Na Globo a ordem é clara: nenhuma menção a FHC na cobertura da Lava Jato - MariaFrô

Na Globo a ordem é clara: nenhuma menção a FHC na cobertura da Lava Jato

Esta semana diversos ativistas e profissionais de comunicação digital debateram num post do Emerson Luis a matutice digital do PT e do governo Dilma. Sem exceção, muita gente que entende do riscado não consegue ver a estratégia de...

Esta semana diversos ativistas e profissionais de comunicação digital debateram num post do Emerson Luis a matutice digital do PT e do governo Dilma. Sem exceção, muita gente que entende do riscado não consegue ver a estratégia de comunicação nem do partido nem do governo petista.

Hoje, Luis Nassif dá uma aula grátis sobre como se opera a manipulação midiática e como todos nós, estamos estarrecidoa diante da completa ausência de política de comunicação de um governo e uma presidenta diuturnamente atacados sem exibir qualquer reação efetiva.

golpe_globo

Continuo perguntando à presidenta Dilma, quando ela fará uso de um direito constitucional de falar com o povo brasileiro em cadeia nacional contra este massacre cuidadosamente elaborado nos porões golpistas? Quando ela efetivamente virá ao combate como nos falou durante uma coletiva no ano passado?

Crédito da Imagem de capa: Twitter

“Ontem,  a diretora da Central Globo de Jornalismo, Silvia Faria, enviou um e-mail a todos os chefes de núcleo com o seguinte conteúdo:

“Assunto:  Tirar trecho que menciona FHC nos VTs sobre Lava a Jato

Atenção para a orientação 

Sergio e Mazza: revisem os vts com atenção! Não vamos deixar ir ao ar nenhum com citação ao Fernando Henrique”.

O recado se deveu ao fato da reportagem ter procurado FHC para repercutir as declarações de Pedro Barusco – de que recebia propinas antes do governo Lula.”

A estratégia de Dilma para a guerra da comunicação: “virem-se”

Por Luis Nassif, Jornal GGN

08/02/2015

golpistas

São curiosos esses tempos de crise e de vácuos de poder.

Recentemente foi divulgada uma entrevista de Jango com John Foster Dulles, o brasilianista, em 15 de novembro de 1967.

Na entrevista, um mea culpa: “Goulart disse que em seus esforços para promover reformas estruturais, ele fez concessões demais a grupos políticos no Brasil”.

O objetivo era aprovar as reformas estruturais: “Foram reformas em prol da independência, do desenvolvimento, do bem-estar do povo e da justiça social. A justiça social não era algo no sentido marxista ou comunista”.

Mostrou como a ampliação dos meios de comunicação aumentou as demandas da população: “Hoje, com o uso amplo de rádios e televisores, o povo pobre vê as condições melhores que existem em outros lugares. O grande problema é a justiça social. Não é um problema de comunismo. Mas a insatisfação pode se converter em revolta se as condições não melhorarem. 92% da América Latina se encontra na condição mais precária possível”.

Finalmente, mencionou a campanha da imprensa contra seu governo: “Houve uma campanha para envenenar a opinião pública contra “meu governo”. Goulart disse que a imprensa estava contra seu governo. Ele acrescentou que a imprensa tem problemas financeiros e é influenciada por grandes grupos empresariais”.

Na raiz de todo acirramento da mídia estão problemas financeiros provocados por épocas de transição tecnológica. Foi assim nos anos 20, com o advento do rádio; nos anos 50, com o início da TV; nos anos 60, com a crise financeira dos jornais. E agora.

Do ponto de vista financeiro, tem-se a seguinte situação:

1.     No ano passado, pela primeira vez a Rede Globo fechou no vermelho. A empresa está revisando todo seu modo de produção, acabando com os contratos permanentes com artistas, que eram mantidos no cast, muitas vezes sem aproveitamento, apenas para não serem contratados por competidores. O quadro está tão complicado, que a ABERT (Associação Brasileira das Empresas de Rádio e Televisão) levantou o veto que tinha em relação à TV digital, vista agora como uma forma de faturamento suplementar

2.     A Editora Abril está se esvaindo em sangue. O valor do vale refeição caiu para R$ 15,00, que só cobre o preço do refeitório instalado no prédio. Há informações de que até o refeitório será desativado nos próximos dias. As redações estão abrindo mão de jornalistas experientes, sendo trocados por novatos sem grande experiência.

