela contaminação ambiental com o produto Endosulfan, que atingiu o rio Paraíba do Sul, em novembro de 2008, estabeleceu que a empresa terá que investir R$1 milhão na recuperação da fauna ictiológica nativa do rio, já que toneladas de peixes morreram com o vazamento do inseticida.</p>
<p>O convênio assinado com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), prevê que a Servatis terá que monitorar a qualidade da água desde a saída da empresa até a foz do rio. Mesmo com o acordo, os valores investidos não serão abatidos das multas emitidas por causa do desastre ambiental.</p>
<p><strong>Ameaçada de fechamento, CSN aceita repasses</strong></p>
<p>A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), outra empresa responsável por desastres ambientais, e que movia ação judicial questionando o pagamento anual de R$1,5 milhão pelo uso da água do Paraíba do Sul, também formalizou acordo divulgado na segunda-feira, pela secretária estadual do Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Marilene Ramos, que após reunião com diretores da indústria, anunciou que os valores depositados judicialmente pela companhia, aproximadamente R$12 milhões, serão destinados à recuperação do rio.</p>
<p>O histórico recente de problemas ambientais da CSN é significativo e o acordo foi aceito para evitar que a unidade carboquímica da empresa, em Volta Redonda (RJ), não fosse fechada pelo Inea. Em junho, a siderúrgica foi multada pelo instituto por poluir o ar da cidade com fuligem que escapou de um forno. Em agosto, ocorreu vazamento de um produto oleoso no Paraíba do Sul. Com esses dois casos, a companhia recebeu multas totalizando o valor de R$5,6 milhões.�<br />
�<br />
Marilene Ramos considera o desfecho da negociação um grande avanço, pois desde 2003 eram mantidas tratativas. Durante a reunião, também foi definido que a CSN deve contratar uma empresa para fazer auditoria ambiental e implantar um sistema de monitoramento em tempo real, serviço utilizado para transmissão de dados sobre a qualidade da água do rio ao Inea e à Companhia Estadual de Água e Esgoto do Rio de Janeiro (Cedae).</p>
<p>A companhia, que capta cerca de 5m cúbicos de água por segundo da bacia do rio – que abastece 80% do consumo de água no estado do Rio de Janeiro – repassará os valores da cobrança pelo uso dos recursos hídricos ao Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Ceivap). O órgão decidirá de que maneira o dinheiro será investido.</p>
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		<title>Um rio chamado veneno</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Feb 2009 18:17:58 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[O rio Paraíba do Sul nasce na serra da Bocaina, no Estado de São Paulo, e percorre 1120 km até a foz, em Atafona, no norte fluminense. A bacia hidrográfica é considerada uma das três maiores do Brasil, com área aproximada de 57 mil km quadrados.
No estado do RJ, o rio percorre 37 municípios ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O rio <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Paraíba_do_Sul" target="_blank">Paraíba do Sul</a> nasce na serra da Bocaina, no Estado de São Paulo, e percorre 1120 km até a foz, em Atafona, no norte fluminense. A bacia hidrográfica é considerada uma das três maiores do Brasil, com área aproximada de 57 mil km quadrados.</p>
<p>No estado do RJ, o rio percorre 37 municípios ao longo de 500 km. É fonte de abastecimento de água para milhões de pessoas (12 milhões segundo a <a href="http://www.fiperj.rj.gov.br/" target="_blank">Fiperj</a>, 8 milhões segundo entrevistas). Fornece pescado para toda a região.</p>
<p>As margens dos municípios de Resende, Barra Mansa e Volta Redonda são ocupadas praticamente apenas por indústrias (siderúrgicas, químicas e alimentícias, entre outras).</p>
<p>Durante a passagem pelo estado do Rio de Janeiro recebe esgoto praticamente sem tratamento de quase todos os municípios.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Paraíba_do_Sul"><img title="Bacia do Leste" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9a/Bacia_leste.jpg" alt="Bacia do Leste, da qual faz parte o Paraíba do Sul." width="400" height="287" /></a><p class="wp-caption-text">Bacia do Leste, da qual faz parte o Paraíba do Sul. Fonte: Wikipedia.</p></div>
