Candidaturas jovens na luta pela reforma política

Candidaturas jovens na luta pela reforma política

Na segunda parte da reportagem sobre a juventude na disputa eleitoral, os candidatos contam o que pensam sobre a reforma política e discutem como atrair os jovens para os partidos políticos

Por Marcelo Hailer

Na primeira parte desta reportagem (leia aqui), os candidatos pela juventude de seus respectivos partidos revelaram como entraram no mundo político e como se constituem suas plataformas de luta. Agora, eles comentam o que pensam sobre a reforma política e discutem quais os caminhos possíveis para atrair mais jovens aos espaços políticos partidários.

Todos os entrevistados são ativistas desde cedo e concordam em um ponto: o sistema político precisa mudar. Outra questão muito interessante é a auto-crítica presente em todos os discursos. Em sua totalidade, os candidatos atribuem o afastamento do jovem de partidos políticos a problemas internos destes mesmos partidos. Entendem que as estruturas atuais não dialogam com a juventude, que hoje não mais se organiza em sindicatos, mas sim em coletivos, pautados, em sua maioria, pela organização horizontal.

Fórum – Durante as manifestações de junho de 2013, o coro do “sem partido” ganhou muita força, principalmente entre os jovens. Em sua opinião, quais são os caminhos para atrair mais jovens à política partidária?

Juventude do PSTU

Matheus Gomes, 22 anos, candidato a deputado federal por Porto Alegre (RS)

É justa a indignação da juventude com os partidos e políticos que governam o país. Eles representam uma forma de fazer política ultrapassada e reacionária: presam pelo carreirismo, são burocratas, só querem privilégios pessoais, no máximo para um pequeno grupo de comparsas. O PT, que era a esperança que a geração passada construiu, nasceu contra essa perspectiva, mas aderiu a ela ao topar administrar o sistema. Esse sentimento, em primeira instância, é progressivo. Só não pode se cristalizar numa ideia de que política é ruim e a organização de jovens e trabalhadores é desnecessária. Devemos partir daí para consolidar uma nova forma de fazer política, com ampla mobilização e organização de jovens e trabalhadores.

Nós queremos mostrar o que realmente nos diferencia, que é o nosso programa, nossas propostas para a sociedade. Se a política vai de mal à pior é fruto de uma opção política de quem está no poder, no caso, o PT, que aderiu ao padrão geral, ou seja, governar para os ricos e empresários e não para e com o povo. Acreditamos que a nossa geração precisa fazer uma opção política distinta e se identificar com um programa socialista e revolucionário, que vire o país de cabeça para baixo, pois essa é a única forma de mudarmos algo e construímos um governo da população trabalhadora e sem patrões.

Arielli Tavares (Foto: Facebook)

Arielli Tavares (Foto: Reprodução/Facebook)

Arielli Tavares, 24 anos, candidata a deputada estadual pelo estado de São Paulo

Esse sentimento apartidário, ou até mesmo anti-partidário, é comum entre os jovens. É motivado pela experiência negativa que a juventude tem com os partidos políticos da ordem e com as antigas direções do movimento de massas, que hoje governam em aliança com todo tipo de político reacionário. É o caso do PT e seus acordos com Collor, Maluf, Feliciano e muitos outros representantes da velha política.

Dessa forma, o coro “sem partido” é progressivo, por um lado. Mas, por outro, não, pois ele pode significar uma recusa à participação política, à luta política. Isso é um perigo real, que precisamos combater. Na minha opinião, o melhor caminho para atrair os jovens à política partidária é demonstrar que os partidos são diferentes e agem de acordo com seu programa de país, de governo.

O PSTU, por exemplo, quer lutar por um governo dos trabalhadores, sem banqueiros e grandes empresários. Por isso, construímos nossa organização nas mobilizações. Nossos parlamentares negam os privilégios dos políticos e recebem salários iguais aos de um trabalhador comum. Não recebemos financiamento privado de campanha e nem fazemos alianças com partidos da ordem. O melhor caminho é provar aos jovens que se interessam por política que o nosso partido não serve para acumular cargos nas instituições do estado, mas sim para organizar as manifestações e greves, para lutar pelo socialismo.

