Bibliografia comentada: 50 leituras sobre o ecocídio de Belo Monte, 1ª parte - Idelberavelar

Bibliografia comentada: 50 leituras sobre o ecocídio de Belo Monte, 1ª parte

Dedicado a Helena Palmquist e Felipe Milanez Volta Grande do Xingu A bibliografia comentada que segue abaixo é um guia para se entender melhor...

Dedicado a Helena Palmquist e Felipe Milanez

Volta Grande do Xingu

A bibliografia comentada que segue abaixo é um guia para se entender melhor a gravidade do que o Brasil está prestes a fazer com as populações indígenas, ribeirinhas e lavradoras do Xingu, e com seu próprio ecossistema como um todo. Dividida por tópicos, essa bibliografia inclui estudiosos que se debruçam sobre o tema Belo Monte há décadas, como Oswaldo Sevá, da Unicamp, e Célio Bermann, da USP, lideranças indígenas como Raoni Metuktire, um intelectual brasileiro que está entre os mais respeitados do mundo hoje, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, materiais produzidos pelo Ministério Público Federal e testemunhos de movimentos populares da região do Xingu. Depois de cada link, há um breve parágrafo de minha autoria que tenta resumir a importância daquele ítem. Nada substitui, claro, a leitura completa dos próprios textos.

Como se verá, várias das afirmativas usadas para justificar a construção da usina não resistem à análise. Quando se diz que “o Brasil precisa” de mais energia, há que se questionar o que se entende aqui por “Brasil” e o que se entende por “precisar”. Quando se fala de impacto “indireto” sobre uma determinada população, há que se interrogar o que essa palavra, “indireto”, esconde. Ao ouvir falar de consequências “locais” da obra, também vale a pena se perguntar o que quer dizer exatamente “local”. Quando a defesa de Belo Monte se traveste da pergunta “qual é a alternativa”, há que se saber alternativa a quê, para quem e segundo qual modelo.

Introdução

1. Cronologia do caso: o projeto de Belo Monte foi concebido pela ditadura militar brasileira em 1975. Ele traz as marcas da geopolítica de Golbery do Couto e Silva, que vê a Amazônia como tábula rasa, fonte de recursos a serem pilhados e região que deve se submeter a uma modernização tecnocrática. Os defensores do projeto hoje argumentam que ele já não é o mesmo da ditadura, o que é verdade. O projeto original concebia uma área de alagamento maior e um número maior de barragens. Como consequência das lutas dos povos do Xingu, esses elementos foram modificados, como se verá abaixo. Mas a cronologia mostra que a concepção que rege o projeto mantém-se rigorosamente a mesma.

2. Perguntas frequentes sobre Belo Monte: para quem ainda não entende “por que tanto barulho” sobre este caso, este é o link ideal para se começar. Eles traz os dados sobre realmente qual é a quantidade de afetados pelo projeto, quantas etnias indígenas seriam impactadas, a área de alagamento e outros dados essenciais.

3. Povos indígenas, as cidades e os beiradeiros do Rio Xingu que a empresa de eletricidade insiste em barrar (páginas 29 a 54 do pdf): este é o principal capítulo do livro organizado por Oswaldo Sevá em 2005, Tenotã-Mo. Aqui, um dos maiores especialistas brasileiros em energia conta a história em detalhes, mostrando que tudo o que está sendo dito agora pelo governo federal sobre Belo Monte foi dito antes sobre Tucuruí, e provado falso. Sevá mostra, por exemplo, que a empresa já sabia, nos anos 70, graças a estudos do CNEC, das populações de beiradeiros em toda a Volta Grande. A Eletronorte escondeu esses dados, assim como escondeu outros e falsificou outros. Sevá demonstra que, do ponto de vista da lógica do investimento, não faz o menor sentido insistir que somente a usina de Belo Monte será construída, mesmo que o projeto inicial, de seis barragens, tenha sido formalmente engavetado. Quem está dizendo que Belo Monte não é uma porta de abertura para outras hidrelétricas no Xingu mente ou se ilude. É só fazer as contas.

4. Histórico judicial do caso: escrito pelo Procurador do Ministério Público Federal no Pará, Felício Pontes, Jr., este assustador relato mostra como o projeto tem sido imposto goela abaixo da população desde o ano 2000, sem nenhuma diferença significativa entre os governos FHC, Lula e Dilma. Aqui você encontrará toda a história do desrespeito à lei, incluindo-se dispensas de licitação legal, ausência de oitivas às populações indígenas afetadas (ou oitivas fictícias, marcadas em cima da hora, em lugares inapropriados, com toda a sorte de obstáculos à participação dos indígenas), condicionantes ambientais não cumpridas, bizarras jabuticabas não existentes no marco regulatório (como a “licença de instalação parcial”) e intensas pressões sobre o Ibama. O relato faz pensar: por que, afinal de contas, a lei vale para alguns e não para outros?

O impacto humano:

5. Resumo dos impactos sociais: este é um resumo bem breve, que inclui somente o impacto imediato sobre as populações do Xingu. O impacto chamado “indireto” – palavrinha que sempre deve ser questionada aqui – vai muito além disso, como se verá abaixo.

6. Fala do líder Raoni Metuktire na ONU e 7. Raoni promete: “vamos lutar até o fim”: antes de falar de megawatts, “alternativas”, área de alagamento, é imperativo ouvir o que dizem os povos do Xingu. Nestes dois vídeos, Raoni Metuktire testemunha a contaminação e envenenamento do Rio Xingu pelo agronegócio, pela pecuária e pela mineração. Agora você imagine qual será a situação depois de um empreendimento desse gigantismo, com a migração de dezenas de milhares de pessoas e o desalojamento de outros tantos milhares. No segundo vídeo, ele alerta para as mortes de peixes como consequência da usina – fenômeno já bem conhecido dos que estão acompanhando as tragédias no ex-Rio Tocantins. Depois da fala de Raoni, fica a pergunta: quem discute o “impacto” de Belo Monte sobre os índios da região dizendo que “nenhuma terra indígena será alagada” usa qual tipo de óleo de peroba na cara?

8. A verdadeira cara da Norte Energia em vídeo: aqui você tem uma ideia de como funcionam as “compensações” dadas pela indústria barrageira a seus afetados: as ameaças, as desapropriações, os pagamentos escandalosamente abaixo do preço de mercado e a revolta dos moradores, donos legítimos de seus terrenos e casas, de repente expulsos por uma empresa privada. Pergunte-se, habitante do Sul Maravilha: e se fosse na sua casa?

9. Depoimentos de lideranças indígenas e ribeirinhas: neste post, o grande jornalista Leonardo Sakamoto compila alguns testemunhos in loco. Sobre as oitivas: Quem veio nas audiências do governo, não teve resposta para as suas perguntas. Além disso, organizaram audiências em cima da hora para não podermos participar. Sobre o cemitério que se encontra na região: Perguntamos o que eles vão fazer com o nosso cemitério. Eles disseram que isso é sentimentalismo. Há muito mais acerca de como o povo da região tem sido tratado.

10. Carta aberta dos povos indígenas: de novo no Blog do Sakamoto, é um texto contundente e claro, para quem tem alguma dúvida sobre qual é a posição dos povos indígenas da região. Atenção para a quantidade de povos e associações que assinam a carta. Depois da leitura desses documentos, acredito ser patentemente impossível crer na lorota etnocêntrica de que os indígenas são contra Belo Monte porque “tem muita gente lá dizendo a eles que vai ser o fim do mundo” (sim, este é um “argumento” frequentemente ouvido).

A lógica predatória do capitalismo barrageiro:

11. Grandes e polêmicas obras serão chamadas, no Brasil, a ‘salvar’ o capitalismo global: esta entrevista com Oswaldo Sevá talvez seja a melhor introdução geral ao ecocídio. É uma explicação clara dos interesses que movem esse gigantesco negócio; de como funciona o Ministério das Minas e Energia do Brasil; da sequência de mentiras—algumas inclusive contraditórias umas com as outras—contadas pela indústria. Sevá mostra também que “o Brasil precisa de mais energia” é uma frase que convenientemente esconde uma série de fatos: que há folga operacional nas usinas construídas; há máquinas de reserva que podem ser acionadas; que as represas estão cheias há vários anos; que uma enorme quantidade de energia pode ser gerada com a simples limpeza de turbinas. Em outras palavras, Sevá demonstra cabalmente que Belo Monte está sendo construída por razões outras que “o Brasil precisa de mais energia”. É a construção em si que dá um lucro tremendo, gerando, depois, energia subsidiada para as indústrias eletrointensivas.

12. Belo Monte, nosso dinheiro e o bigode do Sarney: esta entrevista de Eliane Brum com Célio Bermann, professor da USP, detalha um pouco mais sobre a caixa preta do setor energético do país, a ficção da energia a R$ 78 o megawatt-hora (que não pagaria nem o capital investido, demonstrando mais uma vez que é na construção que se joga o interesse econômico), a insanidade do modelo de geração de energia elétrica para abastecer multinacionais do alumínio que empregam pouquíssima gente, a miríade de alternativas que temos para evitar o ecocídio. Recomendadíssima.

13. Um procurador contra Belo Monte: outra entrevista essencial de Eliane Brum, desta vez com Felício Pontes Jr., o brasileiro que mais admiro hoje. Dr. Felício explica tanto a luta jurídica contra o projeto como alguns de seus impactos mais devastadores: a redução de 80% a 90% da vazão do Xingu em 100 km de sua extensão (algo assim como a distância entre a Praça da Sé e o centro de Campinas), a extinção de 270 espécies de peixes e o desmatamento, companheiro fiel das hidrelétricas na Amazônia, e que no caso de Belo Monte pode chegar a 5.300 km além da área alagada. É uma leitura essencial, de um brasileiro comprometido com o povo que representa.

Raoni Metuktire com petição contra Belo Monte

14. Dilma diz que Belo Monte não atingirá indígenas. Ah, vá! Do Blog do Sakamoto, este é um texto sucinto, rápido e perfeito para responder à insistente equação entre “afetados” e “alagados”. Como não haverá terras indígenas alagadas, a indústria barrageira e o governo sistematicamente repetem o bordão de que os indígenas do Xingu não serão afetados. Ora, a preocupação é justamente a contrária, o fato de que 100 km da Volta Grande vão praticamente secar, afetando não só a navegabilidade como extinguindo fauna e flora e provocando insegurança alimentar. Para não falar, claro, dos milhões de poças d’água parada, criadores de mosquitos da malária.

15. A mentira energética, o embrulho dos dados econômico-financeiros, e a “ficha suja” de quem inventou e promoveu o projeto. Aqui neste texto de Oswaldo Sevá, você vê toda a maquiagem dos números: a mui mal contada história dos 11.000 MW de energia; a bizarra multiplicação do custo do projeto, que começa em 4,5 bilhões e já se encontra em 30 bilhões; a escandalosa discrepância entre cálculos do governo e os cálculos do empresariado, feitos simultaneamente. Lembrando que 80% desse investimento é dinheiro público (a juros bem módicos e com longos prazos de amortização) e que pelo menos 10 bilhões são diretamente pagos com dinheiro do trabalhador, fica a pergunta: você, que paga impostos aí no Brasil, se não se importa com indígenas, ribeirinhos, fauna, flora e futuro do planeta, será que poderia se importar um pouco com o seu dinheiro?

16. Trinta anos de manobras estranhas, omissão de informações cruciais, e algumas mentiras grossas. Oswaldo Sevá repassa a história das ocultações e mentiras da indústria barrageira: a manipulação do artigo 231 da Constituição, a desqualificação dos índios que vivem fora das aldeias e a ocultação do fato de que não havia qualquer plano de reassentamento das populações, entre muitas outras.

17. O “novo” inventário hidrelétrico, que recuou sem dizer por que… e a nova decisão, “para a platéia”, de fazer somente uma das quatro grandes usinas. É um texto de análise do credo do Deus barragista: todo rio deve ser barrado para fazer hidrelétrica. Mostra claramente, à luz da história das mentiras da indústria, que é ingênuo ou mal intencionado quem crê que Belo Monte será a única UHE feita no Rio Xingu, apesar da “resolução” do fantasmagórico CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) afirmando o contrário. Na verdade, é o próprio diretor-presidente da ANEEL, Jerson Kelman, quem disse que a Resolução do CNPE “foi essencialmente política…Tecnicamente, não há razão para não fazer as outras usinas (…) faz parte do jogo democrático tentar agradar a todos os interessados. (…) É o típico caso de dar os anéis para ficar com os dedos”.

A farsa do licenciamento ambiental e a manipulação dos impactos:

18. Profa. Andréa Zhouri fala sobre a concepção de licenciamento ambiental que rege o desenvolvimentismo. Esta é uma aula magistral e um dos itens mais importantes desta biblio-videografia. A Prof. Zhouri, que estuda licenciamentos ambientais há 12 anos, detalha claramente qual é a concepção que rege a relação do desenvolvimentismo com as populações afetadas. Mostra como as audiências são processos unilaterais, em que a população não tem respostas a suas queixas e para as quais nunca há continuação. Mostra como os EIA-RIMA (Estudos de Impacto Ambiental – Relatórios de Impacto sobre o Meio Ambiente) são, hoje em dia, templates comprados prontos, que às vezes se repetem ipsis literis de um projeto para outro, com os mesmos chavões e o mesmo descaso com a vida humana. Zhouri demonstra, em outras palavras, que, para o barragismo, o licenciamento ambiental é um mero obstáculo—que, como veremos, vem sendo simplesmente removido sem cumprimento no caso de Belo Monte. A aula da Dra. Zhouri é uma explanação emocionante e bem informada de quem sabe o que diz: Não se questiona aqui o desenvolvimento em si, mas o autoritarismo de um planejamento sem diálogo com a sociedade, e sem abertura para a incorporação de outras formas de viver, ser e fazer que fazem parte efetivamente disso que chamamos de Brasil.

19. O malabarismo do cálculo do número de atingidos: Até frases como “são só 200 índios” são ouvidas na defesa do projeto de Belo Monte. Oswaldo Sevá aqui detalha como se manipulam, quantitativa e qualitativamente, o universo dos atingidos por um mega-projeto capitalista como este. Os autores do próprio Estudo de Impacto Ambiental reconheceram que deveriam resolver o problema de 19.242 indivíduos, número encontrado depois de suspeitíssimo recenseamento. O texto de Sevá é de 2009. De lá para cá, a situação em Altamira piorou dramaticamente, como se verá abaixo. A indústria continua não dando qualquer resposta dialogada com a população.

