Paulo Henrique Amorim, o "negro de alma branca" e os demônios de cada um de nós, por Ana Maria Gonçalves

Redação
Por Redação fevereiro 27, 2012 00:13

Sempre fico com um pé atrás ao ler/ouvir afirmações enfáticas do tipo “Eu não sou racista”, ou “Fulano não é racista”. Ela já é perigosa quando dita sobre si mesmo, e mais ainda quando dita sobre o outro, que é o único que deveria saber de si. Racismo, assim como o machismo ou a xenofobia, é um tipo de sentimento que facilmente contamina quem é exposto a ele, de maneira ostensiva ou velada. É herdado, não tem muito para onde escapar. Principalmente em sociedades como a nossa que, durante muito tempo, lutou para esconder a discrepância entre prática e teoria, entre evidências de racismo e manutenção e construção de um modelo de democracial racial que nunca existiu. O que precisamos fazer é estar atentos a qualquer pensamento racista e combatê-lo ali, no nascedouro, não deixando que se naturalize e domine nosso modo de agir e de pensar. Acho que só assim podemos, brancos e negros, acabar de fato com o racismo (e outros ismos): de maneira individual, consciente e, acima de tudo, honesta. Não é através de leis ou de ações afirmativas, que defendo e acho mais do que necessárias para que sirvam de proteção e escada enquanto não somos capazes dessa revolução interna. É o trabalho de cada um, doloroso e vigilante, que pode avançar cada vez que um caso atinge proporções midiáticas, porque nos faz refletir à partir de situações que colocam figuras públicas no ambiente privado, vivenciando situações nas quais às vezes podemos nos reconhecer. Como humanos e imperfeitos que somos. Falo agora do recente caso envolvendo os jornalistas Paulo Henrique Amorim e Heraldo Pereira.

Esse é um caso emblemático para entender a manifestação do racismo no Brasil, e que ele também pode ser praticado por pessoas consideradas “do bem”. Aliás, quase sempre é. Com raras exceções, nosso racismo é do tipo cordial, daquele que não necessariamente origina leis segregacionistas ou atos de ódio explícito, e por isso é difícil chamá-lo pelo nome que tem. Racistas convictos ou esporádicos somos todos nós. É sempre bom lembrar de uma pesquisa realizada pela USP : à pergunta “Você tem preconceito?”, 96% dos entrevistados responderam “não”; à pergunta “Você conhece alguém que tenha perconceito?”, 99% responderam que sim, e quando perguntados quem eram esses perconceituosos, eles disseram que eram amigos próximos, pais, irmãos. Então, racistas são nossos pais, tios, primos, amigos, namorados, vizinhos. E não há razões para acreditarmos que somos muito diferentes deles, mesmo porque também somos pais, tios, primos, amigos, namorados ou vizinhos de alguém. Racistas podem ser pessoas das quais gostamos e pelas quais somos capazes de fazer vista grossa em relação a um ou outro ato que, do nosso ponto de vista, é computado com um deslize, um momento de descontrole, uma atitude isolada. Para quem não é alvo do ato, é simples assim: um átimo, um momento “não era eu quem estava agindo”. Para quem o sofre, as consequências podem durar uma vida inteira, como podemos perceber em um trecho do “The envy of the world”, de Ellis Cose:

“Eu me lembro alguns dos incidentes da minha infância que me acordaram para a verdade, incidentes que, algumas vezes de modo doloroso, me apresentaram a diferença entre branco e preto. (…) Eu tinha ido a Marshall Field Company, uma grande loja de departamentos em Chicago, para comprar um presente para a minha mãe. Enquanto eu circulava na loja imponente, calculando o que meu dinheiro podia comprar em um lugar tão caro e intimidante, percebi que estava sendo seguido – e que meu seguidor era membro da segurança da loja.

De uma seção para outra da Marshal, o guarda me fazia sombra, com sua vigilância marcante e odiosa. Determinado a não me sentir intimidado, continuei a circular, tentando com todas as minahs forças ignorar o homem que estava caminhando praticamente nos meus calcanhares. Finalmente, incapaz de me conter, virei-me para encará-lo. Gritei alguma coisa – não me lembro mais o que – um uivo de orgulho ferido e ofensa. Ao invés de responder, o homem se manteve firme, encarando-me com uma expressão que combinava diversão e desdém.

Devemos ter nos encarado por vários segundos, até que me toquei de que eu não era mais páreo para ele e seu desprezo do que um rato era para um gato. Corri pra fora, concedendo a ele a vitória (…) Décadas após aquele dia, lembro precisamente das minhas emoções – a raiva impotente, o ressentimento que fere, a vergonha,  a decepção intensa comigo mesmo (por não me manter firme frente ao ataque silencioso do homem, por permitir que um intolerante fizesse eu me sentir um idiota, por não ser capaz de arranhar a auto-confiança arrogante do guarda.)”

Essa é uma situação mais comum do que se poderia desejar, pela qual já passou a grande maioria dos negros, principalmente meninos negros. É é uma memória da qual boa parte deles nunca vai conseguir se livrar, porque geralmente marca o início de sua relação com um mundo que vai tratá-los de maneira hostil apenas pelo fato de serem negros. Alguns conseguem transformar essa mistura intragável de sentimentos em força para o ativismo e lutam para que não muitos depois deles passem por situções semelhantes. Outros não. Por isso é prepotente e insensível dizer a alguém o que se deve fazer ou deixar de fazer por se ser quem é. Ou seria o caso de sairmos por aí cobrando que todas as mulheres estejam o tempo todo louvando as mulheres que, no passado, lutaram pelos direitos das mulheres e para que violência doméstica e estupro, por exemplo, fossem considerados crime. Militância é para quem pode, quer, aguenta, tem tempo e estômago e, sobretudo, paciência para lidar com os absurdos que são capazes de dizer e fazer aqueles que ainda não conseguiram ou não querem se livrar de certos preconceitos porque, direta ou indiretamente, querendo ou não, sendo ou não complacentes, se beneficiam deles. Mesmo sendo Heraldo Pereira um negro alienado, como o acusa Paulo Henrique Amorim, o que especificamente confere a Paulo Henrique Amorim o direito de julgá-lo nesse sentido? É bom que se faça essa pergunta e se pense muito sobre ela, levando em conta o fato de já termos sido uma sociedade escravagista, antes de tomar partido nesse caso.

Armando-se do direito de julgar a negritude de Heraldo Pereira como falsa ou verdadeira, Paulo Henrique Amorim escreveu, em 05/09/2009:

Enquanto isso, o Ali Kamel submete o jornal nacional a um longo exercício diário de onanismo. Por conta dos 40 anos do jornal nacional, William Bonner entrevista repórteres. A propósito, William Bonner, na sua ilimitada mediocridade, poderia poupar o espectador de usar ‘bonito’ ou ‘bonita’. Ontem, por exemplo, o funcionário de Gilmar Dantas (**) Heraldo Pereira, que faz um bico na Globo, fez uma longa exposição para justificar o seu sucesso. E não conseguiu revelar nenhum atributo para fazer tanto sucesso, além de ser negro e de origem humilde. Heraldo é o negro de alma branca. Ou, a prova de que o livro do Ali Kamel está certo: o Brasil não é racista. Racista é o Ali Kamel.”

(Vou deixar Ali Kamel, seu livro e Gilmar Mendes de fora, porque são outros assuntos e outros processos, atendo-me aqui apenas ao processo de Heraldo Pereira, tendo salientado na frase acima as partes que o tocam, o que já é assunto mais do que suficiente)

Dos artigos que li sobre o assunto, gostei mais do de Sueli Carneiro, que explica bem porque a expressão “negro de alma branca”, dita em qualquer contexto, por qualquer pessoa, é racista (grifos meus):

“Nas eleições de 1996 para a prefeitura de São Paulo, a então candidata de nosso coração Luiza Erundina em discurso inflamado, bradou que Celso Pitta era um negro de alma branca e que ela era a verdadeira representante do movimento negro. Posto que as bandeiras que ela representava eram as que contemplavam as necessidades e interesses dos negros de São Paulo. Essa velha militante negra que vos fala, veio a público para contestar a então candidata lembrando-a de que uma das dimensões do racismo é negar a plena humanidade das pessoas e por plena humanidade entendemos a possibilidade de sermos, brancos e negros, do bem, ou do mal. Assim são os seres humanos.

Existiam, na época, razões políticas de sobra para criticar a candidatura de Celso Pitta, a única imprópria era tratá-lo de “negro de alma branca” por pertencer ao campo ideológico adversário e seu comprometimento com suas práticas políticas e administrativas deletérias, que são de conhecimento público. Um negro pode ser corrupto, se posicionar contra os interesses de sua gente. O que podemos fazer diante disso, é lamentar e combatê-lo politicamente, jamais atribuir essa característica à sua condição racial. Aí mora o racismo, ao tentar encontrar a razão da “falha” na negritude da pessoa ou na suposta ausência dessa negritude em um@ negr@ como propõe a frase, negro de alma branca.”

Li vários outros artigos tentando defender Paulo Henrique Amorim, e todos fazem malabarimos históricos e semânticos para justificar o ato racista. Entristece-me ver frases como “A expressão “negro de alma branca”, por mais cruel que possa ser, é a expressão, justamente, do anti-racismo (…)”, dita por jornalista que sempre achei, no mímino, sensato. Porque é simples assim: Paulo Henrique Amorim usou a cor de Heraldo Pereira para atacá-lo. É racismo e ponto. Tá na lei. Quem não concorda deve brigar para mudar a lei, e não para que Paulo Henrique Amorim esteja acima dela. Que o defendam porque o acham bom amigo, bom jornalista, bom ser humano; mas que entendam que pessoas assim também podem ter atitudes racistas. Pelo que li até agora, Paulo Henrique Amorim tem histórico na defesa de causas das militâncias negras, o que torna o caso ainda mais trágico, e triste, mas não excludente. Ele pode sim, com sinceridade, ser um dos poucos jornalistas de grande audiência a denunciar racismo e defender cotas, mas também ter cometido um ato racista, como o que cometeu, como o que Luiza Erundina cometeu, talvez num momento de raiva ou de guarda baixa. Esses são momentos perigosos, pelos quais podem passar, por exemplo, aquela nossa tia velhinha, rata de igreja, voluntária em programas sociais, que trata a empregada negra como “alguém da família”, tendo até a intenção de deixar-lhe algo em testamento pelos bons e longos anos de serviço prestados, e é capaz de berrar um “sua negrinha ……” para alguma negra que lhe contrarie fora de casa. Quero de verdade acreditar que foi isso que aconteceu com Paulo Henrique Amorim, ou, caso contrário, resta-me perguntar: o que foi mesmo que ele aprendeu em todos esses anos ao lado dos movimentos negros? Até que ponto esse engajamento foi realmente sincero ou jogo de cena? Porque, numa breve visita ao site dele, observa-se a arrogância, a prepotência e, sobretudo, a cegueira e a falta de respeito com que vem tratando o assunto, tentando fugir à responsabilidade e à gravidade do que disse. Ele disse algo que, pelos longos anos de militância que alega em sua defesa, deveria saber que não poderia ter dito. Se não sabia, está na hora de aprender, desculpar-se e seguir em frente. Tem a chance de fazê-lo nas retratações que publicará nos jornais; caso contrário, deveria tomar muito cuidado em não parecer demagogo e oportunista, militando por uma causa pela qual não demonstra respeito e acima da qual tenta se colocar: há anos os movimentos negros vêm lutando para que qualquer alusão depreciativa à cor seja punida. Sua defesa é um enorme desserviço a essa causa.

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A defesa de Paulo Henrique Amorim

Uma das coisas que mais me irrita nos argumentos contrários às cotas é a apropriação e distorção de discursos de líderes negros. Todos fazem isso, principalmente com o famoso discurso “Eu tenho um sonho”, de Martin Luther King. Comentando o uso desonesto desse recurso em uma matéria da Veja, Liv Sovick escreve no excelente “Aqui ninguém é branco”: “(…) Salta aos olhos o uso descontextualizado do sonho de King, que muitas vezes é enaltecido para o estatuto de pensador utópico e não político. King se dirigia aos manifestantes, em sua maioria negros. Falou do propósito de estarem concentrados ali: cobrar a justiça econômica e social. Quando ele se voltou para o público nacional em geral, quatro minutos depois de começar um discurso que durou dezesseis, disse: “Também viemos a esse lugar sagrado para lembrar a América da urgência feroz do agora. Não é o momento de se dar ao luxo de esfriar os ânimos ou tomar a droga tranquilizante do gradualismo.” Retoma no parágrafo seguinte: “Seria fatal para a nação ignorar a urgência do momento”. As palavras famosas sobre o sonho de liberdade de um povo oprimido, motivo de uma esperança utópica dos negros, são enunciadas para confortar aqueles que apanharam e foram presos pela causa dos direitos civis, aqueles que iam voltar a enfrentar dificuldades. Na Veja as palavras são usadas como se descrevessem o atual estado brasileiro das coisas.” Antes, Liv tinha citado o trecho da revista: “Um absurdo ocorrido em Brasília veio em boa hora. Ele é sinal de que o Brasil está enveredando pelo perigoso caminho do tentar avaliar as pessoas não pelo conteúdo de seu caráter, mas pela cor de sua pele.”

É exatamente isso que fazem todos os que citam o discurso de King para justicar o ataque às cotas: tentar nos fazer acreditar que, vivo e nos dias de hoje, King estaria do lado daqueles que negam a existência do racismo como fator de divisão sócio-econômica da sociedade, e não do lado dos negros que estão lutando de fato por essa igualdade, sofrendo as consequências do racismo e necessitando de ferramentas auxiliares para vencê-lo. Trazendo o caso mais para a nossa realidade, situação mais grave ainda é o da historiadora Isabel Lustosa, em relação a Luiz Gama, no descuidado, para ser boazinha, livro Divisões Perigosas – Políticas raciais no Brasil contemporâneo. Luiz Gama foi o primeiro escritor brasileiro a se assumir negro em seus escritos, tendo sido filho de uma africana, que ele diz ser Luisa Mahin, e de um português. Nascido livre mas vendido pelo pai como escravo aos 10 anos de idade, mais velho Gama consegue a liberdade, torna-se jornalista, poeta, advogado e protetor de escravos em fuga, respeitado por todos os intelectuais de sua época e um dos nossos mais importantes abolicionistas, entrando para a História como grande exemplo a ser seguido pelas gerações negras vindouras. Ele chegou a dizer em júri, escandalizando muitos dos abolicionistas com quem se relacionava: “Todo escravo que matar o senhor, seja em que circunstância, mata em legítima defesa”. Essa tese destaca a fala da principal estudiosa da obra de Luiz Gama no Brasil, a professora Lígia Fonseca Ferreira, que analisa um pouco do trabalho de Gama a partir de seu principal poema, na introdução do livro “Primeiras trovas burlescas e outros poemas”: “A bodarrada [138 versos] cristalizou a imagem de um Luís Gama em cruzada contra o branco”. Mas Gama, com sua poesia ácida e sátirica, atacava também a Igreja, a sociedade, o mulato que negava sua raízes negras, o preconceituoso, não poupando nem a si mesmo, como nos conta a tese do link. São os versos finais desse poema, que Isabel Lustosa reproduz e dos quais se vale para escrever: “Nessa matéria de raça a minha posição coincide com a de Luis Gama, personagem ele mesmo de uma infame história de escravidão. Com seu senso de humor e ceticismo crítico, ele relativizou a questão das diferenças de raça no Brasil, ainda em 1873, quando publicou no jornal paulista A Reforma o poema “A bodarrada”.” (pág. 143)

Ou seja, ao dizer que relativiza a questão das diferenças de raça no Brasil, Isabel Lustosa não tem a menor vergonha de simplesmente ignorar a história e o histórico de luta de Luiz Gama. Ela não poderia terminar o artigo sem convocar um negro, usando-o em favor da causa que defende e que, possivelmente, seria contrária a dele, pois antes escreveu, ao comentar que tinha sido convidada por colegas do meio acadêmico a assinar o manifesto contra as cotas: “Sugeri a eles que procurassem intelectuais negros e pardos representativos para reforçar a causa.” (pág. 139) De fato procuraram e, na entrega do documento no Senado, fizeram questão de levar o ativista do Movimento Negro Socialista José Carlos Miranda que, ouso conjecturar, não teria sido levado se não fosse negro. Essa estratégia de usar negros que estejam dispostos a falar mal e ir contra lutas históricas dos movimentos negros é antiga nos EUA. Veja o espaço cedido por veículos de extrema direita, como Fox News, a intelectuais negros representativos como Thomas Sowell ou Walter Williams, que também já começam a ser louvados e cada vez mais citados no Brasil. Essa técnica de usar negros para ir contra os interesses dos próprios negros, ou de usar negros para atestar a ideneidade de um branco em um processo contra um negro, como fez Jair Bolsonaro, que convocou o cunhado negro para depor a seu favor e contra Preta Gil, Paulo Henrique Amorim também aplica, fazendo questão de ter negros entre suas testemunhas. Em uma defesa com a qual nem sei se todos eles concordariam.

A primeira estratégia é apresentar Paulo Henrique Amorim como um grande defensor da igualdade racial no Brasil, ocupando quase cinco páginas com citações de matérias publicadas em seu site, anexadas no final. A partir daí, tenta provar que não houve crime algum, primeiro dizendo que o acusado estava na verdade falando da “subserviência da Rede Globo” e não do jornalista Heraldo Pereira (ver item 57). Mais adiante, temos:

61.Portanto, a questão principal de que se tratava não era a condição de negro do jornalista Heraldo Pereira, mas a postura da emissora em que ele trabalha, produzindo entrevistas e matérias!

62. A questão racial foi tratada pelo acusado porque, como sobejamente comprovado, ele se dedica ao tema há muito tempo, apontando a existência de racismo no Brasil e combatendo-o, inclusive defendendo a adoção de políticas públicas que permitam ao negro “abrir a porta da oportunidade”, como discursou Lyndon Johnson.

É bem complicado entender o que quiseram dizer no item 66:

66. E foi exatamente nesse contexto que o acusado afirmou que o jornalista Heraldo é um “negro de alma branca”, ou seja, o negro bem-sucedido, que desmente a necessidade das políticas públicas formentadoras da igualdade racial e corrobora a tese de Ali Kamel, de que o Brasil não é racista.

Esse trecho afirma que, por ser negro e bem sucedido, e apenas por isso, Heraldo desmente a necessidade de ações afirmativas? Ou há declarações de Heraldo nesse sentido? Sendo bem sucedido e negro, apenas por isso, Heraldo corrobora a tese de Ali Kamel? É isso? E esse argumento só vale para o Heraldo ou para qualquer negro? Se vale para qualquer negro, nenhum negro pode ser bem sucedido para não corroborar a tese de que não existe racismo no Brasil?

A defesa continua:

67. A propósito, a expressão “negro de alma branca” tem raízes históricas e não tem cunho racista, como se sustentou na denúncia.

E traz, no item 68, uma tradução para “Zumbi” que eu nunca tinha visto. Perguntei de sua existência ao Nei Lopes e ele também desconhece. Está lá que Zumbi quer dizer “Deus negro de alma branca”, definição que creditam a Leila Dias, de quem reproduzem uma fala que distorcem para concluir (item 69): “(…) Ou seja, a expressão “alma branca” está, na verdade, relacionada à pureza do espírito e à coragem para lutar contra a opressão, e não à alegada superioridade da “raça branca” em detrimento da “raça negra”, estampada na denúncia.”

Bem, se “alma branca” está ligada a atributos positivos, “alma negra” seria seu inverso?

E se a defesa aqui quer nos fazer acreditar que o “alma branca” usado por Amorim é na verdade uma coisa boa, ele estava elogiando e não criticando Heraldo Pereira? Isso fica ainda mais interessante quando, no item 71, citando matérias em que o acusado e Mino Carta chamam Pelé de “negro de alma branca”, a defesa nos pergunta: “Onde está a ofensa?”

A defesa parece concluir isso mesmo, que Heraldo nunca deveria ter se sentido ofendido:

75. Portanto, no caso dos autos, a leitura das matérias demonstra que ainda que quisesse atribuir à expressão “negro de alma branca” conotação ou significado negativo (que não tem, conforme esclarecido), o contexto em que foi empregado demonstra que Heraldo Pereira foi assim denominado em razão de seu grande sucesso numa sociedade na qual, via de regra, aqueles de pele branca atingem tal status, tal notoriedade.