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		<title>O endosulfan</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Feb 2009 19:57:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Banido da União Europeia e de pelo menos outros 20 países, o endosulfan é um agrotóxico – ou um “defensivo agrícola”, como preferem chamar os produtores – usado principalmente nas lavouras de café, algodão, soja, cana e alguns cítricos. É da mesma família do DDT, já proibido no Brasil e em quase todo o mundo. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Banido da União Europeia e de pelo menos outros 20 países, o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Endosulfan" target="_blank">endosulfan</a> é um agrotóxico – ou um “defensivo agrícola”, como preferem chamar os produtores – usado principalmente nas lavouras de café, algodão, soja, cana e alguns cítricos. É da mesma família do DDT, já proibido no Brasil e em quase todo o mundo. Aqui, o endosulfan é classificado como “extremamente tóxico” pelo Ministério da Saúde e como “altamente perigoso para o meio ambiente” pelo Ibama. Há uma campanha mundial pela proibição do produto e vários processos tentam impedir a produção local, como nos EUA.</p>
<p>Um relatório de 2002 da ONG inglesa Environmental Justice Foundation (“<a href="http://www.ejfoundation.org/pdf/end_of_the_road.pdf" target="_blank"><em>End of the road for Endosulfan</em></a><em> – a call for action against a dangerous pesticide</em>”) mostra danos causados em vários países, como a Índia, onde há casos relatados de deformidades congênitas, doenças neurológicas e até morte, em casos nos EUA, Colômbia e Benin, entre outros. A Colômbia é um dos países que proibiu o uso.</p>
<p>O químico age sobre invertebrados em geral, não apenas insetos. Deve ser misturado em água e depois borrifado nas lavouras. Segundo artigo do professor Philip C. Scott, do Instituto de Ciências Biológicas e Ambientais do Rio de Janeiro, o testemunho mais contundente sobre o efeito do endosulfan na natureza é o de um agricultor do Benin: &#8220;Os campos fedem por dois a três dias após a aplicação pois praticamente qualquer ser vivo foi morto e tudo começa a apodrecer&#8221;.</p>
<p>Em entrevista à revista Fórum, Scott diz que “moluscos e crustáceos, como o pitú e o lagostin, são facilmente afetados. A fase larval deles mais ainda. É um tipo de inseticida que é feito para atacar a parte respiratória de insetos e invertebrados. E como caiu no rio numa época de desova, para uma larva é mortal. Os peixes são particularmente sensíveis ao endosulfan. Eles tem hemorragias violentas.”</p>
<p>O professor diz que mesmo mamíferos não estão a salvo. “Na Índia, uma aplicação normal - não um desastre - atingiu a água e você vê uma série de doenças de fundo neurológico. Especialmente as de fundo nervoso. Se puder prestar atenção nos hospitais da região, vai encontrar mais pessoas com problemas psiquiátricos, nervosos. Na gestação afeta os fetos.”</p>
<p>Até poucos anos, diz ele, o endosulfan era usado na França. “E precisam de bons pesticidas - fazem uvas, fazem vinho. Mas lá ninguém aceita produtos que não sejam inofensivos à saúde humana. Se as pessoas não se levantam, se a imprensa não reage, a indústria continua produzindo isso. O governo não tem porque usar um produto como esse. É preciso expor os perigos.”</p>
<p>Abaixo, uma coleção de links para campanhas e estudos.</p>
<ul>
<li>“<a href="http://www.cdpr.ca.gov/docs/emon/pubs/tac/tacpdfs/endosulfan/enviro_fate3.pdf" target="_blank">Toxicidade para pássaros foi medida como alta em laboratório, mas não há registro de envenenamento de pássaros no campo</a>” (PDF);</li>
<li><a href="http://www.atsdr.cdc.gov/toxprofiles/tp41.html" target="_blank">Toxicological Profile</a>;</li>
<li><a href="http://www.cdpr.ca.gov/docs/emon/pubs/tac/finaleval/endosulfan.htm" target="_blank">Toxic Air Contaminant Report</a>;</li>
<li><a href="http://www.panna.org/files/endosulfanLawsuit20080724.pdf" target="_blank">Processo contra os EUA para banir o Endolsufan</a> (PDF);</li>
<li><a href="http://www.panna.org/campaigns/endosulfan" target="_blank">Campanha mundial contra o Endolsufan</a>.</li>
</ul>
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		<title>Rio castigado</title>
		<link>http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/index.php/historico-de-acidentes/</link>
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		<pubDate>Wed, 18 Feb 2009 02:29:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Outros acidentes recentes que causaram estragos no rio Paraíba do Sul:

