A polícia a serviço do copyright e a ciberguerra do Anonymous

Redação
Por Redação janeiro 19, 2012 19:37

Os EUA já haviam desencadeado ações contra o compartilhamento de arquivos antes, mas só a ofensiva contra Julian Assange e o Wikileaks se compara ao que foi feito ontem, tanto em dimensões materiais como simbólicas. Um indiciamento de 72 páginas, de um tribunal federal da Virgínia, levou o FBI a solicitar à polícia neo-zelandesa a prisão de sete pessoas ligadas ao site de compartilhamento de arquivos MegaUpload. Quatro dessas sete pessoas, incluídos os fundadores do site (Kim Dotcom and Mathias Ortman), já estão presas. Entre os indiciados, há não só neo-zelandeses mas alemães, um estoniano, um eslovaco e um holandês.

O caso é singular porque ele não envolve absolutamente nenhum cidadão dos EUA ou hospedagem de site nos EUA. Mesmo assim, o FBI foi capaz de realizar as prisões em território estrangeiro e impor o fechamento. O indiciamento afirma que o “dano” causado pelo MegaUpload é de mais de US$ 500 milhões, segundo a estranha lógica usada pelo lobby do copyright para fazer esses cálculos, ou seja, a de que todos os usuários que baixaram filmes, canções, livros e outros produtos culturais nos sites de compartilhamento pagariam por eles os preços fixados pela indústria, caso esses sites não existissem. O indiciamento é ainda mais surpreendente porque o MegaUpload tinha uma política de retirar imediatamente o conteúdo sempre que notificado pelos detentores do copyright. O site já havia, inclusive, registrado um agente DMCA (Digital Millenium Copyright Act) junto ao governo dos EUA. Como bem colocou Walter Hupsel, mandaram prender o carteiro e, como apontou o advogado espanhol Carlos Sánchez Almeida, são mais de 150 milhões de usuários cuja privacidade na comunicação online poderá ser violada pela polícia federal dos EUA.

Entre ativistas online, foi intensa a especulação de que a ofensiva do FBI contra o MegaUpload seria uma possível compensação do governo Obama ao lobby do copyright depois da declaração do presidente contra o SOPA (Stop Online Piracy Act). O SOPA, um draconiano projeto de criminalização do compartilhamento de arquivos que inclui até mesmo a possibilidade de que se impeçam os motores de busca de apontar para sites acusados de violar o copyright, foi objeto de um mega-protesto na internet anteontem. Esses protestos mudaram significativamente o balanço de forças no Congresso, mas o projeto conta com o apoio de Hollywood, tradicional aliado dos Democratas nas eleições presidenciais americanas. Logo depois da declaração de Obama, o Senador democrata e lobista de Hollywood Christopher Dodd ameaçou Obama com o fim das generosas doações hollywoodianas à sua campanha.

No começo da noite, veio a reação. Articuladas pelo coletivo Anonymous, pelo menos 5.635 pessoas usaram LOIC (Low Orbit Ion Cannon) para realizar ataques de negação de serviços a vários sites do governo dos EUA e da indústria do entretenimento. Num intervalo de poucas horas caíram (e, no momento de produção desta matéria, continuavam derrubados), os sites de FBI, Copyright Office, Department of Justice, Warner Music, Universal Music e Recording Industry Association of America. Na Espanha, caía também o site da Sociedad General de Autores y Editores, um dos grandes defensores do lobby do copyright no país ibérico. É uma ação de impacto imediato considerável, que provoca euforia na rede e é bem desmoralizante para as empresas e autoridades visadas. Mas há que se perguntar qual o seu alcance para a continuação da luta.

Acostumados, que talvez já estejamos, à escalada do horror do poder policial dos estados, vale lembrar o ineditismo da ação do FBI ontem. Como afirmou Diego Souto Calazans no Twitter: “Imagine uma imensa biblioteca onde você pode ter acesso não apenas a todos os livros já escritos, mas também às músicas, filmes, ideias … Essa biblioteca total, esse museu vivo da cultura universal, é a Internet. É o que querem incendiar”. Uma declaração da Eletronic Frontier Foundation coloca os pingos nos is: “Este tipo de aplicação de procedimentos criminais internacionais à política para a Internet estabelece um precedente terrorífico. Se os EUA podem capturar um cidadão holandês na Nova Zelândia por causa de um reclamo de copyright, o que falta mesmo? O que vem por aí?”

Comentários

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Redação
Por Redação janeiro 19, 2012 19:37
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91 Comentários

  1. EDSON VIEIRA DA SILVA janeiro 20, 03:32

    O IRAQUE foi exemplo de agressão por parte dos ESTADOS UNIDOS e demais potencias EUROPEIAS.

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  2. Fabiana Alves janeiro 20, 03:32

    Gostei muito do texto. É de se dar medo essa prisão. Pois como você mesmo disse, o FBI ultrapassou todos os limites territoriais e simplesmente jogou no lixo qualquer autonomia de estado, no caso da Nova Zelândia, e consequentemente de outros países dos quais os presos são oriundos.

    Isso é muito preocupante. Vai além de tolher o nosso direito de usar a internet, ultrapassa os limites de poder das nações.

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    • Gustavo Noronha janeiro 20, 06:24

      Meio exagerado falar que os EUA jogou no lixo autonomia de um Estado. A Nova Zelândia capturou o cara porque quis. Deportou porque quis. Ela usou a autonomia dela para ajudar os EUA porque quis. A NZ tem culpa aí também, não acha?

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      • André Mattana janeiro 20, 09:52

        Eu diria que a Nova Zelândia tem culpa, mas não autonomia. Ou melhor, a Nova Zelândia sacrificou em parte sua soberania aceitando a hegemonia estadunidense.
        Todo domínio é em parte aceitação.

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  3. EDSON VIEIRA DA SILVA janeiro 20, 03:35

    ANA DE HOLANDA e PAULO BERNADO são lobistas do COPYRIGTH.

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  4. Bebeto Nathansohn janeiro 20, 04:17

    Estão completamente desorientados. O colapso da sociedade norte-americana pode tornar-se iminente.

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  5. Estevão janeiro 20, 07:28

    Sim, tudo bem, mas Idelber parece sugerir que (veja o segundo parágrafo), se houvesse norte-americanos envolvidos, eles não estariam presos, ou, se quiser, esta ação do FBI aconteceu pelos funcionários do MegaUpload serem “estrangeiros” e não “norte-americanos”. Agora é uma “conspiração” do governo norte-americano (do FBI especificamente) somente contra “estrangeiros”? Conta essa para os muitos norte-americanos que já foram presos pelo FBI. Certamente, eles iriam gostar ; )

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    • Idelber janeiro 20, 08:44

      Sim, tudo bem, mas Idelber parece sugerir que (veja o segundo parágrafo), se houvesse norte-americanos envolvidos, eles não estariam preso.

      Onde está isso no segundo parágrafo?

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      • Rodrigo Ávila janeiro 24, 01:08

        Eu falo ninguém escuta… i see dead people, na rede. E eles interpretam coisas que não existem e leem parágrafos de suas própria cabeças.

        Parabéns pelo texto.

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  6. Carlos Henrique Pereira janeiro 20, 08:13

    Fico assustado com a interpretação tupiniquim de que um governo, seja ele qual for, esta errado ao tentar impor uma lei (propriedade intelectual) em territorios onde os respectivos governos assinaram acordos referentes a tal lei. Invadir o Iraque foi errado? Claro, uma total violação de acordos internacionais. Proteger a propriedade de autores de acordo com a lei vigente é errado? Não. Se não concordam com a lei, a questionem, mas por mais incrivel que isto possa parecer, o FBI esta agindo corretamente! Os piratas brasileiros se acostumaram a consumir sem pagar as obras que, dentro das leis atuais, são protegidas. Se existem autores que disponibilizam suas obras gratuitamente na internet, otimo, façam o download destas obras. Mas se ela esta a venda, todos tem o direito de não comprar, assim como eu não roubaria uma maça na mercearia da esquina, porque é uma sacanagem!