Aqui, eu já começo a achar que essa defesa também merece um processo. Pela cara de pau, o assassinato da língua portuguesa!! (sim, há pontos de exclamação duplos em várias frases), e o descuido com que resvala, ela própria, no racismo que tenta descaracterizar. Entendo os motivos de ter perdido (não ter razão nem argumentos sérios), levando o acusado a fazer o acordo. Vejam a decisão de recebimento de denúncia e concluam vocês mesmos onde isso ia terminar.

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O outro lado da história

É bem importante, para entender esse caso, assistir ao vídeo a que se refere Paulo Henrique Amorim, exibido em 04/09/2009.

Queria destacar dois momentos nos quais, a não ser que Paulo Henrique Amorim acuse Heraldo Pereira de trabalhar no departamento de dramarturgia ao invés de no de jornalismo, Heraldo não me pareceu ser o  “preto de alma branca” de que Amorim o acusa. Visivelmente emocionado, ao assisitir a uma reportagem que fez sobre João do Pulo, Heraldo Pereira faz questão de dizer:

“Foi um momento que me marcou muito. Eu, repórter, fazendo uma cobertura para o Jornal Nacional, e o João do Pulo era um herói da minha geração. Negro, como eu, do interior de São Paulo, como eu, de uma família humilde, como eu. Eu o tinha como um ídolo.”

Outro momento é quando fala da cobertura das viagens do presidente:

“Eu estive em todos os continentes com o presidente da República, mas o que mais me marcou foi eu estar no continente africano. Eu estive na África, em Angola, estive num local, era um porto, um antigo porto de escravos, de onde vinham os escravos para o Brasil. Provavelmente, alguns dos meus antepassados podem ter saído dali para vir ao Brasil. Isso me marcou muito. (…) Também tive um outro momento nessa mesma viagem à África, quando estive na África do Sul, o Nelson Mandela tinha sido libertado, e pude, ainda durante o regime do apartheid, eu como um jornalista negro, brasileiro, fazer uma reportagem na África do Sul. Eu frequentava as áreas de negros e a equipe tinha brancos que frequentavam a área destinada a brancos. Ainda quando a África do Sul tinha aquela situação, eu fui um repórter que esteve lá no apartheid.”

Foi esse vídeo, no qual Heraldo Pereira aproveita dois momentos que não me pareceram estar no script dos apresentadores Fátima Bernardes e William Bonner para falar de sua condição de negro, de seus ídolos negros e de duas reportagens que o marcaram, abordando a questão racial, que Paulo Henrique Amorim usa para chamá-lo de “negro de alma branca”. Não faz sentido. Essa defesa absurda de Paulo Henrique Amorim, feita por brancos e negros, alegando armação de inimigos políticos e pedindo que negros e pessoas bem-intencionadas não se confundam: uma ação contra o racismo jamais viria de alguém da Rede Globo, a maior propagadora de racismo deste país”, abre um dos precedentes mais perigosos na luta contra o racismo no Brasil. Primeiro, porque concordam que um branco, no caso Paulo Henrique Amorim, pode duvidar da palavra de um negro quando ele diz que se importa sim com as questões raciais, como acabamos de ver Heraldo fazendo no vídeo em questão. Segundo, porque concordam que um branco pode dizer o que o negro precisa fazer para ser um verdadeiro negro. Terceiro, porque concordam que um branco podem dizer a um negro com o que ele pode ou não se ofender. Quarto, porque concordam que um branco pode distorcer o sentido racista histórico de uma expressão como “negro de alma branca” apenas por causa do lugar onde o negro ofendido trabalha e do tipo de profissão que exerce. Faço parte dos que não confiam no departamento de jornalismo da Rede Globo, por causa de situações como essas e de outras mais recentes, como a polêmica CNE X Monteiro Lobato, na qual estive diretamente envolvida. Mas nem por isso acho que o fato de Heraldo Pereira trabalhar lá autorize que ele seja vítima de ataques racistas e julgamentos em relação a como deve ser sua negritude. Quem fala sobre isso, e vale a pena ler, porque ela também aponta a amizade de Heraldo Pereira com um dos mais importantes jornalistas e ativistas negros do país, Hamilton Cardoso , é a jornalista negra Rosângela Malachias. Ou seja, será Heraldo Pereira realmente é tão alienado quanto querem nos fazer acreditar? Alguém já pensou em dizer ao Paulo Henrique Amorim como ele deve se comportar e onde deve trabalhar para ser um branco verdadeiro? Aliás, qualquer pessoa que ache justo atacar Heraldo apenas porque ele trabalha na Globo (eu não acho), sendo branca ou negra, e que tenha pelo menos um pouquinho de respeito pelas religiões de matriz africana como a umbanda e o candomblé, deveria aplicar o mesmo princípio e se lembrar imediatamente de que Paulo Henrique Amorim, aliado e defensor das causas dos movimentos negros, trabalha na Rede Record desde 2003.

A Rede Record é propriedade do bispo Edir Macedo, tem em seu quadro de diretoria vários bispos, e faz parte de um negócio bastante rentável chamado Igreja Universal do Reino de Deus. Nos seus templos são feitos sucessivos ataques a terreiros e à reputação de filhos, pais e mães de santo de todo o Brasil, inclusive com incitação à violência, pelos quais e Rede Record já foi condenada judicialmente. Seria interessante ler, caso ele as possa fazer, as declarações públicas do militante Paulo Henrique Amorim em relação a casos como esses:

1 – A expansão das igrejas pentecostais brasileiras pelo continente angolano, principalmente a Igreja Universal do Reino de Deus, que já adquiriu vários meios de comunicação locais. Isso é um perigo principalmente nas aldeias mais isoladas, de onde crianças estão sendo expulsas acusadas de serem feiticeiras. Seria interessante se Paulo Henrique Amorim fizesse reportagens para a Record denunciando isso, isso ou isso. Ou então nos esclarecendo o que de fato significam isso e isso, que são notícias bem preocupantes.

2 – O que Paulo Henrique Amorim tem a dizer sobre soldados que torturam mãe de santo fazendo-a se sentar em formigueiro e arrastando-a por seiscentos metros porque, segundo eles, ela estava com “o diabo no corpo”, ao incorporar Oxóssi?

3 – O que Paulo Henrique Amorim tem a dizer do best-seller (mais de 3 milhões de exemplares vendidos), Orixás, Caboclos e Guias: Deuses ou Demônios?, livro de autoria do dono da emissora na qual trabalha, bispo Edir Macedo? Muitos dos argumentos usados pelos fiéis da Universal para atacar terreiros e praticantes de religões de matriz africana são tirados desse livro e do que os pastores tem propagado durante os cultos, baseados nos ensinamentos do bispo-mor. Coisas como:

“A alma da mãe de santo, por exemplo, é vendida ao orixá. Há uma chantagem diabólica nesse meio que obriga a pessoa que “faz santo” a renunciar, enquanto vive, a todas as coisas, inclusive a própria salvação. Ameaças são feitas de tal maneira que há um temor imenso entre os praticantes dessas seitas em deixá-las. (fl. 25).”

“No Brasil, em seitas como o Vodu, Macumba, Quimbanda,Candomblé ou Umbanda, os demônios são adorados, agradados ou servidos como verdadeiros deuses.”

Na nossa igreja temos centenas de ex-pais-de-santo e ex-mães-de-santo, os quais foram enganados pelos espíritos malignos durante anos a fio. (fl. 25). Decepcionaram-se ao constatar que os mais fortes “protetores” com quem contavam não passavam de demônios. Impressionaram-se ao ouvir os próprios orixás e caboclos confessarem diante da multidão que não passavam de demônios, cuja missão é enganar, arrasar e destruir os seus “cavalos”. (fl. 26).

Tirei esses trechos do processo movido pela Procuradoria da República da Bahia, do qual deixo o link para quem quiser conhecer um pouco mais do pensamento preconceituoso do dono da emissora na qual trabalha Paulo Henrique Amorim. Insuflados por esse tipo de pensamento, os fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus (que provavelmente contribuem para o pagamento do salário dos funcionários da emissora) invadem terreiros, destroem altares de oferendas, “exorcisam” frequentadores, torturam pais e mães-de-santo. Procurem por isso no Google e vão encontrar diversas notícias.

4 – Outro processo interessante também é esse que condenou a Rede Record a exibir um direito de reposta, baseado em intolerância religiosa e ataques às religiões de matriz africana. Leiam e tenham uma breve ideia do que vai ao ar na programação da emissora de Paulo Henrique Amorim . O processo ainda está correndo porque a Record apelou. Estou tentando conseguir mais informações e publico atualizações, caso consiga. Aliás, seria interessante, como repórter da casa, Amorim tentar saber lá dentro o que está acontecendo, os motivos pelos quais a Record se nega a dar declarações sobre o caso e, princicpalmente, porque embargou o belíssimo vídeo produzido como direito de resposta.

Em sua defesa oral, ele enfatiza: “MEU PROBLEMA COMO CIDADÃO DE UMA REPÚBLICA LAICA, ONDE DEVE IMPERAR A DEMOCRACIA, É, NO CASO EM TELA, NESTA ACUSACAO, COM A GLOBO”. O que tem feito então, dentro da própria emissora, cujos programas atacam todas as outras religiões que não a oficial da Igreja pertencente ao grupo?

Conhecendo um pouco o trabalho da Record, e levando isso em conta do mesmo jeito que estão levando o fato de Heraldo Pereira trabalhar na Globo, a alma de Paulo Henrique Amorim é de que cor mesmo? Branca ou negra? Do bem ou do mal? Engajada ou vendida? Ou será que esse tipo de classificação só vale pra negros? Se só vale pra negros, ainda assim, acham que não é racista? É bem complicado defender isso sem fazer colocações racistas, não é?

A turma de blogueiros e comentaristas que faz a defesa de Paulo Henrique Amorim, a faz em nome de um corporativismo limitador do pensamento e do diálogo, inimigo do avanço das lutas sociais. Assim como durante a ditadura militar os movimentos negros foram obrigados e se calar em nome do nacionalismo, para que o Brasil pudesse passar a imagem de ser democrático pelo menos na questão racial, eles agora querem nos fazer acreditar que a atitude racista de chamar alguém de “preto de alma branca” deve ser varrida pra baixo do tapete em nome de uma unidade da esquerda contra a direita perversa. Eu quero é estar no centro. No centro dessa luta contra o racismo. Se querem fazer disso uma luta política, mantenham a superficialidade e a hipocrisia típicas desse tipo de bandeira furada e briguem entre vocês, os que são brancos (com a alma de que cor mesmo?). Já tem preto demais machucado e sendo usado como bucha de canhão nessa história de racismo.

Redação
Por Redação fevereiro 27, 2012 00:13
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154 Comentários

  1. Marcus Pessoa fevereiro 27, 00:44

    Irretocável. Não tenho nada a comentar, apenas aplaudir.

    Reply to this comment
  2. Melinda Rios fevereiro 27, 02:36

    obrigada.

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  3. Paulo Morais fevereiro 27, 03:06

    Oi Ana,

    “eles agora querem nos fazer acreditar que a atitude racista de chamar alguém de “preto de alma branca” deve ser varrida pra baixo do tapete em nome de uma unidade da esquerda contra a direita perversa”

    Você tocou num ponto que há muito tempo venho criticando. O blog do PHA é ridículo. Passa 24 horas diárias apenas detonando a grande mídia, ou seja, depende da pauta que ela produz para ter sua audiência. Mesmo assim, é defendido por uma renca de blogueiros de esquerda que pensam estar fazendo algo de útil ao se negarem a falar de movimentos sociais em seus textos, mas sempre tentando puxar o tapete do PIG.

    O PHA é o Reinaldo Azevedo da esquerda. Antipático, metido a besta, não tem força suficiente para criar qualquer discussão minimamente produtiva. Por isso se apega à pauta da grande mídia e é tão alienante como uma rede Globo ou uma revista Veja, só que torce pro outro time.

    Uma hora ia dar merda.

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  4. André fevereiro 27, 03:25

    Eu diria que é desonesto tentar retirar o que o PHA disse do contexto em que foi dito. Também é desonesto dizer que os amigos do PHA deveriam lutar para mudar a lei do racismo quando eles, na pior das hipóteses, estão apenas se negando a rotular como racista alguém com um histórico altamente positivo.
    Discordo que é racismo e ponto. Nos dois casos citados (PHA e Erundina) eles estavam respondendo a negros que tentaram explorar a cor da pele para uma determinada finalidade. O que PHA e Erundina fizeram foi tentar refutar esse uso político da cor da pele. Poderiam ter elaborado melhor a crítica, porque acabaram dando margem a todo tipo de interpretação.
    Eu não penso que, por ser negro, o Heraldo Pereira tenha a obrigação de usar o cargo que possui para qualquer tipo de ativismo. Mas dado o contexto, cujo elemento principal é o livro do Ali Kamel, qualquer alusão à cor pode sim ser criticada.

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    • Marcellus fevereiro 27, 04:17

      Sinceramente, é de um patético sem tamanho e de um desconhecimento absoluto da figura de PHA acusa-lo de racismo, uma total inversão da verdade. Esse texto é puro malabarismo de lógicas falaciosas enviesadas, expediente que pode provar qualquer coisa, inclusive que o próprio Heraldo é racista. Pura retórica do blablabla. Acima de tudo é de um oportunismo sem caráter a grande mídia tentar atingir um dos maiores críticos dessa imprensa venal – na qual a Globo se inclui – e defensor da democratização dos meios de comunicação no Brasil. Sim, estou defendendo o Paulo Henrique Amorim.

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      • Lucas Secanechia Pereira fevereiro 27, 06:52

        Quem sempre trabalho nos orgãos da imprensa venal foi o PHA.

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      • Rodolfo fevereiro 27, 10:43

        “Democratização” dos meios de comunicação… Por quê? Os meios de comunicação no Brasil não são democráticos?
        A CONSTITUIÇÃO FEDERAL de 1988 não garante a TODOS os meios de comunicação a LIBERDADE de IMPRENSA?
        Na verdade, o que vc e todo o PT quer é METER a mão na Globo, na Veja e calar o resto da imprensa que ainda não caiu no conto do progressismo e da ROUBALHEIRA do PT!

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    • Niara de Oliveira fevereiro 27, 07:24

      Tentar comparar os dois casos, PHA e Erundina, para além do que fez Sueli Carneiro em seu texto irretocável é a velha e já conhecida tentativa de justificar o injustificável. Erundina estava disputando uma eleição com um candidato negro de direita no qual tentavam colar a questão da luta racial com interesses meramente eleitoreiros. PHA dizia querer criticar apenas a Rede Globo e Ali Kamel e usou Heraldo Pereira como bucha de canhão em sua sanha contra seus ex-patrões. Os dois foram racistas ao dizer essa frase racista e infeliz. Mas comparar PHA a Erundina é forçar demais a barra. Até porque Erundina é de uma humildade extrema, sabe reconhecer quando erra. PHA é arrogante. Querem defender PHA em nome de… em nome de que, mesmo? Beleza. Mas tenham a noção do que isso implica e assumam o risco e a conta ao fazê-lo.

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      • André fevereiro 27, 09:33

        Então usar a Erundina como comparativo só é válido quando é para demonstrar a tese da autora?
        “Querem defender PHA em nome de… em nome de que, mesmo?” Segundo a autora “em nome de um corporativismo limitador do pensamento e do diálogo, inimigo do avanço das lutas sociais.”
        Um texto pobre desses, que seria demolido no finado Biscoito Fino, vira “Perfeito!”, “…maravilhoso!” e “Irretocável!”.

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  5. aiaiai fevereiro 27, 04:33

    Ana, obrigada! Como sempre, você vai fundo na questão apontando as incoerências dos progressistas que se acham donos da verdade. Obrigada!

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  6. Pedro Mandagará fevereiro 27, 05:26

    Texto maravilhoso!

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  7. João Aguiar/dukrai fevereiro 27, 05:36

    “A turma de blogueiros e comentaristas que faz a defesa de Paulo Henrique Amorim, a faz em nome de um corporativismo limitador do pensamento e do diálogo, inimigo do avanço das lutas sociais.”

    Discordo, mesmo porque depois de ler o seu artigo e me emocionar com as suas razões vou postar no meu blog de dois leitores. Duas questões apontadas por vc são fundamentais, a emissora que o PHA trabalha e a sua defesa estropiada. Estas duas questões levantam uma terceira, se PHA trabalhasse em outra emissora e tivesse advogados menos afogados em processos, o nosso entendimento seria diferente?

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    • Ana Maria Gonçalves fevereiro 27, 20:41

      João Aguiar,

      Onde Heraldo Pereira e Paulo Henrique Amorim trabalham não deveriam ter entrando na questão, mas PHA usou isso como alavanca para o ataque e teve que continuar usando na defesa, tornando assim quase impossível não pensar a partir de onde ele também falava.

      Quanto à questão de uma defesa melhor preparda,e considerando o histórico das condenações por racismo no Brasil, acho que, infelizmente, poderia fazer diferença sim. O judiciário brasileiro não está preparado para julgar casos de racismo, assusta-se, desconhece o assunto e tenta fugir da responsabilidade de condenar alguém. Porque racismo no Brasil é daquele tipo de assunto “esquece isso”, “não atrapalha a vida dele (do acusado),”não liga não”. Tenho pesquisado e acompanhado vários processos, e é assustador, principalmente nos casos em que a defesa consegue dar um nó no juiz e reverter o caso. Racismo é assunto ingrato: ninguém quer ter nada a ver com ele, nem juízes ;-(

      Esse foi o processo indenizatório; parece-me que ainda há o criminal. Aguardemos. Confesso que sempre tenho esperança de que as acusações comecem a ser levadas a sério pelo judiciário, mas…

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  8. Carlos Alberto Medeiros fevereiro 27, 06:07

    Um único acréscimo: o Movimento Negro Socialista, cujo representante foi convocado para dar cara preta ao manifesto anticotas,foi fundado em 13 de maio (!!!) de 2006, duas semanas antes da entrega do documento aos líderes do Congresso. Coincidência?

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    • Idelber fevereiro 27, 22:58

      E note-se que é um “movimento” que tem um único representante. É sempre a mesma pessoa que aparece, em todos os eventos.

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  9. Anísio Franco Câmara fevereiro 27, 06:28

    Chamar o cara de “negro de alma branca” é esperar que todo negro seja um militante, é como estranhar que eu sou negro e gosto de rock – nem percebem que gosto também de samba, funk, soul, etc… – e que achem absurdo por eu ser palmeirense – time de italino negão?
    PHA foi infeliz e tinha/tem que ser cobrado por isso, numa próxima que pense mais pra dizer suas coisas e que tente sair doa clichês, se bem que lendo o blog dele eu duvido que consiga largar os chavões.

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  10. Juarez Silva (Manaus) fevereiro 27, 06:49

    Olá Ana Maria, como sempre seus textos trazem muitos elementos e uma visão nem sempre enxergados em primeira mão pela maioria.

    Como muitos eu também fiz um texto sobre a questão, não se trata de “defender” o Paulo Henrique Amorim ou concordar com qualquer ataque ao Heraldo Pereira, mas sim (como inclusive você disse) de uma questão de “lados”; se todos que podem ser racistas (consciente ou inconscientemente) o são em maior ou menor grau, há os que trabalham a favor e os que trabalham contra a causa negra, independente de deslizes, má interpretações ou incoerências de comportamento, PHA é um dos que trabalham a favor, e a maior parte dos que o acusam de “racista” hipocritamente sempre trabalharam contra.

    No meu texto me remeti inclusive à questão da “DISPENSA DO DEFEITO DE COR” para explicar uma das possíveis origens do termo “negro de alma branca”, que é( pelo menos no meu entender)racista se aplicado enquanto tentativa de “elogio”, deixa de ser quando é uma contestação de assimilação e subserviência plena somada a falta de consciência de negros que servem aos interesses do stablishment meta-racista… por vezes atuando como modernos capitães-do-mato (escrevi que o erro do PHA foi sair atribuindo carapuças em um contexto tão obviamente explosivo…) .