1982 - Vazamento da Cia. Paraibuna de Metais, com o rompimento de um dique de contenção de rejeitos no rio Paraibuna, que carreou resíduos de metais pesados (cromo e cádmio) e outras substâncias tóxicas, contaminando o Rio Paraíba do Sul desde a confluência com o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Outros acidentes recentes que causaram estragos no rio Paraíba do Sul:</p>
<ul>
<li><strong>1982</strong> - Vazamento da Cia. Paraibuna de Metais, com o rompimento de um dique de contenção de rejeitos no rio Paraibuna, que carreou resíduos de metais pesados (cromo e cádmio) e outras substâncias tóxicas, contaminando o Rio Paraíba do Sul desde a confluência com o Paraíbuna até a foz;</li>
<li><strong>1984</strong> - Acidente rodoviário em que um caminhão despejou 30 mil litros de ácido sulfúrico no Rio Piabanha;</li>
<li><strong>1988</strong> - Vazamento de óleo ascarel contido em 3 mil litros de água utilizada para apagar o incêndio em transformadores na Thyssen Fundições;</li>
<li><strong>1989</strong> - Acidente com um caminhão tanque de metanol que despejou o produto no rio, na altura de Barra do Piraí;</li>
<li><strong>2003</strong> - Vazamento de mais de 20 milhões de litros de soda cáustica no Rio Pomba, provenientes da indústria Cataguazes de Papel. Acidentes de menores proporções ocorreram em 2006 e 2007, sob responsabilidade da mesma indústria;</li>
<li><strong>2008</strong> – Vazamento de pelo menos 8 mil litros do agrotóxico endosulfan no Rio Pirapetinga, afluente Paraíba do Sul. Aproximadamente 100 toneladas de peixes foram mortos, em período de desova. Não há medições sobre danos à saúde das populações atingidas, mas o produto é altamente tóxico, banido em diversos países.</li>
</ul>
<p><strong>Fonte: <a href="http://www.fiperj.rj.gov.br" target="_blank">Fiperj</a> e Revista Fórum (sobre 2008).</strong></p>
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		<title>Sérgio Coelho</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Feb 2009 02:14:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Sérgio Coelho dos Santos é Presidente da Associação de Canoeiros Defensores da Natureza de Barra Mansa, no estado do Rio de Janeiro.