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    • Idelber janeiro 20, 08:48

      Você poderia nos informar qual é o tratado internacional que prevê extradição em virtude de indiciamento (indiciamento, não condenação) por violação de copyright?

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      • Carlos Henrique Pereira janeiro 20, 09:21

        Obviamente não existe. O que tentei colocar em questão é a unanimidade do brasileiro em apoiar atividades ilegais que infrigem os direitos autorais. A forma como o FBI prendeu um holandes na Nova Zelandia deve ser mais um abuso imperial, com certeza! Mas a mentalidade de que um produto artístico digital deve ser obrigatoriamente gratuito a todos é absurda. Então vamos viver uma anarquia cibernetica onde o equivalente seria uma sociedade onde quem tem fome entra num supermercado e come o que lhe for conveniente para matar a fome, quem precisa de um carro entra numa revendedora, senta e sai dirigindo. Artistas milionarios estavam apoiando o site megaupload ao mesmo tempo em que mantem contratos com gravadoras que os adiantaram quantias enormes pelas vendas. Que logica voce ve nisso? Se acreditam em distribuir gratuitamente a musica deles, façam por conta propria. Este tipo de atitude confunde ainda mais um publico ja bastante confuso com esta transição causada pela revoluçao digital. Enfim, estamos falando de empregos, do cara que serve o cafezinho no studio, ao graphic designer, etc, etc Estamos levando a cadeia criativa a um ponto final, quem vai financiar produtos que não podem ser vendidos?

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        • Idelber janeiro 20, 10:21

          Você se engana ao falar em “unanimidade do brasileiro em apoiar atividades ilegais que infrigem os direitos autorais”. Não se trata de nada específico ao Brasil. Aqui nos EUA, os movimentos em defesa do compartilhamento do conhecimento são bem mais fortes que no Brasil. E nenhum deles diz que “o produto artístico digital deve ser obrigatoriamente gratuito“. Esses movimentos simplesmente apontam que a liberdade de expressão e de circulação do conhecimento deve tomar precedência sobre leis de defesa do copyright que são, em todo caso, recentíssimas e beneficiam uma minúscula parcela da população, conglomerados que, aliás, se consolidaram apropriando-se gratuitamente de conhecimentos, histórias e materiais que haviam sido criados por outrem — ou você acha que Walt Disney inventou suas histórias do zero? 2) É completamente falacioso defender o sistema atual dizendo que o arranjo atual das megagravadoras garante o salário de quem serve o cafezinho. Quase a totalidade dos músicos só ganha, realmente, com shows, não com a venda de CDs marcados a preços absurdos pelas gravadoras — e a grande maioria desses músicos testemunha que o compartilhamento de arquivos os ajuda, divulgando seu trabalho e levando mais gente a seus shows. 3) Grite-se o quanto se queira, a digitalização chegou para ficar e esse modelo suicida da criminalização de quem compartilha é como enxugar gelo. Não leva a lugar nenhum. É muito mais sensato adequar a legislação, flexibilizá-la à realidade que vivemos. Tiraram o MegaUpload do ar ontem? Já tem outro no ar hoje. Não adianta. A informação quer ser livre. Isso não quer dizer que os criadores não serão remunerados. Há incontáveis modelos por aí que não passam por esse insano enjaulamento da propriedade intelectual em mãos de meia dúzia de conglomerados que insistem em dizer que representam os criadores, mas que na verdade só enriquecem burocratas, executivos e advogados que têm muito pouco a ver com a criação artística ou intelectual em si.

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          • Carlos Henrique Pereira janeiro 20, 11:16

            Caro Idelber, se apoiamos um site que dispõe a qualquer um para download um produto digital que possui direitos de autor, estamos sim aplicando um valor comercial a este produto digital de zero. Dai minha frase “…deve ser obrigatoriamente gratuito“. Quem vai pagar por ele se ali no megaupload é de graça? Ainda dentro de sua primeira resposta, apoio todo e qualquer movimento de apoio a liberdade de expressão e de circulaçao do conhecimento! Não vamos misturar duas causas distintas, proteção ao copyright é um assunto complexo por si só. Fico peplexo com o seu comentario seguinte de que estas leis são “recentíssimas” e beneficiam “minuscula” parcela da população. Porque os artistas, compositores, atores, escritores, musicos, etc, etc (todos os envolvidos na cadeia de produçao artistica digital) vão deixar de ganhar pelo seus respectivos trabalhos e quem desenha um carro novo, um edifício, uma nova fórmula de bebida, etc, não? As leis de copyright são tão antigas quanto as destas outras industrias, e protegem todos aqueles envolvidos, que investiram dinheiro, tempo, conhecimento, pesquisa, etc criando um produto. Exatamente como na produçao artistica digital. Se alguem acredita que Walt Disney Co. copiou alguma ideia, são essas mesmas leis que irão proteger este individuo. Bom, indo para a sua resposta 2, é fato que as gravadoras geram empregos, assim como o produtor independente, assim como o músico que se auto produz. Todos esses dependem de retorno para viabilizar o respectivo investimento, como em qualquer outra atividade comercial. Como também é fato que quase a totalidade dos músicos hoje em dia ganha mais em shows do que em vendas de CDs e isto se deve em grande parte, se não por completo, a sites como megaupload, que inviabilizaram o comercio da musica digital. E, se isto já não é moralmente errado, com certeza se torna vergonhoso quando vemos o lucro de 175 milhoes apenas neste site! É muito mais do que o lucro de certas gravadoras que investiram no produto que esta disponivel la gratuitamente. E, obvio, muito mais do que qualquer musico independente jamais sonhou em ganhar com sua arte. Se eles hoje estam usando a internet e o compartilhamento de arquivos para divulgar seus trabalhos, é por total falta de outra opção….3) Sim, chegou para ficar, e SIM: precisa de leis adequadas, mas não o contrário…legalizar o crime porque nao estamos conseguindo combate-lo? Não me parece justo com uma classe (artística) que já escolheu uma vida difícil mesmo se as leis de copyright fossem eficientes. Burocratas, executivos e advogados infelizmente existem em qualquer comércio lucrativo no mundo, também não me parece um argumento válido para justificar que sites ilegais possam faturar milhões sem repassar um centavo para os artistas e demais envolvidos.

          • Carlos Henrique Pereira janeiro 21, 12:04

            Um comentario adicional qto a “…Quase a totalidade dos músicos só ganha, realmente, com shows…” E qdo os shows começarem a ser transmitidos ilegalmente, ao vivo, pela internet, e assim como a venda dos CDs, o publico começar a diminuir? O que voce sugere como solução? Que os músicos se tornem professores de universidades ou tenham alguma outra atividade para financiar suas criações e assim, como voce, tambem não se preocupem mais com a pirataria cibernetica? Afinal é fácil não se preocupar com a renda de outros quando a sua esta garantida, e ainda por cima, desfrutar do trabalho dos mesmos gratuitamente na internet. E pra finalizar, outro exemplo: escritores como vc, que passam meses, alguns anos dedicados a escrever um livro. Conseguem o publicar e, antes das vendas darem algum retorno, este esta disponivel em versao digital no “megaupload” e….nada de retorno com as vendas. Será que teremos outros empregos a todos esses criadores? Mesmo que seja o caso, a qualidade da obra vai se deteriorar. Ou voce pode explicar melhor o que quis dizer com…”incontáveis modelos por aí que não passam por esse insano enjaulamento da propriedade intelectual”…talvez dando alguns exemplos reais para nós? Acho que toda criaçao depende de retorno, veja o exemplo dos apps da Apple…o que move o criador em nossa sociedade é o retorno, pelo menos na maioria dos casos.