20. O subestimado número de 19.242 pessoas a se deslocar: o que se prevê aqui neste texto de 2009 é o que já está acontecendo na região. O número de 19.242 pessoas atingidas é ridiculamente subestimado, e não inclui moradores de Altamira, Vitoria do Xingu, Senador José Porfírio e Anapu que terão suas posses afetadas. Não inclui moradores do trecho seco do rio, que teriam suas vidas completamente bagunçadas pelo fim da navegabilidade do Xingu naquele trecho e pela extinção de flora e fauna. Na verdade, o texto de Sevá é profético. As notícias de 2011 já confirmam seu prognóstico de 2009 (que era também, diga-se, o prognóstico das lideranças indígenas da região) e desmentem mais uma vez a indústria barrageira.

21. A safadeza do licenciamento obrigatório: O que a Prof. Zhouri demonstra em termos gerais, o Prof. Sevá detalha para o caso de Belo Monte: Estudo de Impacto Ambiental pronto antes do estudo de campo ser concluído; o licenciamento com data marcada para ser concedido; as “consultas à população” armadas como um teatro para ser encenado e esquecido; as jabuticabas da “licença parcial” e da “licença temporária”–coisas inexistentes no marco regulatório—entre outras ilegalidades.

As violações dos direitos humanos e as condicionantes não cumpridas:

22. Relatório da Plataforma DHESCA sobre violações dos direitos humanos: São 81 páginas de puro horror e eu realmente recomendo que você as leia antes de concordar calado que seu dinheiro seja usado para financiar esse ecocídio. O relatório da Missão Xingu detalha: a perda irreversível de biodiversidade; o risco de proliferação de doenças endêmicas; o subdimensionamento das emissões de metano; a análise insuficiente sobre os riscos de migração e invasão de terras indígenas; a ameaça de extinção de espécies no Trecho de Vazão Reduzida; o subdimensionamento da população atingida, entre outros componentes do ecocídio.

23. O Novo Eia-Rima: Justificativas Goela Abaixo: é a contribuição de Philip Fernside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, a um trabalho de mais de 40 pesquisadores com experiência no bioma amazônico e em hidrelétricas. Ele mostra vários problemas no EIA-RIMA: omissão das emissões das turbinas e vertedouros; manipulação dos custos; distorções no detalhamento dos beneficiários. É mais uma demonstração, por um painel de pesquisadores independentes, de como o projeto de Belo Monte tem sido embrulhado em mentiras desde seu começo.

24. Ata da audiência pública de Discussão do Impacto Ambiental de Belo Monte, Belém 2009: Se você quiser ver a mentirada em ação, é só ler esta ata da “audiência” realizada em Belém, em 2009. Lembremos que o local desta audiência foi mudado em cima da hora. Recordemos que muita gente ficou do lado de fora. Sublinhemos que todos os obstáculos possíveis foram colocados à participação popular. Mesmo assim, a série de questionamentos dos atingidos recebeu, como resposta, um elenco de promessas. Para ver se elas foram cumpridas, basta conferir o noticiário atual. O representante do governo do Pará nesta “audiência” foi o Secretário Claudio Puty, da então governadora petista Ana Júlia Carepa.

25. Análise de riscos socioeconômicos e ambientais do Complexo Hidrelétrico de Belo Monte: esta análise demonstra que, mesmo sem mexer em nada na nossa matriz energética, mesmo continuando com os obscenos subsídios às indústrias eletrointensivas, mesmo sem investimentos extra em energia eólica ou solar, mesmo, enfim, continuando na mesma lógica predatória do capitalismo agroexportador, o Brasil poderia postergar em 20 anos a construção de Belo Monte. É mais uma demonstração de que o grande motivo por trás da construção dessa usina não é a energia em si, mas o lucro advindo da própria construção.

Na segunda parte, publicarei as notícias atuais que confirmam os pesquisadores, jornalistas e lideranças populares citados acima, e mais alguns textos que o convidarão a refletir sobre o ecocídio.


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115 comments

  1. Toinho Reply

    E texto sobre o outro ponto de vista nem pensar, né? Isso não é uma maneira de estimular o debate. O vídeo ridiculamente manipulativo dos atores globais só me deixou mais desconfiado e querendo entender melhor todos os argumentos no debate. Mas essa “bibliografia” só apresenta um lado. Não seria aceita como bibliografia em uma pesquisa séria..rs

    Como contribuição para o enriquecimento da bibliografia ficam duas sugestões:
    http://www.aleporto.com.br/blog.php?tema=4&post=2783

    http://www.youtube.com/watch?v=JhYd48tQav4

    1. Idelber Reply

      O compromisso de um pesquisador é com a verdade, não com “apresentar dois lados”. Mostre, se for capaz, em que essas duas peças de propaganda da indústria barrageira desmentem o material apresentado aqui.

      1. jorge Reply

        Se vc diz que sao duas peças de propaganda da industria barrageira, entao posso dizer que o material aqui compilado é composto de peças da industria ongueira e ambientalista? Ah, menos né, professor?

        Por que não dizer que a usina é menos eficiente porque justamente teve que se adequar a exigências socioambientais? Por que nao admitir que se cumpridas, as condicionantes melhorarão a qualidade de vida em Altamira e cidades do entorno do projeto? Por que se opor a um processo de negociação e discussão para grandes obras e admitir que é o mais democrático e desejável para que consigamos ter bons projetos e respeito ao meio ambiente e populações tradicionais?

        O santuarismo quer engessar a humanidade. Diga não ao santuarismo!

        1. Idelber Reply

          Continuo com o desafio: em que essas duas peças contradizem a documentação apresentada aqui. E que são peças de propaganda da indústria é puro fato: ambos são copiados dos “informes” da Norte Energia!

          1. Davi

            Você fala como se tudo o que está diposto aqui no seu sítio só pudésse levar a conclusão de que temos que evitar a hidrelétrica a todo custo. Supondo que você esteja certo e que todas as afirmações que faz aqui sejam corretas, apesar da evidente falta de embasamento técnico quando se abandona a questão antropológica e se depara com a questão da estratégia energética do Brasil e com o aspecto econômico e social não apenas dos índios e ribeirinhos mas de toda população das regiões no norte do país. Apesar ainda de você retratar a situação como se apenas 2 professores, um da Unicamp e um da USP se “debruçaram” sobre o assunto, professores que na verdade pelo que li da sua bibliografia, atrás de seus títulos, dão enfoque novamente pra situação dos índios e ribeirinhos. Esperava de um especialista em energia um estudo técnico da represa (eu sou engenheiro eletricista), em vez disso encontrei mais argumentos em defesas da preservação da cultura indígena e alguns poucos argumentos técnicos fracos e amplamente esclarecidos no próprio material disponibilizado pela agência governamental.
            Mas mesmo assim, mesmo supondo que você esteja certo em tudo, pra mim simplesmente não tem valor manter territórios brasileiros intocados para centenas de índios enquanto o potencial energético brasileiro, que no fundo é dinheiro, dinheiro que falta para o Brasil e poderia ajudar milhares de brasileiros, fica inutilizado para manter uma redoma do tempo em nome da preservação cultural.

            Resposta de Idelber: Caro Davi, como o site não aguenta mais tréplicas neste “thread”, respondo aqui no interior da sua mensagem, separando a minha pelo negrito. 1) “Esperava de um especialista em energia um estudo técnico da represa”. Eu imaginava que as pags. 29 a 54 do Tenotã-Mo eram um “estudo técnico da represa”. Se não satisfaz seus requisitos do que é um “estudo técnico”, aí, sinto muito, você teria que me trazer uma alternativa para eu ver o que é isso. Para mim, como leigo interessado no assunto, me esclareceu bastante; 2) “territórios brasileiros intocados para centenas de índios”. Na verdade são mais de 800.000; 3) “não tem valor manter territórios brasileiros intocados para centenas de índios enquanto o potencial energético brasileiro”. Respeito sua opinião, mas para implementá-la, mude a Constituição Federal primeiro. A lei maior da nação é clara, em seu artigo 231; 4) “Apesar ainda de você retratar a situação como se apenas 2 professores, um da Unicamp e um da USP se “debruçaram” sobre o assunto”. Não sei onde você leu isso no meu texto. O que eu disse foram simplesmente dois fatos: a) Sevá estuda Belo Monte há 23 anos (não conheço outro engenheiro que estude o tema há mais tempo); b) Bermann foi parte da preparação do programa energético do Governo Lula. Nenhum desses dois fatos, em si, garante absolutamente nada, é óbvio. Mas até agora ninguém, entre os que os criticam, mostrou onde eles erraram. 5) “alguns poucos argumentos técnicos fracos e amplamente esclarecidos no próprio material disponibilizado pela agência governamental”. Aguardo com prazer a sua demonstração de quais são os pontos em que o material da agência governamental contradiz ou invalida as críticas de Sevá e Bermann.

      2. Robson França Reply

        Deixe-me ver se entendi direito: estamos falando de uma verdade unilateral?
        Meu caro, a verdade tem vários aspectos. Ainda estou em cima do muro em relação a Belo Monte. No entanto, há carência de fundamentação nos dois lados.

        Infelizmente devo concordar com o comentarista anterior: só analisar um dos lados (qualquer um deles) empobrece enormemente o debate e prejudica o uso desse material como referência.

        Ainda assim, saudo a iniciativa, pois as leituras são de textos com um certo grau de seriedade, coisa que infelizmente não encontramos com facilidade para o tema Belo Monte.

        Abraços

    2. Carolina Reply

      Mostre o outro lado por meio de um texto tão sério e com argumentos consistentes quanto os apresentados aqui.

      1. Carolina Reply

        Resposta dirigida ao comentário de “Toinho”

    3. jorge Reply

      Sem problemas, Toinho, nessas horas a área de comentários serve pra gente dar o outro lado – com uma penca de verdades também! Segue uma boa lista que compilei, sirva-se!

      http://www.interney.net/blogs/oescriba/2011/11/22/bora_discutir_belo_monte_sem_falcatrua/

      abs!

      1. raquel_ Reply

        Cara, esse texto é uma merda. Qnd foi reproduzido no blog do Nassif, ele teve que atualizar o post colocando uma resposta de uma outra pessoa mostrando que vários dados que o autor usou estavam errados.

        http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/belo-monte-e-o-impasse-dos-ambientalistas

        1. Idelber Reply

          Ele não acertou sequer a área de alagamento. A Verena Glass, do Xingu Vivo, teve que lhe informar qual era.

          1. jorge

            Raquel e Idelber, ambos equivocados, não houve ‘correção’ alguma, o Nassif sempre coloca atualizações daquele tipo quando surge alguma ponderação significativa como houve – que não nega o principal do meu post, pelo contrário, acrescenta. Faz isso para enriquecer o debate. Normal. Sadio. Bemvindo.

            E os novos dados, que não são verdade absoluta, também sao passíveis de contestação e discussão. A pessoa ali não apontou fontes, eu aponto: estudos do MME, Eletrobrás, Eletronorte, Pinguelli Rosa, Inpe, EPE. Ainda assim, está claro que o conjunto do post continua firme e forte: Belo Monte não é essa monstruosidade que os cavaleiros do apocalipse tentam vender para os incautos.

            E Idelber, a área prevista do lago é de 503 km2, podendo variar um pouco pra mais ou pra menos. E mesmo que chegue a 688 km2 como prevê o documento que a Verena me mandou, ainda assim não refuta o cerne da minha argumentação: Belo Monte foi remodelada para causar o menor impacto possível na região e prevê compensações que vao melhorar a qualidade de vida das pessoas que moram nas cidades do entorno. E continuo defendendo que todo grande projeto com impacto socioambiental tenha o mesmo destino: discussão incansável, debate e estruturação com base em compensações socioambientais.

            E Raquel: não gostou do texto? Faz melhor… :)

          2. André

            A área alagada no edital é calculada para nível máximo normal cota 97m, a área alagada calculada na imagem de satélite foi feita para cota 99m. Essa segunda área nunca deverá ser atingida já que o nível máximo maximorum é de 97,5m, a partir disso a água será vertida.

          3. raquel_

            Poxa Jorge. Eu não preciso fazer melhor porque o Idelber já o fez.
            Além do mais, essas condicionantes são meramente declatórias. Com o governo cooptado pelos interesses do mercado e tomando o histórico das outras obras do PAC, vc acha realmente que essas condicionantes são cumpridas? Aliás, elas estão sendo cumpridas no momento?

          4. André

            Acho que ficou confuso, a área de 680km2 calculada pelo satélite que provocou a liminar da justiça suspendendo a obra foi calculada errada (pela ANEEL) pois usou cota de 99m, ou o edital de licitação de Belo Monte está errado pois considera a cota máxima normal de 97m e área alagada de 516km2.

      2. Idelber Reply

        Quem diz que você errou a área de alagamento não sou eu, nem a Verena Glass, nem o engenheiro que te corrigiu, é a Justiça brasileira.

        Tomar EIA-RIMA comprado a atacado no mercado hoje em dia como fonte confiável é idêntico a tomar o assassino como fonte sobre o aconteceu no crime.

        Se for responder, peço a gentileza de não policiar minhas metáforas e ater-se a FATOS, ou seja, se quem está certo sobre a área de alagamento é você ou a Justiça brasileira.

        E as condicionantes, claro, estão sendo cumpridas que é uma maravilha. É só dar uma olhadinha em como andam as coisas em Altamira.

        1. Idelber Reply

          Olha aqui, Raquel, como a indústria barrageira lida com “condicionantes”: transita desde 1989 na Justiça o processo para que os índios Akrãnkykatejê, os Gaviões da Montanha, sejam compensados por Tucuruí. O processo correu durante vinte e dois anos. Transitou em julgado. A Eletronorte perdeu. E mesmo assim ela não paga. E aí vem branquinho com o papo furado de que “as condicionantes sendo cumpridas …” . É muito óleo de peroba.

          1. Davi

            Idelber, você quer pegar um atalho aqui. Você chama qualquer empresa energégica de “indústria barrageira”, extrapola para o Brasil de hoje situações ocorridas durante o governo militar, quando as instituições e a sociedade estavam evidentemente fragilizadas. Essa argumentação é extremamente desonesta, é como se pegássemos relatórios de ambientalistas mal intencionados e extrapolássemos para qualquer conclusão dos demais ambientalistas. Não se pode usar esse subterfúgio pra simplesmente descartar todas as condicionantes em contrato.

          2. raquel_

            Ok, Davi. Não precisamos ir tão longe, né?
            Procura saber se as condicionantes em Jirau e Estreito foram cumpridas. E olha que estamos num gov democrático, hein…

        2. jorge Reply

          Como o Andre demonstrou acima, está claro quem errou. E novamente vc se equivoca ao dizer que meu post foi ‘corrigido’. Ele foi contestado e o Nassif, democraticamente, colocou a contestação junto com meu texto. É assim que se faz…

          E as condicionantes nao vem sendo cumpridas? Que se pressione para que sejam. Dizer que sao meramente declaratorias, falsas, sei-la-mais-o-que é fugir da questao central: essa é a forma mais inteligente e correta de se fazer grandes projetos, com grandes impactos, no país.