    Enfim, nós que militamos na causa negra, não podemos ficar reféns do “inversionismo” e hipocrisia dos que militam contra (i.e a “mídia-má”), qualquer referência a cor/raça é “racismo” na visão deles, quando sabemos que não é assim, picada de cobra se cura a partir do antídoto feito do próprio veneno, como combater o racismo sem poder falar em racismo e “raça” ? (mesmo que em tom de denúncia ou reivindicação); PHA não é santo, mas ver o Reinaldo Azevedo & cia ltda. comemorar e chamar quem quer que seja de racista, não desce…

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    • Rodolfo fevereiro 27, 10:52

      O pior cego é aquele que não quer enxergar!
      Eu desafio vc e qualquer um a conseguir achar um único texto, frase ou palavra em que o jornalista RA tenha sido racista!
      Imagina se o RA colocasse em sua coluna a expressão “negro de alma branca” o que vcs defensores da causa não estariam fazendo nesse momento!

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      • Juarez Silva (Manaus) fevereiro 27, 12:31

        Rodolfo; nem eu, nem você, nem ninguém, encontrará nos textos do RA e de toda tropa “neo-democrata-racial”, coisas que pareçam racistas aos olhos de quem não conhece a fundo a temática…, por um simples fato, eles se utilizam da mais cínica e atual forma de racismo que é o META-RACISMO:

        Joel Kovel em seu livro White Racism: A Psychohistory (Racismo Branco: Um histórico psicológico, (e é interessante observar que o “escaldado” Kovel foi bem enfático no título, explicitando ao que ele se refere, para que não fosse cinicamente “distorcido” pelos meta-racistas para uso “inversionista” prática comum a eles) publicado em 1970 e republicado em 1984 descreve meta-racismo como “o racismo de tecnocracia; isto é, sem mediação psicológica como tal, no qual a opressão racista é executada diretamente POR MEIOS ECONÔMICOS E TECNOCRÁTICOS”.

        Ainda segundo Kovel, “como ele incorpora as formas mais avançadas de dominação, transforma-se em múltiplas configurações como um camaleão (independentemente das formas necessárias para executar a sua missão racista), e é mais eficiente que as formas mais antigas, cheias de ódio, odiosas formas do racismo que levavam a discriminação e violência pública e aberta, META-RACISMO é o modo dominante do racismo no capitalista pós- moderno”.

        Fenômeno também destacado por (Zizek 1995), “vivemos um novo tipo de racismo, um racismo pós-moderno, um “meta-racismo”, que pode perfeitamente assumir a forma de um combate contra o racismo. Essa RESISTÊNCIA CÍNICA pode ser encarada como uma das “vicissitudes da atual abertura proposta pelo liberalismo e seu projeto de re-invenção da democracia e do discurso dos direitos humanos”, porém como a diferença entre o meta-racismo e o racismo direto, tradicionalmente de forma aberta e declarada, é nula (já que não existe metalinguagem…), faz com que o cinismo com o qual se apresenta o meta-racismo o torne muito mais perigoso. ”

        Para falar a verdade a coisa nem é tão moderna assim, mesmo sem falar ou usar diretamente o termo raça, de há muito as classes dominantes brasileiras (incluindo o estado) praticam um eficiente racismo.

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        • Rodolfo fevereiro 27, 19:13

          Juarez,
          Numa boa, com todo o respeito do mundo, mas quando vc começa com os termos “tropa “neo-democrata-racial”, ” meta-racistas para uso “inversionista””, “meta-racismo” e outros tantos… eu juro que nem ia responder, mas teimoso do jeito que eu sou, não aguentei.
          Realmente a militância da “causa negra” está num estágio avançadíssimo e eu não tenho base literária e de pesquisa para acompanhar esses termos!
          Mas o FATO é o seguinte, my friend: vc está defendendo o INDEFENSÁVEL – PHA – e condenando um INOCENTE – RA com meras SUPOSIÇÕES e teorias psicológicas que não têm embasamento científico algum, afinal de contas, psicologia não é uma CIÊNCIA EXATA, portanto, se estivéssemos num tribunal qualquer, nenhum Juiz de Direito condenaria o RA, mas qualquer Juiz de Direito condenaria PHA, afinal de contas, o que ele disse está ESCRITO e é CLARÍSSIMO, além do fato de que não é a primeira vez que ele sofre uma condenção por crime de racismo.
          Outro ponto: vamos inverter as coisas. Imagina se o RA ou um William Bonner da vida, em pleno JN ou na Veja, se referissem a um negro dessa forma(alma branca). Vc mesmo, o que não estaria fazendo a essa hora?
          Mais, outro dia mesmo vcs condenaram um livro e praticamente toda a obra do Monteiro Lobato por causa de trechos supostamente racistas. Quer dizer que o Monteiro Lobato é racista e o PHA é o gênio da lâmpada e da militância negra? Faça-me um favor!
          Olha, numa boa meu irmão, não tenho e nunca tive absolutamente nada contra negros, índios, chineses, japoneses, gays, lésbicas….., mas depois que o PT chegou ao poder e depois que o Lula começou com essa LUTA de RAÇAS e de CLASSES, isso acabou me gerando grande repugnância! Não contra negros, gays, etc… ou contra quem quer que seja, mas contra quem usa vcs como plataforma para chegar ao poder e depois dá um belo de um pé na bunda de todos, afinal de contas, COTA RACIAL, para exemplificar o tema, é INCONSTITUCIONAL e qualquer criança sabe muito bem disso!
          Ah, o STF aprovou ou vai aprovar as cotas raciais? CUIDADO! O que é definido como progressismo hoje, o que está na moda, pode não ser e não estar amanhã. Tribunal que legisla ao invés de JULGAR, amanhã pode definir que negro ou gay ou chinês ou japonês não serve e mandar todo mundo para o paredão! A Alemanha de HITLER e a URSS de STALIN(que vcs tanto idolatram!) que o diga!
          Um abraço e boa sorte!

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        • Marcelo G fevereiro 27, 19:36

          Caro Juarez, a luta pela “causa negra” não solapa direitos fundamentais de todos que não possuem essa característica de pele? Vou te dar um exemplo: sou branco, sempre fui pobre, judeu (descendente de prisioneiros de campos de concentração ba Polônia), não tenho nenhum ancestral senhor de escravos. Meu filho deve ter suas chances de entrar numa faculdade limitadas pelo sistema de cotas? Ou deveríamos dar cotas a todos aqueles que, de alguma forma, sofreram em suas origens algum tipo de discriminação ou perseguição por cor, raça, credo, preferência sexual etc???
          Abraços
          Marcelo

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      • Fábio Carvalho fevereiro 27, 13:29

        Rodolfo,

        Reinaldo Azevedo escreveu, a respeito de um negro (Frank Reines). “Pode não parecer, mas esse sujeito tem uma alma branca de olhos azuis”. Foi no dia 27 de março de 2009 às 19h59. Tentei postar o link, mas acho que o sistema travou.

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        • Rafael fevereiro 27, 15:19

          Tratava-se de uma ironia ao ex-presidente Lula que havia dito que a Crise Financeira era obra de “homens louros de olhos azuis”.

          Se você lesse o artigo à época, provavelmente perceberia a ironia. (Ou não).

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          • Fábio Carvalho fevereiro 27, 17:24

            Rafael,

            Eu li, sim. Quis linkar, mas não consegui. PHA alega ter usado uma expressão racista para ironizar a suposta cumplicidade de um negro com as opiniões de Ali Kamel, um branco. Alguns acharam por bem defender PHA, que disse defender as cotas, ao contrário da Globo comandada por Kamel.

            RA ironizava Lula, um branco, com uma expressão racista usada contra um negro (e hoje está a acusar quem defende PHA…). Porque, supostamente, Lula, ao atribuir razões da crise a brancos de olhos azuis, teria feito comentário racista.

            Penso que RA e PHA incorreram no mesmíssimo erro. Ou ato falho.

          • Claudia fevereiro 27, 18:16

            Li o texto de um e de outro.Está claro, não adianta dizer que ele não foi racista, foi.Quanto a Reinaldo Azevedo, o texto é totalmente diferente e não tem nada a ver com acusar alguém de forma tão grosseira.Você colocar apenas uma linha do texto pra justificar, realmente!A jornalista colocou todo o texto de Paulo Henrique que me dá nojo, não uma linha fora do contexto.Se você for usar o texto do RA, faça o favor de ser honesto, e coloque ele todo.Não importa aonde Heraldo Pereira trabalha, o ataque foi um absurdo, só.O senhor Juarez, inventa o termo” neo-democrata racial” e inventa preconceito para todos, escondido em cada linha.Chega a ser engraçado, parece aquelas teorias de conspiração.Existe preconceio de negro contra brancos, existe e com algumas falas como essa fica visível.Está na hora de começarem a pensar em termos de País, unidade, não em essa raça, aquela raça.Somos feitos da mistura de várias raças.Não acusar esse, aquele e ficarmos procurando neo democratas racial que no fundo não sendo, serão racistas.

          • Marcelo G fevereiro 27, 19:38

            Não! É só ler o texto do Reinaldo para entender claramente a diferença. Lula, num ato racista, atribuiu a crise americana aos “loiros de olhos azuis”. Reinaldo quis escancarar a falácia do ex-presidente.

            Abraços

          • Fábio Carvalho fevereiro 28, 10:25

            Cláudia,

            Tem muita gente que reclama o contexto e a circunstância que PHA usou a expressão racista. Outros o fazem com Erundina. A autora do artigo, mais abaixo nesta caixa, sem xingar ninguém de desonesto ou militonto, formulou a seguinte pergunta [maúscula minha]:

            Se PHA, ou Luiza Herundina, OU QUEM QUER QUE SEJA, quer apontar o que considera algum tipo de erro ou desvio no comportamente de alguém porque não o faz diretamente, usando os mesmo termos que usaria para um branco, sem fazer menção à cor?

        • Marcellus fevereiro 28, 12:45

          Também tentei postar o mesmo link por 3 vezes mas o sistema também recusou. Fui olhar nos comentários se havia links (vai que o sistema não permite links) mas eles existem. Enfim… já me deu um certo engulho ter que ir na página copiar a url desse indivíduo…

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    • Ana Maria Gonçalves fevereiro 27, 22:04

      Juarez,
      Li agora o seu texto, e te entendo. Podemos concordar em discordar, sem problemas :-) Bem, vou te falar apenas de mim e, por favor, não entenda como uma crítica a você ou à sua trajetória no combate ao racismo, que é maior e, com certeza, muito mais rica que a minha. Comecei há pouquíssimo tempo, sem nunca antes ter me dedicado a causa alguma e muito menos ter me interessado por política. A primeira campanha política que acompanhei de fato foi a última para presidente, e, a partir dela só, já entendo a questão da direita, de Reinaldo Azevedo etc… Não tenho a menor dúvida de que me alinho às ideias da esquerda, mas ainda (pra sempre? não sei – tô vivendo o agora) consigo permanecer neutra a alinhamento a qualquer grupo. Quando escrevi meu primeiro texto sobre o racismo, aquele “Não é sobre você que devemos falar”, sem brincadeira: recebi quase 700 mensagens particulares, por e-mail ou Facebook. Mais ou menos metade era a favor e metade contra, com interpelações educadas e outras que eu tive que apagar sem ler tudo, dado o grau de virulência. Vieram, tanto as contra quanto as a favor, de gente de direita, de esquerda, militante, não militante, branco ou negro. Assustada, achando que as pessoas estavam divididas entre as de lá ou de cá, pedi ajuda para uma amiga, negra militante das antigas, e ela me perguntou se eu queria fazer política ou militar contra o racismo. Sem dúvida alguma eu disse que era contra o racismo. Então ela me respondeu: foca nisso, vai em frente e não fale por ninguém: fale junto. Então é isso que tenho tentado fazer: falar junto, concordando ou discordando, e sendo honesta comigo mesma, porque a luta não é fácil, o assunto é ingrato, e atos de racismo vamos ver em toda parte, em todo tipo de gente, qualquer que seja a ideologia ou o caráter. É a partir daí que eu me pergunto: qual o meu grau de conforto em apontar, qualquer dia desses, um ato de racismo de Reinaldo Azevedo & Cia. se eu não apontasse esse envolvendo Paulo Henrique Amorim? Do fundo do meu coração a resposta é: nenhum. Daí a minha escolha que, sei, sempre vai agradar ou desagradar uns e outros. Entendendo quem não faz, não quer ou não pode fazer assim, mas nem por isso tendo que concordar ou deixar de dar minha opinião. Sendo assim, eu não consigo defender o termo “negro de alma branca”, dito por quem quer que seja, mesmo que minha posição seja usada por quem, hipotética ou comprovadamente, teria a maior probabilidade de estar sendo alvo, e não beneficiário dela. Que chamem isso de como quiserem (ingenuidade – conveniência – sabedoria – traição – egoísmo – retidão – coragem – entreguismo etc), e eu sei que vão chamar, dependendo da conveniência. Pra mim, é só foco. E eu preciso de foco; senão me perco.

      Sobre a dispensa do defeito de cor, no seu texto, acho bem difícil julgar quem sem beneficiou dela. Sou fã, por exemplo, do padre José Maurício Nunes Garcia, para quem a música e a instrução eram tudo na vida. Pedir dispensa do defeito de cor e seguir a carreira eclesiástica foi o único jeito que ele encontrou para estudar, compor, tocar, ensinar música. O ato de ter que fazê-lo é odioso, mas ouça só se não valeu a pena: http://www.youtube.com/results?search_query=jos%C3%A9+maur%C3%ADcio+nunes+garcia

      Ele é considerado o maior compositor brasileiro do período colonial. Tem uma história linda de quando D. João VI o ouviu tocar pela primeira vez e arrancou uma comanda do peito de um nobre que o acompanhava e colocou-a no peito de José Maurício. A foto mais conhecida do padre, pintada anos mais tarde por seu filho (sim, filho de padre, que talvez não tivesse sido pintor se o pai não tivesse tido prestígio como compositor, vai saber…), traz essa comanda. Enfim, histórias… Mas acho que essas histórias de dispensa do defeito de cor pensam contra o sistema escravagista, e não contra quem era obrigado a pedi-las.

      Aqui tem um texto bem interessante sobre a “dispensa do defeito de cor” no clero:
      http://encontro2008.rj.anpuh.org/resources/content/anais/1212773302_ARQUIVO_Texto-AndersondeOliveira-Anpuh-RJ-2008.pdf

      Grande abraço, Juarez, e estamos juntos!

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  11. Lucas Secanechia Pereira fevereiro 27, 06:55

    O cara trabalha na recordiurd e quer pagar de militante antirracismo, anti-homofobia e ainda faz cara de horrorizado quando Serra bota religião na campanha. Poupem-se!

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  12. André fevereiro 27, 07:02

    Se o PHA deve pagar por todos os erros da Record então a crítica que ele fez ao Heraldo Pereira foi levíssima.

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    • Idelber fevereiro 27, 23:01

      Não. É ao revés. Foi PHA que se dirigiu a Heraldo como se ele tivesse que pagar por todos os “erros” da Globo. O texto da Ana só destrincha essa lógica, pergunta-se o que seria se aplicássemos o mesmo preceito à Record.

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      • André fevereiro 28, 05:00

        Mas a autora quis retirar até mesmo o contexto em que foi feito o ataque do PHA (“Vou deixar Ali Kamel, seu livro e Gilmar Mendes de fora, porque são outros assuntos…”) e tentou incluir até os erros da IURD na conta do PHA (“Nos seus templos são feitos sucessivos ataques a terreiros e à reputação de filhos, pais e mães de santo de todo o Brasil, inclusive com incitação à violência, pelos quais e Rede Record já foi condenada judicialmente.”).

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  13. Thuin fevereiro 27, 07:04

    O melhor negro de alma branca pra mim sempre será o moreno, que numa diatribe há uns anos explicou que “nunca sofreu racismo” até porque não vai atrás, e que enfrentou todas as dificuldades sem nunca reclamar. “Sou um crioulo de bem com a vida e com a cor.” Li n’O Globo, e quase que me caíram os olhos da cara lendo.

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  14. Rogério Santos fevereiro 27, 07:32

    Muitos aplausos!! Qualquer coisa que eu disser será pouco diante das provas demolidoras que Ana Maria Gonçalves apresentou nesse texto belíssimo.

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  15. Luciana fevereiro 27, 07:36

    Desculpe a minha ignorância sobre este assunto, mas minha dúvida é…preconceito contra raça negra ou cor preta das pessoas?…porque sou morena mais clara e tenho olhos claros, mas minha mãe era negra, filha de negro, ou seja, me considero mestiça negra em maior predominância…não me lembro de ter sofrido racismo por isto, mas lembro de ter sofrido preconceito mais por pertencer a uma família extremamente pobre no período em que era criança ( década de 80).Preconceito tem relação com conhecimento e educação?…porque me lembro quando criança sofrer( eu e meus irmãos) extremas humilhações provenientes das professoras da minha escola que estudava no primário, ms relacionado a minha pobreza,pela falta de roupas, de materiais escolares, de higiene adequada…. e depois vieram outras coisas, “menina pobre não pode casar com meus filho”, “olha a família dela”, “olha a casa dela”…..Tenho muitas dúvidas sobre o que compreende o preconceito dos brasileiros e como está sendo a evolução ou involução disto tudo? Bom, pra ninguém ficar tão triste com a minha história, realmente não tive privilégio, nem livro de graça, nem bolsa família, nem vaga com facilidade da faculdade….estudei em escolas publicas, detalhe, sempre sem livros, mas eu tinha um sonho , trabalhando,entrei pra UERJ, cursei Enfermagem, me especializei na USP….enfim nada diferente de milhões de brasileiros, ão é?

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  16. SFranzao fevereiro 27, 07:37

    Esse Sr. Paulo Henrique Amorim, não tem ideais, o negocio dele é atacar tudo e qualquer um que seja GLOBO. Ele nunca se conformou de estar fora do mundo Global. Devia tomar chá de sumiço e se calar.

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  17. Cassio fevereiro 27, 07:43

    A declaração do PHA sobre o Heraldo Pereira foram racistas e não há nada no passado de ninguém que a transforme em outra coisa. E, por falar em racismo, digo que as cotas são uma política racista em essência, já que usa como critério de desempate em uma disputa a cor da pele – o que é uma injustiça completa e concreta contra o indivíduo que perdeu a vaga exclusivamente por pertencer à raça “errada”. Não há quem consega mostrar que esse critério não bate exatamente com a definição de racismo.

    Justiça que se faz através do seu contrário só pode receber esse nome com uma distorção safada, daquelas narradas por George Orwell.

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  18. eloir dreyer fevereiro 27, 07:43

    Vejamos. Primeiramente é sempre difícil tratar do assunto. Eu confesso que sou melhor numa mesa de bar, onde acho mais possível esclarecer as lacunas pelo que falo no momento mesmo da discordância, ou da dúvida, enfim. Acho que, sim, somos todos racistas, machistas, homofóbicos. Temos de nos policiar quanto a essas doenças culturais. O que acho digno de crítica é certa mania que a gente tem de, na busca por isenção, de tirarmos as pessoas dos atos, como se as coisas acontecessem por conta da ação de entidades, de forças ocultas. Ora, raios, sabemos que isso não é verdade. Chego até aqui simplesmente pra afirmar que, sim, Heraldo Pereira é uma pessoa e que esta pessoa comete seus atos e estes, não raro, se prestam a fortalecer comportamentos que eternizam coisas nefastas, como o racismo. No link disponibilizado onde ele é entrevistado não temos muito mais do que a velha artimanha da grande imprensa de ser simpática e muito humana quando se trata de se mostrar “em carne e osso” ao seu público, o que não corresponde à realidade quando analisamos as coisas que fazem e o que defendem…
    Se referir à cor quando se trata de falar sobre negros existe e é, sim, normal (mesmo que não devesse), justamente por sermos racistas e o racismo estar aí em todo canto, o tempo todo, se manifestando de toda maneira. Defender que não devo mencionar a cor quando me refiro a um negro quando o critico vai na mesma linha de pensamento do “não somos racistas”. Muito conveniente. Algo que sempre existiu e nos condenou deixa de existir justamente quando a intenção é combatê-lo. Seria ótimo se de fato deixasse de existir, acontece que não deixa.
    Heraldo Pereira se refere ao fato de ser negro quando menciona João do Pulo pelo mesmo motivo. Não precisaria fazê-lo se não fossemos racistas. E pode fazê-lo, sim, aliás, deve, justamente para buscar combater o mal.
    Paulo Henrique Amorim não estava tratando de uma entidade e não se referia a algo que não existe – no caso o racismo. Paulo Henrique Amorim o chamou pelo nome e mencionou a cor da pele e o criticou justamente por não concordar com o racismo, muito menos com a propaganda criminosa de que não existe racismo no Brasil. Existe. É cometido por pessoas de carne e osso, com nome, sobrenome, emprego, título… Pessoas como Heraldo Pereira.
    Minha ex-namorada era racista e ficou brava comigo quando eu a informei a esse respeito. Mas o irmão dela também era, assim como a mãe. Meu vizinho de parede é racista, sempre naquela de “não é que eu seja racista, mas os negros…” E eu tenho dezenas mais de conhecidos assim. E o mais impressionante é que praticam um racismo assumido em palavras, que negam através do mesmo recurso. É inacreditável! E estamos falando, então, de hipocrisia. Hipocrisia de sermos e negarmos, de fazermos e dissimularmos. É esta sociedade que a Globo, em muito, contribuiu para que fosse assim, e continuará contribuindo para que continue e é uma covardia que nós deixemos que consigam criticando àqueles poucos que à ela buscam enfrentar.
    Pra terminar: se for pra criticar o Paulo Henrique, que o façam, mas não sem antes demonstrarem com mais empenho o que empresas como a Globo fazem. Não vejo a mesma determinação nesse sentido, e justamente num caso em que poderíamos usar a repercussão que causou para despertarmos mais pessoas a respeito disso. A moral dos Alexandres Garcias está em êxtase por conta desse caso envolvendo Heraldo e Paulo Henrique. Isso, sim, teria que ser inadmissível, embora para muitos pareça ser uma questão menor.
    Abraços.

