O que você não leu na mídia sobre Paulo Renato (1945-2011)

Redação
Por Redação junho 28, 2011 05:44

Morreu de infarto, no último dia 25, aos 65 anos, Paulo Renato Souza, fundador do PSDB. Paulo Renato foi Ministro da Educação no governo FHC, Deputado Federal pelo PSDB paulista, Secretário da Educação de São Paulo no governo José Serra e lobista de grupos privados. Exerceu outras atividades menos noticiadas pela mídia brasileira.

Nas hagiografias de Paulo Renato publicadas nos últimos dois dias, faltaram alguns detalhes. A Folha de São Paulo escalou Eliane Cantanhêde para dizer que Paulo Renato deixou um “legado e tanto” como Ministro da Educação. Esqueceu-se de dizer que esse “legado” incluiu o maior êxodo de pesquisadores da história do Brasil, nem uma única universidade ou escola técnica federal criada, nem um único aumento salarial para professores, congelamento do valor e redução do número de bolsas de pesquisa, uma onda de massivas aposentadorias precoces (causadas por medidas que retiravam direitos adquiridos dos docentes), a proliferação do “professor substituto” com salário de R$400,00 e um sucateamento que impôs às universidades federais penúria que lhes impedia até mesmo de pagar contas de luz. No blog de Cynthia Semíramis, é possível ler depoimentos às dezenas sobre o que era a universidade brasileira nos anos 90.

Ainda na Folha de São Paulo, Gilberto Dimenstein lamentou que o tucanato não tenha seguido a sugestão de Paulo Renato Souza de “lançar uma campanha publicitária falando dos programas de complementação de renda”. Dimenstein pareceu desconsolado com o fato de que “o PSDB perdeu a chance de garantir uma marca social”, atribuindo essa ausência a uma mera falha na campanha publicitária. O leitor talvez possa compreender melhor o lamento de Dimenstein ao saber que a sua Associação Cidade Escola Aprendiz recebeu de São Paulo a bagatela de três milhões, setecentos e vinte e cinco mil, duzentos e vinte e dois reais e setenta e quatro centavos, só no período 2006-2008.

Não surpreende que a Folha seja tão generosa com Paulo Renato. Gentileza gera gentileza, como dizemos na internet. A diferença é que a gentileza de Paulo Renato com o Grupo Folha foi sempre feita com dinheiro público. Numa canetada sem licitação, no dia 08 de junho de 2010, a FDE da Secretaria de Educação de São Paulo transfere para os cofres da Empresa Folha da Manhã S.A. a bagatela de R$ 2.581.280,00, referentes a assinaturas da Folha para escolas paulistas. Quatro anos antes, em 2006, a empresa Folha da Manhã havia doado a curiosa quantia–nas imortais palavras do Senhor Cloaca–de R$ 42.354,30 à campanha eleitoral de Paulo Renato. Foi a única doação feita pelo grupo Folha naquela eleição. Gentileza gera gentileza.

Mas que não se acuse Paulo Renato de parcialidade em favor do Grupo Folha. Os grupos Abril, Estado e Globo também receberam seus quinhões, sempre com dinheiro público. Numa única canetada do dia 28 de maio de 2010, a empresa S/A Estado de São Paulo recebeu dos cofres públicos paulistas–sempre sem licitação, claro, porque “sigilo” no fiofó dos outros é refresco–a módica quantia de R$ 2.568.800,00, referente a assinaturas do Estadão para escolas paulistas. No dia 11 de junho de 2010, a Editora Globo S.A. recebe sua parte no bolo, R$ 1.202.968,00, destinadas a pagar assinaturas da Revista Época. No caso do grupo Abril, a matemática é mais complicada. São 5.200 assinaturas da Revista Veja no dia 29 de maio de 2010, totalizando a módica quantia de R$1.202.968,00, logo depois acrescida, no dia 02 de abril, da bagatela de R$ 3.177.400, 00, por Guias do Estudante – Atualidades, material de preparação para o Vestibular de qualidade, digamos, duvidosíssima. O caso de amor entre Paulo Renato e o Grupo de Civita é uma longa história. De 2004 a 2010, a Fundação para o Desenvolvimento da Educação de São Paulo transfere dos cofres públicos para a mídia pelo menos duzentos e cinquenta milhões de reais, boa parte depois da entrada de Paulo Renato na Secretaria de Educação.