          1. raquel_

            Fugir da questão é exatamente o que vc está fazendo,Jorge. Dizer que vai fazer e efetivamente FAZER são coisas muitíssimo diferentes.
            São declaratórias sim, e eu tenho o histórico das obras a meu favor. Ou vc esqueceu de Jirau? Ou de Estreito? Ou da prefeitura de Altamira agora pedindo o cancelamento da licença de BM?
            Ngm está dizendo que as obras não devem ter condicionantes, isso é um espantalho que vcs defensores de BM sistematicamente fazem dos argumentos de quem é contra.
            O que está sendo dito é que não cumpridos e não são fiscalizados- justamente pq o governo está completamente a favor das empreiteiras e quer que as obras saiam a qlq custo (vide os relatórios forjados e as demissões de quem se posicionou internamente no governo contra o projeto).
            Sabe pq eu achei o seu texto uma merda e continuo achando?
            Pq ele não é confrontado pela realidade. Pq ele simplesmente é um copy e paste do propagado pelo governo e pela indústria barrageira.
            Será que vcs não conseguem nem um pouquinho ouvir o outro lado? A opinião das pessoas que moram por lá? Será que a arrogância de vcs não permite que se ouça a opinião dos “beneficiados” para saber o que eles acham dos “benefícios”?

          2. André

            Raquel,
            Um projeto desses dificilmente beneficia a população local, pelo menos a curto prazo. Qualquer grande obra gera prejuízos para a população local, seja uma estrada, uma estação de tratamento de esgoto ou uma hidrelétrica. O histórico de compensação é amplamente desfavorável, mas o que fazer? Parar tudo até esse histórico ficar favorável?

    4. Claudia Melo Reply

      Acrescento mais um pouquinho. Os Estudos Ambientais EIA/RIMA de Belo Monte 2009, não só NÂO SÂO ipis literis ou templates comprados prontos, como foram desenvolvidos por uma das maiores instituições de ensino e pesquisa na Amzonia o Museu Emilio Goeldi, além desses participaram outras dezenas de especialistas de universidades federais do Brasil em vários grupos estudados. A profa. Dra. Zoury pelo visto desconhece os EIA/RIMA, 2009, e desrespeita ao meu ver seus colegas institucionais. Diga-me uma só Hidrelétrica que não cause impactos nas populações de peixes. Isso é instrinseco à obra. Quanta Hipocrisia!! Jabuticabas?? Então estão precisando estudar mais o setor hidrelétrico, pois licenças parciais não são comuns NEM INCOMUNS, e já foram emitidas para muitas hidrelétricas sejam Federais ou estaduais. Desconhecem os projetos EXCLUSIVOS para os indígenas, desconhecem o PBA EXCLUSIVO de Indigenas. Desconhecem sobre Hidrologia e regime de operação!!! Deviam estudar mais! Da mesma forma, o que é “praticamente” secar. O Rio Xingu Não terá sua vazão Menor do que a que hoje já o é na seca!E os indigenas navegam, andam…. isso permanecerá. Desmatamento não é companheiro fiel de hidrelétricas na Amazonia, o é em QUALQUER lugar que se construa uma. … e tem muito mais…

      1. Idelber Reply

        Claudia, um pouco menos de gritaria talvez ajudasse: poderia nos mostrar, a mim e ao Procurador Felício Pontes, Jr., e à Profa. Zhouri, que estuda licenciamentos ambientais há 12 anos, onde, na legislação brasileira, está a instituição da “licença de instalação parcial”? Porque quem diz que ela não existe é o Ministério Público Federal. Sem gritos, com link e documentação, de preferência. Aqui tem que matar a cobra e mostrar a cobra morta. O link com a especialista dizendo que não existe está linkado no post. O link com o Procurarador da República dizendo que não existe está linkado neste meu comentário. Cadê seu link provando que “licença de instalação parcial” é entidade existente no marco regulatório brasileiro?

    5. Ricardo Machado Reply

      Gota D’Água rebate vídeos a favor de Belo Monte, c/ Ricardo Baitelo(GreenpeaceBR)André Villas-Bôas(ISA)Pedro Bara(WWF) Tica Minami(Xingu Vivo Para Sempre)
      http://blogs.estadao.com.br/sonia-racy/2011/12/

    6. Frank Reply

      Toinho! Quanta ingenuidade de sua parte meu caro amigo, abra os olhos para as pessoas miseráveis que nunca avistaram um dentista, um médico e uma escola de verdade.. tudo que o dinheiro investido nessa usina pode proporcionar a nós e a essas pessoas.
      “O Brasil precisa de mais energia” é uma grande mentira, o Brasil sim precisa de investimento em educação e principalmente cultura, a cultura do respeito as diferenças, ao meio-ambiente, a da paz!

  2. Sonia Mariza Reply

    Encontrei neste post farto, idôneo e completo material para quem desejar compreender o que significa a construção dessa monstruosidade dentro da floresta.

    É preciso ter em vista as alianças com as forças retrógradas que se empenham por essa obra nefasta para o ser humano e para o meio ambiente. Entre tais forças, destaca-se a do coronelismo brasileiro, representado por José Sarney e seu discípulo, Edison Lobão, ministro das Minas e Energia. Lobão é tão velhaco, que chegou a sair do cargo para assumir vaga no senado e transferi-la ao próprio filho, com sua volta ao posto de ministro (tornou seu filho senador, sem votos).

    Que se pode esperar de um ministério comandado por essas forças?

  3. Gustavo Mehl Reply

    Professor, sem palavras para agradecer este seu trabalho paciente de pesquisa.

    Se permites pitacos “folgados”: peço que não se esqueça da entrevista esclarecedora de Kurt Trennepohl para a TV australiana (e mais não digo pra não tirar a surpresa do absurdo entre seus leitores que nunca viram este vídeo).

    Sei, ainda, que não deixarás de colocar algum link que fale sobre as reações autoritárias do Gov internamente e na CIDH/OEA, e sobre o significado histórico disso para a diplomacia brasileira.

    Há também o vídeo do professor Carlos Vainer, do IPPUR/UFRJ, engolindo Tolmasquim. – http://www.ettern.ippur.ufrj.br/videos – , muito bom.

    Abs e, mais uma vez, obrigado.
    Gustavo.

    1. Idelber Reply

      Grato, Gustavo, pelas sugestões. Vai ser difícil selecionar material para a segunda parte, porque já tenho bem mais de 25 ítens importantes aqui. Abraço.

  4. Gustavo Mehl Reply

    Ah, e as quedas, uma atrás da outra, dos presidentes do Ibama!!
    rs
    abs

  5. Carlos Reply

    Idelber, nessa de Belo Monte estou tendendo pro lado de lá. Vou ler suas sugestões, principalmente o que diz respeito não aos problemas pontuais e à má qualidade da pesquisa mas ao objeto em si. Mas comento preliminarmente, com base no que li até agora, pra não perder o bonde.

    Que as coisas no Brasil são malfeitas todo mundo sabe. Desde os relatórios da Raposa Serra do Sol até a construção do metrô em São Paulo, com a famosa cratera. Mas em nenhum desses casos nos voltamos contra o principal só porque os trabalhos-meio são entre sofríveis e medíocres, ou porque tem sacanagem no meio ou vai beneficiar o empresário x ou político y. Precisa gritar sobre as sujeiras no caminho, claro, mas isso não pode obscurecer a discussão do principal. E isso precisa urgentemente ser feito, principalmente por vocês que não querem a usina.

    Mais importante: quando você acusa de “propaganda da indústria barrageira” a tentativa de racionalizar se precisa ou não da usina pro consumo projetado do Brasil e quanto ela vai custar – incluindo aí custos sociais e ambientais – perde a razão. Essa tática do opositor=comprado costuma ser usada em blogs menos ponderados que o seu. Como isso não é sua postura habitual, dá a impressão de que você acha que essa é uma questão que não precisa/não pode ser racionalizada. É o caso?

    Todos sabemos que vai ter custo ambiental – aliás, eu escrever este comentário tem um custo ambiental. Todos sabemos que vai ter um custo social – construir uma linha de metrô também implica desalojar pessoas, muitas vezes pessoa pobres e que, pobres ou ricas, sofrem com a transferência. Agora, tem avaliações que você lê que contam os índios que moram no Mato Grosso como afetados – inclusive, alguns dos videoprotestos foram organizados lá, a mais de 1200 Km da usina. Quanto tempo leva pra percorrer essa distância a pé? O que nós, que somos meio esquerdosos mas ainda acreditamos que o governo faz as coisas com alguma racionalidade, queremos é uma avaliação mais objetiva (o que não quer dizer isenta) de custos e benefícios.

    O modelo de consumo que o Brasil está projetando pode acontecer sem explorar o potencial hidrelétrico do país? Ou é esse modelo que está todo errado, incluindo o grande feito do governo Lula, que foi a inclusão dos ex-miseráveis e ex-pobres no mercado, com a consequência lógica de que se tornaram consumidores de energia? Ou a fabricação de alumínio no Brasil é o erro, e a bauxita deveria ser enviada para a China para fazerem o alumínio lá? Que vai beneficiar empresas todos sabemos, assim como vão beneficiar empresas as novas ferrovias e os novos portos. Mas isso em si é um problema? Ou a energia boa é aquela que acende o seu chuveiro ou a tela do seu computador, e a ruim, aquela necessária para fabricá-los? Como negociar a questão pra que índios possam manter seu estilo de vida, que prezamos, e ao mesmo tempo o potencial hídrico dá amazônia possa ser aproveitado pros outros brasileiros? Ou isso é impossível em qualquer circunstância?

    Mas muitos textos contra parecem achar que discutir essas questões é desnecessário diante da importância de vocalizar absurdos no processo – os quais, estou de acordo, têm que ser revistos. Dizer que não vai ter nenhum benefício, numa obra que atravessa regimes e governos, inclusive esquerdistas, é o que nos parece um contrassenso. Ou então é tudo uma grande tramoia do Sarney, mesmo. Mas aí qual projeto feito no Brasil nos últimos 30 anos se salva?

    1. jorge Reply

      caraca, matou a pau!

    2. Idelber Reply

      Carlos, fica difícil responder porque você mesmo disse que comentou sem ler os textos indicados. Se os tivesse lido, saberia que:

      1) Sevá não fala de “racionalização”. Diz e demonstra que houve mentiras mesmo. É só ler o Tenotã-Mo e os links do Correio da Cidadania.

      2) Se há avaliações que tomam índios a 1200 km da usina como afetados, é problema delas. Nenhuma dessas é parte dos materiais indicados aqui. Os textos indicados aqui mostram que: 1) o número de 19.242 é grosseiramente subestimado; 2) a insegurança alimentar provocada pela seca de 100 km da Volta Grande será muito maior que aquela reconhecida (que foi nenhuma, a indústria e o governo nem tocaram disso); 3) o impacto atingirá, sim (sob a forma de migrações descontroladas à cidade, invasões de terras indígenas etc.) enorme parcela dos 300.000 habitantes de toda a região.

      3) Também abundamentemente demonstrado no material sugerido está o fato de que a inclusão social não precisa se impor com base nesse modelo predatório de saqueio da Amazônia, expulsão de indígenas e aliança com o agronegócio. Como você não leu os textos, não perderei meu tempo repetindo-os para você. Os textos de Sevá, Felício Pontes Jr. e Célio Bermann trazem abundantes alternativas que nos tiram desse falso binômio “ou barramos tudo quanto é rio e expulsamos todos os que estiverem pela frente ou não crescemos”.

      Abraços.

    3. Amanda Reply

      Carlos,

      Estamos em 2011.Em todo o mundo há um intenso debate sobre sustentabilidade, efeito estufa e uma série de questões que preocupam países dito desenvolvidos. Nesses países, pessoas que lidam com alternativas sustentáveis são tratadas com um respeito que não se vê por aqui – implantam-se ciclovias, tratam-se o lixo para que o resíduo do lixo gere energia e iniciativas assim contam com apoio social.

      Aqui no Brasil, se vocÊ começa a falar em respeito a um indígena ou a discutir um Estudo de Impacto Ambiental de uma obra, você é logo tratado de lunático ou de irresponsável. Como se sonhar algo melhor do que está aí colocado fosse um crime. Pessoas que estão em movimentos sociais são vistas como um bando de gente preguiçosa que não gosta de ler ou que não consegue entender o problema que só a construção de uma hidrelétrica no meio do Xingu pode sanar.

      Acredito – e essa é uma crença, que venham as pedradas – que o Brasil está patrocinando um modelo de desenvolvimento anacrônico. Há sim, e nisso concordo, uma tênue preocupação com os impactos ambientais (mais do que na época da ditadura, com certeza), mas é uma espécie de acochambramento para se disfarçar uma estrutura que:

      1. Cala os indígenas
      2. Extrai tudo o que há na natureza e em grande escala
      3. Beneficia poucos

      Acredito – mais uma crença, é hoje que as pedras avoam – que nós podemos sair dessa estrutura. Se pesquisarmos, encontraremos soluções incríveis de pequena e média escala. Por que não investir em centros de pesquisa? POr que não investir em cientistas que possam oferecer soluções que incluam a sustentabilidade como pré-requisito? Porque essa pressa em construir uma hidrelétrica cara, socioambientalmente incômoda, e que repete uma fórmula reconhecidamente desgastada?

      Poderíamos caminhar para um modelo energético descentralizado. Aqui no cerrado tem um centro de permacultura que é simplesmente fantástico pelas possibilidades que desperta. A gente precisa sair do “quadrado mental” que diz que precisamos de grandes obras pra resolver problemas. Um sítio pode ser auto-sustentável e ainda produzir excedente de energia.

      Enfim, só queria aqui colocar essas crenças porque o fundo desses questionamentos aqui colocados por você, Carlos, também está baseado em crenças. Pode observar. E não há nada de errado com isso.

      Abraços,

      Amanda

    4. wander Reply

      “Ou a fabricação de alumínio no Brasil é o erro, e a bauxita deveria ser enviada para a China para fazerem o alumínio lá”

      Bauxita e minerio de ferro são dois dos minérais mais presentes na terrra. as empresas extrangeiras só vem para o brasil beneficia-los aqui porque a energia, o fator mais caro da produção de aluminio por exemplo, é subsiado pelo governo. alem do que estas empresas não pagam icms.

    5. Emilio Reply

      É, enquanto os brasileiros babacas aqui querem ferrar com o Xingu, os suecos usam o LIXO pra criar BIOGÁS.

      http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI2917831-EI299,00.html

      Imaginaram São Paulo usando seu lixo pra produzir biogás?

      Não né? Precisam se preocupar em saber como vão comprar os índígenas.

      Argumentos FASCISTAS são o que eu vi aqui. Jorge, vou te despejar da tua casa e mandar a empresa lá te ressarcir…

  6. Thais Reply

    Parabéns Idelber! e obrigada.