JPT – Juventude do Partido dos Trabalhadores

Caio Pinheiro, 23 anos, candidato a deputado estadual pelo estado do Acre

De fato, percebemos que as manifestações de junho apontaram o que já estava na cara da gente que faz movimento estudantil há muito tempo, e que convive com os jovens das escolas e das universidades: a política tem que tomar uma dinâmica diferente, porque essa metodologia arcaica que os partidos usam hoje para atingir os jovens já não funciona mais. Precisa dinamizar cada vez mais o acesso do jovem à política: desde a escrita até a sua metodologia organizacional. Os partidos hoje não atendem às linguagens dos jovens, e nas manifestações de junho a gente percebeu que passamos de um Brasil que tinha apenas uma bandeira – da liberdade, que unificava toda a juventude – para um Brasil que tem bandeiras segmentadas, com diversas tribos, onde cada uma tem a sua a bandeira.

Será que hoje nós conseguimos atingir os anseios da juventude dentro da metodologia utilizada pelos partidos? Nós acreditamos que não. A gente visualiza que a tecnologia modificou 100% a vida do jovem, a maneira como ele pensa a política, a maneira como ele a idealiza. Temos que integrar a política com a tecnologia, ela é muito importante e, inclusive, mudar a linguagem da política. Os partidos precisam pensar uma nova maneira de formular a sua didática para lidar com a juventude, pois a tendência é que cada vez mais a linguagem do jovem não seja compreendida pelos partidos. E sabe por quê? Na direção dos partidos permanecem os dinossauros, que não largam o osso nunca, e é impossível um dinossauro desse entender o que o jovem está propondo.

Maurício Moraes com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) (Foto: Reprodução/Youtube)

Maurício Moraes com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) (Foto: Reprodução/Youtube)

Maurício Moraes, 32 anos, candidato a deputado federal pelo estado de São Paulo

Neste momento, há um certo desconforto entre os jovens com a política institucional. Hoje nós vivemos um momento de transformação na sociedade: a transição de uma sociedade analógica, que é a sociedade dominante, para uma digital, e as pessoas que vivem nessa sociedade digital se relacionam com os amigos de maneira diferente, namoram pela internet e vão fazer e olhar a política de uma maneira diferente. E o que a gente tem hoje? A nossa política continua sendo analógica, e há um movimento geracional, empurrando isso, que causa um descompasso de representatividade. Em grande parte, isso esteve por detrás das manifestações do ano passado.

Essa nova juventude, que nasce num outro contexto e com uma nova forma de pensar, não se vê representada por uma política institucional analógica e que não responde aos anseios dessa nova sociedade. Temos que pensar a política diferente, pensar na forma como essa juventude interage com a política. A política tem que entrar na lógica dessa nova juventude, só assim vai atraí-la.

JSB – Juventude Socialista Brasileira (PSB)

Raphael Sebba, 23 anos, candidato a deputado federal pelo Distrito Federal 

Os caminhos são simples, mas profundamente difíceis de serem trilhados. Os partidos, sem exceção, estão muito pouco sensíveis às novas dinâmicas e anseios da juventude. As bandeiras levantadas, de maior participação política, democracia e serviços públicos, gratuitos e de qualidade, como saúde, transporte e educação foram tradicionalmente defendidos pelos partidos de esquerda no Brasil. No entanto, a cultura política destes partidos é muito influenciada por noções como a de “vanguarda”, e o ímpeto de “dirigir as massas” acaba cumprindo o papel de aumentar ainda mais a aversão aos partidos. Quem foi às ruas quer, sobretudo, caminhar com as próprias pernas, exercer a própria voz e decidir o seu caminho. É sobretudo um sopro de liberdade. Mas não aquela “liberdade” propagada por figuras que estão comprometidas com a manutenção das atuais disparidades, e sim a liberdade que visa à emancipação e auto-determinação. Verdade seja dita: os partidos têm de contribuir com esses processos, mas têm que estar cientes de que o protagonismo, nesse momento, não será deles, mas da multidão, que é um todo difuso, complexo e diverso.

