"Por quê …?", de Juan L. Ortiz

Redação
Por Redação março 2, 2012 09:25

"Por quê …?", de Juan L. Ortiz

Juan L. Ortiz

Juan L. Ortiz (Juanele) nasceu em 11 de junho de 1896 em Puerto Ruiz, Entre Ríos. Em 1942 mudou-se a Paraná, capital da mesma província, onde morou até sua morte, em 2 de setembro de 1978. Com a exceção de algumas rápidas idas a Buenos Aires e uma breve visita à China e a outros países socialistas em 1957, jamais abandonou sua morada, às margens do rio. Ali dedicou toda a vida a uma única tarefa: tecer uma obra poética singular, que renovaria o idioma como poucas. Debutou em 1933 com El agua y la noche. Seus primeiros dez livros – todos publicados discretamente, sem estardalhaço, sem reclamos de atenção, como cifras para um leitor futuro – seriam reunidos a outros três volumes inéditos sob o título En el aura del sauce em 1971. Há uma pequena amostra da obra de Juanele disponível na internet.

Dele, eu já traduzi “Sim, as escamas do crepúsculo”, poema que abre o volume De las raíces y del cielo (1958). Segue abaixo outro poema do mesmo livro, “Por quê …?”


Por quê … ?

.

Por que a elegia

é hoje

um verde de 1º de setembro

que quase não se vê?

.

Por que no nada da luz

amarela

uma melancolia, ou o quê?

que não se sabe se vai

ou espera?

.

Por que o abismo chama a si,

se algo que é um espírito de folhinhas

quer dar asas ao abismo?

.

Ó tarde

tarde que és e não és

em que limite

de cristal? :

me dirás tu ou me dirá

esse passarinho de lá,

de qual lá?

que estranhamente sobrevive,

ó, doce, estranhamente,

ao ouro do silêncio?

Redação
Por Redação março 2, 2012 09:25
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3 Comentários

  1. Mauro março 2, 20:43

    Uma mulher por quem fui apaixonado era fã incondicional do Ortiz e me “apresentou” ao poeta, de quem gostei muito, apesar de minha implicância com a poesia. Jurei para mim mesmo que ia comprar um livro dele. Não o fiz e depois que ela terminou comigo nunca mais tive contato com o escritor. Agora, volto e lê-lo aqui. Agora, vou buscar na internet esse livro que você traduziu, Idelber.

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    • Idelber março 2, 20:49

      Caro Mauro, não foi um livro inteiro, infelizmente. Foi só um poema. Ele está disponível, é só seguir o link. E mergulhe, porque os poetas sugeridos pelas mulheres amadas são sempre os melhores.

      Reply to this comment
  2. Ramiro Conceição março 3, 07:20

    A CASA DO POETA
    by Ramiro Conceição

    Na casa do poeta,
    o comprimento é o tempo;
    a largura – a escritura;
    e a altura é o pensamento
    onde o firmamento mora.

    PS: Idelber, li o ensaio sobre o valor de uma obra de arte. Difícil.
    Estou a pensar…

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Sobre o autor

Idelber Avelar é colunista da Revista Fórum e ex-editor do blog "O Biscoito Fino e a Massa" (http://idelberavelar.com). É Professor Titular de Literaturas Latino-Americanas e Teoria Literária na Universidade Tulane, em New Orleans. É autor de Alegorias da Derrota: A Ficção Pós-Ditatorial e o Trabalho do Luto na América Latina (UFMG, 2003) e Figuras da Violência: Ensaios sobre Ética, Narrativa e Música Popular (UFMG, 2011), e coeditor de Brazilian Popular Music and Citizenship (Duke UP, 2011), entre outros livros. Mantém o Twitter @iavelar

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