Duas entrevistas estão disponíveis: uma mais compacta em vídeo, ao lado, e outra, mais extensa, cuja transcrição pode ser lida abaixo. O texto e o vídeo são complementares.
[mostra algumas fotos]
 Sérgio Coelho: Olha esse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #000000;"><span style="font-size: small;">Sérgio Coelho dos Santos é </span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-size: small;">Presidente da Associação de Canoeiros Defensores da Natureza de Barra Mansa, no estado do Rio de Janeiro.<br />
</span></span></p>
<p>Duas entrevistas estão disponíveis: uma mais compacta em vídeo, ao lado, e outra, mais extensa, cuja transcrição pode ser lida abaixo. O texto e o vídeo são complementares.</p>
<p><em>[mostra algumas fotos]</em><br />
<strong> Sérgio Coelho: </strong>Olha esse piau que eu pesquei, todo azul por dentro. Isso não é normal. E foi antes do acidente da Servatis. Tentei alertar as autoridades.</p>
<p><strong>Ou seja, o senhor diz que a contaminação não é de hoje.</strong></p>
<p>Isso. Olha isso aqui <em>[mostra recorte de reportagem do jornal </em>O Globo<em> de 12 de abril de 2004]</em></p>
<p>Olha aqui, isso é químico.</p>
<p><em>[Mostra fotos na reportagem de peixes com patas. “Lambari com neoplasma” é o título do texto do jornal]</em></p>
<p>Isso é câncer, na nossa linguagem aqui. Isso já vem de tempos.</p>
<p><strong>E no caso da Servatis, como foi?</strong></p>
<p>Isso acho que foi numa terça-feira. Terça, quarta, quinta e sexta. Surgiram peixes mortos, várias espécies. Cascudo, dourados, piabanha, curimba, tambaqui, bagre. Até um tal de mussum, um monte deles. <em>[mostra fotografias de peixes mortos]</em>. Isso chama-se curimba. Mortos, mortos. Foi a Servatis. Filhas das putas. Olha o que os filhos da puta fizeram. Vinte e dois quilos. Olha o tamanho do bicho. Tudo isso daqui eu tenho arquivado no CD.</p>
<p><em>[Esposa interfere]:</em> Isso eles divulgaram no terceiro dia.</p>
<p>Tenho aqui também o laudo, mostra coliformes fecais no rio.</p>
<p><em>[Coloca o CD com as fotos na televisão]</em></p>
<p>Olha o tambaqui. Catorze quilos. Isso é peixe nobre. Pegamos já estava morto. Olha só. Uma corimba, o de cima é piau. O pessoal xingando, esbravejando, querendo que fecha a empresa. Tivemos uma auditoria. Olha o bagre africano. O diretor disse que não tem como pagar a multa. Mas disse que vai repovoar o rio. Mas quando? Que dia? Que mês? Que ano?</p>
<p><strong>O pessoal se alimentava dos peixes?</strong></p>
<p>Sim, mas agora não tem como. Olha o mussum. O dourado, que aqui pra nós é peixe nobre, não tem mais. O pessoal xingava, reclamava, “prende o dono da empresa, fecha”. Mas infelizmente&#8230;</p>
<p><em>[Esposa]: </em>Conta quanto você tirou do rio.</p>
<p>Quase 3 mil quilos de peixe, no nosso barquinho. Ensacamos e levamos pro forno da CSN. Tava um mal-cheiro do cacete. O rio e aquilo branco tomado de peixe. Doía. Dói. A gente depende dos peixes. O pior é que a toxina tira o oxigênio da água e já morre, é uma química brava.</p>
<p><strong>Algumas pessoas disseram que ninguém mais vive de pesca aqui.</strong></p>