João Pedro Grill, ao lado do candidato ao Senado Beto Albuquerque (PSB-RS) e do presidenciável Eduardo Campos (PSB-PE) (Foto: Reprodução/Facebook)

João Pedro Grill ao lado do candidato ao Senado Beto Albuquerque (PSB-RS, à esquerda) e do presidenciável Eduardo Campos (PSB-PE, à direita) (Foto: Reprodução/Facebook)

João Pedro Grill, 25 anos, candidato a deputado estadual pelo estado do Rio Grande do Sul

Eu vejo uma certa dificuldade [por parte dos partidos] de atrair a juventude. Ela não consegue identificar o partido por conta dessas alianças, da chamada governabilidade. Ora os partidos estão com uma aliança, ora estão com outra, e aí a gente fica sem cara de partido.

A gente que trabalha no movimento estudantil, com os movimentos sociais, as pessoas envolvidas com as causas sociais, elas começam a ver a importância da gente se organizar pra lutar. Para que a gente concorra e coloque a nossa plataforma política em jogo, temos que estar em um partido político. E quando o jovem se dá conta de que é preciso de um partido político, a melhor forma de atrair esse jovem é trabalhando questões cotidianas junto à formação política, para passar a importância de se estar em um partido político para fazer as transformações que a gente sonha.

Juntos! – Juventude do PSOL

Fernanda Melchionna, 30 anos, candidata a deputada estadual pelo estado do Rio Grande do Sul

O coro foi muito a expressão da indignação com a velha política, da política do balcão de negócios, da politicagem em geral. E isso tem que ser combatido para surgir o novo. Nós somos fruto disso, o Psol faz parte do movimento, não queremos nos apropriar dos movimentos e tampouco não estar neles. A nossa luta é vinculada ao povo ocupando a política, ocupando as ruas como grande espaço das transformações. E acho que nós estamos mostrando exemplos de como é fundamental construir uma ferramenta que possa ser a síntese dessas lutas. Por exemplo: em 2011, quando aqui ocorreu a tentativa de aumentar o salário dos vereadores em 75%, nós não só votamos contra como denunciamos para o povo. A justiça nos deu razão e cassou o aumento vergonhoso. Esses são os exemplos: a questão da tarifa, o combate aos privilégios, a presença junto dos movimentos sociais, como parte dele, como ativistas.

Thiago Aguiar ao lado da candidata do Psol à presidência da República, Luciana Genro (Foto: juntos.org.br)

Thiago Aguiar ao lado da candidata do Psol à presidência da República, Luciana Genro (Foto: juntos.org.br)

Thiago Aguiar, 25 anos, candidato a deputado federal pelo estado de São Paulo

Para mim, o coro de “sem partido” tem duas acepções. Por um lado, um setor da grande mídia e dos conservadores do país buscam estimulá-los para impedir que alternativas políticas sólidas e de esquerda se conformem a partir dos protestos de rua. Ao mesmo tempo, não foram somente estes que rechaçaram os partidos na rua. Também a população, os jovens e trabalhadores, os setores amplamente progressistas, manifestaram seu rechaço à política como ela é feita hoje e aos partidos tradicionais e grandes do país. Este segundo coro é positivo, pois abre espaço para novas formas de ver e pensar política, formas que superem a atual lógica corrupta e de erosão ideológica em nome dos interesses do dinheiro. É muito importante que o povo demonstre que não tolera mais os partidos que realizam alianças espúrias apenas por mais tempo de tevê, ou que aceitam fartas doações de empresas privadas.