Mas que não se acuse Paulo Renato de parcialidade em favor dos grandes grupos de mídia brasileiros. Ele também atuou diligentemente em favor de grupos estrangeiros, muito especialmente a Fundação Santillana, pertencente ao Grupo Prisa, dono do jornal espanhol El País. Trata-se de um jornal que, como sabemos, está disponível para leitura na internet. Isso não impediu que a Secretaria de Educação de São Paulo, sob Paulo Renato, no dia 28 de abril de 2010, transferisse mais dinheiro dos cofres públicos para o Grupo Prisa, referente a assinaturas do El País. O fato já seria curioso por si só, tratando-se de um jornal disponível gratuitamente na internet. Fica mais curioso ainda quando constatamos que o responsável pela compra, Paulo Renato, era Conselheiro Consultivo da própria Fundação Santillana! E as coincidências não param aí. Além de lobista da Santillana, Paulo Renato trabalhou, através de seu escritório PRS Consultores – cujo site misteriosamente desapareceu da internet depois de revelações dos blogs NaMaria News eCloaca News–, prestando serviços ao … Grupo Santillana!, inclusive com curiosíssima vizinhança, no mesmo prédio. De fato, gentileza gera gentileza. E coincidência gera coincidência: ao mesmo tempo em que El País “denunciava”, junto com grupos de mídia brasileiros, supostos “erros” ou “doutrinações” nos livros didáticos da sua concorrente Geração Editorial, uma das poucas ainda em mãos do capital nacional, Paulo Renato repetia as “denúncias” no Congresso. O fato de a Santillana controlar a Editora Moderna e Paulo Renato ser consultor pago pelo Grupo Santillana deve ter sido, evidentemente, uma mera coincidência.

Mas que não se acuse Paulo Renato de parcialidade em favor dos grupos de mídia, brasileiros e estrangeiros. O ex-Ministro também teve destacada atuação na defesa dos interesses de cursinhos pré-vestibular, conglomerados editoriais e empresas de software. Como noticiado na época pelo Cloaca News, no mesmo dia em que a FDE e a Secretaria de Educação de São Paulo dispensaram de licitação uma compra de mais R$10 milhões da InfoEducacional, mais uma inexigibilidade licitatória era anunciada, para comprar … o mesmíssimo produto!, no caso o software “Tell me more pro”, do Colégio Bandeirantes, cujas doações em dinheiro irrigaram, em 2006, a campanha para Deputado Federal do candidato … Paulo Renato! Tudo isso para não falar, claro, do parque temático de $100 milhões de reais da Microsoft em São Paulo, feito sob os auspícios de Paulo Renato, ou a compra sem licitação, pelo Ministério da Educação de Paulo Renato, em 2001, de 233.000 cópias do sistema operacional Windows. Um dos advogados da Microsoft no Brasil era Marco Antonio Costa Souza, irmão de … Paulo Renato! A tramóia foi tão cabeluda que até a Abril noticiou.

Pelo menos uma vez, portanto, a Revista Fórum terá que concordar com Eliane Cantanhêde. Foi um “legado e tanto”. Que o digam os grupos Folha, Abril, Santillana, Globo, Estado e Microsoft.

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Redação
Por Redação junho 28, 2011 05:44
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47 Comentários

  1. Yvy junho 28, 05:53

    Bela informação para leigos e entre eles eu :) Abrs

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  2. José Roberto Silva junho 28, 07:22

    Nossa que horror. E parece que o governo Lula-Dilma aprendeu direitinho como se faz essas falcatruas, porque a coisa não mudou. Até ampliou, porque além comprar midias, também soltam dinheiro à vontade para ongs e como fazem a pilantropia.
    Publicado na Isto É Dinheiro: Nos últimos anos, cada vez mais Organizações Não Governamentais, as chamadas ONGs, têm assumido funções do Estado, executando programas de assistência social ou de capacitação profissional. E quase sempre com recursos federais, obtidos através de convênios – desde 2001, foram nada menos que R$ 13,4 bilhões. No governo Lula, que repassou R$ 8 bilhões às ONGs, esse fenômeno tem despertado uma nova preocupação: a de que as entidades seriam apenas fachada para o desvio puro e simples de recursos. Dois casos recentes levantaram essas suspeitas e envolvem petistas ligados ao escândalo da compra do dossiê contra os candidatos do PSDB. O primeiro diz respeito a Jorge Lorenzetti, churrasqueiro oficial do presidente Lula, que foi um dos criadores, em 1996, da Fundação Unitrabalho, voltada para capacitação técnica em universidades. Desde o início do mandato petista, a entidade ligada a Lorenzetti recebeu R$ 18,5 milhões. “O Jorge já não faz parte do nosso quadro”, defende Nazem Nascimento, diretor da Unitrabalho. O outro caso é o de Hamilton Lacerda, ex-coordenador da campanha de Aloízio Mercadante ao governo de São Paulo e apontado como o homem que carregava a mala contendo R$ 1,7 milhão para a compra do dossiê. Lacerda era um dos colaboradores da ONG Politeuo, de São Caetano, que recebeu R$ 1,69 milhão do governo. A Politeuo também mantinha negócios com a Petrobras e a prefeitura de Santo André.