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    • Dawran fevereiro 27, 09:34

      eloir dreyer, o local onde a pessoa trabalha e sua cor de pela não é motivo para motivar ofensas pessoais. Isso não se coaduna com nada que possa ser chamado de liberdade.

      Não gostar ou gostar da empresa e/ou do emprego da pessoa não tem a ver como justificativas para poder ofendê-la, detratá-la.
      Procedendo assim, estar-se-ia tornando a vítima em réu, por interpostos motivos e justificativas. Quem poderia safar-se de tal autoritarismo? A história já está cheia de aspectos assemelhados que redundaram em tragédias jamais superadas em seus efeitos perniciosos.

      É de repetir-se. A profissão da pessoa, a cor da pessoa, a empresa onde a pessoa exerce suas funções, não são e não podem ser passíveis de utilização para justificar agressões ou quaisquer tipos de cerceamento.

      E cabe a pergunta: onde acha que um negro deveria trabalhar, o que ele deveria dizer, como dizer, quanto ganhar pelo seu trabalho?

      O fato deve ser deplorado, sim. Em favor da vítima.

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      • eloir dreyer fevereiro 27, 09:58

        É evidente que não se trata de condenar alguém por trabalhar na Globo, e eu fico triste quando as pessoas fazem interpretações completamente fora do que foi afirmado. Se trata, sim, de criticar alguém pelo que faz e como o que faz prejudica o desenvolvimento da sociedade. Agora, se você vier me dizer que a crítica é errada porque o critério de quem critica é seu, aí estamos perdidos. Você se referiu a autoritarismo e é justamente disso que se trata, do autoritarismo de uma rede de TV que atropela toda a lógica em busca de sua defesa e influencia as pessoas a errarem sob a falsa justificativa da isenção: “não vou criticar a Globo por ser a Globo…”.
        Criticar a Globo por ser a Globo é, sim, uma estupidez, mas deixar de criticá-la para me fazer de isento quando a crítica é pertinente é pior ainda. Ademais, falar em autoritarismo quando se trata da disputa de um homem contra uma das mais poderosas empresas do mundo só pode ser piada. Heraldo Pereira é uma mera peça usada no momento para tentar vitimizar um sistema cuja ideologia atrasa e diminui o povo brasileiro e condenar um dos poucos homens que conseguem perturbar a ditadura ideológica imposta pelos meios de comunicação.

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  19. Cassio fevereiro 27, 07:44

    Correção: A delaração do PHA… FOI racista (e não “foram racistas”)

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  20. Cassio fevereiro 27, 07:45

    Correção 2: o “consega” também escapou pelos vãos da desatenção.

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  21. Rafael fevereiro 27, 07:46

    Se a defesa do sujeito se limita a esse resumo, então podem chamar o camburão.

    Eu acho absolutamente nojento que se defina o que uma pessoa deve ou não acreditar por conta de suas origens ou tom de pele.

    Isso não é novidade no Brasil e vale lembrar que o réu é um governista de convicção (porque eu não sei) e adora criticar os que ousam ser oposicionistas.

    Já o fez antes contra petistas e agora o faz contra os que não são, então, militantes, tenham isso em mente antes de se dedicarem em defender o indefensável.

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  22. Thuin fevereiro 27, 08:17

    (Por “negro de alma branca,” fazendo asteriscos à PHA, entendido como “manifestação na qual se evidencia o racismo ao tentar negá-lo.”

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  23. Júlio fevereiro 27, 08:30

    Faltou só uma assinatura para sabermos quem é a autora, o que ela faz e tal. Ana Maria é professora, ou cobradora de ônibus, ou sei lá o que… eu acho sempre bom.

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  24. Rodrigo Eduardo fevereiro 27, 08:31

    Ana,

    Perfeito!!!, com três exclamações para rivalizar com a defesa do PHA.

    abs.
    Rodrigo

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  25. Bárbara fevereiro 27, 08:32

    Eu estava conversando com um amigo outro dia sobre algo parecido (ainda não havia o caso do PHA). Eu sou branca, ele, mulato. Estávamos discutindo sobre como as políticas de cotas são racistas até certo ponto e também importantes até certo ponto.

    Tento fugir ao máximo de ter atitudes e pensamentos racistas, e sei que é difícil quando sua família toda é branca, e acaba que seus amigos e colegas de escola e trabalho também são brancos. Me preocupo com a questão. Mas acho aue o enfoque para acabar com o racismo deveria ser: não existem raças. Biologicamente o conceito é inexistente, ele só existe social e historicamente.

    Entendo que há uma herança histórica de exploração contra pessoas consideradas como fora da normalidade, principalmente os de pele negra, e que por isso eles acabam sendo prejudicados em suas oportunidades. Entendo que a política de cotas – e outras políticas – visam acabar com essa herança maldita e equilibrar as oportunidades.

    Mas me parece que essas políticas não tentam mudar a mentalidade das pessoas – os brancos vão continuar hostilizando os negros que entram na universidade através das cotas. Eu penso que antes de tudo deveria-se tentar equilibrar as políticas afirmativas e tentar incutir na mente das pessoas, independente de qualquer coisa, que não há raças, que todos somos humanos, que temos coisas em que somos semelhantes e coisas em que somos diferentes, e que nada disso nos torna melhor ou pior que ninguém.

    Não sei é como fazer esse equilíbrio: as políticas de cotas exigem a priori que se estabeleçam diferenças a serem consideradas pelas pessoas (cor da pele) e que algumas delas têm direito à reparação da herança maldita que traz consigo. Então essas mesmas políticas já impedem as pessoas de entender que o conceito biológico de raças não existe, aue foi errado o que fizeram no passado, ao explorar aquele que tinha a cor da pele diferente, e que temos que mudar isso, sermos mais humanos e menos racistas.

    Não consigo pensar em como equilibrar isso, e nem meu amigo conseguiu pensar também. E aqui estamos.

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    • marcos nunes fevereiro 27, 10:59

      Bárbara, o fato de que biologicamente somos iguais, mas por maquinações históricas e ideológicas não, é justo onde está o problema, pois o racismo não quer base científica, basta se impor como preconceito baseada na suposta experiência da inferioridade funcional dos negros e mestiços. A política de cotas não acentua o racismo; na UERJ, onde minha esposa dá aulas, se dá justo o contrário: não investe o negro de arrogãncia e faz com que o branco entenda, afinal, que a questão é de equiparação mínima de oportunidades. Temos, então, o convívio entre as classes que elimina boa parte do preconceito, e a compreensão de que, não havendo de fato oportunidades iguais, por questões sociais de barragem do acesso de negros e mestiços a serviços de educação que lhes permitam disputar com verdadeira igualdade vagas no ensino público, a única maneira, ou mero paliativo, para prover uma mínima integração entre pessoas de origens e classes distintas, mas com o mesmo interesse de crescer humanamente através da educação, é um sistema de cotas, talvez não explicitamente “raciais”, mas sociais, somo é na UERJ, com um percentual destinado a oriundos do ensino público e que sejam filhos de funcionários públicos.

      Há muita hipocrisia na defesa da “igualdade”, quando se escanteiam os problemas de formação de pessoas que, por origem de classe, estão destinadas a cumprir um destino social socialmente inferior, por alijado dos melhores serviços de saúde e educação, além de acesso a melhores empregos. Quando TODOS os brasileiros forem, de fato, equiparáveis em acesso a fatores que geram OPORTUNIDADES DE FATO IGUAIS, aí todos os sistemas compensatórios podem ser extintos. No momento, isso não é possível.

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    • Juarez Silva (Manaus) fevereiro 27, 13:38

      Bárbara, quando você diz “acho que o enfoque para acabar com o racismo deveria ser: não existem raças. Biologicamente o conceito é inexistente, ele só existe social e historicamente.”, você já dá metade da resposta para suas perguntas.

      Primeiro ponto, o viés biológico já está superado faz algum tempo na discussão temática, exceção para algumas tentativas dos anti-ações afirmativas, que insistem em tentar confundir os incautos ao dizer que se não existem raças do ponto de vista biológico, não há motivos para se falar em “raça” em nenhum outro aspecto. OK raças não existem, mas o racismo não precisa mais de justificativa científica,nem de ser aberto, ele é exercido na prática e silenciosamente, afinal ninguém pede nem nunca pediu teste de DNA na ora de discriminar, basta a marca (aparência)que sempre identificou e identifica o indivíduo como do grupo a ser discriminado.

      Segundo ponto, o conceito histórico e social de raça foi e é o responsável por uma situação real de discriminação e desigualdade, sendo assim, não é possível equalizar os problemas sociais de origem “racial” sem utilizar “raça” (em um contexto social, não biológico) como parâmetro…, imagine o racismo como uma picada de cobra, o veneno tem como toxina a ideia de “raça A /raça B ” , o antídoto deve ser feito a partir do elemento tóxico, retirar a “raça”(socialmente falando) da discussão e equalização é como dispensar o soro antiofídico e tratar a picada com aspirina, ou seja, totalmente inócuo.

      Concluindo, se “raça” (independente de conceito biológico ou construção social) foi utilizada para gerar o prejuízo, não se conseguirá identificar e reparar os prejudicados sem utilizar o identificador original (é claro agora em um contexto afirmativo e não lesivo).

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    • Rafael fevereiro 27, 15:28

      Se a universidade deve ser usada como uma forma de reparar injustiças sociais, por que definir o corte como o tom da pele?

      Se a maioria dos negros é pobre (mas os brancos também), por que não definir um critério simples de renda?
      Por que as ações afirmativas tem de ter um corte racial e não apenas social?

      Mas eu penso com os meus botões: por que cotas? Por que não bônus como já vinham sendo aplicados com sucesso em outras universidades públicas?

      O bônus mantém a meritocracia (exigência constitucional) e resulta quase no mesmo que as cotas, essas sim extremamente mal vistas.

      A própria Fuvest dá até 12% a mais na nota de alunos oriundos da rede pública e poderia se discutir até um eventual aumento baseado em critérios de renda.

      Não acham que a cota é segregante demais? Especialmente a racial?

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  26. Gustavo fevereiro 27, 08:38

    BRAVO!

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  27. jackson fevereiro 27, 09:10

    Não entendo esta discussão. É sobre se existe racismo no Brasil ? É claro que existe. Uma sociedade de origem escravocata como a nossa não teria como deixar de ser racista. Mas existe de todos os lados, brancos, negros, amarelos, indios,e outras origens. Ser chamado de ” negro de alma branca ” em qualquer circusntancia é racismo. Ser chamado de ” branquela “, ou ” japa ” também o é. Portanto, é pura tentativa de mudar o foco do problema este discurso sobre o histórico do PHA, ele demonstrou racismo na sua manifestação. E considerando onde trabalha, quem é seu patrão, quem lhe paga o salário, não acredito que tenha sido um ato falho e sim deliberado. Existe lei sobre o assunto. Aplique-se a lei e pronto. Mas trambém que se aplique a lei sobre todos os casos correlatos, e não somente neste, pois esta dá mídia a quem esta envolvido.

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  28. Dawran fevereiro 27, 09:21

    O nome da ofensa é arrogância. A mais pura arrogância.
    Como pode alguém arvorar-se do direito de ditar regras com base na cor da pele de outra pessoa, ou pela profissão da pessoa, ou pela empresa em que trabalha? Isso é absolutamente inconcebível numa Democracia.
    Pode-se intentar cercear uma pessoa por isso?
    Pode-se obrigá-la ao alvitre do que considera o ofensor?

    Por outro aspecto, o que há a criticar, portanto, é a atitude inconcebível com a Democracia e contra a individualidade das pessoas, denotada pelo ato.

    Porém, ao tecer-se considerações sobre o termo “negro de alma branca”, no infeliz intento de verificar se o ofendido enquadrar-se-ia ou não em tal “classificação”, tem o condão do absurdo.
    Isso não tem o menor cabimento, tanto quanto o termo. O que há a condenar é a atitude autoritária do ofensor.

    Por incrível que possa parecer, ao intentar discordar do ofensor, cometem o engano de questionar estereótipos no ofendido.

    Que isso seja levado em conta e cuidados.

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  29. Ligia Fonseca Ferreira fevereiro 27, 09:51

    Cara Ana,

    Neste seu texto de fôlego mais uma vez brilhante e certeiro, em todos os aspectos, você “lava” nossa alma.
    Paulo Henrique Amorim subestimou não só a sua “vítima”, como a existência e/ou a capacidade de negros e negras “preparados” estarem atentos ao que nos afeta individual e coletivamente, manifestarem-se através de uma bem fundamentada indignação, indignação que tanto exaspera o sorrateiro racismo à brasileira, mas que encerra, como canta Milton, uma “saúde civil”.
    Ainda na semana passada, escrevi ao Heraldo, que conhece meus trabalhos sobre Luiz Gama, como o livro que vc citou com reedição por mim organizada das Primeiras Trovas Burlescas (2000) e o último, Com a palavra Luiz Gama. Poemas, artigos, cartas, máximas (2011).
    Disse ao nosso amigo jornalista que sua atitude em processar o PHA lembrou-me Luiz Gama que em 1870, indignado com os ataques à sua condição de homem negro e ao que entendia serem seus direitos de cidadão, processa, defendendo-se sozinho, um dos mais poderosos ( e incompetentes, como o provaria o próprio Gama) juízes da cidade – Dr Rego Freitas (nome de rua em SP). Luiz Gama não deixava passar nada… em branco !
    Por fim, gostaria de agradecer a generosa menção a meu trabalho, e confesso que estou “chocada”, para ser fina, com a informação “leviana”, sendo fina novamente, da aclamada e aristocrática historiadora Isabel Inojosa. O poema Bodarrada (se ela tivesse consultado a reedição crítica que organizei, hoje referência e constante do acervo da Biblioteca Nacional, o saberia )foi publicado nas 1a e 2a edições das Primeiras Trovas Burlescas de Luiz Gama (1859,1861). Alguns periódicos abolicionistas ou republicanos às vezes o reproduziam. Faltou ler meu vasto ensaio introdutório que acompanha a reedição, onde há fartos elementos de contextualização histórica, além de análise – discursiva inclusive – dos poemas. Luiz Gama não louva, mas denuncia esta “miscigenação” e os “mestiços” que renegam, estigmatizam, abjuram e eliminam a “África” que lhes corre nas veias…
    Da mídia à esfera acadêmica, onde também há coronéis, de saia inclusive, é preciso ligar as antenas e se colocar, como vc escreve acertadamente, no CENTRO do combate ao racismo, pois como no passado alertou o socioólogo Guerreiro Ramos, se havia/há um consenso entre direita e esquerda no Brasil, este era/é a negação de uma questão racial e do racismo.

    BRAVO, Ana, e desculpe se me excedi, mas seu artigo mexeu nas minhas vísceras e coração.
    Um abraço,
    Ligia Fonseca Ferreira (UNIFESP)

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    • Ana Maria Gonçalves fevereiro 27, 23:43

      Ligia,
      Prazer vê-la por aqui. Pois é, essas distorções me matam de raiva, principalmente porque enganam muita gente. O que nos resta é denunciar, sem dúvida. E bom saber da sua amizade com o Heraldo, pois, mesmo sem conhecê-lo, não acreditei muito na tentativa de Paulo Henrique Amorim de desqualificá-lo como total alienada à causa negra. Agora me informaram que ele é a favor das cotas. :-) Estou procurando alguma declaração dele nesse sentido. Você conhece?

      Beijo, amiga, e parabéns e obrigada pelo seu trabalho

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  30. Jamelão fevereiro 27, 10:05

    É assustador ver os nazi-fascista do PT e da esquerdalha brazuca tentar desmerecer o texto da autora (com o qual eu não concordo completamente, mas é bem feito) para defender um ente querido TÃO RACISTA COMO LULLA E SEUS SEGUIDORES (bogreros pogleççistas a soldo público), e é fácil notar que são 2 analfabetos usando vários nicks ridículos para tentar dar a impressão de que são muuuuitos! A esquerdalha caviar achar que todo negro só pode ser negro de verdade se concordar em manter sua postura de “preto burro ignorante e desarticulado que depende das bondades dos brancos superiores esquerdopatas para defendê-los”. MAIS NAZI-FASCISTA DO QUE ESSA ESQUERDALHA IMPOSSÍVEL…

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    • André fevereiro 28, 05:06

      Fico imensamente feliz em estar em campo oposto ao seu, não importa o nome que você queira dar a ele.

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  31. Ricardo Matias fevereiro 27, 10:23

    Nas cotas raciais, como ficarão os mestiços? Esta faltando genética nesse debate.

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  32. Lívia Carvalho fevereiro 27, 10:44

    Foi um privilégio ler um texto tão lúcido e ponderado. À parte da opinião sobre a polêmica em si (com a qual eu concordo com cada palavra), o modo como ela é colocada representa o que desejo para a forma como debatemos temas desta relevância: com honestidade, respeito, ponderação e lucidez.
    Obrigada.

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    • Idelber fevereiro 27, 22:56

      “Honestidade, respeito, ponderação e lucidez” são as quatro palavras que me vêm à mente quando leio o que Ana escreve :=)

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  33. Rodolfo fevereiro 27, 11:02

    Achar que a expressão “negro de alma branca” não é RACISTA só pode ser coisa de PETRALHA e PROGREÇISTA(o “Ç” é em homenagem ao petralha André Vargas!), totalmente BITOLADO ideologicamente falando, MILITONTO FANÁTICO que pensa que política é a mesma coisa que torcida de clube de futebol!
    Imagina o William Bonner ou o jornalista Reinaldo Azevedo da Veja publicando uma matéria ou falando na TV tal expressão, o que essa militância fanática não estaria fazendo a essa hora!
    Outro dia mesmo a militância queria excluir um livro do Monteiro Lobato por racismo! Racismo vindo de quem supostamente é “da causa” é da militância pode, racismo quando é de um deles não pode! Não sejam RIDÍCULOS!

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  34. Cleber Neves fevereiro 27, 12:25

    Ana, como é bom ler o que você escreve. Você sempre consegue trazer humanidade aos nossos lados mais embrutecidos. Obrigado!

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  35. Elton Castro fevereiro 27, 12:34

    Excelente, Ana Maria Gonçalves, como sempre.

    Só tenho um certo ponto sobre o qual não consigo parar de pensar:

    Entendo racismo como coisa concreta, real, material. Por isso me incomoda um pouco essa discussão sobre racismo tendo como enfoque certas expressões linguísticas, especificamente aquelas em que a intenção, ou mesmo os valores subentendidos, não parecem deixar tão claro esse racismo.
    Volto no exemplo citado do “negro de alma branca” do discurso de Luiza Erundina, a crítica à declaração dela é feita supondo que ela atribuiria uma falha de Celso Pitta à sua condição racial. O trecho citado em negrito diz, logo antes, “Um negro pode ser corrupto, se posicionar contra os interesses de sua gente.” E não é isso mesmo o que Erundina está dizendo?! É óbvio que ela NÃO quis dizer que Celso Pitta era um defensor do status quo e sua elite branca PORQUE era negro, mas que assim seria APESAR dele ser negro! E, sinceramente, ela estava coberta de razão. Não é?
    E racismo, afinal, é sobre palavras? Ou sobre seu sentido, contexto, intenção e vinculação com a realidade objetiva?