    • Felipe Puziol janeiro 20, 09:02

      E quando a lei está errada, a população clama por mudança, mas os políticos guiados por seus financiadores não mudam a lei?

      O poder devia emanar do povo, né.

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    • Eduardo Azeredo janeiro 20, 10:37

      Se a crítica ao SOPA é “interpretação tupiniquim”, eu não sei o que dizer sobre este documentário – http://vimeo.com/12784153

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      • Carlos Henrique Pereira janeiro 20, 12:02

        Bom, como foi eu quem usou a expressao “interpretção tupiniquim” gostaria de esclarecer que era em referencia ao episodio com o megaupload, nada a ver com o SOPA, que é uma lei muito mal escrita.

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  7. Igor janeiro 20, 09:52

    As empresas por trás da “defesa da propriedade intelectual” esquecem do grande serviço que a internet livre do direito autoral presta a industria cultural, onde a música, cinema, livros etc., tem um alcance que talvez não chegariam se nao fosse pela internet livre.

    Alguém lembra do filme Tropa de elite 1? Que saiu na internet antes de sair no cinema? Deu tao certo isso, que pareceu até jogada de marketing viral. Muita gente teve acesso antes e por causa da qualidade elevada do filme, gerou o buzz mais que positivo pra todo mundo lotar os cinemas. Nao falta exemplos na música de como bandas de boa qualidade estouraram na internet livremente e hoje sao bandas grandes, como Arctic Monkeys, OkGO e mais infinitos exemplos. E sobre os livros a própria privataria tucana caiu na internet e nem por isso impediu do livro ser vendido a rodo em todo Brasil. Em relação ao teatro, temos o exemplo dos Melhores do Mundo, do eterno Joseph Climber e do Hermanoteu, verdadeiros fenômenos que com toda certeza, por causa dos vídeos que vazaram no youtube, tiveram mais visibilidade até que a própria Globo com o Jô(somam 25 milhoes e continuam contando). Como também tem Os Barbixas, e mais exemplos nao devem faltar. Tudo escolhido democraticamente pelo povo, que depois de atestar a qualidade de tal, entao se dispõe a, literalmente, pagar pra ver. A internet da a qualquer empreendimento cultural a exposicao gratuita, totalmente democrática e da mais alta visibilidade que de outra maneira, dificilmente teria.

    Se o povo aprovar tal empreendimento cultural, pois a internet é o meio mais democratico que tem (e por enquanto livre), onde voce escolhe o que quer ouvir, o que quer assistir nem é obrigado a comprar um produto às escuras, a internet continuando livre como está, só vai gerar publicidade gratuita, buzz, e até virais involuntários, como esse da “Luiza que está no Canadá”.

    Só tem a ganhar o segmento de cultura que optar pela internet livre. Mas a ganância dos que enchem o bolso de dinheiro com a industria cultural nao tem fim. Eles querem ganhar dinheiro até de meros cidadões comuns expressando suas atividades lúdicas de criar um vídeo para o bebê na internet, se tiver uma música com direito autoral ou imagens que contenham direito autoral, entao o cidadao está passível de ter sua conta(ou blog) desligada, pagar multa e dependendo da quantidade de “infração”, até ser preso. (Isso já ta acontecendo nos EUA).

    Sem contar que com essa lei draconiana, o alcance da lei vai além de sua própria fronteira. Quem deu o direito irrevogável dos EUA impor leis para além de suas fronteiras? Onde está a soberania dos paises para lesgilar sobre seu próprio território? Não contentes em reduzir continuamente os direitos dos próprios cidadãos, agora megalomaniacamente, querem também restringir do resto do mundo.

    Sinceramente, está muito obvio que o objetivo dessa lei vai muito além do que aqueles que a defendem clamam. Essa lei do direito autoral é na verdade mais uma medida para cercear a liberdade dos cidadãos, que por enquanto ainda se encontra realmente livre, na internet. Quando na verdade quando se coloca um vídeo na internet, com música, imagem, etc, ninguém está se apropriando de nada, pelo contrário está divulgando o trabalho desses que se dizem lesados pela violação de direito.

    As empresas que fizerem o uso da propriedade intelectual para benefício próprio, visando o lucro etc. e dependem de jurisdicao pra isso, que continuem pagando por insercao de vídeos, músicas em tv, radio, etc. Mas o mero usuário comum na internet, nao devia está sujeito as mesmas condicoes. Pois nao está no mesmo patamar de uma empresa, mas está impotentemente sobre o jugo de empresaa caçaniqueis que quer seu dinheiro a qualquer custo e paga senadores e deputados para fazer valer a lei para assaltar e criminalizar os cidadoes comuns.

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  8. Cris janeiro 20, 11:40

    Oi, Idelber.

    Como você já acompanhou muito as questões da censura em Minas e na blogosfera, trago a última, com os seguintes temperos: duas grandes empreiteiras de Belo Horizonte, um empreendimento questionável na Serra do Curral e uma notificação extrajudicial ao meu blog (que você já fez a gentileza de listar entre os recomendáveis da coluna da esquerda em seu antigo endereço :)

    Segue para seu conhecimento: https://kikacastro.wordpress.com/2012/01/20/tentativa-censura-blog/

    Um abraço,

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  9. Luiz janeiro 20, 11:54

    Estamos vivendo em um momento crucial de embate e confronto entre a propriedade privada e o comum. Comum define os bens naturais (água, ar, meio ambiente, genética da vida) e culturais (arte, ciência, tecnologia). O comum só se mantêm por meio da máxima interação, divulgação, propagação. A propriedade privada freia o comum nessa tendência expansiva e criativa. Devemos, penso eu, unir todas as forças vivas e criativas, contra esses cérebros atrofiados que só conseguem pensar o mundo em termos de cifras, a chamada racionalidade instrumental. Mais que serem proprietárias, o que realmente as pessoas querem se resume a uma coisa: ser feliz. E felicidade só pode se concretizar efetivamente se ela for compartilhada, propagada, multiplicada. Contra o império da atrofia dos que só conseguem pensar o mundo em cifras, façamos como a natureza que doa gratuaitamente sua criatividade e criação para o máximo de seres.

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    • Carlos Henrique Pereira janeiro 20, 17:35

      Muito lindo Luiz, mas com certeza voce não cria (consequentemente não tem noçao da entrega física, espiritual e material necessária para se criar), ou não vive do que cria. Vivemos numa sociedade onde se paga pela agua, fonte primária da vida. Será que, na sua opinião, todos os criadores devem morrer de sede?

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  10. Alan janeiro 20, 19:51

    Imagine uma imensa biblioteca onde você pode ter acesso não apenas a todos os livros já escritos, mas também às músicas, filmes, ideias – se você não PAGAR por isso, você não vai TER A PROPRIEDADE. Vai apenas poder tomar emprestado. Ter um acesso limitado. O que é diferente – BEM diferente – de colocar em seu kindle ou em seu iPod. Que é o que acontece com esta biblioteca mundial, chamada Internet.

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    • Carlos Henrique Pereira janeiro 21, 12:08

      Correto Alan! Por isso novas leis são necessárias para regulamentar a internet. SOPA e PIPA foram mal formuladas e atravessaram para outras areas. Mas o debate continua e algo tem que ser feito em muito breve, e vai ser feito.