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    • Irleidy junho 28, 17:59

      Bem lembrado!! Inclua nisso também a terceirizaão de serviços na Prefeitura de São Paulo nos Mandatos Serra-Cassab e a contratação e ONGs (de filhos, irmãos, parentes) para prestação de serviços com oficinas: as Ongs recebiam uma verba enorme e os oficineiros, na maioria jovens despreparados, não recebiam nem 1/3 do valor.
      O negócio com ONG é tão bom, que eu até pensei em abandonar meu cargo conquistado em concurso público pra entrar numa dessas “licitações” e ganhar, ao invés de 5, 60 reais a h/aula.
      Pena que sou honesta…
      Aliás, bem parecido com a história dos “dois professores por sala de aula”, onde a prefeitura repassava uma verba pras universidades particulares, que pegavam parte dessa verba pra pagar salários (atrasados em torno de três meses) à estagiários para serem esse 2º professor. Deve ter sido mais um desses conceitos revolucionários, brilhantes e modernos que os tucanos vão buscar nos States pra aplicar aqui no Brasil.

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    • Nelson Luis junho 28, 18:11

      Este é o trol de plantão hoje, este tal de José Roberto Silva esta em vários blogs sempre com a mesma ladainha em defesa da tucanada safada, foi contratado para trabalhar na campanha de Serra e continua na ativa.

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  3. marcos nunes junho 28, 07:57

    O problema não é só com o morto Paulo Renato, mas com os vivos, como Aécio Neves, e os mortos-vivos, como Serra e Efeagagá. A mídia não perde a oportunidade para sobrepor deformações ao esquecimento dos terríveis anos Efeagagá, que chamo de “Anos do Programa Perspectiva Zero”, levado a cabo e bom termo, deixando-nos por herança uma enorme empulhação (o tal “Plano Real”) e um país em cacarecos. Uma vez, quando essa besta ainda era ministro, quase saí no tapa na fila de um teatro, quando outra besta inda maior passou a louvar o “grande trabalho” do Ministro da Educação. Perguntei primeiro “Ô cara, tu é dono de faculdade privada? Ou é burro mesmo?”

    Voltando, a grande questão é que se procura o benefício dos últimos anos tentando enterrá-los sob a saudade dos anos Efeagagá, que deixou plantado o sucesso vindouro, que Lula quase conseguiu estragar com seu esquerdismo, e blá-blá-blá, quando o que faltou no governo Lula foi justamente uma orientação mais à esquerda.

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  4. aiaiai junho 28, 09:05

    acho que foi a primeira vez na minha vida que eu li um obtuário rindo, ou melhor, gargalhando. Bela descrição, mestre Idelber, da rede de “gentilezas” legada pelo falecido paulo renato. Triste saber o que tudo isso custou ao País, mas seu texto é delicioso, como sempre.

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  5. Irleidy junho 28, 09:12

    “Gentileza gera gentileza”, é uma frase criada e difundida por um profeta de rua, de alcunha “Gentileza”. Aquele que viveu nas ruas do Rio de Janeiro, esse sim, deixando um legado poético, filosófico e cultural, baseado na . Irônicamente, logo após a sua morte, tudo o que deixou escrito foi coberto com tinta cinza por um prefeito carioca. Essa passagem histórica ficou gravada na voz de Marisa Monte: “apagaram tudo, pintaram tudo de cinza”.
    Agora, infelizmente, sua mensagem passa a ser usada pra designar a troca de favores entre grupos econômicos e políticos na sociedade da inversão de valores, onde o que é bom é soterrado pelo que há de pior.