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    • Ana Maria Gonçalves fevereiro 28, 00:15

      Elton,
      Racismo é algo bem abstrato e escorregadio, que se assemelha mais a um sentimento do que a qualquer outra coisa. Tanto, que nenhuma área de conhecimento, sozinha, consegue explicá-lo. Quase todas (filosofia, política, economia, teologia, sociologia, antropologia, biologia, psicologia etc…) em algum momento da história da humanidade, já tentaram chamar pra si essa responsabilidade e falharam.

      A palavra é apenas um dos meios através dos quais ele se manifesta. O termo “negro de alma branca” é uma ofensa racista porque ele teve uma origem racista da qual nunca conseguiu se desvincular. Ou seja: um negro, para ter sua humanidade e cidadania reconhecidas, deveria igualar seu comportamento ao que era considerado o único comportamente aceitável (seja lá o que era considerado comportamento de negro): o do branco. Usa o termo quem quer ofender um negro por achar que ele não se comporta como um negro deve se comportar, usando para isso o fato de ele ser negro. Se PHA, ou Luiza Herundina, ou quem quer que seja, quer apontar o que considera algum tipo de erro ou desvio no comportamente de alguém porque não o faz diretamente, usando os mesmo termos que usaria para um branco, sem fazer menção à cor?

      Fazer menção à cor, usando um termo de cunho histórico racista, com o intuito de ofender um negro, é racista.

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      • Oliveira fevereiro 28, 09:30

        Ana achei vc fantástica, a tua experiência, a sua forma de expressar, a sua convicção e sua luta.Sou leigo em relação a prática e entendimento de militância racial e conhecimento lingüístico. Mas, vou atrever a fazer um adendo.
        Vc disse que “O termo “negro de alma branca” é uma ofensa racista porque ele teve uma origem racista da qual nunca conseguiu se desvincular.”
        Quer dizer que independente da forma que ele for utilizado ele é racista pela sua origem?
        E se um termo de origem não racista for aplicado de forma velada com conotação racista? Será inocente por não ter origem racista?
        Apologia ao pecado capital?
        Acho que contexto e intenção têm que ser avaliados sempre. Não estou aqui para defender ninguém, mas, será que PHA não teria outras palavras para usar, sem se comprometer com as minorias que diz defender, e que pelo menos aparentemente defendeu? Será que sua intenção era realmente ser depreciativo com os negros? Acho todos devem fazer essas perguntas.
        Me parece extremamente perigoso essa rotulação lingüística… Não especificamente nesse caso, mas, no geral. Não se pode combater preconceito com preconceito que sempre gera preconceito e aumenta distâncias…
        ANALISE-SE O SENTIDO E APLIQUE-SE A LEI.

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      • Elton Castro fevereiro 29, 06:44

        Obrigado pela resposta, Ana. Parabéns pela lucidez e cordura com que trata um assunto tão delicado e potencialmente “explosivo”.
        Abraços.

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  36. Paula Libence fevereiro 27, 12:59

    Sem palavras para supor ou sugerir qualquer coisa aqui nesse belíssimo texto.
    Somente aplausos para querida Ana Maria Gonçalves que sempre vem nos agraciar com seus escritos.

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  37. Carlos fevereiro 27, 16:00

    Texto straight to the point, Ana Maria, como de costume! E quanto às cotas e os negros serem hostilizados, que alguns acima mencionam, pergunto: tem algum caso concreto? Porque algumas políticas de cotas estão fazendo dez anos este ano, não? Isso são duas “gerações” de estudantes. Se fosse haver conflito, deveria haver ao menos um pra citar, não? Porque se for só uma coisa velada, isso acontece com ou sem cotas, com o negro sendo estudante ou segurança. É melhor que seja estudante.

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  38. ra fevereiro 27, 16:04

    Irretocável.

    Linha de dedução poucas vezes vista no meio jornalístico.

    Parabens.

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  39. Jeringonça fevereiro 27, 16:11

    Caro Articulista

    Parabéns.
    Atrevo-me a emitir uma opinião: a maior ação de racismo será aquela praticada com a bem aventurada lei das cotas (sejam essas cotas quais forem): reduzem as pessoas a meros objetos e esquecem que o mundo caminha melhor com o reconhecimento do MÈRITO e não de meros reconhecimentos periféricos.

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  40. Luis fevereiro 27, 17:09

    Não ficaria nem um pouco chateado se me chamassem de “branco de alma negra”. Que bobagem essa discussão toda, PHA sempre esteve do lado daqueles que hoje lhe jogam pedras.

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  41. Foi fácil fevereiro 27, 18:15

    Alguns estão admirados de haver cota em univesidade pública por não saber que:
    a) nunca queira saber o que representa ter o seu nome escrito nos muros dessas como racista;
    b) vestibular nunca mediu conhcecimento de nada, tanto faz ponto nesse quanto cor da pelo, tamanho dos pés, etc.
    c) ingressar, portanto, não faz diferença, mas sair e como sair é que são elas;
    d) Há outros meios, como marcar aula em horário que o aluno deveria ir comer, para derrotá-lo. Bem como, marcar uma aula num canto e a próxima onde só possa chegar se tiver carro, coisas que derrubam cotista ao montes.

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  42. pedro pererira fevereiro 27, 18:32

    Essa gente demorou muito pra reconhecer os ovos das serpentes..Pior, alimentou discordias, humilhou verdades,
    Conheço pessoas, avelares, e limitados calabares,que poderiam ser antes , o que nao foram,
    tarde assim, pra quem acompanha anos de luta, e sabe que entre os rounds,as placas levantadas sao bundas alheias, satisfeitas por ideologias extasiantes
    que quando erradas, simplesmente pedem desculpas… ou escrevem um artigo igualzinho a este..
    Permisso Avelar…..mas vc sempre deu corda pra ess corja

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  43. paulom fevereiro 27, 20:16

    Bravo Ana, adorei o Defeito de Cor e adoro teus textos.

    Mas fico em duvida quanto à sua interpretação quanto ao uso da expressao ”negro de alma branca” pelo PHA.

    Na sua origem, a expressão é absolutamente racista, afirma a superioridade branca elogiando aquele que ”apesar de negro sabe se comportar como um branco”. Cansei de ouvir isso Minas Gerais, usada, repito, como elogio condescendente.

    Também cansei de ver filhinho-de-papai zona sul ser desprezado como branquela, boyzinho ou macarrão-da-Santa-Casa, num contexto em que o poder era o da molecada morena.

    Outro dia estava vendo um documentário sobre a Africa do Sul nos tempos do apartaid, Steve Biko assassinado, Mandela preso, o Conselho de Segurança da ONU votando uma resolução sobre o tema, os Estados Unidos vetam. E o representante americano era negro!

    Então me lembrei de Colin Powell e de Condi Rice, também na ONU, de Obama no Cairo, de Celso Pitta em sampa…
    E tambem me lembrei de Muhamad Ali, de Malcon X, de Luther King, de Zumbi, de Luiz Gama, de Ana Maria Gonçalves que não dá ponto sem nó…

    Caraca! Tem mais coisa aí além da cor!
    E tem a ver com coragem, engajamento, militancia, solidariedade, lealdade e companheirismo.

    Os sindicalistas desprezam os pelegos (covarde, traidor ou que milita em proveito da carreira pessoal) assim como as feministas desprezam as peruas.

    Duvido que esses dois Mestres das palavras, como são o Idelber e a Ana Gonçalves não dêem uma risadinha ao ler os textos toscos dos comentários.

    Tem um samba, talvez do Chico, onde o cantor alerta a mulher que ele levou ao baile e que saiu dançando com outro : ”não sou nenhum Pai João”. Ele quer dizer que não é bundão, que não é pelego, que respeito é bom e ele gosta.

    Esse é o sentido, digamos, mais atual, da expressão usada pelo PHA e pela Erundina.

    É uma expressão de desprezo, sim, mas não à cor.

    Mas não devemos usá-la. Assim como sempre devemos usar a expressão ”sionistas” ao nos referirmos àquele povo pacífico que ocupa a Palestina, para não pensarem que temos algo contra as sinagogas.

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  44. Ana Maria Gonçalves fevereiro 28, 00:25

    Pessoal,

    Vi que o assunto também enveredou pelas cotas, mas vou manter meu foco só no racismo. Sobre as cotas, peço encarecidamente que, quem ainda não leu, leia o texto do historiador Luiz Felipe de Alencastro:

    http://historica.me/profiles/blogs/parecer-do-historiador-luiz

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  45. Bruno Cava fevereiro 28, 05:54

    Biscoito finíssimo, Idelber, uma peça de inteligência em meio ao velho ativismo time-de-futebol-progressista. Em prol de uma figura que escorregou feio, mas prefere não perder a pose a elevar-se eticamente (e, assim, a sua própria prática política) emendando o que escreveu.
    A citação de Luiz Gama ainda guarda validade e Luísa Mahin vive.
    Não conhecia a pesquisadora da UFPE e já estou lendo!
    Abraço.

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  46. outro Edson fevereiro 28, 07:00

    Não tenho nenhuma simpatia particular pelo PHA mas tenho a impressão de que o uso que ele fez da expressão “negro de alma branca” é tão distinta do seu uso comum, rasteiro e racista quanto uma camiseta com os dizeres “100% Negro” é distinta de outra que exibe “100% Branco”.

    Se eu demonstrar surpresa com a existência de homossexuais ou de feministas de direita eu estarei sendo homofóbico e machista?

    De uma forma bastante torta, acho que os leitores de direita que estão comparando o “racismo” de PHA com o “racismo” das cotas têm alguma razão. Dentro dos cerebrozinhos anaeróbicos eles percebem que se trata de discriminação positiva.

    Em tempo: sou leitor ávido do Avelar já há algum tempo e adoro as intervenções da Ana. Um Defeito de Cor está lá na minha prateleira, na fila de leitura e não vejo a hora de poder me dedicar a ele. Aliás, eu consegui um exemplar usado AUTOGRAFADO pela autora. Não consigo entender o idiota que o vendeu, mas agradeço ao caos por isso. Achei extremamente geniais os artigos sobre a questão do Lobatto e também sobre a propaganda estúpida da CEF. Mas nesse caso pontual, não estou de acordo. Ainda. [:)]

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  47. HÉLIO SANTANA fevereiro 28, 07:18

    Lindo artigo, lindo. Deu prazer em ler.

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  48. vilma homero fevereiro 28, 07:19

    Muito bom – e raro – ver uma questão como essa ser tratada de forma tão ponderada, inteligente e embasada, por Ana Maria Gonçalves. Bem melhor do que ver as bobagens do sr. Ali Kamel e cia… Mas, em vez de ficar argumentando e tentando tapar o sol com a peneira, melhor seria o sr. Paulo Henrique Amorim – que, por sinal, trabalhou anos a fio na Globo -, desculpar-se e seguir em frente, pondo um ponto final a uma discussão que, por si só, termina sendo um desserviço à causa negra.

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  49. Luiz Henrique Quemel fevereiro 28, 08:40

    Em 2002 quando ainda era consultor e colunista técnico do jornal Correio Braziliense, uma grande revista de negócios com circulação quinzenal me solicitou uma análise sobre o mercado doméstico de computadores.

    Em certo trecho da reportagem, eu pintava a situação: “[...] 2001 foi um ano negro para o setor informático…”.

    Recebi muitas críticas em relação aos dados exclusivos que produzira para o trabalho, mas nada tão inusitado como mensagens me acusando de racista.

    Graças à Deus, Oxalá, Zulu, Zumbi, Ogum e a Exu fui socorrido por uma associação de afrodescendentes. A presidenta, uma senhora de voz macia e ritmo cadenciado veio em meu socorro:

    - “Meu filho, negro é raça, preto é que é cor. Se você quer pintar uma situação ruim ou desagradável, não use o termo para discriminar nossos irmãos ainda mais”.

    Refiz o trecho da discórdia:

    - “[...] 2001 foi um ano escuro para o setor informático…”

    Não só aprendi a lição, mas todas as vezes que leio o termo “negro” associado a coisas ruins, usado de forma pejorativa, faço questão de enviar um e-mail ao autor para que ele reflita sobre raças e cores.

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    • André fevereiro 28, 12:58

      Pergunta de leigo: o ser humano pode ser dividido em raças? Sempre ouvi falar que as diferenças genéticas não são suficientes para isso.

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  50. Eduardo Guimarães fevereiro 28, 11:04

    Prezada Ana,
    Quase não costumo comentar em outros espaços além do blog que edito e nas minhas contas nas redes sociais, mas registrarei a minha opinião porque a Fórum pertence a um amigo (o Renato Rovai) que, como eu, sabe perfeitamente que o Paulo Henrique não é racista e que, se a sua frase polêmica foi inadequada, deveu-se a um acidente de percurso em uma atividade na qual escrevemos “a quente”, o que sempre gera risco de se cometer excessos.
    A frase sobre negro de alma branca, seja na boca de Luiza Erundina ou na pena de Paulo Henrique Amorim, teve o mesmo sentido, o de acusar o “negro de dentro”, o “capitão do mato”, o negro submisso ao escravocrata como aqueles que existiam no tempo da Casa Grande e Senzala. É tão claro que até o Reinaldo Azevedo acusou o colega da Record de querer “ensinar o negro a ser negro”.
    É óbvio que o senso comum sobre essa frase é o de que o seu cunho é racista. Aliás, ela sempre foi muito usada por racistas. Eu, que nasci e cresci em uma família de classe média alta do Jardim Paulistano, bem sei como cresci vendo shows de racismo dessa elite branca paulistana. Por conta disso, jamais a usaria. Se o Paulo tivesse dirigido as palavras a um público como o movimento negro, certamente seria compreendido.
    Lideranças de movimentos negros colocaram comentários fantásticos no meu blog oferecendo apoio ao Paulo Henrique e explicando o significado real da expressão, mas entendo perfeitamente que algumas pessoas (independentemente da cor) podem não ter aprovado seu uso. Quanto a isso, o meu amigo já se redimiu – pagou em dinheiro e também por ser alvo dos abutres de sempre, que aproveitam quando alguém tropeça para dar o golpe.
    Agora, Paulo Henrique racista? Luiza Erundina racista? É piada. Tratam o Paulo Henrique de uma forma que indigna. Ele é um sujeito idealista, passional, mas jamais, na idade em que está, foi acusado por um único ato de racismo. Já a turma que está no entorno de Heraldo Pereira… Bem, essa dispensa comentários.
    Garanto que o Heraldo Pereira, o Gilmar Mendes, o Ali Kamel ou o Daniel Dantas, que movem dezenas de ações contra o Paulo Henrique, esses não precisam de mais defesa. Saiba, Ana, que o processo do Heraldo não andou, voou. Segundo o Paulo Henrique, deveria ter demorado o dobro do tempo para chegar ao ponto que chegou.
    Não, nem o Heraldo nem os que lhe puxam os cordões precisam de defesa, muito menos de negros ou militantes do movimento negro, pois não há, no que o Paulo Henrique escreveu, uma só vírgula que não seja verdade, bastando, para isso, ver a porcentagem de negros nas novelas ou no jornalismo da Globo em um país de maioria negra.
    Heraldo sobressaiu em uma emissora de brancos, feita para brancos, pois a sua teledramaturgia ou o seu jornalismo quase só contratam brancos. No mínimo, Heraldo deve ter algo diferente de todos os outros negros que jamais conseguiram uma chance ali. Ou isso ou teremos que admitir que a Globo tem tantos brancos aparecendo em sua programação porque pouquíssimos negros têm capacidade para estar lá. Teremos que admitir que “não somos racistas”, também.
    Percebi, nos comentários, que a maioria concorda com você, assim como a maioria dos comentaristas do meu blog concorda comigo. Não é por aí que veremos o veredicto da opinião pública. Mas tenho certeza de que a maioria absoluta dos que são de esquerda confia no Paulo Henrique e sabe que ele não teve intenção racista coisa nenhuma.
    Quero, pois, manifestar também aqui, no site da revista do Renato Rovai, a minha mais profunda solidariedade ao Paulo Henrique, um homem decente e de ideais que poderia se limitar a ser mais uma celebridade “apolítica” que desfruta da fama e do dinheiro sem precisar comprar briga com ninguém. Seria muito mais fácil. O que ele enfrenta de ações do Daniel Dantas, do Gilmar Mendes, do Ali Kamel, do Serra etc., não é bolinho.
    Por Paulo Henrique enfrentar esse poder que mantém o país de joelhos há décadas incontáveis, jamais faria o nível de críticas que lhe estão sendo feitas. Pelo contrário: agradeço a ele. E por sua frase infeliz, digo que compreendo porque sei que todos os que lutam com paixão muitas vezes podem tropeçar nela. Nem precisarei pedir ao Paulo Henrique para erguer a cabeça e seguir em frente, pois homens como ele não esmorecem nunca.
    Atenciosamente,
    Eduardo Guimarães

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    • Ana Maria Gonçalves fevereiro 28, 16:44

      Caro Eduardo,
      Respondo ao seu comentário para manter a minha palavra. Talvez não a teria dado se tivesse lido antes o seu comentário sobre o meu texto ser prato cheio…. Podemos concordar em discordar, porque não vou desviar do assunto (RACISMO) para entrar nesse tipo de discussão com você, porque acho inaceitável sim, e desrespeitoso, “atirar no mensageiro”. Meu interesse também não é política, tanto que não fiz nenhuma menção a política no meu texto. Eu falo sobre RACISMO e, mais especificamente, sobre RACISMO no processo movido por Heraldo Pereira contra Paulo Henrique Amorim, e é só disso que vou responder. RACISMO é um tipo de assunto do qual as pessoas tendem rapidamente a desviar, então, pretendo manter meu foco e peço que entenda.

      Como eu disse no texto, mesmo pessoas consideradas “do bem” podem ter atitudes racistas. Eu sou incapaz de bater no peito e dizer “Eu não sou racista!”. Sou vigilante e combativa em relação a qualquer atitude de racismo que possa vir a manifestar e que vejo/sinto manifestada ao meu redor, e isso me basta. Não conheço Paulo Henrique Amorim, mas tudo de bom que você fala sobre ele não o impediu de cometer o ato que cometeu. O que eu tinha para dizer sobre o que acho da atitude dele e da defesa, já disse no texto. Meus pontos em relação ao seu comentário são:

      - o termo “negro de alma branca” é racista dito por quem quer que seja, em relação a qualquer negro, em qualquer circunstância, porque ele visa atacar um negro usando a sua cor. Mal comparando, do mesmo modo que um “tinha que ser mulher!”, dito por quem quer que seja, em relação a qualquer mulher, em qualquer circunstância, é machista porque visa atacar uma mulher usando contra ela o gênero a que pertence.

      - Você disse: “Se o Paulo tivesse dirigido as palavras a um público como o movimento negro, certamente seria compreendido”. Não existe “o movimento negro”, existem vários, e acho que você não pode falar por eles. Tem quem ache que é válido atacar um negro de que não goste com esse termo, e eu respeito, mas não concordo. Acho que pesa contra todos e abre um precedente de quem pode ou não pode ser atacado, e quem pode e quem não pode atacar, que é extremamente nocivo.

      - Paulo Henrique Amorim, sem ser obrigado por ninguém, depois de assistir a esse vídeo (é importante assistir ao vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=4iejMOk4exc ) disse sobre Heraldo Pereira:
      “Heraldo Pereira, que faz um bico na Globo, fez uma longa exposição para justificar o seu sucesso. E não conseguiu revelar nenhum atributo para fazer tanto sucesso, além de ser negro e de origem humilde. Heraldo é o negro de alma branca.” Em quê exatamente Paulo Henrique Amorim se baseia para acusar Heraldo de “negro de alma branca? No vídeo? Depois do texto, tenho recebido vários e-mails de militantes dos movimentos negros ou não, contando do engajamento do Heraldo com as causas negras. Inclusive um deles diz que, num programa da própria Globo, o Heraldo defende as cotas. Se conseguir algo mais concreto, darei um jeito de divulgar.
      Por ora, tem o link deixado pelo Gustavo, em comentário anterior: http://www.revistaafro.com.br/portal/gente/286/

      - Se você, como Paulo Henrique Amorim, insiste tanto em imputar a Heraldo Pereira as culpas da Rede Globo e de Ali Kamel (que eu acho errado; pra mim é o caso de um negro que tem todo o direito de processar qualquer um que o ofenda com colocações racistas), porque insiste em ignorar que o chefe de Paulo Henrique Amorim é o bispo Edir Macedo e que ele trabalha na Record? Por que, Eduardo? Leia o livro “Orixás, Caboclos e Guias: Deuses ou Demônios?, de autoria de Edir Macedo, e dê uma olhada no processo movido contra a Record por algumas entidades dos movimentos negros, apontando o tipo de programação que faz parte da mesma grade que coloca no ar Paulo Henrique Amorim. Quantas vezes Paulo Henrique Amorim se pronunciou publicamente contra isso? Se nunca, que peso deve ter o local onde se trabalha e o comportamento do chefe na índole de cada um, nesse processo específico? E, por favor, não venha me dizer que estou defendendo Ali Kamel ou a Globo, porque eu não estou. Estou apenas cobrando honestidade, coerência e um peso/uma medida de quem, num processo sobre RACISMO, cita a Globo e o Ali Kamel e se cala sobre a Record e o Edir Macedo.