<p>Alguns viviam de pesca. Pra consumo, não pra vender. Eu sou um, ganho pouco, pegava pra comer. Olha a corimba. Corimba, piau, tambaqui. Peixe nobre.</p>
<p><em>[Esposa]:</em> nunca achei que teria peixe assim no Paraíba ainda.</p>
<p>É emoção demais ver os bichinho morto e ninguém fazer nada. É triste rapaz. Tilápia.</p>
<p><em>[Esposa]:</em> e agora de novo, morreu muito por causa da chuva, de esgoto.</p>
<p>Olha o dourado, o tamanho da criança. Olha o mussum, o cascudo&#8230;</p>
<p><strong>E como fazia? Tirava de bote?</strong></p>
<p>Arrumei um motor, coloquei dois caras no meu barco, ensacamos pra levar pra CSN.</p>
<p><em>[Esposa]:</em> daqui a gente não aguentava o cheiro. <em>[o rio está próximo, dá para ver pela janela da sala]</em></p>
<p><strong>Afetou o trabalho de vocês?</strong></p>
<p>Não é que afetou. Mas a água do rio, a gente depende pra consumo. A gente usa pra consumo.</p>
<p>E tenho aqui fotos feias, de animais mortos. Eles ficam doentes, o pessoal joga no rio. Aí a gente tira.</p>
<p><em>[Esposa]: </em>Ele faz isso pra ajudar, não é qualquer um que tira um boi morto do rio. E não ganha nada com isso.</p>
<p>Ninguém dá nada. É complicado.</p>
<p>Olha aqui, a gente enterrando os bichos.</p>
<p><em>[Esposa]: </em>ele queria ajuda da prefeitura. Não é qualquer um que retira esses bichos, lixo, do rio.</p>
<p>Queria poder comprar um motor, um martelo. Mas é complicado. A gente faz isso porque tem amor ao rio, porque depende do rio.</p>
<p>Há meses estou tentando avisar as autoridades. Toda carne de peixe é branca. Não é azul. Você então me pergunta, o peixe é bom para consumo? Claro que não.</p>
<p><strong>Mas mesmo assim o pessoal come.</strong></p>
<p>Agora acho que não. Já peguei muito peixe deformado. Tentei avisar, olha o que aconteceu. Tem uns dez anos que não pesco mais nesse rio. É triste. Você pega um bagre, ele tem gosto de óleo, resto de óleo de carro, de ônibus. Você sente o cheiro.</p>
<p>Quando enche muito o rio, ou de noite, eles jogam óleo escondido. E nós não temos como agir. Ficamos de pés e mãos amarrados. É complicado. Não é fácil.</p>
<p><strong>O senhor mora há quanto tempo aqui?</strong></p>
<p>56 anos. Conheço o rio como a palma da minha mão. Devido à população aumentar muito, está assoreando o rio. Está fechando. Antes pegava muita espécie de peixe. Camarão, piabanha, bocarra. Agora, Mandi que vive no esgoto, chamam de Mandi-Bosteiro. Sabe o que eu tirei da barriga de um bagre? Um esparadrapo.</p>
<p><strong>Tem hospital por aqui?</strong></p>
<p>Opa, tem. Dois. Complicado. Diz que um litro de água suporta 5 mil coliformes. Acharam 900 mil. Tenho aqui esses estudos da universidade. Mas acabei com a parceria, também, porque eu tinha despesa pra levar eles pra captar água no rio, gasolina, tudo. Nunca me deram nada.</p>
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		<title>Basf nega qualquer envolvimento</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Feb 2009 18:38:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Reportagem]]></category>