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  6. Bel Brunacci junho 28, 09:42

    Otimo texto! Era preciso jogar um balde de lucidez sobre a abordagem hagiografica da midia antes que o vaticano propusesse a canonização de paulo renato!

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  7. Silvia Kochen junho 28, 09:51

    Há ainda um outro aspecto pouco explorado do “legado” de Paulo Renato: a proliferação de redes de caça-níqueis conhecidas como universidades capazes de dar certificação para a obtenção de bons empregos. Aliás, segundo se diz, muitas dessas redes são comandadas por tucanos de alta plumagem.

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  8. fontinatti junho 28, 10:08

    Ufa. Bem lembrado, amigo. É preciso respeitar a memória deste país. O esquecimento seletivo é tamanho que até Bresser Pereira refere-se a esses anos como se fosse algo que não tivesse nada a ver com ele. Mas gentileza gera gentileza como diria o PROFETA Gentileza.

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  9. Seo Santos junho 28, 11:25

    É coincidência também o fato desse blog nunca contestar o PT? Ou seria gentileza?

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    • Idelber junho 28, 13:53

      ESTE blog nunca contesta o PT? ESTE blog, em sua breve existência, tem: um post criticando a presença de Walter Pinheiro (PT-BA) na Marcha do Malafaia; um post criticando o enriquecimento de Antonio Palocci (PT-SP); um post criticando os petistas de Niterói que votaram na moção contra Frei Betto; dois posts criticando o MinC do PT.

      Tem certeza de que aterrizou no blog certo?

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  10. Almeida junho 28, 11:27

    Bom mesmo é o Haddad…

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    • Irleidy junho 28, 18:24

      Ninguém está dizendo que ele é bom, mas não é porque o Sr Paulo Renato morreu que iremos negar seus desmandos e estragos na educação desse país. Porque o Haddad pode não ser bom, mas o Paulo Renato foi um desastre!
      E se um dia alguém aplicar glicerina na veia de algum conhecido seu porque não sabe ler, não culpe o Haddad, porque o estrago vem de antes dele!

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  11. eduardo junho 28, 13:22

    Brilhante texto. Só mesmo quem viveu nas Escolas Técnicas, CEFETs e Universidades Federais sabe o que foi passado dentro destes ambientes na década de 90.

    Eu, como professor público da rede federal, por diversas vezes tive que levar giz, papel para provas, papel para impressora e etc etc etc, para dar aula.

    Meu contra-cheque, PASMEM, tinha uma rubrica que era COMPLEMENTO PARA O SALÁRIO MÍNIMO. Isto mesmo, meu salário base, com MESTRADO era menor que o salário da empregada doméstica que cuidada dos meus filhos – sem demérito a mesma que muito me ajudava, mas com muito descaso ao professor (aliás teve que ser demitida por falta de recursos da minha parte).

    A máfia das universidades privadas (analisem quantos grupos enriqueceram de forma repentina neste período) e até hoje colhemos os frutos (e que frutos???).

    A máfia das comissões de avalição, com rios de dinheiro sendo pagos aos ditos consultores do interior de São Paulo. Foram grupos que enriqueceram em um esquema pesado de consultorias forjadas.

    Lamento a morte do homem, em razão de sua família, mas como educador, este sujeito fez um mal a nação irreparável.

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  12. jorge junho 28, 13:42

    Brilhante e corajoso Idelber! A maneira noticiosa com que foi dada a biografia de Paulo Renato na mídia me lembra a cobertura sobre a morte de ACM, que virou apenas um “homem polêmico”, ao cabo como bem ilustro Carta Capital em sua capa “ACM foi pro céu”

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  13. Aurion junho 28, 15:39

    Olá Idelber, apesar do site ter sido retirado do ar, você pode acessar um snapshot dele:

    http://web.archive.org/web/20090512014219/http://www.prbrasilia.com.br/

    Cheers,

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  14. Hugo Albuquerque junho 28, 16:47