      E se quer mesmo conversar sobre RACISMO, respeito é bom e eu gosto. Ao contrário do que você diz aqui (“mas quem comprou a tese de que seu texto é racista foi você, não ele”), eu não “comprei” tese alguma. Estudei, li, ouvi, pensei e escrevi sozinha mesmo, tá?

      Atenciosamente,
      Ana

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      • Eduardo Guimarães fevereiro 28, 18:45

        Prezada Ana,
        Não pretendia voltar a por os olhos nesta página por conta da forma desrespeitosa com que fui tratado, mas recebi comentário no meu blog pedindo que eu viesse aqui e lesse o que você escreveu e não poderia deixar de lhe dar a consideração que me teve ao replicar. Então, vamos lá.
        Quando vocês diz “Não conheço Paulo Henrique Amorim, mas tudo de bom que você fala sobre ele não o impediu de cometer o ato que cometeu”, a mim não diz nada porque não acho que ele cometeu ato imperdoável nenhum além da ingenuidade. Lançou uma tese cara a vários movimentos negros – e eu sei que não é um só, de forma que me explicar o básico é outro recurso que não leva a conclusão nenhuma.
        Mas, então, vejamos: não é verdade que o termo “negro de alma branca seja racista dito por quem quer que seja, em relação a qualquer negro, em qualquer circunstância, porque ele visa atacar um negro usando a sua cor”. E, para mostrar que não é, vou reproduzir opinião de uma liderança de um dos movimentos negros (sempre no plural). É de autoria de Elias Candido, presidente do Partido dos Trabalhadores em V. Matilde (SP-SP), militante de combate ao racismo, professor e quilombola de coração.
        —–
        A história de luta do povo negro no Brasil começa logo que o primeiro navio negreiro aportou nestas paragens trazendo reis, rainhas, guerreiros, futuros quilombolas e negros de alma branca.

        As lutas por liberdade nos séculos que se seguiram enfrentaram grandes dificuldades por conta do poderio bélico do agressor, da manipulação da igreja católica, dos cruéis castigos que intimidavam pessoas de bem que queriam resistir, e dos negros de alma branca.

        A vitória parcial que foi a Abolição não veio através da Princesa, mas apesar dela. Muitas foram as batalhas, muitos foram os quilombos formados. Alguns superavam a sociedade brasileira institucionalizada em termos de organização, justiça, liberdade, fraternidade e paz. Não em poucos, conviviam índios, colonos brancos pobres e mouros em um clima de respeito à diversidade étnica e religiosa.

        Muitos foram destruídos por ações de negros de alma branca que delatavam suas posições e quantidade de pessoas, facilitando o trabalho do agressor.

        Naquele tempo, atendiam pelo nome de “negro da casa” ou “negro de dentro”. Com raríssimas exceções, eram escolhidos porque inspiravam confiança nos Senhores de Escravos por causa de suas fragilidades de caráter.

        Correspondiam a essa confiança entregando seus irmãos que fugiam ou que cometiam o que o dono de engenho entendia por delito, atos esses que podiam levar seu companheiro ao aleijume, à privação de alimentos por dias ou até à morte.

        Eram recompensados com a permissão de dirigir a palavra diretamente ao escravocrata e comer os restos do almoço da casa grande, comida de melhor qualidade. Além disso, raramente sofriam castigos físicos.

        Com o aprofundamento da resistência, através de ataques a fazendas, fugas e multiplicação de quilombos com operação de resgate de escravos, os negros de alma branca se tornaram capitães do mato armados que recapturavam seus irmãos em fuga.

        Eram a linha de frente em invasões de quilombos. Miseráveis morais, chegavam a arriscar a vida pelo opressor contra o próprio povo.

        Finda a escravidão, apesar da contrariedade dos negros de alma branca, esses capitães do mato desempregados continuaram a agir da mesma maneira servil aos piores tipos de racista, que diziam que, diferente dos demais que se rebelavam, esses eram os bons negros, os de alma branca.

        E esses ficavam felizes com esse tipo de comentários. Ainda ficam. Eles ainda estão por aí, contrários às cotas ou manifestações. Negam o racismo e votam nos racistas da pior espécie. Submetem-se a todo tipo de humilhação e querem que você faça o mesmo.

        Envergonham-se do próprio cabelo, das roupas, costumes e religiosidade do seu povo e costumam dizer que o responsável pelo racismo é o próprio negro, como se fosse surdo e não ouvisse o absurdo de suas próprias palavras.

        Como militante de combate ao racismo, fico muito a vontade para entender o que quis dizer Paulo Henrique Amorim. Como negro, sou a maior vítima dos negros de alma branca.

        Eu, modestamente estudioso da história do negro no Brasil, conheço bem os negros de alma branca. Posso reconhecê-los à distância pela linguagem, pelo olhar medroso, pelo jeito janota de se vestir e pela sintaxe entreguista.

        Reconheço o trabalho de PHA pelos negros, apoiando programas voltados a essa população e denunciando o racismo da grande mídia. Ele tem todo o meu apoio.

        Que os negros e pessoas bem-intencionadas não se confundam: uma ação contra o racismo jamais viria de alguém da Rede Globo, a maior propagadora de racismo deste país.
        —–
        O Elias postou esse comentário no meu blog, mas não foi o único. Outras lideranças de movimentos negros (sempre no plural, como estão meus posts sobre o tema) também se manifestaram.
        Você discorda? Respeito, claro. Liberdade de expressão. Você tem e eu tenho. Discordo de você, você de mim. Quem tem razão? A justiça, claro. Ela se pronunciou? Não, não se pronunciou. Quem se pronunciou foram o Paulo e o Heraldo. O primeiro reconheceu que a expressão foi inadequada por dar margem a que a julgassem racista, e o segundo reconheceu que não houve intenção racista. Essa foi a base do acordo. Se não fosse, não existiria acordo, o processo prosseguiria, entende?
        Detalhe: ninguém nunca disse que o Paulo não poderia ser atacado. Isso seria uma loucura. Só funcionaria em uma ditadura. As pessoas podem atacar, mas têm que responder pelo que dizem. Por exemplo: quem noticiou que o Paulo foi condenado por racismo terá que se explicar na Justiça. Centenas de blogs, sites e até grandes portais veicularam manchete que dizia: “Paulo Henrique Amorim foi condenado por racismo”. Posso lhe garantir que quem veiculou essa manchete mentiu e o Paulo levará à Justiça.
        Aliás, a primeira leva já deve estar saindo.
        Ele exerce o seu direito de não aceitar que faça um acordo e que depois digam que esse acordo não existiu, que Heraldo não reconheceu que não houve conotação racista.
        Aí resta a questão de Paulo ter que suportar as penas da Record porque quer que Heraldo sustente as da Globo, o que não é verdade. Paulo se referiu ao fato de que na Globo são quase todos brancos (aguarde matéria que ainda publicarei sobre o assunto), o que me faz dar tratos a bola sobre por que a emissora faz isso. Por que são tão poucos?
        O Heraldo certamente é um vencedor e venceu apesar da barreira. Mas e todos os outros que não conseguem estar em proporção adequada na Globo em um país de maioria negra? Não há proporção equânime de negros na Globo por que? O que a emissora vê nos negros que a faz só dar chance a alguns poucos?
        Sendo assim, Paulo não imputa a Heraldo as penas da Globo, ele sugere que, para ser selecionado para uma das raras vagas que existem para negros na Globo – e como sei que algum engraçadinho dirá que não, que a proporção étnica na emissora é minimamente lógica, farei matéria provando que são pouquíssimas vagas –, o sujeito tem que retribuir com mansidão.
        A liderança de um dos movimentos negros que reproduzi acima prova que existem, sim, os negros que vestem (ou absorvem) o conceito branco para negro com alma que esse branco vê igual à sua. Essa é a idéia, é aquele negro que não enfrenta, que cumpre ordens…
        É o caso de Heraldo? Não sei. Pode ser que seja, pode ser que não. Até acho que não. Penso que ele sobressaiu porque é inteligente, esforçado e chegou à frente de outros de sua etnia para uma das raríssimas vagas para negros que há no jornalismo da Globo, nas novelas da Globo, nos cargos de maior importância da Globo, entende?
        Você pode não concordar com esse ponto de vista do Paulo sobre o Heraldo ser um daqueles que já foram chamados de “negros de dentro”, de “capitães do mato” etc., mas daí a dizer que é racismo insinuar que Heraldo se submete, alto lá! O próprio Heraldo assinou um acordo em que reconheceu a tese de não haver racismo, pois, do contrário, não seria acordo, seria condenação. Ou absolvição.
        E sobre PH trabalhar para o bispo? Eu te faço uma pergunta: você trabalharia na Globo? Se te oferecessem um salário de 150 mil reais, você iria? Como acha legítimo o Heraldo trabalhar lá, suponho que iria. Bem, você sabe quanto mal a Globo fez ao Brasil durante a ditadura? Sabe como os negros e os pobres (grupo onde sempre há mais negros) sofreram com a ditadura que a Globo instalou e apoiou, e com a qual lucrou até estufar? Que diferença há, então, entre trabalhar na Globo ou na Record?
        O bispo, para mim, é um picareta. Todavia, não é mais nem menos do que os filhos sem nome de Roberto Marinho. Eu não condenaria todos os funcionários da Globo ou da Record pelo que fazem seus empregadores. Foi aí que o Paulo errou e ele reconheceu isso, mas não foi racismo, foi uma transferência de culpa. Por isso o Paulo e o Heraldo aceitaram o acordo. E isso será provado, aliás. Posso lhe garantir. Só não posso dizer por que pois não devo comentar o que me foi confidenciado.
        Reitero que não a desrespeitei em momento algum ao dizer que seu ponto de vista serviu a um bando de reacionários que são totalmente antagonistas de negros, homossexuais e dos movimentos de mulheres. Eles não estão nem aí para jogarem alguma coisa na cara deles quando espargirem seus preconceitos, o que querem é derrubar uma voz que tem atrapalhado seus planos políticos. Não disse, porém, que você escreveu para ajudá-los. Aí, sim, seria absurdo – e ofensivo.
        Enfim, como também gosto de respeito e um bando de moleques me atirou pedras, vou parando por aqui, desejando que reflita que quem faz do Brasil um país racista é uma comunicação que esconde o negro na propaganda, nas novelas e também nos seus telejornais.
        Ah, e sem ressentimentos. Fique com o meu abraço respeitoso e fraternal.
        Câmbio final.
        Eduardo Guimarães

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      • Marianna fevereiro 29, 10:58

        Sério, o Eduardo não devia mesmo voltar aqui. A resposta da Ana é simplesmente magistral. Não dá pra ele dizer nada mais diante disso: “não foi meu texto que caiu do céu para “essa gente”. Foi a atitude do Paulo Henrique Amorim”.

        Seria mais digno se os “progressistas” (o próprio PHA) simplesmente admitissem que o cara errou! Tomou uma atitude racista? Retrate-se, assuma seu erro e bola pra frente. Isso sim seria progressista.

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    • Luana março 6, 18:49

      “sabe perfeitamente que o Paulo Henrique não é racista e que, se a sua frase polêmica foi inadequada, deveu-se a um acidente de percurso em uma atividade na qual escrevemos “a quente”, o que sempre gera risco de se cometer excessos.”

      Racismo virou “Acidente de percurso”…pobre, Eduardo Guimarães. Pobre! Obrigada pelo texto, Ana! Obrigada de verdade! Ao tentar expressar posições semelhantes as suas, fui acusada de “pau-mandado da Globo e leviana”, pelo Senhor Eduardo Guimarães. Na sua covardia, não permitiu que minha resposta fosse publicada no blog dele. Mas, tudo bem! Estou de alma lavada!
      Salve, Ana Maria Gonçalves! Salve!

      Abraços,

      Luana

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    • Luana março 6, 18:59

      Calro que todos os seus leitores concordam com você, Eduardo Guimarães. Os que discordam, você deleta, omite os comentários, como aconteceu comigo e com outros leitores. Isso pq o seu blog é da “Cidadania”, né?

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  51. Eduardo Guimarães fevereiro 28, 11:55

    Ah, mais um detalhe: o mais conhecido blog de extrema-direita do Brasil (que pertence a um anônimo) considera este artigo “irretocável”. Coturno Noturno é um blog ligado à família Bornhausen http://coturnonoturno.blogspot.com/2012/02/definitivamente-racista.html

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  52. Ana Maria Gonçalves fevereiro 28, 12:39

    Caro Eduardo,
    Muito obrigada pelo comentário anterior, que vou responder com tempo, mais tarde.
    Por ora, acho que enquanto a gente não conseguir passar por cima dessas barreiras ideológicas tipo direita x esquerda, o assunto “racismo”, que é o que importa aqui, não vai ser tratado com seriedade. Além do mais, não seria um trunfo a se guardar? Se e quando alguém que você considera “do lado de lá” fizer o mesmo, usar a opinião dele pra cobrar coerência?

    Abraço,
    Ana

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  53. Eduardo Guimarães fevereiro 28, 13:10

    Não, Ana, não considero. Julgo que o entusiasmo da direita é prova de que seu texto caiu do céu para essa gente. Estamos falando do site que fez a ficha falsa da Dilma e que reúne o que há de pior na direita brasileira. E, repito, é controlado pela família Bornhausen

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    • Ana Maria Gonçalves fevereiro 28, 13:29

      Caro Eduardo,
      Como te disse, mais tarde vou responder seu primeiro comentário. Mas, antes disso, vamos deixar uma coisa bem clara, por favor: não foi meu texto que caiu do céu para “essa gente” (termo seu, não meu). Foi a atitude do Paulo Henrique Amorim. Por favor, é inaceitável você querer inverter as coisas.

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    • Fábio Carvalho fevereiro 28, 15:38

      Eduardo,

      A ficha falsa da Dilma foi originalmente concebida no Ternuma (Terrorismo Nunca Mais) e foi reproduzida em diversos espaços, inclusive no Coturno Noturno e na primeira página da Folha de S. Paulo.

      Natural a Ana Maria Gonçalves ser instrumentalizada no site que, segundo você, tem vínculos com Bornhausen. A esquerda faz a mesma coisa vezes tantas, mas troca o sinal. Exemplo recente de bastante repercussão foi com Cláudio Lembo e a tal “elite perversa e branca”. Seguramente, sua declaração caiu do céu para muitos que se identificam à esquerda.

      O blogueiro que agora está hospedado no “site da revista Fórum”, segundo tua expressão, também já foi acusado de ser a parte da esquerda que a direita adora. Acho que você se lembra perfeitamente do episódio, porque era preciso defender um outro fulano, de grande prestígio, de ter publicado post com conteúdo machista (expressão “feminazi”).

      A autora fala uma coisa muito importante: atos racistas estão à direita e à esquerda, nas correspondências do Monteiro Lobato (e em passagens de sua obra infantil, que deveria ser compreendida por crianças contemporâneas em conformidade com a cultura da década de 30, dizem os defensores do Lobato) e na m*rda do bloco de carnaval que o Ziraldo achou por bem ilustrar.

      Está ainda no “pé na cozinha”, que FHC alegou ter. Foi uma declaração infeliz, porque tem clara origem racista = lugar de negro é onde ficam serviçais. Não acho que FHC seja um racista de carteirinha, mas a crítica, se não lhe foi feita pelos seus (dele) à época, restou devida.

      Seguramente, o racismo esteve em comentários e expressões minhas, ainda que sem dolo, mas em medida suficiente para ofender uma pessoa negra. O intento de ofender agrava o problema, mas de boas intenções, convenhamos, o inferno está cheio.

      Se quero evitar o racismo que involuntariamente cometi um dia, ora, alguém precisa chamar minha atenção. E não passar a mão na minha cabeça, dizendo que sou uma pessoa legal, bacaninha, que na minha casa negros se sentavam à mesma mesa desde quando era criança.

      O racismo está na expressão infeliz do PHA, da Erundina e no comentário do RA. Mas veja que nesta caixa, conforme o provável viés ideológico dos comentadores, fui acusado de ser desonesto por topar o desafio feito por um deles. Eles, inacreditavelmente, reclamam o contexto para o RA.

      Nem desenhando ficaria mais evidente.

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  54. Eduardo Guimarães fevereiro 28, 13:39

    Cara Ana,
    é claro que o Paulo deu brecha, mas quem comprou a tese de que seu texto é racista foi você, não ele.
    Meu amigo deu brecha porque deveria prever que poderiam distorcer o que disse, e que o Gilmar Mendes faria o seu processo andar e ainda o inseriria no criminal.
    De resto, reservo-me o direito de manter a minha opinião sobre o assunto. Inaceitável seria um de nós não poder dizer o que pensa.
    Um abraço,
    Eduardo Guimarães

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  55. Marcellus fevereiro 28, 13:42

    Isso tá virando conversa de maluco. Daqui a pouco vão querer provar que Lula e Paulo Henrique Amorim são racistas e Reinaldo Azevedo é supimpa, o supra-sumo do democrata! Isso é uma mistura de Kafka com Man Ray, salpicado de Tristan Tzara e Pedro de Lara.

    Assim vejamos:

    . Lula é racista porque disse uma frase de efeito em que a crise financeira teria sido causada por brancos de olhos azuis. Pensei que fosse uma defesa retórica a favor dos negros, não o contrário, aludindo ao fato de que a crise não teria sido conseqüência do terceiro mundo, mas de muito bem nascidos do hemisfério norte, de origem branca e contas polpudas.

    . Já o Reinaldo Azevedo não é racista, porque apenas ironizou a declaração de Lula, quando em seu blog diz que Frank Raines não é branco, nem tem olhos azuis, mas é negro e um dos responsáveis pela bancarrota em dominó. Achei que um argumento assim defendesse os brancos e atacasse um negro de forma clara e inequívoca, aludindo à sua cor de pele. Como se dissesse, veja só Lula, ele é negro e não branco, e ele, negro, está na origem da crise. Mas devo ter interpretado errado…

    . E por fim, Paulo Henrique Amorim, início de tudo, pela expressão perdoada por aqui ao colega de profissão que joga no outro time, seria racista por criticar o jornalista Heraldo Pereira em razão de sua subserviência a uma empresa notadamente de caráter não muito democrático, vamos assim dizer, onde a presença do negro, o mínimo que se pode perceber pelos seus programas, novelas, noticiários etc… é pra lá de parcimoniosa. Então ao defender a causa negra ele estaria sendo racista contra os negros!

    Realmente, essa conversa já ficou pra lá de Marrakech… tá qualquer coisa…

    ps. Antes que alguém diga que estou fazendo menção às preferências sexuais do R.A. com a expressão “joga em outro time” acusando-me de homofobia, faz-se necessário nesses tempos que correm, esclarecer o óbvio, de que se trata de questões relativas à direita e esquerda e não de ordem homoafetiva (embora muitos jurem que isso não exista mais e está ultrapassado…)

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  56. Eduardo Guimarães fevereiro 28, 13:57

    Marcellus, eu realmente vivi para ver a direita em peso totalmente excitada com um texto contra o racismo e acusador de este ter sido praticado por um homem que tem lutado ferozmente contra o racismo, e que desmontou a tese do chefe do Heraldo de que “Não somos racistas”. Mas esse conversê me deu uma ideia para um texto para desmascarar de vez essa farsa. Aguardem-me

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  57. Gustavo fevereiro 28, 14:10

    http://www.revistaafro.com.br/portal/gente/286/

    Para quem acha que o Heraldo nunca se posicionou a favor das cotas.

    PHA mais uma vez errado.