Para atrair os jovens para a política partidária é preciso construir partidos radicalmente democráticos, independentes e que não repitam os erros de experiências antigas. Hoje, PT, PSDB, PMDB, PSB e outros têm muito mais semelhanças do que diferenças. O PSOL busca ser uma alternativa diferente nesse cenário, de esquerda, coerente e com a cara da juventude que foi para as ruas.

UJS – União da Juventude Socialista (PCdoB)

Luiza Lafetá, 25 anos, candidata a deputada estadual pelo estado de Minas Gerais

Sem dúvida, o que o Brasil viveu no ano passado vai mudar radicalmente a forma de ver o processo eleitoral brasileiro. O Brasil mudou muito nos últimos 12 anos e essas mudanças criam mudanças no comportamento das pessoas – elas querem mais participação, querem ampliar sua capacidade de influenciar a comunidade, os espaços públicos. Para a juventude poder participar da política, vai ser preciso a política mudar. É preciso fazer política de forma diferente, ela tem que estar aberta para os jovens, para os trabalhadores, para as mulheres, para os negros. A política tem que ser o reflexo da nossa sociedade e hoje ela é a antítese da nossa sociedade. Hoje a política é majoritariamente de homens mais velhos, ricos, brancos, e não incentivada para o nosso povo.

Fórum – É articulado pelo Brasil inteiro o Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva à Reforma Política. Na sua avaliação, quais pontos do sistema político mais necessitam ser reformados?

Juventude do PSTU

Matheus Gomes (Foto: pstu.org.br)

Matheus Gomes (Foto: pstu.org.br)

Matheus Gomes – Para que a política não seja vista como fonte de lucro no país é preciso acabar com todos os privilégios existentes hoje. O sujeito da política é um ser acima da sociedade, isso está errado. Qualquer político deve ganhar um salário de um trabalhador comum, podemos usar o parâmetro do mínimo do DIEESE ou de um operário especializado, o PSTU já faz isso com seus parlamentares. Também defendemos que os mandatos sejam revogáveis pela população. É preciso acabar com o domínio das grandes empresas sobre os políticos, o financiamento público é uma medida importante, pois quem paga a banda escolhe a música, por isso os políticos governam para quem os financia. Divisão igualitária do tempo de TV e rádio entre todas as candidaturas também é fundamental.

Mas nesse debate reina a hipocrisia. Dilma vai ganhar milhões dos empresários nessa eleição e fala em financiamento público. Porque não começa dando o exemplo? O Congresso Nacional nunca irá desenvolver medidas como essa, são todos políticos comprometidos com o status quo. Só teremos conquistas de fato se partirmos nossa construção das mobilizações de jovens e trabalhadores no Brasil, esse é o caminho da mudança.

Arielli Tavares – O sistema político brasileiro é muito antidemocrático, porque privilegia a manutenção no poder dos mesmos políticos e partidos que governam há décadas. O financiamento privado de campanha abre espaço para o poder econômico controlar as eleições. Depois, os políticos eleitos governam e legislam a serviço das empresas que pagaram suas campanhas eleitorais. A distribuição do tempo de TV e rádio é muito injusta. Por exemplo, o PT vai ter mais de dez minutos no horário eleitoral e o PSTU terá menos de um minuto. Isso promove as alianças despolitizadas e os conchavos em nome de mais tempo na TV e no rádio. Os políticos têm muitos privilégios, super salários e outro benefícios. Dessa forma, fazem da política uma carreira, uma profissão para enriquecer e subir na vida.

Por tudo isso, defendo o financiamento público de campanha exclusivo, divisão igualitária do tempo de TV e rádio entre todas as candidaturas. Sou a favor do fim dos privilégios dos políticos. Todos eles devem ganhar igual a um professor público e seus mandatos devem ser revogáveis pela população. Na minha opinião, os corruptos e os corruptores devem ser presos e ter seus bens confiscados.