    Isso sim é o que se chama de obituário, Idelber. Se a Constituição de 1988 fez soprar bons ventos para a Educação, judiada nos tempos da Ditadura, trazendo itens como a autonomia universitária e a universalização do ensino, o governo tucano exauriu grande parte do potencial da boa nova: sucateamento das universidades públicas, mercantilização do ensino superior, destruição da escola pública – destinada a formar trabalhadores, enquanto a escola privada formaria os gerentes e dirigentes da nova ordem -, tudo movido pelo movimento de uma engenhosa porta giratória Estado/conglomerados educacionais – o que enriqueceu muita gente, fora e dentro do governo. O ônus disso para a sociedade brasileira é incalculável, a cidadania foi erodida em seu nascedouro com nossas crianças e adolescentes, pela inércia do poder público, sendo “pré-selecionados” arbitrariamente: tal como fez a direita na Europa pós-revolucionária quanto à universalização da cidadania, ela aceitou, mas em um movimento tático, terminou por esvaziar o seu significado. Você pode conseguir um diploma, mas existem diplomas mais iguais do que os outros. Paulo Renato foi o grande condutor disso, deixando nós que restaram por ser desmanchados pelas próximas gerações.

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  15. Regina junho 28, 18:20

    ötimo. Só faltou mencionar o caso Bradesco.

    http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1977975-EI6578,00.html

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  16. Alexandre Linares junho 28, 18:35

    Eu não choro por Paulo Renato.
    Um inimigo da educação. Atacou o ensino técnico, expandiu a municipalização e foi o patrono do hipercrescimento das universidades privadas no Brasil.
    Mas eu agradeço a ele. Foi contra a política educacional dele que me tornei militante secundarista no Grêmio Livre Lutas e Conquistas da Escola Estadual Professor Américo de Moura (EEPAM)em 1995.
    Mas faço um comentário sobre uma das críticas que considero equivocada. Sou professor e considero que a única coisa que o estado fez de bom nos últimos tempos foi dar para os alunos o “Atualidades Vestibular + ENEM”. Recomendo a leitura. É de longe a coisa mais legal que a Editora Abril produz. Nem se parece que é da mesma editora da Veja.

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  17. André junho 29, 06:43

    O Paulo Renato pode até ter sido o idealizador (ou um dos) e o operador do desmonte da educação, mas ele sempre foi subordinado de alguém, e esse alguém nunca foi um soldador ou pedreiro que não conhecesse os meandros do sistema educacional. Além disso, o Provão podia ser ruim, mas o PT conseguiu piorar. Nos demais pontos concordo plenamente.

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  18. Henrique Tutini junho 29, 14:25

    Sobre esse Paulo Renato, se não me engano, houve também um caso noticiado pela Folha, há tempos, sobre um artigo que ele publicaria para a página 3 do jornalão da Ditabranda, que foi, antes da publicação, enviado por e-mail a um figurão do Bradesco, para que lesse e corrigisse qualquer frase que não estivesse do gosto do banco. Pro jornal, salvo engano, foi enviado o artigo e, por descuido, cópia do e-mail enviado consultando o Bradesco.
    Sem dúvida, como disse a Tucanhêde, “um legado e tanto”.

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  19. observador junho 29, 15:56

    Não li o texto todo porque não tive saco, mas o autor parece achar que esse trecho

    Esqueceu-se de dizer que esse “legado” incluiu o maior êxodo de pesquisadores da história do Brasil, nem uma única universidade ou escola técnica federal criada, nem um único aumento salarial para professores, congelamento do valor e redução do número de bolsas de pesquisa, uma onda de massivas aposentadorias precoces (causadas por medidas que retiravam direitos adquiridos dos docentes), a proliferação do “professor substituto” com salário de R$400,00 e um sucateamento que impôs às universidades federais penúria que lhes impedia até mesmo de pagar contas de luz. No blog de Cynthia Semíramis, é possível ler depoimentos às dezenas sobre o que era a universidade brasileira nos anos 90.

    mostra que a gestão do homem foi uma b#$%@. Eu concordaria que a gestão do homem teria sido uma b#$%@ se me fossem mostrados indicadores de que as medidas tomadas pelo PR fizeram a qualidade dos serviços que a universidade brasileira tem que entregar (educação e pesquisa) caiu. Como o Senhor Idelber não se preocupa com isso (parece achar que o problema da educação brasileira é aumentar salário de professor e construir prédios novos), fiquei sem ter esses dados…

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  20. Fernanda junho 29, 16:08

    Dá asco e muita raiva ler esses números e os nomes dessas empresas… Vcs têm alguma informação se há algo na justiça contra esses caras e empresas? Porque seria bom se estivessem com um processo público nas costas!
    Abraço e parabéns pelo blog.