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  58. Bruno Galvao fevereiro 28, 15:39

    Só tenho um comentário: Em uma época de Rafinha Bastos, quem é condenado por racismo é o PHA. Alias, um segundo cometário: Idelber foi tb defendeu Janaína Leite, Soninha e o Gravataí.
    Concordo plenamente que esse fla-flu atual é terrível,principalmente porque o governo Lula/Dilma é muito pouco diferente do FH. A polarização é enorme e as diferenças são mínimas. Mas, o isentismo também é muito perigoso.
    Desculpe, foram três comentários.

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  59. Eric fevereiro 28, 16:11

    O Paulo Henrique Amorim não “deu brecha”. Paulo Henrique Amorim insultou outro ser humano com um epíteto racial. Nomes aos bois, por favor.

    Ana Maria Gonçalves não “comprou a ideia” de que o dito por PHA é racista. Ela demonstrou abundantemente, com pleno conhecimento de causa, que dizer Heraldo Pereira, que faz um bico na Globo, fez uma longa exposição para justificar o seu sucesso. E não conseguiu revelar nenhum atributo para fazer tanto sucesso, além de ser negro e de origem humilde. Heraldo é o negro de alma branca é, sim, racista, e só não o vê quem está disposto a tentar esconder o óbvio e defender o indefensável porque se trata de alguém da “turma”.

    Curiosamente, alguém que nos anos 90 estava na outra turma, na própria Globo, chamando Lula de “corrupto” e o MST de “terrorista”.

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  60. Marcelo fevereiro 28, 16:37

    O que eu acho mais patético no tal do Eduardo Guimarães é que ele está sempre a prestes de “desmascarar” alguma coisa, e nunca consegue. Uma vez por semana anuncia que está “desmascarando” um perigoso golpe que nunca acontece (claro, não acontece porque ele desmascarou!!).

    Quando o Idelber apontou machismo na organização um evento dos progressistas, ele disse que ia “desmascarar” “quem estava por trás” do Idelber. Já conseguiu “desmascarar” quem estava “por trás” do Idelber, Eduardo? Pelo jeito, não, porque depois voltou com o rabinho entre as pernas para dizer que “lamentava o fim do Biscoito Fino”, sendo completamente ignorado pelo Idelber como sempre foi.

    Você não vai “desmascarar” nada, seu Eduardo Guimarães, porque NÃO ESTÁ EQUIPADO PARA TANTO. O Sr. NÃO COMEÇOU A ENTENDER o que é o racismo brasileiro.

    Deveria sentar e escutar a Ana Maria Gonçalves com um pouquinho mais de humildade e APRENDER.

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    • Lucas Secanechia Pereira fevereiro 28, 17:23

      Infalibilidade de militante petista vale até pros neófitos como PHA. Daqui a pouco vão exigir para o Heraldo Pereira pedir desculpas por ter maculado a imagem do ilustre jornalista.

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  61. Eduardo Guimarães fevereiro 28, 17:09

    Caramba, que turminha mal-educada, hein! É, Ana, aqui não vai dar para comentar. Sob insultos e mentiras da claque local – e de gente sem nome, ainda por cima -, sem condições. Pensei encontrar aqui um ambiente para debate civilizado, mas há apenas insultadores. Pensando bem, faz sentido. Tenham uma boa vida, moleques.

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    • Ana Maria Gonçalves fevereiro 28, 17:20

      Caro Eduardo,

      O meu comentário está assinado, não te insultei nem caluniei, embora continue achando que você me desrespeitou, pelos motivos apontados. Adoraria ler a sua tréplica.
      Atenciosamente,
      Ana

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    • Fábio Carvalho fevereiro 28, 18:32

      Eu assinei meu comentário e elaborei minha crítica, Eduardo. Não requeiro tréplica, mas recuso o predicado de claque mentirosa e mal educada que você atribuiu genericamente a todos (“aqui há apenas insultadores”) os que te criticaram.

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    • leandro março 2, 05:20

      Se era por falta de adeus… tchau!

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    • Marcelo março 2, 22:45

      Não houve insulto nenhum nem calúnia nenhuma, e nem ninguém deixou de assinar nome. O que acontece é que o Sr. Eduardo Guimarães chega na casa dos outros querendo cagar regra, “desmascarar” uma análise fina dessas, escrita por uma pensadora cujas botas ele não está equipado para lamber, e depois ainda tem a coragem de sair chamando os outros de “moleque”. É fato que ele também ameaçou “desmascarar” quem estava “por trás” do Idelber quando este apontou o machismo dos progressistas, é fato que não desmascarou coisa nenhuma e é fato que ele depois voltou com o rabinho entre as pernas dizendo que “lamentava o fim do Biscoito Fino”. Do mesmo jeito que é fato que ele veio aqui arrotar e botar banca de que ia fazer e acontecer e “desmascarar” e depois bateu em retirada porque não tem argumento.

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      • Eduardo Guimarães março 6, 10:25

        Obrigado por mostrar a quem me refiro quando falo em moleque. Não se “caga” regra de boa educação. Aliás, pode ficar tentando postar comentário lá no blog até cair a mão. Quando aprender a se manifestar que nem gente, quem sabe eu me digne a desmontar também essa calúnia que você inventou. Só pra passar o tempo, sabe. Mas terá que colocar seu nome. Essa mania que gente como você tem de ser valente ocultado pelo anonimato faz supor que pode ser qualquer um. E quando digo qualquer um é qualquer um mesmo. Você deve ter aprendido esses métodos com a Soninha e o Gravataí.

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        • Marcelo março 7, 00:09

          Seu Eduardo Guimarães, cada vez que o sr. volta aqui, o sr. passa mais vergonha. Em primeiro lugar, “anonimato” é o da sua vovozinha. Eu assino nome, incluo email correto, comento nos blogs de Idelber Avelar há mais de três anos, e não lhe devo mais satisfações sobre quem sou. O que é “anônimo” para vocês ? Quem diz coisas que vocês não gostam?

          Em segundo lugar, o sr. está completamente louco se acredita que alguma vez na vida tentei comentar em seu blog. Pare de enxergar fantasmas, eduguim! Eu comento em blog de gente que sabe escrever e pensar!

          Em terceiro lugar, calúnia, segundo o CP brasileiro é “imputar falsamente determinado fato definido como crime”. Eu não lhe imputei nenhum crime. Ser imbecil não é crime. E o que eu disse eu provo. O sr. não disse que ia “desmascarar” o Idelber quando ele apontou machismo na organização de um evento dos progressistas? Não disse não? Está aqui a prova. Depois não voltou ao blog do Idelber com o rabinho entre as pernas para dizer que “lamentava o fim do Biscoito Fino”? Não voltou não? Está aqui a prova.

          Entenda, seu eduguim, esses progressistas que o sr. passa a vida defendendo não estão nem aí para você. Morrem de dar gargalhadas nas suas costas. Você é chacota na internet. É melhor bater em retirada mesmo porque a vergonha que passou aqui foi bem dura.

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          • leandro março 8, 08:13

            Olha que é difícil provar que alguém é imbecil, mas o Marcelo se desincumbiu muito bem da tarefa em relação ao eduguim. Acho que até em juízo essa prova seria aceita… Parabéns, Marcelo.

  62. Ana fevereiro 28, 17:18

    Os comentários apenas reforçam o que Ana Maria aponta com requinte em seu texto. O racismo atua em nossa formação não faltam pesquisas que mostram que crianças pequenas utilizam os mesmos termos de cunho racista expressos aqui em algumas falas. Isto mostra o quanto faltam ainda realizarmos debates sérios sobre os efeitos do racismo como o que suscita Ana Maria.
    As tentativas de escapar do tema, as ironias racistas todo um repertório racista no qual somos cotidianamente apontados e marcados pelas percepções da brancura e da negritude no Brasil e o que elas significam.

    Cara Ana parabéns pelo seu texto.

    Abraços

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  63. Margareth Xavier fevereiro 28, 20:18

    Textos como esses nos convidam ao difícil exercício de se colocar no lugar do outro. Indagações tão pertinentes de tão óbvias são o importante passo para desacomodar pensamentos e opiniões aparentemente cristalizadas sobre um tema tão delicado. Há que se mudar de lugar, que se remexer, que “não aceitar o que é (mau) hábito como coisa natural”. Há alguns anos, em uma novela da Globo, personagens negras se tratavam como “macacas”. Texto de Falabella, se não me engano. “Brincadeira?” “Piada?”. O que dizer das crianças de 6, 7 anos, negras, que se viam assim retratadas? O que dizer a coleguinhas “brancos”, da mesma idade, que decidissem tratá-las da mesma forma? Obrigada, Ana Maria Gonçalves, por um texto que ensina, antes de tudo, a refletir e dialogar e convida a ação.

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  64. Mauro fevereiro 28, 21:55

    Tantos são os comentários que nem sei se vou ser lido por alguém, ainda mais que é longo. Mas ao menos vou desabafar. Na minha humilde opinião o texto do PHA é fantástico e a atidude epistemológica da Ana em querer analisá-lo apenas sob o ângulo do “racismo, não-racismo”, descontextualizando da dicotomia direita x esquerda (o que é quase querer despolitizar o texto em si), é algo impossível. O termo “negro de alma branca” não foi usado ali porque o PHA quisesse ensinar o Heraldo como se deve ser negro. Nem o PHA quis condenar o Heraldo por tudo o que a Globo é, como disse o Idelber em um comentário acima.
    O PHA quis, pareceu-me claro, acusar a Globo de só admitir o Heraldo Pereira porque este concorda com as opiniões da emissora, em especial de que no Brasil não há racismo, que cotas são bobagem, que o Problema do Brasil é só social, não de cor da pele. E o Ali Kamel diz nas entrelinhas: “olha o Heraldo como exemplo, bastou ter talento, não precisou de cotas”. E o Heraldo, o que faz? Referenda e diz: “é isso mesmo”. Em mais de uma oportunidade ele já se manifestou na emissora contra as cotas, ou fazendo comentários jocosos. Não se trata de “ensinar um negro a ser negro”, pelo amor de Deus. Achar isso é procurar cabelo em ovo, apenas para mostrar que a blogosfera progressista não é “homogênea”. Trata-se de criticar um negro específico que aceita o jogo da Globo. Heraldo tem o direito de ser contra as cotas, mesmo sendo negro? Claro que sim. Aliás, os donos da Globo e o Ali Kamel também têm esse direito, mesmo sendo brancos. Mas ele, Heraldo, participa feliz e contente de um sistema que nega o debate, que condena as cotas e não abre espaço para divergência, como aliás faz em todo o resto, e isso em uma empresa que explora uma concessão pública!!! Então, desculpem-me Ana, Idelber e todos os que concordam com o texto, mas política é fundamental. Nesse contexto, porrada no Heraldo e em todos os outros, coisa, aliás, que o PHA faz muito. Falar de negritude na África, falar de Mandela, falar, enfim, de racismo longe do Brasil é moleza, como o Heraldo fez ao tratar das viagens de Lula a África, conforme citado em aspas pela Ana. É fácil se emocionar com os irmãos negros de outros lugares do mundo. Quero ver é falar do racismo daqui, em horário nobre na Globo, mas isso o Heraldo não faz, porque no Brasil, segundo os donos da opinião de um veículo público de informação, não há racismo. E ponto. Não há espaço para nenhuma pessoa, em qualquer grade de programação da emissora, negra ou branca, que pense o contrário e possa expressar sua opinião. E o Heraldo, concorda com isso? Legitima isso? Sim. Então, porrada nele.
    O texto do PHA é um manifesto libertário, corajoso, que bate duro na Globo, sim. Merecida e oportunamente. Sobre porrada na Globo, inclusive, recomendo enfaticamente outro texto anterior que o PHA escreveu sobre a estética da Globo, da homogeneização/imbecilização artística promovidas pela Globo. Nada acadêmico, ou novo, mas jornalisticamente perfeito. Nesse texto o PHA critica a pasteurização que a Globo faz de um talento como Miguel Falabella (encenar “Xanadu”, Fallabella?), mas poderia ter dito o mesmo da Fernanda Young, do pessoal do Casseta e Planeta e de tantos outros talentos que a Globo “compra” e amordaça em sua estética, monopolizando a produção cultural. Nesse contexto, sabe quando voltaremos a ter uma Bossa Nova, uma Tropicália, um Teatro novamente ousado? Ou quando vamos fazer um filme como “Um Conto Chinês”, pergunta o PHA no texto? Ou como “O Segredo dos Seus Olhos”, acrescento eu? Nunca. Então, já que não temos críticos decentes, corajosos ou independentes, temos ao menos PHA. Eu tenho que admirar um sujeito que tem a coragem de bater em quem merece apanhar. E é tudo gente grande, maior que ele. Alguém que não tem medo de fazer inimigos poderosos, verdadeiramente poderosos. Não concordo com tudo o que ele escreve (ou em tudo que ele bate duro), mas que o cara tem peito, tem. E ele não bate na Globo porque trabalha na Record. Isso é bobagem.
    Mas voltando ao texto criticado pela Ana, o final é apoteótico e quase me levou ao êxtase. Isso porque ele mete dedo no olho de um Medalhão (na acepção Machadiana) da República, que é Gilmar Mendes, e num dos advogados mais poderosos do Brasil. Gente, não é pouca coisa. Sou do direito e sei que é preciso muito peito para falar o que o PHA disse do Gilmar Mendes no fim do texto. De um Ministro do STF, Tribunal que hoje no Brasil se tornou árbitro de tudo e mais um pouco? Pelo amor de Deus, precisa ter MUITO PEITO. Todas as palmas para ele. Esculhambar Presidente da República é mole. Deputado, senador, também é mole. Esses não têm como me atingir, salvo enorme risco político. Já um juiz, ainda mais do STF… (e não esqueçamos do advogado, com muitas e capilarizadas relações)
    Então, por favor, nesse momento nada mais “inadequado” do que um texto que não quer ser “nem de direita, nem de esquerda, mas apenas discutir racismo”, como afirma a Ana. Para mim o contexto é fundamental. E pensando exatamente no contexto é que entendo que o PHA foi preciso e corajoso. E não foi racista.

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    • leandro março 2, 04:45

      Só fico com uma dúvida: daqui uns dez anos, quando o tal PHA tiver sido enxotado da empresa atual, o senhor também vai exaltá-lo por passar, aí sim, a “denunciar corajosamente” as picaretices da igreja universal e seu bispo safado explorador de pobres?

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  65. Dannyboy fevereiro 29, 04:22

    Alguém aqui ainda leva o Paulo Henrique Amorim a sério ? Há um rosário de infâmias, mau caratismos e das mais diversas atitudes covardes, ineptas, desonestas e tudo o mais atribuídas a este homem. Isso para não falar da omissão GRITANTE da parte dele quanto aos feitos de seu patrão, um cara a quem se pode atribuir uma série de atos mais aviltantes que todas as pessoas que PHA “critica” em seu blog. Dane-se se PHA está do lado dos petistas agora, como estava ao lado dos tucanos nos anos 90; Agora, chamar de crítica as diatribes estúpidas, os clichês e a gritaria inócua diuturna de seu blog, achar que isso tudo tem alguma coisa – ainda que remota – a ver com jornalismo, pelo amor de deus, poupe nosso tempo para coisas mais interessantes.

    Prefiro ler o Reinaldo Azevedo !

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  66. Cleber fevereiro 29, 07:23

    Olha, na boa. Se os termos de PHA na conciliação – divulgados em seu site – dizem “que a expressão ‘negro de alma branca’ foi dita num momento de infelicidade, do qual se retrata, e não quis ofender a moral do jornalista Heraldo Pereira ou atingir a conotação de ‘racismo’.” eu gostaria imensamente de que PHA e seus defensores desenhassem para a gente de que afinal se constituiu a “infelicidade” desse momento. O desenho da Ana está aí, nítido, retratando a infelicidade brasileira de que somos herdeiros e perpetuadores. Ana pega o ponto exato e didadicamente revela que mesmo quando um sujeito se crê não racista pode incorrer em racismo, o que serve para PHA e todos nós. PHA deveria ser mais coerente com o que afirma nos termos conciliatórios e escrever sobre o mesmo ponto, esmiuçando o seu “momento infeliz” até revelar para si e para seus leitores algo mais importante e necessário do que simplesmente se dedicar à defesa patética da própria imagem.

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  67. Beatriz fevereiro 29, 08:59

    Acabo de te conhecer
    Ao terminar a leitura da materia PHA no Sul21 fui googlar teu nome , cheguei no blog e depois na tua resposta ao ziraldo . Obrigado pela tua clareza , cultura e dignidade de posicionamento. Um prazer inesperado numa tarde de quarta feira .

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  68. ivo castanholli fevereiro 29, 10:23

    SOU ESQUERDISTA E ESTOU EM EXTASE DO PHA TER USADO “NEGRO DE ALMA BRANCA”…NOS TODOS ESQUERDISTAS ADORAMOS ESSA FRASE.

    SE DITA POR UM DE NOS, EH UMA FRASE LINDA.

    SE DITA PELO ADVERSARIO, EH RACISMO.

    NOS SOMOS ASSIM. UNGIDOS DIVINOS. NOSSA ETICA EH MOVEL.
    PQ SEMPRE ESTAMOS DO LADO BOM, MESMO QDO FAZEMOS O MAL.

    VARIOS COMPANHEIROS DE CAUSA ,ESTAO AQUI CONFIRMANDO ISSO EM COMENTARIOS
    SOBRE ESSE TEXTO.

    VIVA ASSAD, VIVA CHAVEZ, VIVA AMAHDINEJAH, VIVA PHA, VIVA TODOS OS MAUS DO LADO BOM!
    SOU ESQUERDISTA. MAMAR É O MEU LEMA. MAS MAMO PQ ESTOU NO LADO BOM.
    SE NAO FOSSE ESQUERDISTA, MAMAR SERIA RUIM!!
    FUI

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  69. Piotr Ilianovic março 1, 04:58

    Reformulando (pois acho que não fui entendido pelo “regulador(a)”): com os ataques a PHA e a mordida na isca por parte da “esquerda”, a Globo conseguiu o que queria: causar discórdia. Mais uma vez eu digo: Força PHA!

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  70. Tiago C. março 1, 08:13

    Discordo do argumento advogado no presente artigo. Avalio como ingênua e equivocada (no mínimo, caso não seja mal-intencionada) a interpretação segundo a qual se afirma que a expressão “negro de alma branca” é (inclusive fora de contexto) racista, no caso, em relação ao jornalista da Globo, Heraldo Pereira. A expressão, utilizada, no caso, pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, expõe que Heraldo (que é um jornalista negro) tem “alma branca”. O que isso significa? Que o jornalista Heraldo tem “alma de senhor de engenho”, ou “alma de feitor”; ou seja, que Heraldo defende opiniões tais quais um senhor de engenho, tais quais aquelas que um feitor advogaria (veja que é impossível interpretar essas expressões todas sem conhecer e levar em consideração o significado histórico, sem o qual elas não teriam qualquer sentido). A conotação negativa da expressão está toda ela fixada (evidentemente!) no trecho “alma branca” e, por isso, poderia ser considerada racista, se advogássemos que ela contém uma conotação negativa relacionada às almas das pessoas brancas. Pois a expressão “alma”, que poderia ser “espírito”, por exemplo, pretende indicar-nos o pensamento, o intangível daquela pessoa, a opinião íntima. Essa opinião íntima remete a esse passado representado especialmente, no Brasil, pelo período (ainda recente, historicamente) da escravidão, em que a população “branca”, representada pelas pessoas que constituíam a aristocracia rural brasileira, submetiam outras pessoas, na sua grande maioria negras. Acho interessante debatermos esse tema e, principalmente, superarmos esse humor, no qual identifico um puritanismo exegético pouco inteligente, segundo o qual é possível imaginar que a afirmação “negro de alma branca” seja racista, QUANDO o trecho “alma branca” da expressão contém, À EXAUSTIVA EVIDÊNCIA, uma conotação marcadamente NEGATIVA. Ou seja, e por fim, está claro que a crítica histórico-social contida na expressão é dirigida à “alma branca”, conforme expusemos anteriormente. Saludos!