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  11. Bruno Cava janeiro 21, 08:58

    A ação foi vibrante e repercute um processo de construção de redes e discursos que vem de vários anos. Acho que funcionou porque foi a atualização de uma força mobilizada e articulada aos poucos, seja nas lutas pelas liberdades de rede, seja pelos movimentos sociais. Mas talvez o fator determinante tenha sido o google ter aderido. Imagine o volume de propaganda negativa aos parlamentares. Talvez o ataque frontal aos sites não tenha acuado os órgãos de segurança; pelo contrário, o governo dos EUA adora um conflito, adora identificar um inimigo claro pra chamar de terrorista e forjar o consenso de guerra. O fato do Anonymous ser o inimigo difuso por um lado dificulta a ação dos governos, mas por outro permite que muita gente seja enquadrada e criminalizada como Anonymous. Essas ambivalências não podemos esquecer, em vez de simplesmente celebrar vitórias. Me preocupo com as assimetrias da rede, de um lado todo um mundo de holdings do capitalismo cognitivo (facebook, google, tuíter, youtube…), do outro algumas redes mais comunistas, como wikipedia ou wikileaks. Abraço!

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  12. Jos{e J sales janeiro 21, 11:28

    As pessoas si esquessem que est’ao em um regime estilo imperio romano.
    olha a marionete dos banqueiros http://www.youtube.com/watch?v=QPS9faZlITQ comemorando
    seu exito. A envestida da SOPA n’ao deu serto mas essa deu. As grandes fam[ilias brasileiras (the godfather) glob… sbt… etc. est’ao felizes. O imperio n’ao tem nacionalismo nem previlegio {a americanos, o imperio [e bancario capitalista n’ao socialista.http://hjawll.blogspot.com/

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  13. Bruno janeiro 21, 12:35

    Idelber, se for o caso dos lobistas ganharem, você acharia válido iniciar um movimento chamado ‘Don’t Pay’, ou coisa parecida, um boicote generalizado aos preços da indústria de discos, filmes e livros? Algo como que os empresários estariam engessando a produção de conhecimento?

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  14. Max janeiro 21, 13:48

    Equivalente a destruição da Biblioteca de Alexandria a mando de Amr ibn al-As

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  15. jr fidalgo janeiro 22, 03:10

    O que seria muito bom, muito bom mesmo (e por demais eficiente) é se o pessoal do Anonymous e periféricos desenvolvessem uma tática que, além de invadir os sites “inimigos”, também fosse capaz de recolocar on line, o quanto antes, os sites derrubados pelos “caçadores de fantasmas” do FBI e periféricos.

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  16. marcos nunes janeiro 23, 09:32

    Isso é matéria muito controversa. Mas o fato é que, se o Idelber fosse apenas um escritor que vivesse da venda de seus livros, teria posição diametralmente oposta àquela que ora defende. Se dependesse do cachê para atuar em um filme que, tão logo é lançado, tem cópias distruibuídas gratuitamente via Internet, também estrilaria. Quando corporações milionárias como a Google e o Facebook defendem “a livre circulação de bens culturais”, o fazem porque LUCRAM com isso, e não transferem o resultado de suas “divulgações” para os autores, produtores e distribuidores. Sim, o mundo digital dará a volta por cima e voltará a agir “na defesa da liberdade” de… roubar o que é produto alheio; hoje, no entanto, verifiquei que vários sites através dos quais poderia baixar filmes estão fechados, sendo que alguns deixaram mensagens atestando a finalização definitiva dos mesmos. Penso que temos que achar meios de proteger autores de bens culturais, e não apenas os mais espertos que sabem se utilizar do meio. Imaginemos um autor qualquer de nossa predileção, que acaba de lançar um romance cujo texto, uma semana depois, está disponível gratuitamente na Internet, e em várias línguas, e esse autor for uma espécie reclusa, que não possui qualquer ferramenta para lutar por seus direitos ou, pelo menos, garantir seu sustento com um site próprio em que disponibilize seus escritos sob alguma contribuição. Como fica? Nosso autor preferido deixa de escrever e passa a trabalhar no Google?

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    • Carlos Henrique Pereira janeiro 23, 10:29

      Caríssimo Marcos Nunes, bem vindo! Já estava me sentindo bem solitário nesta discussão, principalmente com a falta de respostas! O Idelber coloca o movimento dos lobistas, executivos e demais burocratas da industria que tentam passar uma lei de proteçao ao autor como se fosse apenas para o bem deles. Não, eles são os que tem o poder de tentar! Mas afetados somos todos nós que trabalhamos e temos um produto final no formato digital. Não só musicos (inclusive os independentes), escritores, diretores, atores, compositores, arranjadores, etc, etc, mas técnicos, programadores de software, etc. Milhoes de individuos estao sendo roubados e intelectuais que participam desta discussão vem a coisa da maneira como os ladrões querem: censura, ataque a liberdade de expressao e outras baboseiras ridiculas. A internet é livre e sempre será!! O que está errado é o uso dela por criminosos. Novas leis serão escritas, as mesmas do mundo “analógico”, questão de tempo, a propria tecnologia se encarregará de descobrir o caminho.

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      • marcos nunes janeiro 23, 10:45

        No Brasil existem vários artistas em defesa dos Direitos Autorais. A impostura internáutica também enriquece, e só, as grandes corporações. O Idelber pode implicar com as produtoras de disco, cinema e editoras, que são milionárias e também exploram os autores, mas não pode ser cego diante de uma empulhação que, dizendo que defende a liberdade, quer ampliar o poder da pirataria.

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          • Gabriela janeiro 25, 10:40

            estes argumentos não se sustentam diante de vários casos empíricos, o + famoso (mas não o único) é o do Radiohead, que alega ter “vendido menos porém ganhado mais $” (cf. //en.wikipedia.org/wiki/Radiohead) quando fez aquela HERESIA (do ponto de vista das mega-gravadoras) de colocar seu material diretamente e pedir que os fãs pagassem quanto quisessem…

            estão aí outros tantos e tantos artistas, músicos, videastas, escritores etc., interessados que seu trabalho seja divulgado, pois isso inclusive pode gerar mais renda sim, mais shows, mais produtos personalizados etc etc.

            na verdade os novos formatos estão sendo construídos, o que não dá é pra achar que vai dar pra cercear o compartilhamento de bens culturais, inclusive alguns que por si só já seriam domínio público nao fossem as tentativas desesperadas e truculentas.

            a propósito, Carlos Henrique, veja o doc no vimeo que te indicaram acima (Rip, a Remix Manifesto) e talvez vc entenda por ex. porque a Disney tbem vem “copiando” loucamente o que é domínio público (preciso mesmo citar? Pinóquio, Rapunzel, Cinderela etc. etc. etc. etc.), antes o domínio se tornava público em 14 anos, hj graças ao Mickey Mouse são + 70 anos… e contando…

            não se iluda: quem mais ganha com “direitos autorais” NÃO são exatamente os artistas (taí os que compartilharam mostrando que ganham até mais)… quem ganha com esse modelo são grandes indústrias, inclusive vendendo mil e um produtos derivados, vide Disney novamente

            ação urgente da Frente de Liberação do Rato, já!

        • Pedro Gê janeiro 25, 12:49

          Uma espiada no estilo de vida dos mártires do compartilhamento livre:
          http://www.marcamotor.com/albumes/2012/01/24/coches_megaupload/

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          • Idelber janeiro 26, 22:52

            Por mim o dono do MegaUpload poderia ter 50 mansões na lua. Não alteraria em nada o conteúdo da discussão.

    • Idelber janeiro 26, 22:56

      Mas o fato é que, se o Idelber fosse apenas um escritor que vivesse da venda de seus livros, teria posição diametralmente oposta àquela que ora defende.

