Editorial – E a população continua pagando o pato

Editorial – E a população continua pagando o pato

A inoperância do governo do estado de São Paulo tem levado o cidadão a enfrentar o caos no transporte metroviário e o risco de falta de água. E, como sempre, o governador Geraldo Alckmin joga nas costas do povo a responsabilidade pelo descalabro

O problema da mobilidade urbana veio juntar-se ao iminente racionamento de água na Grande São Paulo esta semana. Ambos os problemas, frutos da má gestão e da falta de investimentos em transporte de massa e nos reservatórios que abastecem as cidades no estado.  Ambos os problemas foram tratados pelo governador Geraldo Alckmin como responsabilidade da população. Como sempre, o administrador tucano tentando se livrar de seus deveres.

Na terça-feira (4), uma pane na Linha 3-Vermelha do Metrô fez com que os passageiros acionassem botões de emergência para abrir as portas e escapar do abafamento que as altas temperaturas, agravadas pela superlotação do trem e o desligamento do ar-condicionado, causaram. Isso depois de os usuários esperarem pacientemente por mais de meia hora alguma solução. A revolta que se seguiu, no entanto, foi qualificada pelo governador e seu secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, como “vandalismo” e “ação orquestrada”.

Nesta edição da Fórum, entrevistamos o especialista em transporte Horácio Augusto Ferreira. Ele afirma que a Linha 3-Vermelha já atua no limite de sua capacidade há pelo menos 20 anos – coincidentemente, ou não, o mesmo tempo que o Estado é governado pelo PSDB. Ferreira defende o investimento em corredores e faixas exclusivos para ônibus, uma solução mais eficiente e rápida. É o que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), tem feito, tendo, até agora, implementado 311 quilômetros de faixas na cidade.

A água é outro problema que já há muito tempo requer ações que o governo do estado, sócio da Sabesp, responsável pela gestão dos reservatórios que abastecem várias cidades, não toma na medida do necessário. Prever a falta de chuvas não é mais um bicho-de-sete-cabeças. Mas, em vez de investir na ampliação da oferta, todo ano o governo e a companhia vêm com alertas para que a população economize o precioso líquido. Ou seja, o cidadão que pague o pato da incompetência governamental.

Foto de capa: Outras Palavras

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