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  21. Alexandre Leiras junho 29, 16:23

    Excelente! Só esqueceu de complementar que este ilustre senhor deixou diversas faculdades virarem universidades sem criterios rigidos, proliferou as universidades de shopping centers e ignorou por completo a consulta feita para reitor da UFRJ empossando o ultimo candidato da consulta.

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  22. Renata L junho 29, 22:35

    Eu, que sou economista, tenho asco do PRenato. E nenhum apreço por eulogias. Ele que vá. E que aguente, vivo ou morto, as consequencias de ter renegado tudo aquilo que defendeu por anos, durante o período em que era “in” defender. Ser de esquerda. Vai que, como diz um amigo meu, ele era de esquerda pra comer gente. E virou neolib tb pra comer gente. (tô adaptando, ele diz que na déc 80 todo mundo era do PT pra comer gente, e na Era FHC todo mundo virou neolib pelo mesmo motivo).
    Argh.
    Odeio vira-casacas que não o fazem por convicção. (os que o fazem por convicção eu admiro e defendo. Tenho vários amigos que “mudaram de idéia”, com quem eu quebro o pau em mesa de bar mas q em sua ausência eu defendo até o fim. E como sou economista, do Rio, na faixa dos 40 something, vc pode imaginar que vários desses saem no jornal com certa frequencia.)

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  23. Frajola junho 30, 01:41

    PSDB e PT é tudo farinha do mesmo saco. É o que Lênin chamava de “estratégia das tesouras”. Dividem a política brasileira entre a “direita da esquerda” (o PSDB) e a “esquerda da esquerda” (o PT).

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  24. Paulo Morais junho 30, 05:48

    Parabéns pelo texto, Idelber. O sucateamento das universidades públicas na era FHC não pode jamais ser esquecido. Abraço.

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  25. Luana junho 30, 07:47

    Bom dia, Idelber!

    Sigo você no twitter, mas decidi usar este link para falar com você.

    Vejo que você sempre fala sobre a censura na imprensa em Minas e aproveitando a queda do Aécio, escrevi sobre isso também.

    Apesar de saber que preciso melhorar muito ainda, fiquei bem feliz com o resultado. Mais de 100 comentários lá no Viomundo. O Miro, o Vermelho e mais de uma dezena de blogs publicaram o texto tambem. Caso você não tenha visto, aí está:

    http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/luana-santos-a-queda-de-aecio-e-a-imprensa-em-minas.html

    Deixo um abraço apertado pra você.

    Luana

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  26. Jorge julho 1, 04:31

    A grande história de um corrupto vagabundo, lobista pró Di Gênio, Objetivo , UNIP’s e quetais, um dos maiores canceres políticos neoliberais desta grande obra cheia de lama e estrume proporcionada pela administração FHC.

    Mas a mídia PIG terá seus reveses quando o governo de São Paulo passar para a administração de um PT. Neste dia, quero ver onde FSP e outros vão enterrar seus lixos impressos.

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  27. paulo caetano julho 1, 20:13

    Caríssimo Idelber,

    você, mais uma vez, tocou na questão central, com uma propriedade que estarrece. Se o Paulo Renato estivesse vivo e fosse ministro hoje, provavelmente teria mandado decapitar a Heloísa Ramos…
    A verdade tem que ser dita, boa ou ruim, para quem já foi ou para quem ainda vai…
    até qualquer hora dessas,
    abç

    paulinho (witchhammer)

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  28. Cloaca News julho 2, 00:21

    O Cloaca News sentirá saudade de Paulo Renato. Logo agora que conseguimos os dados sobre o enriquecimento pessoal do ex-ministro… o cara me bate as botas! Mas…não vamos tripudiar sobre o morto. Que a terra lhe seja leve, Paulo Renato!

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  29. Katia Motta julho 3, 07:24

    Não foram só as Universidades que penaram na gestão desse escroque. As Escolas Técnicas Federais, denominação da época, o Colégio Pedro II, o INES e o IBC também sofreram horrores. Certa feita, o Pedro II ficou sem luz e água por o dinheiro não foi suficiente para pagar. Quem tem cara de pau suficiente para defender Paulo Renato e sua malta não deve ter pisado nunca em uma sala de aula da rede pública federal.

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  30. nilceli magalhães julho 4, 12:05

    Li e gostei muito do seu texto,uma denúncia muito pertinente e bem escrita.Só não gostei de você não reconhecer a autoria do “GENTILEZA GERA GENTILEZA,marca de nosso artista imortalizado a céu aberto na zona portuária do Rio de Janeiro.O profeta Gentileza,figura ímpar da vida carioca.