Não acredito que o Congresso Nacional vai votar a favor de uma reforma política que inclua essas propostas. Se os senadores e deputados eleitos forem responsáveis pela elaboração da reforma, ela vai piorar o sistema político brasileiro. Na minha opinião, só a mobilização dos trabalhadores e da juventude pode garantir essas propostas radicais.

JPT – Juventude do Partido dos Trabalhadores

Caio Pinheiro (Foto: Reprodução/Facebook)

Caio Pinheiro (Foto: Reprodução/Facebook)

Caio Pinheiro –Quando você pergunta quais são os pontos, nós vamos ter que pontuar muita coisa. Mas o principal é o sistema eleitoral. Pois, de fato, a gente ainda tem um sistema muito falho, muito corrupto, que dá muita brecha para a política velha acontecer, e a gente não consegue avançar para dentro da casa do povo [Câmara e Assembleia] por conta desse entrave da política atual.

O exemplo disso é o voto em lista fechada. Nós estamos há muito tempo ensaiando votar a reforma política, e quando chega a hora, todo mundo fica olhando para todo mundo e perguntando quem foi que votou contra. Então, um dos principais pontos que a gente tem é a mudança do sistema eleitoral, o financiamento público de campanha e, portanto, o fim do financiamento privado. Quem sustenta hoje as grandes oligarquias do país são os grandes empresários.

Maurício Moraes – Precisa reformar a questão do financiamento de campanha. Hoje, uma campanha para deputado pode custar 10 milhões de reais – é uma excrescência que você tenha uma candidatura com esse valor. Tem também a questão da representatividade regional no país: há estados sub-representados e estados exageradamente representados. Isso diz respeito à isonomia de direitos do cidadão e tem que ser colocado.

Outro tema importante é limitar a vida do político profissional. Deveria se pensar em limitar o número de mandatos; se você não limita, haverá parlamentares ocupando a vida inteira a mesma cadeira, e não se abre espaço para renovação. E, ainda mais hoje em dia, em um mundo tão dinâmico, as instituições envelhecem mais rápido.

Tem que discutir também a questão do voto em lista. O que a acontece hoje? Eu fico disputando voto com o candidato a deputado federal do PT, e isso é ridículo. Seria mais interessante se todos nós pedíssemos votos juntos e com isso você fortalece os partidos.

JSB – Juventude Socialista Brasileira (PSB)

Raphael Sebba ao lado de Eduardo Campos e sua candidata à vice, Marina Silva (Foto: Reprodução/Facebook)

Raphael Sebba ao lado de Eduardo Campos e sua candidata à vice, Marina Silva (Foto: Reprodução/Facebook)

Raphael Sebba – A reforma política não pode se restringir a uma reforma eleitoral. Por isso, vou começar falando de mecanismo de participação social. É preciso aprofundar os instrumentos de democracia direta, aproveitando as imensas potencialidades abertas com as novas ferramentas digitais, sem deixar de valorizar as experiências presenciais. Enquanto as decisões forem tomadas exclusivamente em gabinetes, e o que deveria ser o básico de uma democracia, que é o voto, for tratado como seu ápice, teremos um sistema excludente e com uma composição muito pouco heterogênea.

Acredito que o uso de plebiscitos e referendos é muito pouco aproveitado no Brasil e, apesar de termos avançado muito nos últimos anos com as conferências e conselhos, é preciso ainda democratizar estes espaços, que acabam cumprindo um papel aquém do que poderiam.

Com relação às regras eleitorais, primeiramente é preciso repensar o modelo de financiamento de campanhas. É inaceitável ver a ingerência do poder econômico sobre as eleições e, consequentemente, sobre a composição do Congresso Nacional e demais funções eletivas. As “doações” de grandes corporações são, na verdade, investimentos, e a certeza de que haverá um retorno após as eleições. Aí está o berço da corrupção, de que tanta gente reclama, mas pouca gente observa as causas e raízes. Não existe corrupto sem corruptor, e ambos precisam ser varridos das decisões do país.