  7. VALERIA Reply

    Ainda bem que podemos contar com pessoas para lutar pelos direitos da humanidade, parabéns ha vocês que abraçaram esta causa, o Brasil conta com vocês ai vai meu muito obrigado.e Deus os acompanhe nesta causa,que já vencemos esse projeto não se iniciará.( E DEUS ASSIM QUER.)

  8. André Reply

    1) “Mas a cronologia mostra que a concepção que rege o projeto mantém-se rigorosamente a mesma.” Seria porque a forma de se gerar energia hidroelétrica não mudou?
    2) Esse artigo já começa com informação capciosa, afinal para ser rigoroso toda a área abrangida pelo SIN (Sistema Interligado Nacional) será área de influência da usina, e não apenas 20% do estado do Pará. Depois diz que mais de 300.000 pessoas seriam afetadas pela hidrelétrica sem especificar se de forma negativa ou positiva, mas como o teor do site é de crítica fica implícita uma informação que pode não ser verdadeira.
    3) Se ao longo desses anos (de ditadura, de PIG, de pouca força dos movimentos sociais e ecológicos) já se conseguiu mudar a área alagada de Belo Monte, eu suponho que ficará cada vez mais difícil a implantação das demais barragens. Sem falar que eu acredito fortemente que nos próximos anos a energia solar fotovoltáica se tornará economicamente viável, queira a China que isso ocorra.
    4) 5) e 6) Evidente que haverá impacto para os índios (assim como nas obras para as Olimpíadas, Copa, etc.), a questão é saber a gravidade desses impactos e se eles podem ser contornados. É um trabalho extremamente difícil (ou até impossível) garantir que efetivamente os prejudicados serão ressarcidos. Mas não creio que os habitantes do sul maravilha sejamos os algozes dos índios. Somos chamados a decidir alguma coisa apenas de 4 em 4 anos e nessa última nossas opções foram sofríveis.

    De um modo geral criticam Belo Monte por gerar pouca energia ao mesmo tempo que não querem um lago maior. Isso é um tanto contraditório. Além disso, se não queremos energizar as indústrias eletrointensivas que se proíba logo a mineração, porque a alternativa é termelétrica.

    1. Idelber Reply

      André:

      1) A concepção que rege o projeto é rigorosamente a mesma porque vê a Amazônia e seus povos da mesma forma: como entraves ao “progresso” que devem ser dobrados à vontade da indústria.

      2) Não entendo o que é “capcioso” na afirmativa de que o universo de gente impactada pela usina inclui os 300.000 habitantes da região. Basta ler as notícias atuais de Altamira para saber disso. Se não as tem lido, aguarde a segunda parte, porque incluirei alguns links.

      3) Se ao longo desses anos (de ditadura, de PIG, de pouca força dos movimentos sociais e ecológicos) já se conseguiu mudar a área alagada de Belo Monte, eu suponho que ficará cada vez mais difícil a implantação das demais barragens. Deus te ouça, mas isso não é motivo para se deixar de lutar contra esta, porque ela é a abertura de portas para as outras (o próprio diretor-presidente da ANEEL o disse), nem motivo para se omitir o fato de que a resolução do CNPE dizendo que só haverá uma é uma lorota pra boi dormir, como tantas outras que foram contadas.

      4) 5) e 6) Evidente que haverá impacto para os índios (assim como nas obras para as Olimpíadas, Copa, etc.), a questão é saber a gravidade desses impactos e se eles podem ser contornados. A gravidade destes impactos é, para usar um eufemismo, gigantesca. Basta ouvir os índios. Basta ouvir os lavradores. Basta ouvir os ribeirinhos. Basta estar atento e ouvir, enfim.

      Abraços.

      1. André Reply

        1) Entendi o seu ponto. Mas esse modelo não está calcado na mesma concepção que dá à União a prerrogativa de garantir que as propriedades cumpram sua função social?

        2) É capcioso ao dizer que 300.000 pessoas serão afetadas sem dizer se de forma positiva ou negativa, quango o RIMA fala em 20.000 (por mais errado que esteja 20 para 300 é muita coisa). Ou quando diz que a barragem vai afetar 20% do Pará.

        3) É bastante provável que as promessas das autoridades sejam lorotas, mas não me parece correto esse raciocínio de julgar o mérito de Belo Monte baseado em outros aproveitamentos que podem nem se concretizar, a menos que fique provada impossibilidade de operar Belo Monte sem essas obras.

        4) Ouvir os índios, lavradores e ribeirinhos é justo, a constituição exige isso. Mas eles são parte envolvida tanto quanto o governo/empresas. Para quem está longe fica parecendo que um lado exagera os impactos tanto quanto ou outro esconde.

        23) Das citadas, procurei ler algumas fontes que me pareceram mais representativas. Para “inviabilizar” Belo Monte alguns estudos trabalham com fator de carga de até 20% e a questão do metano várias vezes toma como base Balbina (vamos combinar que Balbina é café-com-leite quando se trata de discutir hidrelétricas).

        Estou procurando ler conforme dá. Até agora a única convicção que tenho é que tem manipulação de todo lado (claro que não são equivalentes pois o dinheiro e o poder de fazer está de um lado apenas) e que existem muitas perguntas sem respostas.

  9. maria eduarda souza Reply

    Ola, achei seu texto muito interessante e recomendei no meu blog. espero que nao tenha problemas. coloquei todos os creditos a voce e divulguei tbm seu site.
    Bjs

    1. Idelber Reply

      Claro que não, Maria, a gente agradece a divulgação.

  10. O Gabs Reply

    OO que eu quero saber, Idelber, é muito simples, mas, até onde li, não está em nenhum link que você apresentou:

    – Qual a diferença entre o custo de construção e operação da Usina de Belo Monte e e o custo de construção e operação da fonte alternativa de energia que vocês sugerem?

    – Qual o custo para compensar a população local pelos danos sofridos? (obviamente, não dá pra saber o custo exato aqui, mas uma estimativa sincera já vale)

    P.S.: Você apresenta links com informações manipuladas ou inexatas e você, como é um cara inteligente, sabe disso. Três exemplos, pelo que li, rapidamente: a) As 15 respostas do Xingu vivo são um horror. b) A conclusão da análise dos riscos ambientais, n. 25, do elaborada pelo mesmo xingu vivo, que pretende fazer uma análise econômica da coisa sem considerar o custo de oportunidade de fontes alternativas de energia (!?), considera que poderemos postergar a construção da usina por que 20 anos, já que com as novas usinas em construção, teremos energia garantida até 2020. Não entendi essa matemática, não. c) O que tem haver o Sarney com a necessidade de se construir ou não a Usina? É como dizer que a literatura brasileira é uma porcaria porque o Sarney é escritor.

    1. Amanda Reply

      Gabs,

      Quem tem o poder de decisão é o governo, eleito pela maioria da população. É ele quem precisa levantar respostas sobre o desenvolvimento do país. O que nós estamos fazendo aqui é, democraticamente, dizer que não concordamos com essa solução apresentada. Dizer que existem sim outras formas de se conseguir energia – e nós temos muitas universidade, centros de pesquisa e pessoal qualificado para encontrar uma resposta que ao mesmo tempo

      1. Ofereça a energia de que precisamos e
      2. Com respeito a constituição

      Estamos aqui fazendo política, explorando aspectos técnicos dentro das nossas possibilidades. Mas essa decisão não é só técnica: é ética, ecológica e política. E dentro desse tripé, a hidrelétrica de Belo Monte é altamente questionável. Acreditar que fazer uma Hidrelétrica no Xingu é a única alternativa técnica é apenas isso: uma crença. E uma crença limitada, diga-se de passagem: porque atrela a técnica ao desrespeito a constituição, quando você pode chamar um técnico e pedir para que ele encontre um outro tipo de solução dentro dos parâmetros éticos, ecológicos e políticos de que você necessita.

      Ou você está dizendo que pra produzir energia é preciso calar os indígenas, acabar com os recursos naturais e rasgar a constituição?

      Abraços,

      Amanda

      1. O Gabs Reply

        Amanda, a constituição deve ser respeitada. Concordo. Mas o debate, aqui, vai muito além do que diz a Constituição. Se ficássemos restritos a isso, a gente poderia até dar nossos palpites e expressar nossas preferências, mas não iriamos definir a constitucionalidade de nada, nos termos que a Constituição diz que a constitucionalidade das coisas deve ser definida.

        Quero saber se vale a pena, ou não, construir a usina. Estou ansioso por uma comparação de custos com outras alternativas técnicas viáveis e concretas.

    2. Idelber Reply

      O Gabs:

      É até difícil responder uma pessoa que declara não saber o que Sarney tem a ver com a construção da usina. Você realmente não tem ideia de qual é o grupo político que controla o Ministério das Minas e Energia desde o governo FHC? E das negociatas desse grupo com o lobby das empreiteiras, das indústrias eletrointensivas?

      Se não, a recomendação é o ítem número 12, para começar, mas os jornais brasileiros dos últimos 20 anos lhe oferecerão amplo material.

      Abraço.

      1. O Gabs Reply

        Idelber,

        Havia lido o artigo 12.

        Meu ponto é que a atuação do Sarney no MME é absolutamente irrelevante sobre a averiguação dos méritos ou deméritos da usina em si, da necessidade da usina, como havia dito. Esse argumento (a influência do Sarney) é evidentemente diversionista. Você pode fazer esse tipo de crítica sobre qualquer projeto do governo, em que um acordo com o PMDB seja necessário. E, se a influência Sarney no MME é o problema, não só Belo Monte, mas TODOS os outros projetos, desde FHC, também estão equivocados. Pronto! Ficamos sem regua para medir a qualidade de políticas públicas para o setor energético: todas são e serão ruins, enquanto o Sarney mandar.

        O problema da indústria intensiva em energia é um problema de regulação (preços e impostos), não de construção de usinas.

        abraços.

  11. O Gabs Reply

    Outra coisa, no que diz respeito aos custos, o texto 12, a entrevista do Bermann, não esclarece muita coisa.

    Sobre regulação contratos de venda de energia, em termos gerais a teoria (vou tentar explicar rapidamente, mas não sei se vou conseguir) diz que:

    – Uma usina hidroelétrica de grande porte demanda enorme investimento inicial. No entanto, o custo de produção de eletricidade é baixo e o custo dos investimentos iniciais não incidem sobre o processo de produção. Se a energia é vendida pelo preço médio (custos incorridos, custos fixos e custo marginal de produção de energia, dividido pelo consumo) vai haver um aproveitamento ineficiente da energia produzida, porque o custo marginal da energia (custo de produção de uma unidade mais de energia), vai ser muito menor que o custo pago pelo consumidor. Com a remuneração pelo custo médio, a usina não poderia de produzir mais energia a um preço menor, apesar de que o custo que ela enfrenta ao produzir uma unidade mais de energia (custo marginal) seja infinitamente inferior àquele. Por outro lado, se a usina pudesse vender por um preço um pouco acima do custo de produção (custo marginal) e o consumidor pudesse pagar algo entre esse custo marginal e o custo médio, todos estariam em melhor situação. O problema, é que, no caso da remuneração pelo custo marginal, a usina sofreria perdas, pois não teria os seus custos fixos e incorridos remunerados.

    – Para resolver essa questão, se pode cobrar pela energia consumida um preço inferior ao custo médio (que não remunera o capital investido, como diz o Bermann), próximo ao custo marginal, enquanto os custos fixo e incorrido são cobrados do consumidor final como uma parcela fixa da conta, segundo critérios variados (média de consumo durante um lapso temporal mais longo, a atividade desenvolvida ou outro critério qualquer, adotado pelo órgão regulador em função dos objetivos do governo). Isto é, se remunera o custo fixo com aquela parte fixa da conta de luz, que todo mundo paga, mesmo que não tenha acendido uma lâmpada durante todo mês.

    Assim, o Bermann precisa explicar direito o que ele quer dizer com “o preço da energia não pagaria nem o capital investido”.

    Além do mais, insisto mais uma vez, caso a regulação esteja errada por dar subsídios a setores que não deveriam recebê-los ou por incentivar o consumo, o que deve ser criticado é essa regulação, não a usina, cujo custo deve ser comparado com o custo de outras fontes de energia.

    1. André Reply

      Também não entendi essa conta. Belo Monte deve gerar um faturamento superior a R$3bi/ano (sem contar uma possível elevação devido a porcentagem que não será negociada no mercado cativo, nem a possibilidade de propriedade cruzada com alguma distribuidora, até R$400/MWh ao invés dos R$80/MWh). Só se o financiamento para sua construção for feito no cartão para a conta não fechar.

  12. O Gabs Reply

    Continuando a ler os textos.

    Sobre o texto 10, você diz:

    “Depois da leitura desses documentos, acredito ser patentemente impossível crer na lorota etnocêntrica de que os indígenas são contra Belo Monte porque “tem muita gente lá dizendo a eles que vai ser o fim do mundo” (sim, este é um “argumento” frequentemente ouvido).”

    Eu vou lá e leio:

    “Qualquer intervenção no Xingu provoca a extinção da caça, do peixe e afeta profundamente nossas terras e nossa saúde.
    Nós, povos indígenas, queremos viver e respirar no Xingu, suas águas são fonte de vida e nós não queremos morrer, não vamos desistir da vida, não abandonaremos a luta, nosso canto de guerra estão na garganta para nos contrapor ao inimigo.”

    Sinceramente, esse texto não prova o seu ponto, Idelber. A idéia de que QUALQUER intervenção no Xingu vai acabar com tudo e que não vai haver qualquer benefício para ninguém, senão a morte, torna evidente que a lorota segundo a qual “tem muita gente lá dizendo a eles que vai ser o fim do mundo” não é tão lorota assim.

    1. Amanda Reply

      Gabs,

      Deixa eu te entender: você acha que a palavra de um indígena não vale nada? Ou você está supondo que as os índios não são capazes de avaliar as consequencias das obras na vida cotidiana deles?

      E se de repente eles não estão interessados nas políticas compensatórias e são contrários a construção desse hidrelétrica (o que é possível), como é que fica? Você respeitaria esse tipo de resposta do indígenas? Como você lidaria com isso?

      Abraços,

      Amanda

      1. O Gabs Reply

        Não, Amanda,

        Eu acho que os indígenas, como eu e você, podem ser enganados sobre temas que eles não conhecem profundamente. No caso, está claríssimo, no texto que eles escreveram, que estão sendo enganados: “nós não queremos morrer”. Fazer os indígenas acreditarem que Belo Monte, com todos os problemas que pode gerar, representa sua morte física ou cultural, me pareceu uma tremenda violência moral.

        Acho, também, que, não todas, mas a maioria das coisas podem ser colocadas na balança e que, num mundo em que os recursos são escassos, principalmente num país pobre, saber os custos das opções que nos são colocadas é importante. Então, o que eu quero saber (e acho que os indígenas deveriam saber também) é qual o preço da opção que me colocam (diferença entre obter a mesma quantidade de energia com ou sem a usina) e se, dentro desse preço, existe outra saída, algo que compensaria os indígenas satisfatoriamente e economizaria custos à sociedade, deixando todos em melhor situação.