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  31. nilceli magalhães julho 4, 12:22

    E a privataria do ensino engordada por ele continua enriquecendo sem pudor algum.

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  32. Claumir Bento Rufini julho 4, 16:42

    Saudações!!!

    Brilhante artigo Irleidy, faltou dizer que no “grande” legado de Paulo Renato, tem também, a colocação da pá de cal na educação de São Paulo, o fim do respeito à todos os participantes da educação, e aí inclui-se professores, funcionários, alunos, … Eu nunca me senti tão desrespeitado em minha vida profissional e enquanto cidadão como nestes anos de ditadura em São Paulo no governo Serra/Paulo Renato.
    A Religião Espírita diz que os espíritos quando deixam os corpos, passam pelo Umbral. Os Católicos, assim como os Evangélicos dizem que as Almas passam pelo paraíso, mas, todas dizem que há um julgamento. No caso deste Senhor, Paulo Renato, à ele foi dispensado tudo isso. Ele, foi levado direto ao inferno, onde vai arder por séculos e séculos no mar de enxofre. E que não volte mais, nunca mais.
    Abraços

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  33. alfio julho 5, 08:15

    Tenho certo que ela (Eliane) se sugeriu como que indicada pela Folha. Quanta tristeza ao ver pessoas deixarem-se levar por um órgão de divulgação que funciona mais como diário oficial da direita. Qual a razão de ao se falar das falcatruas tucana, necessariamente deve se falar, ao mesmo tempo, do partido dos trabalhadores?

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  34. Vera julho 5, 21:03

    Parabéns pela materia, espero que os filhos desse abandono cultural possam ler e compreender seu real significado.
    Abraços

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  35. Naty Zanon julho 8, 08:19

    Excelente artigo! É como podemos ler no livro “A Revolução dos Bichos”: A mídia só divulga aquilo que lhe interessa!

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  36. azuirferreiratavares julho 12, 09:01

    Você foi Gentil com o Brasil.
    Gentileza deve de também estar orgulhoso de você.
    Parabéns pela Nobreza com o Brasi, pela sua coragem e Consciência Social.
    Uma grande colaboração para conscientizar os Brasileiro.
    O nosso Brasil, com a Graça de Deus Decolou no Governo Lula, que criou mais vagas nas Escolas Técnicas e Universidades que todos os Presidentes do Brasil Juntos, desde Marechall Deodoro até FHC.
    Ainda Bem que o Brasil tem Memória mesmo com o tipo de Mídia que temos.
    Abração Amigo para todos.

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  37. pedrão julho 21, 11:31

    Eu não sou governo, secretário, prefeito e nem presidente, mas gostaria de saber se os mesmos viveriam bem com um salário médio de 1.600,00 reais por mes para cuidar da saúde de sua familia, alimentação, remédios, vestuários e outros. Esses políticos acham que são eternos e que ninguem precisa de dinheiro como eles.
    Acredito que um dia isso vai mudar, de um jeito ou de outro, não é possível que meia duzia de laranjas podres vão apodrecer um saco inteiro; é só não deixarmos.
    Espero que eles ternham amor ao País, ao povo brasileiro que tanto sofre e ao proximo, pois ninguém é eterno segundo a ciência, só Deus pode afirmar isso.
    Vamos lembrar daqueles que se foram como o Quércia, Franco Montoro, Covas, Paulo Renato, José de Alencar,Itamar Franco, Ulisses, Magalhães entre outros, o que eles levaram? Nada. Gente, pense mais um pouco e tenham bom coração. Que Deus ilumine vocês.

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  38. fontinatti maio 15, 20:42

    Só para te dar ciência: editei um antigo post e linkei/citei este seu.

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Sobre o autor

Idelber Avelar é colunista da Revista Fórum e ex-editor do blog "O Biscoito Fino e a Massa" (http://idelberavelar.com). É Professor Titular de Literaturas Latino-Americanas e Teoria Literária na Universidade Tulane, em New Orleans. É autor de Alegorias da Derrota: A Ficção Pós-Ditatorial e o Trabalho do Luto na América Latina (UFMG, 2003) e Figuras da Violência: Ensaios sobre Ética, Narrativa e Música Popular (UFMG, 2011), e coeditor de Brazilian Popular Music and Citizenship (Duke UP, 2011), entre outros livros. Mantém o Twitter @iavelar

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