João Pedro Grill – A questão do pacto federativo: os tributos estão muito concentrados nas mãos da União, e isso é o que mais dificulta para a gente que mora no interior do estado. Todos os prefeitos do interior estão com dificuldades financeiras, porque, no fim das contasm o que importa é como está a capital. Aqui em nossa cidade, nós pagamos os impostos, e o retorno é sempre menor. Esse é um ponto em que a gente tem que avançar, pois hoje é o mais importante para a nossa região.

Sobre o financiamento público, eu acho que a gente tem que encampar essa bandeira, mas, por outro lado, para um candidato mais simples, da juventude e do interior, é uma disputa difícil, não temos muita estrutura, e há candidatos com muita estrutura, que têm muito dinheiro. Quem está no poder acaba conseguindo. Mas o certo mesmo seria não ter [financiamento privado de campanha].

Juntos! – Juventude do PSOL

Fernanda (Foto: Reprodução/Twitter)

Fernanda Melchionna (Foto: Reprodução/Twitter)

Fernanda Melchionna – A Constituinte é fundamental para discutir a política no Brasil. Inclusive, pessoas que não estão ligadas a partidos políticos puderem se candidatar é uma das coisas que nós defendemos durante junho como uma forma para subverter de fato essa lógica. Debater temas de fundo: dívida pública, que consome 50% do orçamento, imposto sobre as grandes fortunas, debater mecanismos de democracia direta.

O fim do financiamento privado das campanhas é um dos temas urgentes; a questão da plataforma dos movimentos sociais para reforma política me contempla bastante no sentido de permitir uma série de medidas democráticas de revogabilidade de mandato, vamos avançar nisso. Tem que acabar o peso do poder econômico sobre a política, deve haver a possibilidade dos movimentos sociais se expressarem, também, no processo eleitoral. E claro, ampliar radicalmente os espaços democráticos: plebiscitos, conselhos populares, criar cada vez mais mecanismos de democracia direta.

Thiago Aguiar – Precisamos virar a política do avesso e radicalizar a democracia. Sou favorável ao financiamento público de campanhas e à democratização das eleições, por meio de uma divisão mais justa dos tempos de televisão e da cobertura da mídia. Defendo a ampliação da representação dos setores jovens, de trabalhadores, mulheres, negros e LBGTs na política e nos parlamentos. Defendo a possibilidade de candidaturas independentes de partidos nas eleições, representando os movimentos da sociedade civil. Considero fundamental, também, a ampliação dos plebicistos como consulta direta à população e também a possibilidade de revogação de mandatos a partir do povo, como já existe, por exemplo, na Venezuela.

Além de todas essas ideias, o fundamental é que as próprias mudanças no sistema político brasileiro sejam realizadas a partir de uma ampla e democrática participação popular. Não serão os atuais políticos que reformarão a contento o atual sistema, pois eles não querem abrir mão de seus privilégios. Por isso, estou construindo, junto ao movimento Juntos!, o Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva para a Reforma Política.

UJS – União da Juventude Socialista (PCdoB)

Luiza Lafetá (Foto: Reprodução/Facebook)

Luiza Lafetá (Foto: Reprodução/Facebook)

Luiza Lafetá – A reforma política é fundamental hoje para a juventude participar mais da política, e também os próprios partidos precisam estar mais abertos às novas formas de manifestar da juventude, eles precisam se dedicar a essas mudanças.

Os dois principais pontos, sem dúvida, são, primeiro, o financiamento da campanha. A gente vê nesse período eleitoral que o financiamento é decisivo, você tem máquinas eleitorais que funcionam de dois em dois anos, para funcionar nos dois meses eleitorais. É isso que faz com que a política fique viciada da forma que ela é hoje.

É importante, também, reforçar o papel dos partidos, dos projetos em detrimento dos indivíduos. Hoje a política é muito personalista. O voto fechado em lista é outro ponto muito importante que vai reforçar a democracia em nosso país.

(Crédito da foto de capa: Mídia NINJA)

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