        Agora, se os indígenas, sinceramente, não quiserem Belo Monte, mesmo que seja um projeto vantajoso, “porque não e pronto” (o que sim, concordo, pode acontecer), eu acho que a usina deveria ser construída da mesma forma, compensando-os adequadamente. Essa é uma das razões pelas quais existe governo: as pessoas nem sempre conseguem a chegar à melhor solução por consenso, mediante negociações, o que torna necessário outro tipo de processo de decisão coletiva, respeitando-se determinados limites (direitos). Se não fosse assim, os libertários radicais, talvez, tivessem razão e a melhor solução seria substituir o Estado por negociações privadas.

        1. Ricardo Reply

          Deixa de ser literalesco, acaso alguém já assumiu a dizimação de uma raça desde 1500?
          A opinião dos índios vale MUITO MAIS do que a sua ou a minha neste caso. Na sua casa ou na minha, nós é que decidimos se compensações são boas ou não para nós. Eles podem não saber coisas como o custo do MW/h e acho que isso nem interessa a eles e nem deveria interessar. Mas esses barrageiros nada sabem sobre ancestralidade, porque estão dizimando a si próprios ao custo da vida alheia e entenda vida, Senhor, como a continuidade da espécie humana pela sua diversidade, e não o caminho para o abismo mercadológico, tecnocrata e da competição insana, TRAVESTIDO de progresso. Nada levaram para essa gente além de matança, doença e desgraça. Os parcos que lá estiveram para colaborar nunca foi para lhes dizer como viver, mas para tentar protegê-los das nossas próprias ameaças e, SIM, aprender respeito ao que é sagrado. E não é agora com essa MALDITA USINA que levarão respeito aos povos, nem indígenas, tampouco cidadãos brasileiros de qualquer parte, muito menos benefícios. Isso é uma farsa grotesca, mais um crime nojento das forças políticas que servem ao capital. Essa obra tem de ser interrompida. Esse governo foi eleito para nos devolver este país, portanto agora é a hora oportuna para honrarmos nossa pátria e sabermos a quem pertence este solo em que pisamos. As discussões técnicas são meros afrescos nas decisões sorrateiras. A verdade é que a sociedade, induzida, prefere não fazer conta do sistema que a assola, tamanha hipocrisia, futuros promissores, promessas e promessas… OU SE É CONTRA OU A FAVOR DESSE ECOCÍDIO, não existe ponderações ambíguas… porque o que é malígno já está enraisado; e é o que é a concepção desse projeto, ainda com a desculpa de que a ignorância sobre a holística ambiental era uma aura dos milicos à época. Ou se amputa, ou te levará!… como temos sido levados, desde que aqui o índio conheceu o homem branco e seu progresso. AGORA SOMOS TODOS ÍNDIOS contra o CANALHA …MELINDROSO, mas INVASOR …e eternamente INGRATO aos que o ACOLHE, esses sempre sedendo e sedendo das SUAS TERRAS, e doando e doando sua SABEDORIA… PARA QUÊ???

          À MERDA ESSA USINA!!!

          1. O Gabs

            “Na sua casa ou na minha, nós é que decidimos se compensações são boas ou não para nós.”

            Ricardo, você já ouviu falar em desapropriação? Você sabe que se sua casa for desapropriada você somente vai poder discutir o preço e a legalidade do processo? Você sabe que se você não concordar com o preço oferecido, quem vai definir é o juiz? Não? Então estude.

            No mais, suas palavras de ordem quase me convenceram. Continue assim.

          2. Ricardo

            Isso mesmo, O Gabs… querem impor o “valor Venal” pras populações atingidas. Olha, pelo contrário, quero que vc se convença cada vez mais do que pensa, apenas assuma integralmente os motivos da defesa. Ainda não estou considerando que vc seja, diretamente, um barrageiro ou coisa que o valha.

        2. Fábio Reply

          O Gabs,
          Agora fiquei com medo, o Ricardo está te ameaçando de te considerar Barrageira!!!
          Ricardo, 2/3 do seu texto são palavras de ordem, ironias e ameaças. Como você espera que alguém considere seu ponto de vista quando a única informação que se pode extrair das suas palavras é que Barrageiro = demônio em pessoa?

          O Gabs, estou gostando das suas argumentações e estou ansioso para que alguém consiga respondê-las. Também tenho as mesmas dúvidas e questionamentos. Ainda estou em cima do muro e buscando mais informações, mas por favor gente, termos como “Barrageiros”, “tecnocrata”, “propaganda da indústria” não tem valor informativo nenhum, só demonstram a imparcialidade da sua opinião e a demonização do “inimigo”.

          1. Ricardo

            Fábio, as vezes precisamos ser intuitivos a certos assuntos de que não temos pleno alcance das informações técnicas, até porquê algumas adversidades são particulares à natureza. Se alguém disser que consegue prever tudo, está mentindo. Outra coisa ainda é o histórico de DESCASOS relacionados à esses megaempreendimentos, descasos que estão na boca do povo mais nunca chegarão à grande MÍDIA ou serão considerados em campanhas POLÍTICAS dos inauguradores, ou mais ainda quando ALGUÉM tiver consumindo da tão desejada energia elétrica…
            Meus famíliares são vítimas, junto com uma comunidade inteira, desse tipo de empreendimento. Sequer a rachadura das casas causadas pela passagem das enormes máquinas tomaram providência, e isso era uma coisa mais do que previsível para qualquer um que estivesse dentro do lar, ao sentir dia e noite o chão estremecer… Diversos problemas posteriores que nunca voltaram pra saber porquê ocorreram… EU NÃO CONFIO EM GOVERNOS, BARRAGEIROS e quem mais os defendem.

            Aproveito a provocação para dizer que se estou precisando de estudo, O Gabs também; porque não soube diferenciar “NA minha casa ou NA sua”. Ele interpretou como “DA” = DELA = FAZER O QUE QUER DELA… pois eu disse “NA” = NELA = FAZER O QUE QUER DENTRO DELA… – Daí então minha resposta idiota, não sei se me entendem… – Portanto, NA casa dos índios (leia-se território) eles podem decidir o que é melhor pra eles ou ao menos serem escutados – e queremos provas cabais disso -, e o restante de ribeirinhos receberão o “valor venal” (leia-se um “outro canto pra se virar”… Adeus identidade com o meio territórial).

            Vou ser claro: governo nenhum nunca deu nada pra ninguém, e o dinheiro dessa usina dava bem pra fazer uma reforma agrária, onde íamos economizar muita energia, ao invez de inchar cidades e a manter esse modelo motocontínuo, mas suicida. Mas modelo de desenvolvimento, de produção e organização social ninguém quer discutir nessa hora, só quando em discurso de campanha…

            No mais estamos aqui para sermos convencidos, como disse O GABS, escolher um lado…

            O meu lado eu já escolhi – e tenho esse direito – ELE NÃO É O LADO DO LOBBYE BARRAGEIRO.

            É O LADO DOS ATINGIDOS… OBVIAMENTE.

            Se vão aceitar ou não este argumento, não é problema meu.

            repito: À MERDA ESSA USINA E AS PROMESSAS DE PROGRESSO.

  13. Jair Fonseca Reply

    Grato pela importante contribuição ao debate, com a clara tomada de posição, Idelber.

  14. Tarcísio Fetiosa Reply

    Parabéns pelo histórico, só quero esclarecer que Belo Monte é a primeira de várias outras barragens já anunciadas para serem construídas no Xingu. E que o governo e as construtoras usam como negativa a essa afirmação uma resolução de um conselho que é simplesmente consultivo. Há só para avisar explodiram o primeiro caixa eletrônico em Altamira, o progresso tá chegando e o tal desenvolvimento também. Obrigado Nesa, obrigado Governo Brasileiro.

  15. GLORIA Reply

    O empreendimento BELO MONTE esta causando inúmeras divergências, principalmente em redes sociais, não por questões ideológicas, mas por causa de vídeo com Globais.

    Eu, pessoalmente, sou contra a instalação deste empreendimento na bacia do rio Xingu, não sou contra porque a Globo me disse para ser, ou por que campanhas de ONGS nacionais ou internacionais me disseram pra ser, sou contra como técnico, como cidadão que hoje vê uma coisa totalmente absurda como essa sendo imposta.

    Acima de tudo é uma discussão técnica. São inúmeras dúvidas quanto ao EIA deste empreendimento, ou seja, quanto ao estudo dos impactos que irá causar não sei se foi realizado primando a ética e profissionalismo.
    -.

    A capacidade de BELO MONTE e de 0,05MW. km² onde a média nacional é de 0,49MW.km² . E, funcionará com 1/3 de sua capacidade que só estará ativa em 2019.
    Fazer uma Usina destas, numa área alagada destas, para funcionar a esta capacidade, na cabeceira do rio Xingu, para gerar energia para outros estados, é loucura.

    Este ano, em Nova Friburgo, comemora-se o centenário de umas das primeiras Usinas Hidrelétricas do país, Usina Hans 1911, em 1886 em MG também já havia uma usina.

    Não evoluímos tecnicamente nada na questão energética, estamos apenas aumentando a área alagada, e mantendo o mesmo discurso desenvolventista. Não pensamos um novo modelo de distribuição energética descentralizada, ou algo do tipo, eu acho isso uma vergonha para a ciência, tecnologia, e desenvolvimento.

    Não dá mais pra ficar alagando tudo..

    Um pequeno exemplo, em Hamburgo, Alemanha, existe quatro usinas de geração de energia a base de Incineração de Lixo que produz anualmente Um bilhão e 300 milhões de quilowatts/hora…isso sem falar em um sistema de tratamento de esgoto de alta eficiência, em que o Metano gerado e encanado e distribuído ”de volta” para os prédios….

    .
    Hidrelétrica não é energia limpa, é renovável, e apenas no sentido de que a água entra e sai do sistema sem perdas ou poluentes, porém, a partir do momento que se inundam áreas imensas, que se altera micro climas, faz a supressão de diversas espécies animais e vegetais e ainda altera consideravelmente os aspectos socioculturais da região de impacto, não é limpa.

    Portanto, não se trata de artistas da Globo, esse é um problema atual e 6 analistas do IBAMA condenaram o projeto.

    1. André Reply

      Glória,
      Não entendi sua conta, é MW.km2 ou MW/km2? Sendo a segunda opção, Belo Monte não está mal na fita tem metade do lago de Itaipu e +/- metade da potência média, tem metade do lago de Ilha Solteira e potência média 30% maior. Quatro usinas térmicas gerando 1,3GWh/ano não é muita coisa, Belo Monte deve gerar 30 vezes esse valor. Além disso, a idéia principal seria parar de produzir lixo e não queimá-lo.

  16. marcos nunes Reply

    Acho que falta uma visão sob a perspectiva do cidadão QUE NÃO SE INFORMARÁ TECNICAMENTE SOBRE A QUESTÃO e se vê forçado a decidir sobre algo que não conhece bem (e não conhecerá por mais que se informe a respeito, uma vez que tem, sobretudo, outras preocupações, exerce outras atividades e é nelas que precisa se engajar para prosperar ou simplesmente levar a vida), ou seja, UMA PERSPECTIVA SOBRE A MAIORIA ABSOLUTA que é empurrada de um lado para outro conforme as manipulações de dados técnicos e interesses políticos.

    Vejo a questão dos índios nesse contexto. É claro que eles, como ocupantes do local, ficarão sempre contrários a qualquer alteração no panorama circunvizinho. Também é claro que as empreiteiras sempre se colocarão a favor da realização de obras, seja no Xingu ou em São Paulo.

    O problema é que, quem quer que ganhe essa parada, influenciará a vida de toda essa maioria que não tem e/ou não pode opinar sobre o processo. Para o cidadão, para a maioria silenciosa, a disputa é política e os dados técnicos podem ser torcidos e distorcidos para se adequar a posição A, B ou C.

    Quem quer que consiga construir a hegemonia que determinará a realização ou não da obra só vê o cidadão como massa de manobra, que efetivamente ele é. E em qualquer resultado novamente virão os demagogos para dizer que a decisão foi tomada levando em consideração as aspirações populares que, em sua grande maioria, não dirigem nenhum olhar sobre o assunto sem morrerem de tédio ou de preocupação por não entenderem nada e só saberem que algo será feito e que, seja bom ou ruim, as consequências desaguarão nelas.

    É a história sendo feita pelas classes que disputam o poder e não encontram limites para impor suas razões, por mais desarrazoadas que sejam.

    – O que fiz acima foi um esforço para (não) compreender as questões acerca de Belo Monte, valendo como exemplo.

  17. GLORIA Reply

    No papel tudo fica perfeitinho…….link do EIA/RIMA DA Belo Monte
    pra quem não viu…

    http://www.internationalrivers.org/files/RIMA.pdf
    http://www.internationalrivers.org

    1. daniela Reply

      No papel tudo lindo se alguem seguida o combinado e lesse o papel, hj em dia nem engenheiro segue uma planta!

  18. LINEU TOMASS Reply

    Acho a discussão sobre o assunto um tanto apaixonada, de um lado e de outro.

    PERGUNTO: Na medida do crescimento da população, e da economia com um todo, qual seria a proposta da turma de linha da intocabilidade no meio ambiente para e geração maciça de energia hidro elérica, nos níveis que a sociedade exige ? Como conciliar desenvolvimento com o meio ambiente ? Isto é impossível ? OBS: Propostas não factíveis não resolvem, a exemplo de hoje, tocar o páis com energia eólica

    1. Idelber Reply

      As respostas estão todas no material que recomendei. É só ler.

  19. Idelber Reply

    Pra quem insiste em repetir a patacoada da indústria barrageira de que “se as condicionantes forem cumpridas …” (eu sempre me pergunto até quando essa galera vai continuar usando o “se”), aí vai outro breve choque de realidade.

    1. André Reply

      Você tem mais detalhes sobre quais as condicionantes não estão sendo cumpridas? Porque as informações estão bastante desencontradas http://www1.folha.uol.com.br/mercado/923927-condicionantes-de-belo-monte-foram-satisfeitas-aponta-ibama.shtml http://oglobo.globo.com/economia/ibama-garante-que-24-condicionantes-para-belo-monte-foram-cumpridas-2830171.
      Se possível em “linguagem de gente” porque para um leigo tá difícil decifrar as condicionantes http://www.aneel.gov.br/aplicacoes/editais_geracao/documentos/062009-ANEXO%204%20-%20AP%C3%8ANDICE%20B%20-%20LP_BeloMonte.pdf

  20. Idelber Reply

    André: essa declaração do Ibama, de que 24 condicionantes haviam sido cumpridas, foi dada pelo presidente empossado, Curt Trennepohl (aquele que sugeriu na Austrália que nós fizéssemos com os ameríndios a mesma coisa que eles fizeram com os aborígenes), logo depois que o presidente anterior, Abelardo Bayma Azevedo, teve que se demitir, porque já não suportava a pressão da indústria e do próprio governo. O Ibama troca de presidente igualzinho eu e você trocamos de camisa. Acharam alguém disposto a dizer que as condicionantes haviam sido cumpridas.