		<category><![CDATA[Basf]]></category>

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		<category><![CDATA[José Maria Pugas]]></category>

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		<description><![CDATA[Leia, abaixo, a nota divulgada pela empresa Basf. S. A. a respeito do caso:
Envolvimento da BASF no processo contra Servatis revela má fé por parte da Feperj (Federação dos Pescadores do Estado do Rio de Janeiro) 
Sobre nota divulgada em 13 de fevereiro de 2009, pela Feperj: “Justiça condena empresas por desastre ambiental em Resende” [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Leia, abaixo, a nota divulgada pela empresa Basf. S. A. a respeito do caso:</p>
<p><strong>Envolvimento da BASF no processo contra Servatis revela má fé por parte da Feperj (Federação dos Pescadores do Estado do Rio de Janeiro) </strong></p>
<blockquote><p>Sobre nota divulgada em 13 de fevereiro de 2009, pela Feperj: “Justiça condena empresas por desastre ambiental em Resende” - Basf, Servatis e Agripec indenizarão mais de 1200 pescadores que tiravam o sustento do rio Paraíba do Sul&#8230;”- a BASF esclarece que:</p>
<p>• Há evidência de má fé por parte da Federação e uma clara tentativa de enganar o Juiz com informações inverídicas, que lhe foram fornecidas e que serviram de base para a sua decisão preliminar.</p>
<p>• A Feperj tem pleno conhecimento dos seguintes fatos:</p>
<p>1. A fábrica de Resende, de atual propriedade da Servatis,  foi comprada pela BASF em Julho de 2000,  como parte da aquisição mundial da AHP (Cyanamid) e vendida para aos empregados em abril de 2005, que tiveram apoio do BNDES e ABN AMRO.</p>
<p>2. A BASF mantém uma relação comercial com a Servatis por meio de um contrato padrão de industrialização por encomenda, que expira em 2011.</p>
<p>3. A Servatis tem muitos outros clientes (15) conforme website da empresa (www.servatis.com.br) e fabrica muitos outros produtos.</p>
<p>4. O produto que vazou nada tem a ver com a BASF e não é matéria-prima para nenhum outro  produto fabricado pela Servatis  para a BASF.</p>
<p>5. A BASF tentou falar com o presidente José Maria Pugas da Feperj (Federação dos pescadores do Estado do Rio de Janeiro), porém ele se recusou a conversar. O Diretor Jurídico da BASF conversou com o advogado da Federação para dar uma chance à entidade para  retirar o processo contra a empresa, e ele informou que iria conversar com o cliente a respeito deste tema.</p>
<p>• Todas as informações acima são de conhecimento público e podem ser constatadas no site da Servatis (www.servatis.com.br).</p>
<p>• A  tentativa da Feperj  de envolver a BASF é uma clara exploração enganosa da emoção pública.</p>
<p>• A BASF ainda não foi citada para o processo, mas quando isso ocorrer apresentará suas provas ao Juízo.</p>
<p>As atividades da BASF são conduzidas com rigor, de acordo com as práticas de Atuação Responsável e total obediência às leis vigentes.</p></blockquote>
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		<title>Um rio de incertezas</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Feb 2009 18:35:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Reportagem]]></category>