      Parece que existe um escritor que vive — e muito bem, com muito luxo — só da venda de seus livros (na verdade, é o escritor que mais vende na história do Brasil), e que concorda comigo:

      http://paulocoelhoblog.com/2011/05/30/pirateiem-meus-livros/

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      • marcos nunes janeiro 27, 05:55

        Ah, tá. Agora ele pode fazer isso: já está rico.

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      • Ícaro janeiro 27, 07:23

        Chegar a citar Paulo Coelho é o cúmulo do cinismo. É tentar ganhar a discussão na marra. Sua grande indisposição com os EUA _ a sua sempre contrastante indisposição, diga-se sempre, visto seus vínculos empregatícios com o país_, novamente te faz cair no mais raso senso comum, só para dizer sobre a terrível conspiração norte-americana para acabar com o mundo. Valha-me deus! Utilizar chavões como o que a net é a biblioteca de Alexandria, que a net é a mais maravilhosa corporificação da democracia, etc, etc, é repetir o jogo político pela visão de baixo, daquele feliz civil mais devastado pelas práticas da politicagem. De forma que você disse tudo, menos a verdade mais gritante: a de que a extradição dos detidos do Megaupload para os EUA se justifica por a maioria dos detentores de direitos autorais roubados pelo provedor estarem naquela país. Um crime internacional como qualquer outro, pois, regido pelas normas escritas ou de acordo consuetudinário entre as nações. Nada de absurdo nisso. Absurdo é um intelectual vir defender a maior roubalheira da história sobre as produções artísticas e intelectuais com esses argumentos tolos.

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        • Idelber janeiro 27, 08:08

          Chegar a citar Paulo Coelho é o cúmulo do cinismo. É tentar ganhar a discussão na marra

          Não fui eu quem disse que se eu vivesse dos meus livros, eu teria opinião diferente. Foi um leitor. Respondi citando alguém que vive dos próprios livros (e muito bem!) e incentiva a reprodução de suas próprias obras. Qual o cinismo?

          Sua grande indisposição com os EUA _ a sua sempre contrastante indisposição, diga-se sempre, visto seus vínculos empregatícios com o país_, novamente te faz cair no mais raso senso comum, só para dizer sobre a terrível conspiração norte-americana para acabar com o mundo.

          Não há absolutamente nenhum contraste entre trabalhar num país e criticar sua política. Ou aqueles que trabalham no Brasil não podem criticar seus políticos? Este blog está cheio de críticas a políticos brasileiros, alguns dos quais, inclusive, eu ajudei a eleger, fazendo campanha. Qual a contradição? Não vejo. E meu texto não usa a palavra (nem o conceito de) conspiração. Só identifica setores interessados em sufocar a cultura do compartilhamento. Não há nenhuma “conspiração” nisso.

          De forma que você disse tudo, menos a verdade mais gritante: a de que a extradição dos detidos do Megaupload para os EUA se justifica por a maioria dos detentores de direitos autorais roubados pelo provedor estarem naquela país. Um crime internacional como qualquer outro, pois, regido pelas normas escritas ou de acordo consuetudinário entre as nações.

          Perfeito! Me envie um link de um tratado internacional que permite a um país prender, em território alheio, cidadãos desse mesmo país ou de um terceiro país, por motivo de compartilhamento de arquivos. Adoraria ver que tratado é esse. E o provedor (suponho que você queira dizer o MegaUpload, que era um site, não um provedor) não “roubou” nada de ninguém. Criou um ambiente virtual onde usuários compartilhavam arquivos seus com outros usuários. Mesmo que você considere isso “roubo” (o que é tecnicamente errado: roubar é subtrair um objeto a alguém), não foi o “provedor” (de novo, uso errado da palavra) quem “roubou” nada. Vixe!

          Absurdo é um intelectual vir defender a maior roubalheira da história sobre as produções artísticas e intelectuais com esses argumentos tolos.

          A maior roubalheira da história? Sério? Onde foi feito esse cálculo? Poderia nos enviar a fonte? Roubou o quê? De quem? Que obra foi roubada?

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          • Ícaro janeiro 27, 08:45

            Ahhhh, o termo técnico é “site”, não “provedor”, como quis você ressaltar. Desculpe pelo uso incorreto da nomenclatura. “Compartilhar” arquivos, apesar de ser mais um termo correto da net, não passa de uma eufemização para “roubo”, ou, de forma mais específica: “receptação”, “apropriação indébita”, “formação de quadrilha”, “crime contra direitos autorais”. Nessa sua ótica, não há, então, a mínima necessidade de prestar contas ao autor quem executa uma música do Zeca Baleiro num programa de rádio, ou quem coloca como trilha sonora canções do Led Zeppelin num filme, ou quem tira xerox das obras completas do Paulo Coelho e decide vendê-las num semáforo. Apenas “compartilhamento”.

            “Perfeito! Me envie um link de um tratado internacional que permite a um país prender, em território alheio, cidadãos desse mesmo país ou de um terceiro país, por motivo de compartilhamento de arquivos.” Resposta: a prisão do dono do Megaupload. (Se você usa de má fé na argumentação, eu também posso, né?)

            Agora, prisão nesses termos, de criminosos internacionais, há várias, basta googar.

          • Idelber janeiro 27, 08:52

            1) Você justifica a prisão dos donos do MegaUpload dizendo que há tratados internacionais que a justificam. Quando eu pergunto que tratado é esse que permite a um país prender cidadão de outro país, em território de um terceiro, por violação de copyright, você diz: “a prisão do FBI”. O tratado que justifica a prisão efetuada pelo FBI é o próprio fato do FBI ter efetuado a prisão, é isso? Que piada, hein?

            2) “Basta guglar” não. Você afirmou “Um crime internacional como qualquer outro, pois, regido pelas normas escritas ou de acordo consuetudinário entre as nações”. Eu retruco: você mente. Não é regido por norma escrita nenhuma. Desafio-lhe a provar o que afirma. Você diz que existem “normas escritas” entre países regulando o que fez o FBI. Eu digo que não há. O ônus da prova é seu. “Basta guglar” não é resposta.

            3) Nessa sua ótica, não há, então, a mínima necessidade de prestar contas ao autor quem executa uma música do Zeca Baleiro num programa de rádio, ou quem coloca como trilha sonora canções do Led Zeppelin num filme, ou quem tira xerox das obras completas do Paulo Coelho e decide vendê-las num semáforo. Comparação estapafúrdia. Todas essas pessoas estão lucrando. A rádio com os comerciais, o filme com a exibição em cinemas e DVDs, o vendedor de xerox com o que lhe pagam. Quem compartilha um pdf no MegaUpload não está lucrando com isso. Percebe como sua comparação não procede?

            4) “Roubo” (acepção jurídica, segundo Houaiss): “crime que consiste em subtrair coisa móvel pertencente a outrem”. Qual a subtração que existe no compartilhamento de arquivo, autoridade em tratados internacionais? Quando você compartilha um mp3 do Zeca Baleiro, desaparece um exemplar do CD correspondente das lojas?

          • Ícaro janeiro 27, 09:02

            Eu não disse apenas “normas escritas”, meu caro!

            “regido pelas normas escritas ou de acordo consuetudinário entre as nações.”

            (perdoe as áspas em minhas próprias palavras)

            Sério que você nunca ouviu falar em direitos autorais, de imagem, som, escrita, ideias, etc? Vamos fazer um teste: coloque aqui no seu site uma série de links para download dos discos do Led Zeppelin, abra o espaço para que você lucre com propagandas, e me permita fazer uma denúncia formal à polícia federal. Vamos ver o que acontece?

            Mas a sua própria definição houaissiana o pega pelos bofes!

            “3) “Roubo” (acepção jurídica, segundo Houaiss): “crime que consiste em subtrair coisa móvel pertencente a outrem”. Qual a subtração que existe no compartilhamento de arquivo, autoridade em tratados internacionais?”