    Não é isso o que dizem os fatos. As obras e educação e saúde não foram feitas. Para as obras de saneamento, não há nem cronograma. Isso não sou eu quem diz. É o Ministério Público quem diz. Não há nenhum plano de reassentamento das 19.242 pessoas que a própria indústria reconhece que teriam que ser removidas. Se você quiser, em linguagem de leigo, um depoimento sobre como estão as coisas em Altamira, é só ouvir a Sra. Antonia Melo, que está lá. Isso pra não falar, claro, do fato de que os trabalhadores estão praticamente em regime de prisão, comendo comida estragada e bebendo água cinza.

    Sinceramente, quem estiver acreditando em “condicionante cumprida” a estas alturas do campeonato está acreditando em Papai Noel. Dê uma rolada aí pra cima e veja minha resposta à Raquel sobre o que aconteceu com as condicionantes de Tucuruí.

    Abraços.

    1. André Reply

      Li com mais calma as condicionantes. Uma parte delas só serão possíveis de implementação após a construção, pois se referem a medidas de acompanhamento dos impactos, de modo que o mais honesto seria retirá-las da conta das 40 condicionantes quando se contabiliza as não cumpridas. Algumas são de competência dos governos envolvidos, inclusive envolvendo convênios, penso que não dá para responsabilizar a construtora por elas.

      A condicionante 9 que seria uma das que não estão sendo cumpridas é bem capciosa pois diz que os aparelhos (saúde/educação) deverão ser construídos antecipadamente onde houver CLAREZA de que serão necessários. Isso permite tanto à construtora enrolar eternamente as prefeituras, quanto ao prefeito tucano de Altamira deixar de fazer suas obrigações administrativas (e o histórico tucano é podre, aqui em São Paulo reclamam da Infraero mas não conseguem fazer o metro chegar em Congonhas e Guarulhos).

    2. André Reply

      Continuando.

      As condicionantes 13 e 21/22 são, na minha opinião, bastante problemáticas. Enquanto uma exige que os impactos sejam praticamente zerados (o que é impossível) a outra exige programas de monitoramento sem deixar clara a abrangência/metodologia desse monitoramento (na prática poderia ser quase nulo).

      De um modo geral, a maioria das condicionantes prévias é constituída por documentos que mostrem os estudos/convênios/planos exigidos. Isso poderia ser disponibilizado facilmente na internet (se o IBAMA ainda não o fez, que o faça ou pare de mentir). Já as condicionantes mais importantes dão margem à discussões infinitas na justiça e/ou só poderão ser implementadas após a realização das obras.

      Quanto às condições de trabalho, algumas são absurdas como comida estragada e água não potável. Mas outras são reclamações infundadas, como as filas e o tal “curral”.

      O presidente do Ibama eu não conheço, mas não me fio muito no que a mídia diz dos membros do governo.

  21. Gustavo Rabello Reply

    Ai, acreditar em EIA-RIMA e em cumprimento de condicionantes nessa altura do campeonato… essas listagens de condicionantes são feitas para não serem cumpridas, não se trata de uma questão de “boa intenção” ou de “má intenção” do empreendedor. O licenciamento hoje (e ontem) tem funcionado como mais um instrumento de legitimação do empreendimento. Depois de feito o investimento, e com o empreendimento em operação, ninguém peita e “fecha” uma hidrelétrica, uma usina nuclear ou, sei lá, uma fábrica de celulose, porque as condicionantes não foram cumpridas. Vão evocar o “interesse público”. E quem tem um mínimo de discernimento (ou honestidade) sabe que, assim como o licenciamento é uma ficção, essa suposta garantia de que não serão instaladas outras barragens no rio Xingu simplesmente não existe. Nem se a garantia fosse dada por emenda constitucional poderíamos nos fiar 100%, imagine esse “papelzinho” aí…

    Na verdade, essa questão não é sobre os custos, sobre uso ou não de dinheiro público, sobre o processo de licenciamento, nada disso. Modestamente, o que eu fico me perguntando é como apoiar esse modelo de relação com as populações indígenas, ribeirinhas e, ampliando a análise, com os moradores das periferias urbanas que estão sendo expulsos de suas casas pelos “grandes eventos” – como apoiar esse modelo e depois ficar dizendo por aí que os “outros” são imperialistas, colonialistas, militaristas…

    Ai ai…

    1. Idelber Reply

      Como explicar isso pra essa galera, Gustavo? Como explicar isso pra quem vem dizer “as condicionantes sendo cumpridas …” a esta altura do fucking campeonato?

    2. jorge Reply

      Bom, entao melhor fechar o IBama, nao?

  22. Fabio Carvalho Reply

    Jorge Cordeiro, que comenta aí acima sem sobrenome, escreveu post em que acusa disposição de “discutir Belo Monte sem falcatrua”. Ele escreveu:

    1) Citando Gilberto Camara, diretor do Inpe, “os ambientalistas estão perdendo a oportunidade histórica de conseguir avançar, exigindo que o governo e a iniciativa privada promovam a sustentabilidade em seus projetos”.

    2) Depois atualizou o post, linkando Idelber Avelar. Concluiu que “O projeto, do jeito que está, é inteligente, sustentável e respeitador do meio ambiente e das populações locais”.

    Jornalismo utópico de quem coordenou o blog do Planalto.

    1. Idelber Reply

      Como é que alguém pode escrever “o projeto [de Belo Monte], do jeito que está, é inteligente, sustentável e respeitador do meio ambiente e das populações locais” sem corar, Oxóssi meu pai? Haja óleo de peroba.

      1. jorge Reply

        Ué, Idelber, qual o problema? Vcs por acaso sao os donos da verdade? Nao aceitam o contraditório? Quando vão pr’uma mesa de negociação, querem sempre ganhar 100%, não aceitam ceder aqui e ali? Como dizia minha vó, quem tudo quer, nada tem…

        abs!

        1. Idelber Reply

          Jorge, você escreve na hora que quer, não demonstra o que diz, não oferece fundamentação para contradizer dezenas de especialistas linkados acima, coloca absurdos patentemente contraditos pela realidade, do tipo “Belo Monte respeita as populações locais”, seus comentários sequer passam por aprovação prévia, e sou eu que não respeita o contraditório? Que “contraditório” que você apresentou, rapaz? Você só sabe choramingar que não estou sendo delicado com você o suficiente.

          Repito: que tipo de óleo de peroba você usa na cara pra dizer que Belo Monte “respeita as populações locais”? Já parou para ouvir o que as populações locais estão dizendo?

          E não volte a tecer considerações sobre o tipo de linguagem que eu uso em minha própria casa. Lembre-se: você aqui é hóspede. Atenha-se aos fatos. Se quer demonstrar que Belo Monte “respeita as populações”, faça-o.

          1. jorge

            Como assim nao demonstro o que digo? No meu post tem uma penca de dados, apresentações do MME, com dados do Ibama, estudos, etc. Tá tudo lá. Minha argumentação é clara: a campanha de terror de que peixes serão extintos, a Amazonia vai virar deserto, a Volta Grande vai secar, etc, sao SUPOSICOES, ESPECULACOES, CENARIOS, nada possivel de ser comprovado a priori. E acredito que o projeto da usina, do jeito que está hoje, é a oportunidade perfeita para ambientalistas e defensores dos indigenas para se colocarem como agentes pro-ativos, para obrigar que se cumpram as condicionantes, para melhorar a vida de quem mora na regiao. Porque, sim, o cumprimento das condicionantes existentes hoje garante uma melhor qualidade de vida para os habitantes de Altamira e demais cidades na area de influencia da obra.

            Meus comentários sao fruto de leitura e observacao, nao sou especialistas – alias, como vc TAMBEM nao é. Vc desdenha? No problem, muita gente boa me deu parabens pelo que escrevi. Vc anda muito arrogante, Idelber, baixa a bola e discuta em vez de agredir. Como faz com música, por exemplo. Seu posicionamento bélico só o isola cada vez mais e pena que nao perceba isso.

            Repito: Vc é tão especialista quanto eu nessa historia toda. E seus argumentos e links sao tao (ou mais) contestaveis do que os meus. Faz parte, aceite. Vc nao é um ser superior, mesmo na sua casa. Seja um bom anfitriao e baixa a guarda. Nao sou seu inimigo.

          2. Idelber

            Pare de fugir do assunto e me diga: onde é que há “respeito às populações locais” nesse projeto, mentiroso? Pare de choramingar que não estou sendo delicadinho o suficiente com você e me diga: “onde há respeito às populações locais”, cara-de-pau? Tá tendo notícia da Amazônia recentemente, mentiroso?

          3. jorge

            Alias, o projeto de Belo Monte mudou da água para o vinho graças a muitas negociações, muitas demandas da sociedade civil. Nao tem mais lago, vai produzir menos energia, vai ter que cumprir uma penca de condicionantes, justamente para se adequar.

            Agora, se o argumento de que a fiscalização é falha, que as condicionantes sao contos da carochinha, etc e tal, entao melhor fechar o Ibama, a PF e tudo o mais que assegura o cumprimento de regras e partimos para o tudo ou nada, cada um por si e deus contra todos.

            Ou entao proibir de vez a mineração, as madeireiras, exploração de petroleo , fabricas de substancias quimicas, petroquimica, etc, porque a fiscalizacao é sempre falha.

            Cara, reflita no absurdo que isso representa. Sou contra esse santuarismo, esse imobilismo. Porque é burro: sentar à mesa e negociar é a melhor saída, arrancar o que for possível nas negociações e botar a boca no trombone para que sejam cumpridas. Agora, iniciar uma negociacao partindo do pressuposto de que a usina NAO DEVE existir, aí é inviavel, pelo simples motivo: a Amazonia é rica demais e pode nos dar muito. Que seja explorada da forma mais correta possivel, da forma menos impactante possível.

          4. Idelber

            Pare de mentir e me diga onde há “respeito pelas populações locais”, mentiroso. Pare de colocar palavras mentirosamente na minha boca: onde foi que eu disse “Ou entao proibir de vez a mineração, as madeireiras, exploração de petroleo , fabricas de substancias quimicas, petroquimica”? Reitero a pergunta: que tipo de óleo de peroba você usa na cara para dizer que há “respeito pelas populações locais” em Belo Monte? Que tipo de óleo de peroba você usa na cara para dizer que “sentar à mesa e negociar é a melhor saída” se os indígenas estão tentando há um ano falar com o novo governo e nem Presidenta nem Ministro aceita recebê-los, mentiroso? Que tipo de óleo de peroba você usa na cara para dizer que “sentar à mesa e negociar é a melhor saída” se os indígenas tentam durante anos e só conseguem falar com o sub do sub do sub do sub, e mesmo assim com imprensa e testemunhas expulsas da sala, mentiroso?

    2. jorge Reply

      Sim, Fábio, coordenei o Blog do Planalto, assim como fui editor do site do Greenpeace, trabalhei em jornais, fui assessor de imprensa dos telecentros na gestão Marta em SP, trabalhei na assessoria de imprensa da Odebrecht. Enfim, vida normal de jornalista…

      Agora, o blog Escriba é meu, onde ponho as minhas opiniões sobre os assuntos que me interessam. E como dizia Marco Aurélio, o imperador romano, “o universo é fluxo, a vida é opinião.

      Siga as ideias, não os homens.

      abs!

  23. jorge Reply

    E o tal movimento Gota D’Água já virou meme na internet:

    http://www.interney.net/blogs/oescriba/2011/11/28/gota_daagua_o_meme/

  24. Rogerio Reply

    Não sou Dr. e nem Prof. aliás, tenho ensino médio via ENEM. E lendo aqui e acolá, eu fico pensando… Se as outras nações indígenas tivessem a mesma preocupação que hoje os que são contra a Belo Monte dispensam à nação Xingú, os povos indigenas do Brasil estariam em melhor situação.
    Moro em Florianopolis e vejo o estado lastimável dos Guaranis. Jogados pelas ruas em estado de mendicância. A miúde alguém se lembra deles. Alguém aqui já escreveu um texto, um post, um comentário sobre a situação deles? Não vejo ninguem de expressão politica e ou intelectual se levantar contra aquela realidade degradante com o mesmo empenho dicado aos povos do Xingu. No caso da Belo Monte, vira e mexe tem a preocupação com o povo do Xingú. Não que não mereçam, mas o Brasil é só a nação Xingú? Como não vejo tanta preocupação e MOBILIZAÇÃO em favor das outras nações por parte de vocês, acho que estão apenas usando a nação Xingú nesse jogo fundamentar seus argumentos e nada mais…

    1. Idelber Reply

      Para sua informação, Rogerio: eu tuíto todo santo dia sobre a situação dos Guarani.

  25. Emilio Reply

    Perdão, mandei o link equivocado em outra mensagem.

    Borás, na Suécia, faz a gestão de resíduos sólidos:

    http://www.webioenergias.com.br/noticias/biogas/897/suecia-tem-cidade-sem-lixo.html

    “Em Borás, na Suécia, a maior parte dos resíduos sólidos gerados pela população de cerca de 64 mil habitantes é reciclada, tratada biologicamente ou transformada em energia (biogás), que abastece a maioria das casas, estabelecimentos comerciais e a frota de 59 ônibus que integram o sistema de transporte público da cidade.

    Em função disso, o descarte de lixo no município sueco é quase nulo, e seu sistema de produção de biogás se tornou um dos mais avançados da Europa.”

    Então, por que investir em Belo Monte ?

    1. André Reply

      Emílio,
      Porque eles “importamos lixo de outros países para alimentar o gaseificador”, então não é autosuficiente; e “começou a ser implementado a partir de meados de 1995 e ganhou maior impulso em 2002 com o estabelecimento de uma legislação que baniu a existência de aterros sanitários nos países da União Europeia”, como ainda não existe nenhuma movimentação nesse sentido por aqui, então não é uma alternativa para curto prazo.

      1. Emilio Reply

        André, nem a curto, nem a médio e nem a longol prazo… não há interesse enquanto alguns lucram com o sistema do lixo como ele está hoje.

        e, como sempre, somos regidos pelos interesses de poucos, mas enfim.

  26. marilda Reply

    Toinho… o outro pensar já tem espaço demais na grande mídia, não? Será que cabe aos pensares excluídos esse papel?

  27. Paula Reply

    Parabéns pela iniciativa! Está apoiadíssio qto ao compromisso de apresentar a verdade, e não ficar apresentando os “dois lados” por apresentar, ainda mais quando um desses lados é uma imensa farsa. Gostaria de acrescentar mais alguns argumentos à discussão:

    Sei que todos estão com o maior preconceito com a campanha Gota D’Água, mas acho que temos que fazer alarmismo mesmo! Ninguém menciona que a floresta Amazônica é a última floresta tropical contínua do mundo. Basicamente é a única floresta tropical representativa que restou no mundo! Alarmismo? não, urgência e realidade. Já iniciaram as obras, com essa licença inédita e vergonhosa dada pelo IBAMA, cujo licenciamento foi feito a toque de caixa, a partir de uma pressão imoral em todos os técnicos e diretores.