		<category><![CDATA[alimentação]]></category>

		<category><![CDATA[governo]]></category>

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		<category><![CDATA[Repercussão]]></category>

		<category><![CDATA[servatis]]></category>

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		<description><![CDATA[A Servatis já recebeu multa de R$ 33 milhões aplicada pela Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca), ligada à Secretaria do Meio Ambiente do RJ. A empresa chegou a ser interditada, mas foi liberada em seguida, após uma vistoria. Em audiência pública realizada em dezembro, em Resende, Ulrich Meier afirmou que esse valor pode levar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Servatis já recebeu multa de R$ 33 milhões aplicada pela Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca), ligada à Secretaria do Meio Ambiente do RJ. A empresa chegou a ser interditada, mas foi liberada em seguida, após uma vistoria. Em audiência pública realizada em dezembro, em Resende, <a href="http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/index.php/ulrich-meier/" target="_self">Ulrich Meier</a> afirmou que esse valor pode levar a empresa à falência, se não conseguir crédito no BNDES. &#8220;Os 20 dias parados causaram muito prejuízo para a empresa. Reconhecemos a lambança que fizemos no meio ambiente e queremos reparar nosso erro. Por isso temos que conseguir dinheiro para pagar nossa conta de luz, fornecedores e funcionários. Se não conseguirmos o crédito, teremos que decretar a falência da empresa. E isso será muito mais danoso para o ambiente&#8221;, afirmou.</p>
<p>O rio Paraíba do Sul está repleto de empresas em suas margens, “verdadeiras bombas prontas para explodir”, conforme define o Presidente do <a href="www.inea.rj.gov.br/" target="_blank">Inea </a>(Instituto Estadual do Ambiental), <a href="http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/index.php/secretaria-de-estado-do-ambiente/">Luiz Firmino Martins</a>. Isso porque não há auditorias, não se sabe como essas empresas operam – e elas estão lá há mais de 30 anos. Além das empresas, falta conscientização das pessoas. “Tem muito mecânico que joga óleo. Dá pra ver na água. E todo mundo joga o lixo no rio. É uma cultura”, diz o conselheiro municipal de Meio Ambiente de Barra Mansa, <a href="http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/index.php/denival-da-costa/">Denival da Costa</a>. “A quatidade de coliformes fecais é enorme. As grandes indústrias estão cuidando do esgoto, porque exportam e precisam de um selo verde. O problema é a pequena indústria e o esgoto doméstico”. Quase não existe tratamento de esgoto nas cidades ribeirinhas do Paraíba do Sul. “A gente bebe esgoto”.</p>
<p>E muita gente comeu os peixes intoxicados pelo endosulfan. Guilherme Souza, diretor do Projeto Piabanha, conta que enquanto retirava peixes do rio para medir a toxidade dos animais, após o acidente, as pessoas comiam os peixes. “Enquanto eu abria o peixe viscerado, intoxicado, o pesssoal pegava e comia. Tinha peixe agonizando e o pessoal pegando pra comer. O cara nunca viu um robalo de cinco quilos, ainda vivo. Eu falava pra não comer, mas não adiantava”. Há relatos de pessoas com irritações na pele (justamente um efeito do produto), mas nenhuma quantificação. “Isso dava um bom doutorado”, diz Souza, que viu inclusive pessoas armazenarem nas geladeiras os peixes mortos, para consumo ou venda.</p>
<p>Hoje, ele diz que as pessoas já não consomem, conscientizadas do risco. Nem pescam, porque não tem para quem vender. Em fevereiro, o Ibama proibiu, até 31 de maio, todos os tipos de pesca na Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul - de Resende, onde ocorreu o acidente, até o fim do rio, em São João da Barra, litoral norte do Estado.</p>
<p>Apesar de ter sido um dos piores acidentes ecológicos da história do Rio de Janeiro, poucos ouviram falar do assunto. Talvez porque novembro de 2008, mês do desastre no rio Paraíba, também foi quando outro estado sofreu uma calamidade: era o ápice das <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Enchentes_em_Santa_Catarina_em_2008" target="_blank">enchentes em Santa Catarina</a> que deixaram milhares de desabrigados. Toda a atenção da mídia se voltou para lá. A contaminação no Rio de Janeiro ficou desinteressante. Fora o jornal carioca O Globo, que deu algumas reportagens – e mesmo assim, no caderno de cidades –, ninguém mais noticiou o envenenamento do Paraíba do Sul.</p>
<p>Há desdobramentos. Em fevereiro, a Servatis (empresa de envase, onde ocorreu o acidente), a Basf (ex-dona da Servatis) e a Agripec (empresa que produz endosulfan), quase três meses depois do ocorrido, foram condenadas em primeira instância na cidade de Resende a pagar um salário mínimo mensal para cada um dos cerca de 1200 pescadores do Paraíba do Sul, enquanto eles tiverem os trabalhos afetados pelo pesticida. A Basf nega participação no acidente e a Agripec, hoje Nufarm, afirma que não tem fábrica em Resende. A Servatis não nega a culpa pelo acidente, mas diz que tem um projeto de recuperação do rio em conjunto com uma ONG local. O governo do Rio de Janeiro afirma que só aprovará um projeto de recuperação realizado em conjunto com diversos órgãos, como o Ibama e secretarias de outros estados por onde o rio passa, como SP e MG. O projeto da Servatis deverá, assim, ser analisado e incluído num projeto maior.</p>
<p>O governo do Estado do Rio de Janeiro promete um relatório final nas próximas semanas, com todos os dados consolidados. Um documento oficial trará, então, o resultado do derramamento de um dos piores venenos produzidos no mundo na bacia hidrográfica de um dos estados mais importantes do Brasil. Talvez aí os jornais se interessem pela notícia – e possam servir para algo além de embrulhar peixe.</p>
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		<title>Na trilha da morte</title>
		<link>http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/index.php/na-trilha-da-morte/</link>
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		<pubDate>Tue, 17 Feb 2009 18:28:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Reportagem]]></category>