            Essa “coisa móvel”, vai ver que você só atribui a substâncias materiais com peso específico. Essa é a definição cabível ao que os donos do Megaupload fazem.

            E, me diga só uma coisa: os santinhos do Megaupload, tão idôneos e boapraças, ficaram milionários como? E os crimes que suspeitam haver por detrás desse singelo “compartilhamento”?

          • Idelber janeiro 27, 09:12

            1) “normas escritas ou de acordo consuetudinário”. De novo, você não respondeu. Me mostre que acordo é esse. Volto a debater os outros pontos quando você me mostrar que normas ou acordos são esses.

            2) Em nenhum momento meu texto diz que os donos do MegaUpload são “santinhos”. A moral ou o modo de vida deles não está em questão.

            3) Se “roubo” (segundo a acepção dicionarizada) é “a definição cabível ao que os donos do Megaupload fazem”, eu gostaria que você me mostrasse onde está a subtração, que é a essência da definição jurídica de roubo.

            4) É óbvio que já ouvi falar em copyright. É aquela norma que não existia, por exemplo, quando Walt Disney se apropriou das fábulas de Esopo para produzir objetos culturais sobre os quais depois eles teriam exclusividade de uso e lucro de milhões. É exatamente isso que está sendo questionado hoje pela digitalização. E não vai desaparecer. Não adianta. Aliás, aqui vai o link, não para uns 10 discos do Led Zeppelin, mas para toda a discografia da Sony: http://pastehtml.com/view/bllpf04jv.html

          • Ícaro janeiro 27, 09:06

            “Quando você compartilha um mp3 do Zeca Baleiro, desaparece um exemplar do CD correspondente das lojas?”

            Essa sua argumentação é tão falaciosa quanto alguém afirmar que pode usar livremente, em escala comercial, uma patente, porque “não subtraiu do cérebro de quem a inventou a parte cárnea correspondente às sinapses nervosas da invenção”.

          • Bárbara janeiro 27, 09:08

            Ícaro,

            Os donos do Megaupload ganharam dinheiro disponibilizando a plataforma. Quem faz o compartilhamento são os usuários, que não ganham nada com isso, ao contrário, muitas vezes pagam por contas premium nas plataformas (os sites de compartilhamento).

          • Bárbara janeiro 27, 09:13

            Muitos artistas, como o Paulo Coelho, o Radiohead, o Teatro Mágico, o Cachorro Grande, só pra citar alguns, provam que o compartilhamento digital não é “roubo”, mas propaganda gratuita. O problema é que quem perde com isso não são os artistas (que só ganham com o compartilhamento digital), mas os donos de gravadoras (que são muito mais ricos que os “satinhos do megaupload”). Esses sim é que querem defender um modelo ultrapassado de negócios.

            Como disse o @elgroucho no twitter, é a indústria do tear a vapor querendo proibir a eletricidade alegando concorrência desleal.

          • Ícaro janeiro 27, 09:17

            Sei disso, Bárbara. Mas os lucros só vem com o interesse representado pelo material autoral ali que está sendo “compartilhado”. O Idelber parece desconhecer a propriedade intelectual, tanto que ao falar sobre o xerox, demonstra não saber que os donos de máquinas de xerox são proibidos por lei a reproduzir um livro na íntegra. Há uma quantidade de páginas específicas autorizada para a reprodução, e isso sob a imposição de que as editoras sejam informadas. Lembro-me que, quando fazia universidade, pelos idos de 1995, o dono do xerox foi autuado por crime contra direitos autorais por, de madrugada e na surdina, reproduzir todos os caríssimos livros do curso. Isso antes do download. Essa lei não é nova. O que fez o Megaupload rico não foi a quantidade mínima de filiados que pagavam taxas mensais, mas a propaganda feita nesses tipos de sites.

          • Ícaro janeiro 27, 09:22

            Barbara, citou aí artistas que eu tanto fiz download quanto comprei os álbuns originais: tenho os 3 discos do Teatro Mágico, dois do Cachorro, e todos do Radiohead. Quando o artista autoriza, aí sim. Mas a grande maioria dos músicos odeiam o “compartilhamento”. Vi isso numa recente entrevista do Lenine, em que ele se ressente de todo o trabalho para a produção de um disco, para esse ser dado de graça na rede. Claro que a ganância das empresas fonográficas é um outro assunto, que não pode ser usado aqui como argumento para que outro tipo de crime contra o artista seja feito.

          • Bárbara janeiro 27, 09:24

            Ícaro, o “interesse do material autoral” é uma desculpa. O autor não está interessado nisso (pelo menos os espertos não estão). Na UFMG vários livros são integralmente xerocados e disponibilizados para alunos em pdf e ninguém nunca foi criminalizado por isso (que eu saiba). Falo da UFMG por ser o meu universo. Mas enfim, a lei de copyright que regula o xerox no Brasil é de 1996 (governo FHC), foi criada através de lobby, e tem uma dusposição muito interessante sobre o fair use: ou seja, existem usos (paródia, sátira, educação) aos quais as leis de copyright não são aplicadas. Seria interessante você “guglar” sobre essa lei.

          • Bárbara janeiro 27, 09:34

            A questão que algumas pessoas não entendem, e seria legal divulgar mais, pelo bem de todos, é que nenhum conteúdo está realmente sendo “dado de graça”. Ele está sendo divulgado, para que as pessoas comprem mais, em outras formas, de outros jeitos e por preços mais acessíveis.

          • Ícaro janeiro 27, 09:47

            Idelber,

            “3) Se “roubo” (segundo a acepção dicionarizada) é “a definição cabível ao que os donos do Megaupload fazem”, eu gostaria que você me mostrasse onde está a subtração, que é a essência da definição jurídica de roubo.

            4) É óbvio que já ouvi falar em copyright. É aquela norma que não existia, por exemplo, quando Walt Disney se apropriou das fábulas de Esopo para produzir objetos culturais sobre os quais depois eles teriam exclusividade de uso e lucro de milhões. É exatamente isso que está sendo questionado hoje pela digitalização. E não vai desaparecer. Não adianta. Aliás, aqui vai o link, não para uns 10 discos do Led Zeppelin, mas para toda a discografia da Sony: http://pastehtml.com/view/bllpf04jv.html

            Seu item 4 desmente, por si mesmo, o item 3. Se não “existia” tal norma no tempo de Disney, hoje EXISTE. Mas me fala só uma coisa: uma das alegações contra o Megaupload é que ele comportava material “compartilhado” contendo pedofilia. Quer dizer, então, que pelo site ser unica e assepticamente uma posta restante, não era minimamente responsável pelo conteúdo que disponibilizava? O que me diz sobre isso? Se sua resposta for que eles eram responsáveis, desfaz por terra toda a sua argumentação, pois aí a responsabilidade se expande também para o conteúdo intelectual, o que os torna culpáveis por crimes contra direitos autorais. Se não lhes imputar a responsabilidade, então a pedofilia digital não diz respeito a ninguém e o Estado não pode alcançá-la em nenhuma instância. Obrigado pelo link da Sony, só falta você lucrar através de propagandas e às custas desse “compartilhamento”, aí a denúncia na polícia federal poderia ser autorizada.

          • Bárbara janeiro 28, 18:13

            Esse texto interessante, em espanhol, acrescenta e muito a essa discussão.

            http://www.pagina12.com.ar/diario/suplementos/radar/9-7594-2012-01-02.html

        • Idelber janeiro 27, 09:27

          Idelber parece desconhecer a propriedade intelectual, tanto que ao falar sobre o xerox, demonstra não saber que os donos de máquinas de xerox são proibidos por lei a reproduzir um livro na íntegrademonstra não saber que os donos de máquinas de xerox são proibidos por lei a reproduzir um livro na íntegra.