    O grande potencial energético do Brasil é a energia eólica e solar (não são totalmente limpas, OK, mas não geram nem 1% do impacto das grandes hidrelétricas), só que não interessa para os políticos e grandes empreiteiros pq não envolve grandes obras e mamatas.

    Ninguém fala em melhorar a eficiência energética nas indústrias, nas cidades, renovar a tecnologia das hidrelétricas em operação (estão obsoletas, se fizer a renovação das turbinas por outras mais modernas, gera-se mais energia com as mesmas hidrelétricas que já existem).

    A Amazônia não tem potencial para grandes hidrelétricas. Seu potencial é a biodiversidade e seu uso sustentável (leiam as publicações de Bertha Becker, Thomas lewinsohn, e outros). Vamos lembrar que a maioria dos remédios e drogas que utilizamos vêm da biodiversidade (ex: remédio de pressão vem do veneno da cobra jararaca etc.). Daria para pensar, no máximo, em pequenas centrais hidrelétricas em locais onde há encachoeiramentos naturais (nas cabeceiras dos rios). Pra se ter uma idéia, a altitude de Santarém é de cerca de 35 m e está à uns 700 Km do mar. A região é uma imensa planície, isso significa que uma área descomunal será inundada, causando um impacto incalculável! E a barragem terá um tempo curto de vida, pois rapidamente assoreará (ficará rasa demais em pouco tempo, por isso é economicamente inviável).

    Isso gera um efeito em cadeia para o ecossistema: peixes e outros organismos que sobem o rio para se reproduzir, ou dependem das cheias e vazantes naturais do rio (reprodução nas várzeas), serão diretamente afetados. Esses organismos se orientam pela correnteza, se não tem mais correnteza, se perdem, ficam sem direção. Por isso não adianta fazer a tal da “escada de peixe” na barragem, isso é uma enganação. Pois por mais que esses organismos consigam subir o rio e se reproduzir, suas larvas, ao nascer, vão para o fundo do reservatório que é “anóxido” (baixo nível de oxigênio) e morrem.

    Agora, como as relações tróficas (cadeia alimentar) nos ecossistemas amazônicos estão fortemente ligadas à vida dos rios, diminuindo a diversidade e quantidade de peixes e outros organismos aquáticos (crustáceos, tartarugas, botos…), acarretará um grande impacto. Assim, muitas espécies podem se extingüir sem sequer serem identificadas pela ciência, dado o desconhecimento de boa parte dos organismos do bioma Amazônico e o alto nível de endemismo existente (espécies que só ocorrem em uma certa região, que possuem ocorrência restrita). E imagine tb os indígenas, que vivem basicamente de peixe e mandioca…Os impactos sociais tb não têm preço!

    Fora o fato da produção de metano, que é altíssima em reservatórios (fruto da decomposição de matéria orgânica no reservatório), e é o pior gás para o efeito estufa (21 vezes pior que o CO2). Justo numa época em que o debate sobre mudanças climáticas está em alta. Energia hidorelétrica assim, em larga escala, é tão “suja” qto outras.

    Enquanto os empreendedores não puserem na ponta do lápis os custos ambientais e sociais (que são elevadíssimos), obras como essa continuarão a acontecer, com dinheiro público sendo aplicado para o benefício de um elite podre que domina no país. E quem arcará com as consequências? inicialmente, os ecossistemas locais, os indígenas locais, e como tudo está ligado, toda a sociedade brasileira será prejudicada. E como o planeta é uma só tb, perde todo o mundo…

    Outro dia vi uma reportagem na tv sobre uma cidade no nordeste, onde a população inteira sofria de depressão. Não me lembro o nome, mas era uma “cidade realocada” fruto de uma grande barragem para hidrelétrica. As pessoas não tiverm voz, perderam suas casas, seu patrimônio, sua história, sua cultura, suas raízes, seu cemitério, e a felicidade…isso tem preço? E os movimentos gota d’água e catarse estão sendo humildes e pedindo somente tempo para haver o debate com a sociedade. Por mim, é pedir pela paralização geral mesmo, não tem que existir hidrelétrica lá!

    E aquele videozinho fulera dos estudantes de economia e engenharia? uma pena, por serem tão alienados e manipulados. O pior argumento de todos é: “a floresta Amazônica já está sendo desmatada mesmo, que seja desmatada por uma boa causa…” um erro não justifica o outro!

    Só para deixar claro, sou professora, não sou de ONG, e gostaria de ter sido a professora desses “grandes” líderes que estão querendo nos enfiar belo monte goela abaixo, quem sabe hoje estivessem pensando de outra forma…

  28. Paula Reply

    Só esqueci de dizer uma coisa:

    O IBAMA e o licencimento ambiental servem para permitir que os empreendimentos existam e funcionem com o menor impacto possível. MAs e quando isso é incompatível? tem que saber dizer não! Nunca vi o IBAMA negar uma licença sequer. Tem horas que tem que dizer NÃO.

  29. Pedro Reply

    Estamos num ponto do debate onde acredito que o posicionamento ideológico é o fator determinante nos prós e contras a contrução de Belo Monte. Após o comentário da profa. Paula, não tenho muito a escrever sobre os impactos ambientais não mensurados ou subestimados pelos estudos, mas deixo aqui minha experiência pessoal, pois trabalho em órgão ambiental estadual de meio ambiente, na parte de licenciamento, e afirmo veementemente: licenciamento ambiental, no Brasil, é um instrumento de legitimação do desenvolvimentismo. O principal interessado é o próprio governo. A Norte energia é um consórcio estatal, fiscalizado por um órgão ambiental sucateado. Governo fiscalizando governo? Há quem interessa um órgão ambiental forte? Como exposto no início, acredito ser uma questão ideológica, e nesse sentido, para saber de qual lado estamos, trago aqui uma reflexão do Prof. Cristovam Buarque, para que cada um se faça as algumas perguntas necessárias.

    ”A emissão de dióxido de carbono e a escassez de fontes energéticas foram os primeiros sintomas da crise ecológica. A primeira, poluindo e ameaçando o ambiente; a segunda, se esgotando e ameaçando a economia. A equação energética – menos consumo e novas fontes -, é um dos principais problemas para a construção do futuro da civilização.”

    Perguntas:

    – A saída está mais no aumento da oferta ou na redução da demanda?

    – É melhor explorar petróleo no Polo ou energia solar no Saara?

    – Nós temos falta de energia, escassez de fontes ou excesso de consumo?

    – É mais grave para a humanidade, a falta de energia no futuro ou a má distribuição do consumo no presente?

    – Quais são os lobbies da energia, além dos petroleiros, os barrageiros, os carvoeiros e os nucleares?

    – Quem são os beneficiados pelo aumento na oferta de energia, e quais são as vítimas, de acordo com a fonte?

  30. Daniel Reply

    Idelber,

    Achei excelente sua iniciativa de compilar links de diversos textos a respeito da construção de Belo Monte (embora seja inegável que o critério de seleção dos textos seja visivelmente parcial). Não decidi o posicionamento que assumirei diante dessa questão, mas o textos indicados pelo senhor têm me ajudado a defini-lo.

    Entretanto, gostaria de lhe pedir um esclarecimento. Ao resumir o conteúdo do artigo “Análise de riscos socioeconômicos e ambientais do Complexo Hidrelétrico de Belo Monte” (SOUSA JÚNIOR;REID,2010), o senhor afirma o seguinte:

    “esta análise demonstra que, MESMO SEM MEXER EM NADA NA NOSSA MATRIZ ENERGÉTICA, mesmo continuando com os obscenos subsídios às indústrias eletrointensivas, mesmo sem investimentos extra em energia eólica ou solar, mesmo, enfim, continuando na mesma lógica predatória do capitalismo agroexportador, o Brasil poderia postergar em 20 anos a construção de Belo Monte. É mais uma demonstração de que o grande motivo por trás da construção dessa usina não é a energia em si, mas o lucro advindo da própria construção.” (texto em CAIXA ALTA destacado por mim)

    Na conclusão do artigo mencionado acima, os autores afirmam que “[…] se considerado o agregado de fontes alternativas de energia elétrica, somados às possibilidade de otimização do atual parque gerador e do investimento em gestão de demanda, [OU SEJA, LEVANDO EM CONSIDERAÇÕES A COMBINAÇÃO BEM SUCEDIDA DESSAS VARIÁVEIS], o país poderia postergar em pelo menos 20 anos o investimento em usinas com a de Belo Monte”.

    ***

    Há, na minha modesta opinião, uma sensível diferença entre os trechos acima. Estou correto? Não seria conveniente que o senhor ajustasse o conteúdo desse e de outros resumos (caso tenham sido tendenciosos como este), de modo a evitar a frustração dos leitores ao se depararem com o conteúdo integral dos textos?

    Aguardo resposta.

  31. Ananda Reply

    Idelber,

    mil vezes obrigada, que bom continuar te lendo e que esta’ aqui.

    Um grande abraço,

    Ananda

  32. Bruno Reply

    Caro Idelber,

    Não consegui ler toda a bibliografia indicada pelo autor, mas ao ler o post e os comentários, me surgiu uma questão que ainda não foi respondida por ninguém:

    Considerando todos os argumentos apresentados, alguma autoridade decide embargar a construção, anular o contrato de venda de energia e até indenizar todos os que foram afetados até então. E agora, qual a melhor alternativa que existe, hoje, para gerar 4.500 MW de energia firme?

    Eólica? com seus 35% de fator de capacidade, em média? Seria necessária a instalação de mais de 6.400 aerogeradores pelo Brasil, ocupando uma área (com solo de baixa rugosidade) absurdamente maior que a área que será inundada por belo monte e ainda gerando um impacto ambiental gigantesco.

    Solar? o fator de capacidade dos parques geradores de energia solar é tão baixo que ninguém em estado de sanidade mental plena investiria em um negócio tão absurdo. Outro problema da energia solar, a cadeia de produção daqueles painéis é altamente poluidora. E aí? É solar a solução?

    Onde estão as alternativas????

    ABraço

    1. André Reply

      Bruno,

      A energia solar não é competitiva para atendimento da indústria, mas para atendimento da demanda residencial ela já é quase comercialmente viável (Belo Monte~R$80,00/MWh, Solar~R$650,00/MWh, Tarifa residencial~R$500,00/MWh), eu me disporia a pagar 30% a mais por uma energia mais limpa. Além disso, falta regulamentar uma possível geração distribuída, tanto em termos de financiamento da instalação dos painéis fotovoltáicos quanto na comercialização da energia (parte do dia os consumidores “venderiam energia” para as distribuidoras e parte do dia “comprariam energia”). Claro que a geração solar teria que ser complementar à hidráulica e térmica, caso contrário a quantidade de baterias necessárias reduziria a sustentabilidade dessa fonte. Existe ainda a possibilidade de geração térmica solar http://marcosocosta.wordpress.com/2011/07/12/energia-termo-solar-demonstra-ser-confiavel/.

      1. Bruno Reply

        Caro André, entendo a ânsia por uma solução pronta, entendo a necessidade de apresentar uma solução rápida. Mas isso deve ser feito com cautela para não propor algo totalmente desconectado da realidade.

        Dizer que a energia solar é uma alternativa viável para geração de 4.500 MW de energia soa como uma piada. Os maiores projetos de geração de energia solar do mundo não passam de 70MW de capacidade instalada (com um fator de capacidade de 25%-30%). A capacidade total instalada de energia solar no MUNDO é menor do que a energia firme de Belo Monte.

        Qual o problema com a geração através de energia solar?
        1) Os projetos de geração de energia solar tem, historicamente, baixo fator de capacidade. A média de eficiência da geração solar é de 25% a 30%.
        2) A instalação do parque de geração de energia solar é caríssima: De acordo com o Energy Outlook 2011, o custo médio estimado para geração de energia solar fotovoltaica é de U$210/MWh, considerando outras formas de energia solar, o custo médio estimado é de U$312/MWh. Enquanto outras fontes tem custos muito mais baixos: Carvão – U$94/MWh; Biomassa – U$112/MWh; Eólica onshore – U$97/MWh e Hidroelétrica – U$87/MWh.

        A soma desses dois fatores já seria suficiente para descartar a alternativa da energia solar. O fator de capacidade baixo, somado a um custo de implementação altíssimo não viabilizaria investimento algum.

        Porém, ainda vão outros problemas que podem ocorrer com a tentativa da implementação de 4.500 MW firmes de energia solar:

        3)A Torresol, empresa dona do parque gerador que você citou no seu comentário (gemasolar), divulgou algumas informações do projeto em seu site, que merecem ser lidas: 1) 19,9MW de capacidade instalada; 2) 12MW energia firme; 3)Campo solar de 165 hectares contando com 2.650 heliostats.
        3)a. Utilizando como base esse empreendimento (o mais eficiente do mundo), é possível tirar algumas conclusões: i) Se o empreendimento de geração que gera 12MWh tem 165 hectares, a área (hipotética) necessária para geração de 4.500MWh seria de 61,8 MIL HECTARES. Quantas Belo Monte cabem aí dentro? ii) São 2.650 heliostats para gerar 12MWh. Quantos seriam necessários para gerar 4.500MWh? 993 Mil heliostats (painéis solares) iii) então, se estamos falando de instalar quase um milhão de painéis solares em uma área de 62 mil hectares, qual será o impacto ambiental disso???

        Quando você diz “Claro que a geração solar teria que ser complementar à hidráulica e térmica” você está pressupondo que a energia solar tem capacidade de complementar a geração hidraulica e termica. Mas não é verdade. A complementação necessária é de milhares de MWh, não existe ainda tecnologia para gerar energia solar de forma viável nessa escala.

        Sobre os consumidores “venderem” energia às distribuidoras, isso depende de uma mudança radical no marco regulatório brasileiro, o que eu não acredito que ocorrerá pelos próximos anos. Afinal o marco regulatório é avançadíssimo se comparado com outros países (inclusive desenvolvidos).

        E aí eu volto a questão: Considerando as atuais aspirações do Brasil à potência econômica, com o objetivo do governo de erradicar a miséria e diminuir a pobreza no Brasil, com o aumento de competitividade dos mercados internacionais, qual é a alternativa à instalação de Belo Monte?