		<category><![CDATA[acidente]]></category>

		<category><![CDATA[Basf]]></category>

		<category><![CDATA[Cyanamid]]></category>

		<category><![CDATA[responsabilidade]]></category>

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		<description><![CDATA[A causa do desastre foi descoberta seguindo a trilha dos peixes mortos. Na verdade, a toxina vinha de um afluente do Paraíba do Sul chamado Pirapetinga. Mais precisamente, do ponto em que o afluente passa nas costas da Servatis, empresa que envasava o endosulfan. Hoje está com a produção interditada.
A Servatis soube do vazamento na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A causa do desastre foi descoberta seguindo a trilha dos peixes mortos. Na verdade, a toxina vinha de um afluente do Paraíba do Sul chamado Pirapetinga. Mais precisamente, do ponto em que o afluente passa nas costas da Servatis, empresa que envasava o endosulfan. Hoje está com a produção interditada.</p>
<p>A Servatis soube do vazamento na madrugada. O caminhão que faz o transporte do produto teria estacionado e o encarregado fez a ligação para bombear o tóxico para os tanques. “Só que ele se ausentou por um instante dessa operação, porque ele já fez isso centenas de vezes. Nisso, rompeu o diafragma e soltou o engate do caminhão. Em consequencia, o produto que restava ainda no caminhão derramou no dique de contenção. E como chove, tinha água no dique. O produto entrou lá dentro, e em conjunto com a água, forma um tipo de leite. Exatamente como o agricultor usa. Pega um litro, joga em um metro cúbico de água, e pulveriza”, explica o presidente da Servatis, o alemão <a href="http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/index.php/ulrich-meier/">Ulrich Meier</a>. “O operador avisou que vazou e que o produto estava contido. Tinha 14 metros cúbicos daquele leite. Pensávamos que estava tudo bem, até recebermos indicações do rio Paraíba.”</p>
<p>Ocorre que o dique de contenção tem uma válvula, que quando aberta despeja o conteúdo do dique no rio Pirapetinga. Uma pergunta óbvia seria por que um dique de contenção tem uma válvula virada para o rio – ao que Meier explica que isso era “para uma operação de água de chuva. Analisa-se a água, e se não estiver contaminada ela é descartada para a rede pluvial. Só que essa válvula estava com defeito, não estava totalmente fechada”. Num primeiro momento, a empresa afirmou que 1,5 mil litros haviam vazado. Dias depois, corrigiu a informação: seriam 8 mil litros. O caminhão que fazia o transporte tinha capacidade para 30 mil litros. Como cada litro do agrotóxico precisa ser misturado a mil litros de água para pulverização, caso o caminhão todo tivesse vazado, seriam 30 milhões de litros de veneno. Para ter uma idéia de quanto agrotóxico isso significa, é como se as <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cataratas_do_Igua%C3%A7u" target="_blank">Cataratas do Iguaçu</a> jorrassem veneno em vez de água durante 30 segundos.</p>
<p>A polícia e o Ministério Público investigam as responsabilidades pelo ocorrido. O assunto começa a ficar nebuloso quando a história da Servatis vem à tona. A empresa, fundada em 1957, se chamava Cyanamid Química do Brasil Ltda. Em 2001 foi adquirida pela multinacional Basf S.A., que decidiu fechar a empresa em 2005. Num acordo inédito, os funcionários a compraram através de empréstimo do BNDES e rescisões contratuais, e passaram a denominá-la Servatis.</p>
<p>“A Cyanamid já tinha a obrigação de recuperar o lençol freático local, porque houve um vazamento forte de produtos químicos antes”, diz o delegado <a href="http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/index.php/delegado-fernando-reis/" target="_blank">Fernando Reis</a>. Hoje, a Cyanamid foi incorporada à área de defensivos agrícolas da Basf. Outra parte da Cyanamid foi vendida aos funcionários e hoje é a Servatis. “Que é o quê? Nada mais do que a junção do Ulrich [Meier] e do Uataul [Teixeira de Lima], dois diretores da Cyanamid e da Basf. Quando o Ministério Público for determinar responsabilidades, indenizações, fatalmente vai arrastar uma dessas outras empresas. Você tem uma empresa, e funda outra constituída por ex-funcionários. E eles passam a produzir para a empresa anterior. Não consigo imaginar como não haverá co-responsabilidade do ponto de vista cívil”, diz o delegado.</p>
<p>A Basf alega que vendeu a fábrica em 2005, portanto não há correlação da Basf com o acidente. Segundo a empresa, ela nem mesmo tem o endosulfan no rol de produtos que trabalha. Outro que acusa a empresa é o advogado Leonardo Amarante, que representa a <a href="http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/site/index.php/federacao-dos-pescadores-do-rj/">Federação dos Pescadores do Estado do Rio de Janeiro</a>. “O que já foi apurado e provas documentais mostram é que a relação da Servatis com a Basf não é meramente comercial. Há uma subordinação à Basf, uma ingerência. Então nosso processo também é dirigido contra a Basf. Temos certeza de que a Basf também será responsabilizada”.</p>
<p>A empresa alemã garante que o contrato que tem com a Servatis é meramente comercial, “padrão”.</p>
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