          Eu acho que é você que desconhece o elementar de interpretação de texto. Onde eu “demonstro não saber que os donos de máquinas de xerox são proibidos por lei a reproduzir um livro na íntegra”?

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  17. Marcelo J. janeiro 23, 15:08

    Todos os sitios de compartilhamento de arquivo estão encerrando as atividades de compartilhamento, depois do fechamento do megaupload, encerraram fileserve, filesonic, uploaded, filejungle, uploadstation, uploading, freakshare, é o próprio efeito dominó.

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  18. Ícaro janeiro 26, 13:57

    Idelber, disponibilize o link para baixar os livros que você escreveu, gratuitamente. E que tal extinguirmos a versão impressa da revista Forum, e só ficarmos com uma digital: G-R-A-T-U-I-T-A-M-E-N-T-E.?

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  19. Idelber janeiro 26, 22:17

    1) Idelber, disponibilize o link para baixar os livros que você escreveu, gratuitamente.

    Eu sempre disponibilizei os links de livros meus pirateados por outrem e pirateei, eu mesmo, outros. Faço isso há muito tempo, você não sabia? Aqui estão, compilados para sua conveniência:

    The Untimely Present:
    http://livrosdehumanas.org/2010/12/19/livro-the-untimely-present-em-ingles/

    Alegorias da derrota:
    http://www.idelberavelar.com/alegorias-de-la-derrota.pdf

    Artigos acadêmicos 2007-2009:
    http://www.idelberavelar.com/archives/2009/04/producao_academica_em_pdf.php

    Artigos acadêmicos 2010-2011:
    http://revistaforum.com.br/idelberavelar/2012/01/11/pdfs-com-a-producao-academica-de-2010-2011/

    Quando tiver lido algo, me envie comentários.

    2) E que tal extinguirmos a versão impressa da revista Forum, e só ficarmos com uma digital: G-R-A-T-U-I-T-A-M-E-N-T-E?

    Você está mal informado. Todo o conteúdo da Revista Fórum está disponível gratuitamente no site:

    http://www.revistaforum.com.br/conteudo/edicoes_anteriores.php

    (não entendo a exigência de abolição da revista impressa).

    De novo, lendo algo, avise. Um abraço.

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  20. Bárbara janeiro 27, 08:37

    Já ta passando da hora da indústria do entretenimento arrumar outro jeito de ganhar dinheiro. Esse modelo de negócios (que como já foi bem lembrado pelo The Pirate Bay [http://www.techdirt.com/articles/20120119/12273017472/pirate-bay-press-release-sopa-we-are-new-hollywood.shtml], começou com pessoas burlando os direitos sobre a propriedade intelectual de outrem) é um modelo jurássico, falido. (http://derechoaleer.org/2011/07/los-dinosaurios-del-copyright.html)

    Uma boa ideia é o iTunes e o novo serviço, iTunes Match, que permitem às gravadoras vender o conteúdo digital para os consumidores de maneira prática e barata.

    Falo por mim: baixo muito conteúdo ilegal, livros, filmes, músicas, séries de TV… Mas quando eu gosto, quando é algo de qualidade e vendido a um preço justo, eu compro. Tenho o Perfume em pdf (baixei de graça no 4shared), mas comprei uma edição impressa em português e em alemão. Tenho a discografia completa do Angra no pc (baixei de graça a torrent no The Pirate Bay), mas já comprei quase todos os discos (e pretendo comprar os que faltam). Vou regularmente ao cinema e compro DVDs de filmes que gosto (como um box do Almodóvar – que me convenceu a ir ver La Piel que Habito no cinema assim que estreou). Pretendo comprar os boxes de séries que gosto também.

    Dizer que o compartilhamento digital é roubo é a maior falácia que eu já vi. Compartilhamento digital é propaganda gratuita. As pessoas ficam conhecendo sua obra, e quando gostam, compram.

    Pra Provar que acredito nisso: meu livro está à venda no Clube de Autores (http://clubedeautores.com.br/book/45305–Nem_5_Minutos_Guardados_Dentro_de_Cada_Cigarro) e no Bookes (http://www.bookess.com/read/8475-nem-5-minutos-guardados-dentro-de-cada-cigarro/), mas também está disponível gratuitamente (http://cincominutosguardados.blogspot.com/).fiquem à vontade para piratear, ler e comentar. Se achar que eu mereço algo por ter criado o livro, ter feito a editoração, a capa, tudo sozinha e à mão, compre no site de sua preferência.

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  21. Ismael janeiro 27, 08:39

    Acabar com compartilhamento na verdade é apenas efeito colateral. O que essas empresas querem é tornar governos e provedores seus policiais.

    Querem tornar todos que puderem em seus guardiões particulares. Impressionante o ponto que chegamos no Lobby. Principalmente com a crise econômica acabando com a Europa e forte nos EUA.

    Mas eu sou um otimista, creio que esse encrudecimento vai fomentar o desenolvimento de novos algoritmos e algum tipo de nova rede tão complexo que ficará ainda mais próximo do impossível conter.

    Novamente o tiro sairá pela culatra, ao invés de assumirem uma pequena perda, inevitável, e oferecem serviços de qualidade a preços justos, querem guerra, pensando que serão os únicos a atacar.

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  22. Ismael janeiro 27, 09:21

    Esse texto é muito interessante:

    http://torrentfreak.com/its-time-to-go-on-the-offensive-for-freedom-of-speech-120122/

    Fala sobre como vamos SEMPRE perder por estarmos na postura defensiva quanto aos nossos direitos.

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    • Idelber janeiro 27, 09:24

      Idelber parece desconhecer a propriedade intelectual, tanto que ao falar sobre o xerox, demonstra não saber que os donos de máquinas de xerox são proibidos por lei a reproduzir um livro na íntegrademonstra não saber que os donos de máquinas de xerox são proibidos por lei a reproduzir um livro na íntegra.

      Eu acho que é você que desconhece o elementar de interpretação de texto. Onde eu “demonstro não saber que os donos de máquinas de xerox são proibidos por lei a reproduzir um livro na íntegra”?

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  23. Bárbara janeiro 27, 09:37

    Essa lógica “deixam de comprar porque tem de graça” é uma falácia gigantesca. Falaram a mesma coisa quando inventaram a televisão (“o povo vai parar de ir no cinema”). Não é verdade. As pessoas continuam pagando por ingressos de cinema, mesmo podendo ver na TV de graça depois de algum tempo. O mesmo ocorre com outros “materiais autorais”. As pessoas consomem o que é bom.

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  24. Carlos Henrique Machado janeiro 27, 16:54

    Interessante encontrar aqui, sobretudo nas colocações do meu xará Carlos Henrique, a mesma confusão no espírito da coisa. Diante de um reduzido grupo, e cada vez mais reduzido, existe uma enorme produção de novos sons, pensamentos que, independente do discurso dos defensores da major’s ou da chamada produção incluída, a interpretação multidisciplinar do mundo contemporâneo prevê não mais o benefício exclusivo da produção e difusão a partir dos pilares do que o mundo do mercado da informação disponibilizava.

    A mutação tecnológica criou uma outra emergência, um outro interesse a partir de uma utilização democrática condicionada por um universo flexível e adaptável a todos os meios de criação e difusão de cultura. Pode-se até chamar isso de globalização do bem. Do ponto de vista comercial, lógico que com a pulverização das oportunidades a história universal da cultura passa a ser verdadeiramente humana e, finalmente começa a utilizar uma outra forma de construção de mundo e seu destino dependendo da disponibilidade e das possibilidades aproveitadas pela grande maioria. É isto que está formando o novo material no cotidiano menos subordinado aos interesses do grande capital, o que logicamente assegura uma mutação filosófica. Daí a existência da produção depende de cada pessoa e de cada ponto de vista. E isso é irreversível.