        Abraços

        1. André Reply

          Bruno,
          Quando se faz a comparação entre as diversas fontes usando o custo do MWh o fator de capacidade deixa de ter importância, pois as diferentes eficiencias já estão embutidas no preço, já que estamos falando de energia e não de potência instalada.
          Quanto à potência total dos projetos, é natural que para a geração distribuída os projetos sejam de menor porte pois seria muita burrice concentrar a geração numa única região e transmitir a energia como se faz hoje. Hoje não é burrice porque os rios estão onde eles estão, já o sol está em toda parte.
          O custo da energia que temos que comparar é o custo final, aquele que vem na conta de luz. Ninguém paga U$87,00/MWh em sua conta de luz (http://operacoescambiais.terra.com.br/noticias/operacoes-empresariais-2/tributos-pesam-na-conta-de-luz-brasileira-342). É nesse sentido que a energia solar se torna competitiva. É bom lembrar que o ganho de escala na produção dos painéis fotovoltáicos deverá baratear o seu custo, e isso ocorrerá tão logo se crie a demanda. Claro que, em termos de área ocupada, os painéis fotovoltáicos são menos “eficientes” que as represas, mas as represas alagam áreas férteis ou exploráveis por outros meios, os painéis fotovoltáicos podem ocupar os telhados.
          Eu não estou pressupondo que a energia solar tem capacidade de complementar a geração hidraulica e termica, eu tentei dizer que a solar não pode prescindir da geração hidráulica e térmica, por isso eu sou favorável a Belo Monte.
          Os atuais medidores eletromecânicos de Wh já permitem aos consumidores “venderem” energia para a concessionária, falta regulamentar, mas de uma forma que não tomemos na tarraqueta. Lembre-se que vem aí o smart grid, aliás smartinho dimais da conta.

  33. Edi Benini Reply

    Na minha opinião a questão de ser “a favor” ou “contra” Belo Monte não é, nem de longe, uma questão de argumentos técnicos, de uma única verdade (como se tal coisa fosse possível).

    Se dúvida cada parte tem seus interesses concretos, e irá avaliar essa obra sob esta ótica, articulando um conjunto de dados, fatos e argumentos.

    Claro que numa disputa tão acirrada como esta, ambos as posição “já definidas” (definidas por uma série de motivos), podem manipular dados/informações ou simplesmente se equivocar e errar na suas quantidades e forma de apresentar argumentos.

    Porém, o que parece que não está claro é que, se é verdade que nosso Estado é “republicado”, quem deveria ter não somente a decência, mas o DEVER CONSTITUCIONAL de apresentar TODOS os pontos de vistas, opiniões, contras, prós, desnudar os interesses, etc, é o nosso GOVERNO, que deveria representar toda uma sociedade, e não PARTES dela. No limite, um plebiscito, forma de democracia direta, seria o mais razoável e civilizado a ser fazer dados as dimensões e interesses envolvidos.

    Eu, um simples cidadão, tenho muita clareza do meu interesse, e não nego isso, logo, avaliou tal obra sob este interesse, qual seja, eu defendo para meus filhos (que ainda hão de vir) e meus semelhantes um futuro com ar limpo, água potável, sem opressão, sem desigualdades, sem exploração, sem opressão, sem guerras e destruição para produzirmos mais mercadorias inúteis (e muitas vezes “úteis” apenas para a indústria da morte), sem desperdícios sistêmicos COLOSSAIS das nossas riquezas sociais ou societais, logo, um futuro abundante em recursos ecológicos, em sociabilidade, em amorosidade, e fraternidade. Queria que nossos filhos pudesse ter, assim como temos hoje, de todas essas “riquezas” nos relacionamentos entre os humanos, nos relacionamentos com a nossa “mãe natureza”…

    Por outro lado, no interesse da riqueza material/econômica privativa de poucos, da acumulação pela acumulação, na visão de “Brasil” potência, de poder, dominação, etc… não tenho dúvidas que nessa lógica Belo Monte é a coisa mais “racional” para se fazer… e os seres humanos (os “fortes” que sobreviverem) que se adaptem…

  34. Wilson Feitoza Reply

    Uma coisa fica bem clara com todo esse debate: … muitos dos que apoiam “Belo Monstro” usam argumentos individualistas, meramente consumistas e capitalistas, … como se essa idéia fosse a melhor, a mais correta … é uma pena mesmo que não exista uma forma ou uma formula mágica de trocar os lugares na questão … EU SOU CONTRA TODO ESSE LOBBY DE CORRUPÇÃO POLITICA, ÉTICA E HUMANA!!! O fato é que a destuição do meio ambiente e seu ecossistema é uma FATALIDADE REAL, e isso é só o começo! É muito comum desviar o foco dos fatos óbvios, paupaveis … BELO MONTE é uma vergonha em todos os aspectos, os projetos anteriores e os posteriores tambem, isso é uma brutalidade gritante!!! Mas muitos ainda vão questionar, discutir e até criticar … mas isso não muda a natureza da realidade dos fatos … É PRECISO ENXERGAR ALÉM DOS PRÓPRIOS INTERESSES PESSOAIS DE CONSUMO DE ENERGIA, DE EXPLORAÇÃO INDISCRIMINADA DE RECURSOS NATURAIS, DEIXANDO O SER HUMANO, OS ANIMAIS E TODA ESSA BIODIVERSIDADE DE LADO SÓ PARA MANTER ESSE SISTEMA SELVAGEM CAPITALISTA E CADA VEZ MAIS CONSUMISTA!!! CRESCE A POPULAÇÃO, O CONSUMO DE ALIMENTOS, A POLUIÇÃO, AS DOENÇAS, AS GUERRAS … A TTERRA É POUCA, OS ALIMENTOS ESCASSOS, A AGUA POTAVEL É LIMITADA … E … AINDA ASSIM ALGUMAS PESSOAS SÓ PENSAM EM MANTER ESSE SISTEMA DE CONSUMO … ATÉ QUANDO? QUANDO TUDO COMEÇAR A FALTAR? QUANDO O GENOCIDIO CHEGAR ÁS VIAS DE FATP, EM ESCALA GLOBAL? EU PREFIRO FAZER ALGO AGORA DO QUE FICAR CRITICANDO OS QUE LUTAM POR UMA HUMANIDADE MELHOR … EU SOU CONTRA BELO MONTE … contra esse MONSTRO DE MENTIRAS, DE DESRESPEITO, DE CORRUPÇÃO …

  35. bat Reply

    SIMPLES MINHA RESPOSTA………………….
    QUEM É CONTRA A FLORESTA E A FAVOR DA HIDRELETRICA………………
    VAO TODOS SE FUDEREM!!!!!!!!!!!!!!!!!
    QUEM NAO DEFENDE A NATUREZA NAO DEFENDE A SÍ PRÓPRIO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  36. Rafael Reply

    Com ou sem estudos, me parece ÓBVIO DEMAIS que Belo Monte é um crime! Não digo crime “constitucional”, porque isso é manipulável ao bel prazer dos poderosos… digo crime humano e ecológico, assim como foram a escravidão dos africanos, a colonização do continente americano e tantos outros.

    A escravidão e a colonização, por exemplo, estavam dentro do “plano estratégico” de desenvolvimento dos europeus, e não feriram a constituição dos colonizadores… é um argumento mal intencionado, e também idiota!

    Esse discurso não presta. Não há “plano estratégico” que possa justificar a destruição que a “civilização” capitalista espalha pelo mundo.

    É ÓBIVIO DEMAIS que a Usina só interessa a grupos restritos, que lutam por seus próprios interesses de lucro.

    Mas é muito importante que nossos pesquisadores justiceiros tenham os números e informações certos em mãos, para derrubar esses argumentos “oficialistas” dos burocratas. Pois nem assim, eles podem ser capazes de justificar mais este crime hediondo contra a humanidade e o planeta.

    Vejo que a população mundial clama por uma nova ordem. A ação de nosso povo e sociedade em favor do povo indígina (que já foi exterminado demais), e da preservação de nossas florestas é uma manifestação deste intenso desejo por justiça que dominará o próximo século.

    Quero dar os parabéns a todos que estão envolvidos nesta causa! Por justiça, por energia limpa, por respeito aos povos, por evolução humana!!!

  37. MauMauQuirino Reply

    A mais ou menos 30 anos essa discussão éra feita sobre a Usina de Itaipu,hoje o que seria do Brasil sem essa usina,o que seria do crescimento econômico,dos milhões de brasileiros na miséria,o que faríamos sem a energia de Itaipu,é isso que queremos para o Brasil,um eterno sub-desenvolvimento,para continuarmos a ser explorados pelos países do primeiro mundo,porque existem 100 mil ONGS internacionais ? financiadas por seus governos,na amazônia,porque os ambientalistas não lutam para que as madeireiras sejam expulsas da amazônia,porque os ambientalistas não impedem que latifúndios tomem conta da amazônia,os ambientalists eestão preocupados com os possíveis efeitos da construção da amazônia,em detrimento de todo o Brasil,os ambientalistas olham a árvore,mas não enxergam a floresta.parece até que trabalham para países estrangeiros,que querem nos ver incapazes de cuidar dos nossos problemas,uma desculpa muita boa para internacionalizar a amaazônia.Além disso a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA), que a alguns meses havia baixado uma medida cautelar pedindo ao governo brasileiro que suspendesse o empreendimento, enviou uma carta à presidente Dilma Rousseff se retratando e pondo um ponto final no impasse.Ao receber o comunicado sobre a medida cautelar, o governo brasileiro enviou uma carta à CIDH com informações técnicas a respeito do processo de licenciamento para a construção da hidrelétrica.

    1. Idelber Reply

      Não acredite nas barrigas que lê no Paulo Henrique Amorim. Não houve qualquer retratação da CIDH. O governo brasileiro não enviou “informações técnicas” coisa nenhuma. Ocorreu a reunião da CIDH. O Brasil pagou o enorme mico de, pela primeira vez em sua história, fugir de uma reunião da CIDH-OEA. Nisso, juntou-se a Alberto Fujimori, o único governante latino-americano a pagar esse mico. E se você acha que o movimento ambientalista “não luta contra madeireiros”, está realmente muito mal informado.

  38. Adilson Reply

    Prezado Idelber,

    Como engenheiro civil com participação em construções e empreendimentos como predios, pontes, viadutos, tuneis, duplicação de rodovias, aumento de capacidade de barragens, projetos basico e executivos rodoviarios, e de ferrovias, metroviario, redes de transmissão, inclusive da Ferrovia Norte sul, nao posso deixar de focar no objeto final desta barragem. pensamos sempre em construir para aproveitar o maximo de um potencial natural com o minimo de risco e perdas ou seja minimizando ao maximo a degradação ambiental e os impactos a seus habitantes, porém:

    ” 11 mil MW de energia, mas, devido à sazonalidade do rio Xingu, este volume só seria produzido durante quatro meses ao ano “;

    ninguem na face da terra construiria uma obra desta envergadura com tantos impactos negativos diretamente a sua população e a qualidade de vida de tantas pessoas envolvidas para produzir apenas para 1/3 do ano a sua capacidade instalada. ja ouviu falar em construir um predio de 30 andares e vender apenas 10 andares, a maior aberração é que ouço que há estudos de mais de 30 anos atras ( será que vao precisar de mais 60 anos para analisar a sazonalidade deste rio ), será que nao temos outros rios ou trecho deste proprio rio xingu que possa ser estudado e ter um potencial melhor aproveitado, que seja a metade deste com 1/5 dos problemas apresentados mas com utilização uniforme durante o ano ?

    Esta obra é dirigida para o povo e para a necessidade do povo e cidadãos brasileiro e como analogia vou colocar a seguinte situação: uma obra de trem metropolitano que possui 25 componentes que transportam até 1100 passageiros por viagem e será apenas utilizada pelo povo em 4 meses por ano isto é uma aberração, mesmo que nos 8 meses seguintes transporte apenas 100 pessoas por dia, isto é burrice.

    Nossos irmãos indios e outras etinias inclusive os ribeirinhos e nos todos aqui do sudeste nao precisamos desta obra principalmente por todo caos que ela ira trazer. “estudamos” 30 anos neste projeto para conseguir apenas 4 meses da capacidade maxima. Perdoe-me nossa categoria de ENGENHEIROS, acho que esta na hora de reciclagem. Hoje faço doutorado pela UFMG e volto ao banco dos réus e nao posso aceitar que engenheiros de projetos sejam criticados por uma aberração desta, uma vergonha para nossa categoria, eu que participei em aprovação de projetos executivos sei como a coisa “funciona” sei do que o IBAMA é capaz e da competencia de seus presidentes e ver que os interesses politicos estao sendo colocado na frente das questoes tecnicas, acho que IBAMA que aprova e engenheiros que projetam deveriam se envergonhar disto e rasgarem suas carteiras profissionais sejam do CREA ou CONFEA,

    Aprendemos em engenharia a ver as coisas de varios angulos, um problema que seja a passagem de nível ( trem de carga ) em área urbana, dependendo da situação as vezes é melhor fazermos um viaduto rodoviário e manter isolada a passagem de nivel ( sem risco e sem interseção com outros veiculos dentro da faixa de dominio ), porém as vezes de outro angulo a melhor solução é construir um viaduto ferroviario acabando de vez com a passagem de nivel e seus transtornos dentro da area urbana. Aprendemos a pensar e usar dos conhecimentos tecnicos para apresentar solução e nao problemas,

    Acredito que ESTE “NAO” QUE ESTAMOS DIZENDO PARA BELO MONTE E CRITICANDO O GOVERNO seja o motivo de nos engenheiros olharmos para o RIO XINGU e BELO MONTE por um angulo que tenhamos os progressos que a tecnologia tem trazidos para nossas casas mas que nao precisamos destruir o meio ambiente e sua população pelo simples fatos de termos que ligar nossos iphone, smartphone, trecophone, netbook, bookphone, etc na tomada para carregar a bateria, sim ao progresso sustentável e sem aberrações como esta de BELO MONTE.

    Afirmo que se apenas um árvore fosse cortada ou apenas uma familia de indio fosse retirada de sua origem para a construção desta obra, seria de uma inutilidade imensa,

    DIGA NAO A BELO MONTE, e aprenda a economizar energia eletrica, se eduque e eduque seus filhos e netos para que aprendam a economizar energia eletrica, nunca vai faltar, pois é questao de educação.

  39. Amiga do Brasil! Reply

    Amiga do Brasil!Contra a terceira barragem maior do mundo dentro do territorio sagrado dos primeiros habitantantes do Brasil.Admiradora do cacique Raoni da cultura caiapós.Amo todos vocês.Brasil cultura indigena o resto e tudo misturado inclusive eu.Tenho orgulho do povo da floresta os brasileiros devem ter orgulho e respeitar os primeiros habitantes do Brasil.Moro na escandinavia o norte da europa e sei como os europeus defendem a sua cultura.Bandeiras e grandes mastros e o que nao faltam.Racismo contra os estrangeiros.violencia etc.Nao precisamos de bandeiras para mostrar que somos brasileiros mas temos que sermos ouvidos pelos politicos que se diz do povo.Amiga dos povos da floresta.Amo muito vocês.Cristina Seabra Amiga do Brasil!