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  71. Juliano K março 1, 10:00

    Recomendo aos leitores deste post que não enxergam racismo nas palavras de PHA uma zoiada nos comentários do post sobre a propaganda do azeite gallo (“o nosso azeite é rico, o escuro é O segurança”) no Nassif. Quase todo mundo reclamando (com boas exceções, mas exceções) do politicamente correto, que não vê racismo de jeito nenhum (putz, essas chegam a doer), indignados (com a denúncia, claro). Um, entre tantos, diz que se fosse “o crioulo é o segurança” tava tudo bem, outro diz que vai continuar usando gallo pra preparar seu gomes de sá, outro diz que esse (o racismo) não é o problema, sim a quantidade de azeite disponível, tudo no melhor estilo classe média sofre (nesse caso não sofre e não tá nem aí, afinal não vê nada). São dois mundos, o texto fantástico da ana de um lado, que me fez repensar muita coisa no meu jeito de me expressar, do outro os seguidores dos que se apropriaram do termo “progressista” na internet. O Eduardo Guimarães aí dos comentários é ótimo exemplo, eles têm seus méritos, não dúvido das boas intenções, mas são absolutamente hostis ao debate complexo, mesmo fingindo o oposto – a ameaça de uma tréplica demolidora do Eduardo seria apenas patética não fosse esse o padrão atual. Chegaram agora (saindo, olha só, da Globo, Folha, etc.) e querem dizer quem é de esquerda (eles, claro) e quem é de direita (“a esquerda que a direita adora”). Trata-se, com todo respeito aos jornalistas que se agruparam nos “blogues progressistas” e seus seguidores, da diferença entre optar por um lado (pt ou psdb) e sair atirando no adversário com armas muito semelhantes, ou, como faz o texto da ana, discutir com profundidade os limites (da arrogância) na intervenção política. e os erros nessa intervenção. ah, isso já é pedir muito pra qualquer torcida organizada. Leio coisas muito boas do Leandro, Azenha, Rodrigo e Nassif e visito sempre seus espaços, mas a defesa tola neste episódio do PHA vai custar caro quando tiverem que dar conta de temas como Pinheirinho e muitos outros massacres que virão – e os comentários assustadores no post do azeite gallo no nassif já mostram que tipo de público os neoprogressistas conseguiram.

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    • André março 2, 04:36

      O erro dos blogueiros progressistas parece ser esse mesmo, não ter pedido a benção dos verdadeiros blogueiro(a)s de esquerda que já estavam na rede quando os primeiros ainda eram estrelas do PIG.
      Já foi dito acima que quem sabe da ofensa é o ofendido, e o Heraldo Pereira disse no acordo que não houve ofensa racista.

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      • Idelber março 2, 15:55

        Heraldo jamais disse isso em acordo nenhum. Você está mal informado.

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        • André março 4, 18:32

          RETRATAÇÃO DE PAULO HENRIQUE AMORIM CONCERNENTE À AÇÃO 2010.01.1.043464-9 , que reconhece Heraldo Pereira como jornalista de mérito e ético; que Heraldo Pereira nunca foi empregado de Gilmar Mendes; que apesar de convidado pelo Supremo Tribunal Federal, Heraldo Pereira não aceitou participar do Conselho Estratégico da TV Justiça; que, como repórter, Heraldo Pereira não é e nunca foi submisso a quaisquer autoridades; que o jornalista Heraldo Pereira não faz bico na Globo, mas é empregado de destaque da Rede Globo; que a expressão ‘negro de alma branca’ foi dita num momento de infelicidade, do qual se retrata, e não quis ofender a moral do jornalista Heraldo Pereira ou atingir a conotação de ‘racismo’.”

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          • Idelber março 6, 15:01

            Onde, nessa retratação, Heraldo diz que “não houve ofensa racista”? O que está dito nessa retratação (segundo Houaiss: confissão de engano, de equívoco cometido, através de declaração contrária a outra anteriormente feita; desmentido; pedido de desculpa por alguma ofensa, injúria etc. que se tenha cometido) é que PHA não quis atingir a conotação de racismo, o que é coisa bem diferente. Não confunda “eu não quis fazer isso a ele” com “ele reconhece que eu não fiz isso a ele”.

  72. Neide março 2, 13:07

    Olá Ana,

    eu gostaria de ter escrito isso, como já disseram: irretocável.

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  73. Jair Fonseca março 3, 09:28

    Cheguei muito tarde ao debate, mas realmente temos muitos caminhos pela frente, pelos lados ou pra trás, quando se trata do “progressismo” que caracterizaria boa parte do povo das novas mídias internéticas. E quem está “comprando tese” por aí é quem não reconhece os erros que comete. Parabéns à Ana por encarar essa questão, de modo tão cuidadoso e firme. O único reparo que faço ao que escreveu diz respeito à relação entre racismo e “esquerda”/”direita”. Essa distinção que ainda é válida não deve ser entendida dicotomicamente. As contaminações existem. Embora no campo da esquerda haja racistas e no campo da direita possa haver antirracistas, todo racismo é de direita. O mesmo se percebe quanto a questões de gênero. Não é que elas estejam à parte da distinção entre esquerda e direita. Aliás, o machismo e a homofobia campearam em vastos setores da esquerda justamente por seu erro de desconsiderá-los.

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  74. Fontinatti março 4, 16:24

    Ana Maria Gonçalves: gostaria só de te agradecer pelo respeito com que tratou a inteligência dos seus leitores. Muito obrigado mesmo.

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  75. João Paulo Rodrigues março 5, 07:07

    Prezada Ana,

    Eu só queria comentar algo secundário na economia do texto, mas que me incomodou pelas deduções desairosas que são feitas á profa. Lustosa.

    Creio ser bastante possível discutir a questão das cotas sem se cair num maniqueísmo barato, que, a meu ver, é recorrente em acusações feitas a quem é contra as políticas afirmativas. Os defensores das cotas podem muito bem achar que defendem os negros, que a causa é nobre. Creio que é uma atitude sincera. Mas não podem tomar como ponto de partida que o outro lado é “anti-negro” – o que deixa no ar uma incômoda suspeita de racismo. E, infelizmente, é isso que ocorre no texto.

    O início dessa “acusação” seria o desconhecimento das “verdadeiras” intenções do abolicionista Luiz Gama. Efetivamente, em muitos casos é possível saber algumas intenções dos sujeitos históricos, mas sempre a partir do momento em que eles as deixam claras, o que não deixa de ser, no entanto, algo cheio de armadilhas. Pode-se dizer com toda certeza que Gama era uma abolicionista radical, mas, como mostra a biografia escrita por Elciene Azevedo (“Orfeu da carapinha”), sobre muitos outros aspectos de sua militância há uma série de ambiguidades. Ainda assim, ela defende o alinhamento do abolicionista em torno a uma identidade africana. Todavia, levantaram-se críticas quanto à extensão dessa identidade em Luiz Gama (http://www.unicamp.br/cecult/resenhas_vh/resenha_orfeu4.pdf e http://www.unicamp.br/cecult/resenhas_vh/resenha_orfeu3.pdf). Também é no mínimo duvidosa a afirmação de que Gama estaria alinhado no partido cotista. É simplesmente uma fabulação, haja vista a extrema diferença entre o contexto histórico de um Império escravista e o de uma democracia (?) industrial (?). Quem sabe o que Gama pensaria de um país tão diverso daquele que ele viveu, a despeito de certos traços de continuidade (comentário secundário: é essa a fraqueza da defesa de Luiz Felipe Alencastro das cotas, tomar a realidade de 1850 como sendo a única linha histórica que importa em 2010). Não somente pelo impacto das mudanças, mas também porque, afinal, as pessoas não são as mesmas ao longo de suas trajetórias. Não vale muito usar Luther King, não só por ele ser americano e, na realidade, na sua época os americanos acharem que o Brasil era efetivamente uma democracia racial, mas porque por estar mais próximo de nós, não ser um bom par para alguém que viveu cem anos antes dele.

    Mas o que mais incomoda é o que vem a seguir, a partir de uma frase sobre a convocação de um militante negro. Há um singelo deslize semântico, mas com grandes consequências: havendo uma estratégia de apresentar negros contra as cotas, afirma-se que a estratégia é de se ter negros contra os interesses dos negros, usando como truque retórico o encadeamento logo a seguir de um caso envolvendo o infame Bolsonaro (que nada tem a ver com a questão das cotas em discussão) como forma de jogar no ar uma identificação que será automaticamente condenada por qualquer pessoa que não seja um direitista desvairado. E então a discussão passa a outro tópico, ficando em suspenso a conclusão: Lustosa é mais um Bolsonaro, sujeito notoriamente preconceituoso? Lustosa, então, busca conscientemente atacar o interesse dos negros, o que a faz uma racista?

    A despeito do que se conclua disso, o trecho me parece ilustrar outra coisa, que é um dos perigos que as cotas trazem: a divisão. Lustosa uma vez afirmou que era mestiça, que era de ascendência portuguesa e indígena, e talvez africana (ela é paraense). Seria tragicamente irônico que ela fosse acusada de racismo ou intolerância, pois aí se materializaria a possível tragédia da política identitária por trás das cotas – a nação bi-color, que, na realidade, seria a nação bi-”étnica”: euro-africana. Nela, desaparecem os nativos da América. Os “Pardos” passam a ser todos negros, apagando-se os milhões e milhões que possuem ancestrais de origem ameríndia. Obrigar todos nós a se definir em termos de cor e, pior, de apenas duas, levanta pressões que não se saberão controlar e podem resultar no efeito contrário. O perigoso é que muitos podem se ressentir da pressão para a que passem a reconhecer apenas sua (suposta, em muitos casos) africana, tornando-se exatamente aquilo que sei que a Isabel não é – intolerantes e “anti-negros”.

    Um abraço.

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    • Ana Maria Gonçalves março 5, 23:48

      Caro João Paulo,
      Como já disse em comentários anteriores, não vou entrar aqui no assunto “cota”, que é outro e, a meu ver, muito mais complexo do que esse negócio de gerar “divisões perigosas”. Defendo nesse texto o direito de qualquer negro processar qualquer pessoa que o ofenda com colocações racistas, sejam eles (ou elas) quem (quais) forem. E aponto uma estratégia que vem sendo usada tanto em casos de racismo quanto da discussão sobre as cotas: a convocação de negros ou o uso de discursos de, como diz a professora Isabel Lustosa, “intelectuais negros e pardos representativos”. Estudei um pouco da vida e da obra de Luiz Gama que, aliás, são chaves na escrita do meu romance “Um defeito de cor”, e a interpelação ao artigo dela é no campo das ideias, não é pessoal. Pelo que li e ouvi, acho intelectualmente desonesto o uso que ela fez de Luiz Gama, principalmente daquele poema, para afirmar que, assim como ela, “ele relativizou a questão das diferenças de raça”. No que talvez concordemos, pois você mesmo diz no seu comentário: “Quem sabe o que Gama pensaria de um país tão diverso da quele que ele viveu”… Principalmente porque eu não afirmei que Gama estaria de um lado ou de outro. Eu escrevi: “usando-o em favor da causa que defende e que, possivelmente, seria contrária a dele”. (corrigindo meu texto: contrária “à” dele). Há um “possivelmente” lá, João Paulo, porque eu também não ousaria afirmar.

      Como também não disse, não penso e não parto do ponto de que, como você diz, “o outro lado é “anti-negro”. No fato de eu ter citado Isabel Lustosa, me interessa a velha tática usada e confirmada por ela, apenas. Será que essas possíveis conclusões que você aponta (“deixa no ar uma incômoda suspeita de racismo”, “Lustosa é mais um Bolsonaro, sujeito notoriamente preconceituoso? Lustosa, então, busca conscientemente atacar o interesse dos negros, o que a faz uma racista?”), e o fato de me acusar de escrever o que eu não escrevi (“E, infelizmente, é isso que ocorre no texto.”), não podem ter sido elaboradas à partir do ponto de vista do qual você partiu para lê-lo, depois de saber que eu sou a favor das cotas? As deduções, conclusões, ligações e adivinhações do que pensam ou fazem os que são a favor das cotas (e, em alguns momentos, os que são contra, como se todos fizessem parte de dois blocos estanques) estão por todo o seu texto. Por favor, procure as contrapartidas no meu. O que fiz foi apontar a mesma estratégia na defesa de Paulo Henrique Amorim, (pró-cotas, o que não importa nem blinda ninguém), no ato de Bolsonaro (anti-cotas, o que não importa nem blinda ninguém) de convocar um negro para defendê-lo da acusação de racismo, para “provar” a tese de que não é racista, e no de Isabel Lustosa (anti-cotas, o que não importa nem blinda ninguém), de achar necessário convocar “intelectuais negros e pardos representativos” para reforçar a causa que defende e usar Luiz Gama para “provar” que está certa ao dizer que a “questão das diferenças de raça” deve ser relativizada. Esse é um sintoma importante, João Paulo, e não deve ser desconsiderado: é apropriação e, muitas vezes, distorção de autoridade alheia que, quanto mais “alheia”, melhor.

      Acho que a conversa sobre RACISMO e periféricos (no bom sentido) só vai avançar quando pararmos de alhear o assunto e de nos ofendermos com críticas. Racismo ofende o ofendido e a moral da sociedade que não o combate; o resto é falta de prática ou de boa vontade com o diálogo. Você, por exemplo, começou reclamando do maniqueísmo barato, no que tem meu total apoio. Mas acho que o seu texto não conseguiu fugir dele, porque faz a análise supondo saber o que eu penso e considerando de que “lado” eu estou. Se tiver paciência para reler, “relevando” o fato de eu ser a favor das cotas, vai ver que critico esse maniqueísmo desde o início, começando por pedir que as pessoas que defendem Amorim apenas porque acham que ele é do “bem” e Heraldo é do “mal”, parem de colocar essa barreira e vejam que certos problemas sociais atigem a nós todos e devem ser tratados com mais seriedade, maturidade e isenção. Prinicipalmente porque também somos o país do compadrio: aos “meus”, mesmo que ajam como os “outros”, e mesmo eu condenando isso nos “outros”, o tapinha nas costas, a desculpa, a defesa incondicional…

      Um abraço,

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      • João Paulo Rodrigues março 6, 07:46

        Cara Ana,

        Não comentei, e nem vou comentar a questão envolvendo o PHA. Não era esse o objeto de minha crítica. Ela visava apenas um ponto bem específico que foi levantado por você. Apesar de avisar que não tratava de cotas, bem, o exemplo que você pinçou da Isabel Lustosa se referia a elas.

        Certamente não existem blocos estanques, mas convenhamos que quem falou que existe uma técnica ou estratégia no discurso anti-cotas foi você, e quem fala de interesses dos negros representados pelos negros que lutam pela igualdade foi você. Mais bloco que isso eu não consigo conceber. Mas o que é, para mim, relevante é a estratégia que você utiliza e, na sua resposta (que aqui agradeço a gentileza), você piora, acusando, sem provas, Lustosa de desonestidade intelectual. Evidente que não há problemas com as críticas, desde que sejam intelectuais e não resvalem para a idoneidade do antagonista, salvo casos extremos ou com comprovação, o que, me parece, você não apresenta.

        Isso só confirma, a meu ver, o que escrevi antes e que você nota com justeza porque, afinal, era disso que eu falava. Seu texto deixa ilações graves e que atingem não as ideias defendidas pela Isabel, mas seu posicionamento moral e suas atitudes em sociedade, e, uma vez que isso é recorrente nos pró-cotistas e você é a favor das cotas, configura-se, para mim, um, por falta no momento de palavra melhor, padrão. Por isso significo que é algo que ocorre em vários momentos do debate, sobretudo nos ditos e não nos escritos, não sendo algo que eu tenha lido ou ouvido sempre.

        Se me é permitido insistir no ponto, vou retomar o fio. Você abre todo um item intitulado “A defesa de Paulo Henrique Amorim”, que comprovadamente cometeu um ato de racismo, falando dos argumentos do que são contra as cotas. Já de início se estabelece um vínculo entre a argumentação de um racista e a argumentação de gente que está discutindo políticas públicas e seu impacto na sociedade – gente sem histórico, ao que se saiba de atos ou palavras racistas. De um lado está você (e mais adiante outro escritor que trata do racismo, e logo os negros que lutam pela igualdade) e do outro “todos” os que argumentam contra as cotas. Isso a irrita porque na argumentação que se valeria dos líderes negros eles seriam retirados do seu lugar “ao lado dos negros que estão lutando de fato por essa igualdade”, isto é, o movimento negro. Pelo bem da discussão, aceitemos que isso seja válido para o uso de Martin Luther King Jr. Mas aí você afirma que há uma situação mais grave quando se trata do Brasil, e ele é ilustrado pela Isabel Lustosa. Lembremos que ainda estamos num texto sobre uma declaração comprovadamente racista e num item sobre a defesa dessa declaração (que você anteriormente afirmara, e posteriormente reafirmará, fugira da responsabilidade pelo dito, logo, uma resposta insatisfatória, logo, uma resposta que não abandona de todo a ofensa racista). Então você afirma que o uso que Lustosa faz de Luiz Gama é colocá-lo contra as ideias de Luiz Gama e deturpar as ideias dele. De novo, vamos tomar como fato isso. Isso seria uma atitude recorrente, não restrita a ela, embora ela dê a você a ilustração que mais lhe irrita, como você afirmara antes. Enfim, logo a seguir você introduz uma pequena alteração de sentido, mas que tem grandes repercussões, pois torna a “técnica”, que já vimos ser de “todos” os contrários às cotas e exemplificada mais fortemente por Lustosa, algo que não vai somente contra “os negros que estão lutando de fato por essa igualdade”, mas “contra os interesses dos próprios negros”. Ir contra o interesse dos negros é algo racista? Se não é, me parece que chega bem perto (se é que algo pode ser parcialmente racista). E aí surge um “ou” e um “como” que fazem discursos sobre as cotas se tornarem iguais aos atos e aos discursos de outro racista comprovado, que é Jair Bolsonaro. Por fim, você finalmente entra na defesa de PHA, após todo este trajeto pelas cotas.

        Você não acusa Isabel Lustosa de racismo, mas chega perto disso, segundo o que vai acima, mesmo que tudo o que você diz sobre Gama e King estejam correto. É que a questão não é essa, mas a colocação numa linha direta de dois racistas, de “todos” os que argumentam contra as cotas e de algumas frases de Isabel Lustosa, num contexto de luta em que estes estão lutando, segundo você, contra o interesse dos negros.

        Não sei se posso ser mais claro e se isso ajuda em alguma coisa. Espero que este comentário lhe encontre bem e que o racismo desapareça. No mais,

        Um abraço.

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        • Ana Maria Gonçalves março 6, 17:28

          Caro João Paulo,

          Numa coisa você tem razão, e por isso me desculpo: escrevi “Todos fazem isso, principalmente com o famoso discurso…”, e realmente não deveria ter colocado o “todos”. Obrigada pelo alerta.

          Por favor, pare de distorcer o que eu digo. A minha frase é:”…acho intelectualmente desonesto o uso que ela fez de Luiz Gama, principalmente daquele poema…”. A “prova” disso, que já tinha apontado anteriormente, está lá no link do texto: o artigo dela no livro “Divisões Perigosas – Políticas raciais no Brasil contemporâneo”, pág. 143.

          Um abraço,

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  76. Ismael Grilo março 5, 08:52

    Considero Reinaldo Azevedo muito cretino, por isso só o leio esporadicamente, a maioria das vezes quando alguém me indica algum artigo. Por isso, o que vou falar agora não é provocação nem pergunta retórica, é baseada na ignorância mesmo: tem gente aqui(como vejo muito também em outros lugares) chamando Reinaldo Azevedo de racista. Confesso que nunca vi. Alguém poderia me mostrar algum texto dele em que o racismo aparece?

    Agradecido a quem porventura me ajude,
    iGrilo.

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    • leandro março 8, 08:05

      Se houvesse, o sabujo de bispo eduguim já teria “desmascarado”… Como não há, ele distorce um comentário irônico sobre uma fala do Lula e a coloca no mesmo patamar que a ofensa direta e sem rodeios ao Heraldo. Não sei se ele é burro demais para acreditar nisso, ou para supor que alguém com dois neurônios vai concordar com ele.

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Sobre o autor

Idelber Avelar é colunista da Revista Fórum e ex-editor do blog "O Biscoito Fino e a Massa" (http://idelberavelar.com). É Professor Titular de Literaturas Latino-Americanas e Teoria Literária na Universidade Tulane, em New Orleans. É autor de Alegorias da Derrota: A Ficção Pós-Ditatorial e o Trabalho do Luto na América Latina (UFMG, 2003) e Figuras da Violência: Ensaios sobre Ética, Narrativa e Música Popular (UFMG, 2011), e coeditor de Brazilian Popular Music and Citizenship (Duke UP, 2011), entre outros livros. Mantém o Twitter @iavelar

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