    A manifestação dantesca de tentar impedir de maneira sistêmica uma revolução que está beneficiando a humanidade com uma interpretação que não valoriza mais só a produção de mercado nao triunfará. Estamos diante de objetivos de uma nova ordem social infinitamente mais forte do que as chorumelas de quem está perdendo. O que existe na realidade é que essa engenharia de negócios monopolizada pelas grandes corporações da informação não admite a proliferação de novas formas criativas, não querem a divisão e tentam não permitir que seu monopolizado mercado deixe de ser o único de um império que puiu, derreteu, porque os tempos são de uma nova história, de novos conteúdos. Portanto, aquela velha manutenção do conteúdo normativo perdeu a validade. Então, não basta querer reprimir o download quando a complexidade desse processo é bem maior, porque em decorrência de uma atividade econômica cujo intercâmbio é um simples escambo quando há interesse econômico na questão, isso cria uma circulação e concretiza um movimento de maneira livre e irregular. Portanto, o território pavimentado pelas definições de uma única vertente perdeu a importância porque perdeu a eficácia. Agora cada pedaço de território será extremamente disputado com embates entre diversos atores. Se a indústria não consegue enfrentar essa realidade é porque ela ficou obsoleta diante dessa revolução. Simples assim.

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    • Gabriela janeiro 27, 18:35

      uma revolução, mas de certa forma um reencontro com a essência dos bens culturais, da informação e do conhecimento, coletivamente construídos

      todo trabalho criativo é tributário do que veio antes dele:
      http://www.youtube.com/watch?v=jcvd5JZkUXY

      (a propósito, o video acima foi feito pela animadora Nina Paley, hj grande ativista dessa mudança de visão sobre o copyright e sobre a cultura livre, a partir da sua experiência no imperdível “Sita Sings the Blues”: http://sitasingstheblues.com/)

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    • Carlos Henrique Pereira janeiro 29, 17:35

      Nossa! Passei 5 dias sem ler esta pagina, e os comentarios foram de 45 a 81. Não quero contribuir para aumentar ainda mais a confusão, mas acrescentar algo ao debate: é fato que a revolução digital tem se expandido…algo como o big bang. Eu não consigo ver o fim deste tunel. Sendo assim, é simplesmente inevitável uma nova ordem GLOBAL, onde as fronteiras perderão suas forças e os governos terão que chegar a um acordo comum. A cada dia veremos mais nossas vidas DIGITALIZADAS, se no começo eram textos, depois fotos, depois videos, softwares, contas bancárias, segredos de estado – no futuro será muito mais, digo muuuiito mais. As leis que regem as sociedades terão que encontrar suas correspondentes virtuais. De uma coisa eu não tenho dúvida: quando componho, sou eu o autor. E tenho todo o direito de fazer de minha obra o que quiser, inclusive disponibilizar uma gravação gratuitamente na internet. Mas isso não dá direito a ninguém de comercializar minha obra, ainda que “indiretamente”, como fazia o megaupload. Algo como cobrar ingressos para uma exposição e o pintor não recebe nada, já que os quadros “não foram vendidos”…kkk.

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    • Carlos Henrique Pereira janeiro 31, 10:05

      Caro xará Carlos Henrique: qdo voce diz… “Se a indústria não consegue enfrentar essa realidade é porque ela ficou obsoleta diante dessa revolução. Simples assim.”… vc se confunde, já que nessa nova realidade a indústria esta igualmente presente. São apenas outras marcas, outras empresas. Sim, o velho formato esta morrendo, mas o novo não é melhor. Acho pior, como colocou Marcos Nunes: “como o desenhista de bisontes na caverna: um anônimo perdido na pré-história, sem direitos nem haveres, ainda que vivo.”…só que estes artistas do passado ainda são admirados e estudados hoje em dia. Os do presente serão apenas outros 0s e 1s nos zilhões de arquivos digitais do futuro. É pura ilusão achar que a internet esta beneficiando os “independentes”…e direitos de autor são direitos de autor. É melhor resolver isto e manter a internet livre.

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  25. marcos nunes janeiro 30, 10:15

    Nessa conversa toda, dá para deduzir que o futuro do “autor” depende do grau de conectividade dele; o autor desconectado, por melhor que seja como autor, será daqui por diante como o desenhista de bisontes na caverna: um anônimo perdido na pré-história, sem direitos nem haveres, ainda que vivo.

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  26. Carlos Henrique Pereira fevereiro 1, 05:29

    Inclusive, a questão do direito de autor sendo respeitada na internet só irá favorecer os “independentes”, visto que serão a maioria a oferecer seus trabalhos gratuitamente. Em outras palavras, a pirataria desfavorece o artista independente. Lembrando que os direitos de autor são inquestionáveis, não somente na arte, mas no comércio, na ciência, em todas as áreas da criaçao humana. É engraçado como a maioria ve essa disputa somente pelo lado da arte…deve ser porque a industria da arte esta se mobilizando, mas a pirataria vai, e esta, prejudicando todos os criadores que tem um produto final na forma digital. E, como disse antes, nossas vidas serão cada dia mais digitalizadas… Num futuro proximo o próprio Idelber vai ter o emprego dele reduzido ou ameaçado completamente pelo ensino digital. Se este nao for protegido, será igualmente pirateado na internet. (Obvio, um exemplo bem complexo mas…meros vinte anos atras não poderiamos imaginar estar vivendo o que vivemos hoje com a pirataria da industria do cinema, por exemplo).

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  27. Carlos Henrique Machado fevereiro 2, 12:47

    Carlos Henrique Pereira, me diga por exemplo o titulo de um cd instrumental brasileiro lançado pela industria nesses ultimos 10 anos.

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    • Carlos Henrique Pereira fevereiro 3, 03:18

      Caro xará, acredito que nenhum. Não sei aonde quer chegar, mas isto para mim mostra como a industria não mais lucra com projetos de pequeno retorno. Se nos de grande retorno a coisa está dificil, devido a pirataria on line, nem pensar nos pequenos. Mais uma razão para se regulamentar o comercio na internet. No exterior, em países aonde os direitos são mais protegidos (como os EUA e Europa), são inúmeros os lançamentos de musica instrumental. Muitos instrumentistas ainda conseguem viver produzindo apenas sua musica, no Brasil isto é simplesmente impossivel. Em meu site disponibilizei todo o meu ultimo CD para que todos pudessem ouvir (sem poder fazer o download) e imaginei que fosse vender algumas cópias para quem realmente gostase. No Brasil vendi 3 cópias, para o exterior aproximadamente 75 (a maioria para os EUA) até agora….

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  28. Cleidon fevereiro 20, 13:59

    Uma perguntinha básica- E como fica o caso daqueles filmes da década de 80 e 90 que não se acha pra vender ou alugar? Antes achava-se na internet pra download, agora não se acha em lugar nenhum. Tudo bem que lançamentos deve ser combatidos o compartilhamento online, mas e no caso acima, como fica?

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Sobre o autor

Idelber Avelar é colunista da Revista Fórum e ex-editor do blog "O Biscoito Fino e a Massa" (http://idelberavelar.com). É Professor Titular de Literaturas Latino-Americanas e Teoria Literária na Universidade Tulane, em New Orleans. É autor de Alegorias da Derrota: A Ficção Pós-Ditatorial e o Trabalho do Luto na América Latina (UFMG, 2003) e Figuras da Violência: Ensaios sobre Ética, Narrativa e Música Popular (UFMG, 2011), e coeditor de Brazilian Popular Music and Citizenship (Duke UP, 2011), entre outros livros. Mantém o Twitter @iavelar

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