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Mal vindos ao terceiro milênio por Renato Rovai Onze de setembro de 2001, dia 1 do terceiro milênio. Um crime de lesa-humanidade. Nada a comemorar. A queda do World Trade Center e a demolição de Nova York inauguram a era do supercontrole total. Somos todos terroristas. Até mesmo provando o contrário. O inimigo quase-invisível (terrorismo) tornará os “incômodos” do sistema em cruéis inimigos. Em alvos justificáveis. Entre eles, os críticos do projeto americano (da globalização neoliberal) de todas as partes. A garantia da ordem justificará a perseguição. O sistema de defesa, o fim da privacidade e o controle total da informação. Qualquer ameaça, a violência. Não, o gigante não encolheu. A sua desmoralização não o torna anão. Seu poder armado é hoje do mesmo tamanho do dia 10 de setembro de 2001. Mas deve se tornar maior. Esse crime será utilizado para ampliar exponencialmente investimentos em defesa e em controle. Quanto ao poder político? Também cresce. A diplomacia internacional será solidária às decisões da Casa Branca. Até porque haverá aliados e inimigos. A sociedade do terror é ainda pior do que a dos dias de hoje. O terceiro milênio começa agora e, infelizmente, lembra 1984, Blade Runner e Saramago, em seu Ensaio Sobre a Cegueira. É certo que a onda de sangue que invadiu hoje o centro do poder, já reina na periferia do mundo. Mas ilude-se quem imagina que desse crime brotará consciência. O fruto provável é mais violência. Mais controle. Como não há um inimigo visível, eles dependerão das conveniências. Há chances? Sempre. Mas elas dependem em muito da sociedade civil internacional, com destaque para a norte-americana, que terá peso significativo e precisa ser convencida de que a alternativa que deve ser porposta pelo seu governo não é a melhor. E que isso pode tornar as coisas muito piores. Para todos. Renato Rovai é editor da Revista Fórum
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