3.     O Estadão está há tempos à venda.

4.     A Folha caminha para ser, cada vez mais, uma editoria da UOL.

É uma questão de vida ou de morte: ou empalmam o poder ou tornam-se irrelevantes.

O jogo da informação

É por aí que se entende a campanha da mídia em busca do impeachment.

Os vícios do modelo político brasileiro afetam todos os partidos. Mais ainda o governo FHC com a compra de votos e as operações ligadas ao câmbio e à privatização. A gestão Joel Rennó foi das mais controvertidas da história da empresa.

Ao tornar o noticiário seletivo, os grupos de mídia conspiram contra o direito à informação, centrando todo o fogo em uma das partes e blindando todos os malfeitos dos aliados.

Ontem,  a diretora da Central Globo de Jornalismo, Silvia Faria, enviou um e-mail a todos os chefes de núcleo com o seguinte conteúdo:

“Assunto:  Tirar trecho que menciona FHC nos VTs sobre Lava a Jato

Atenção para a orientação 

Sergio e Mazza: revisem os vts com atenção! Não vamos deixar ir ao ar nenhum com citação ao Fernando Henrique”.

O recado se deveu ao fato da reportagem ter procurado FHC para repercutir as declarações de Pedro Barusco – de que recebia propinas antes do governo Lula.

No Jornal Nacional, o realismo foi maior. Não se divulgou a acusação de Barusco, mas deu-se todo destaque à resposta de FHC (http://migre.me/oyiwP) assegurando que, no seu governo, as propinas eram fruto de negociação individual de Barusco com seus fornecedores; e no governo Lula, de acertos políticos.

Proibiu-se também a divulgação da denúncia da revista Época (do próprio grupo) contra Gilmar Mendes.

estadao_manipulação

No Estadão, a perspectiva de um racionamento inédito de água, assim como as repercussões na saúde e na economia, é tratado da seguinte maneira.

Se não vierem chuvas até março, a SABESP finalmente adotará o racionamento. Era essa a posição da empresa desde o ano passado e foi impedida pelo governador Geraldo Alckmin.

Só após a posse do novo presidente, Jerson Kelman, a SABESP conseguiu romper com os vetos de Alckmin ao racionamento. Respeitado internacionalmente, Kelman assumiu declarando que crises de água precisam ser tratadas com coragem e racionamento.

Segundo a matéria do Estadão, “A pedido do governador Geraldo Alckmin (PSDB), o presidente da SABESP Jerson Kelman definirá até o fim da semana um nível mínimo de segurança do Sistema Cantareira”.

A total falta de atitudes de Alckmin é convertida em “monitoramento diário”.  Algumas reportagens relataram o fato da única atitude de Alckmin consistir em consultar um aplicativo de tempo no seu celular, para torcer pela chegada das chuvas.

Na reportagem do Estadão, essa demonstração de amadorismo, de um governador sem nenhum conhecimento de questões hídricas monitorar “pessoalmente” as chuvas, converte-se em uma prova de responsabilidade: ”O quadro hídrico vem sendo monitorado pessoalmente pelo governador e sua equipe diariamente e debatido em reuniões que acontecem a cada dois dias no Palácio Bandeirantes”.

Na home do Estadão, uma reportagem especial sugere que a responsabilidade pela crise é do prefeito Fernando Haddad   que deixou de aplicar um programa de despoluição da Billings. O título na home é “Governo Haddad deixou de investir R$ 1,6 bi em represas”.

Na matéria interna, esclarece-se que os problemas são a não liberação de recursos pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e o fato dos valores de licitação do programa – feitos na gestão Kassab  – incluírem insumos (como asfalto e cimento) em valores acima do teto estabelecido pela Caixa Econômica Federal.

Os fatos e a campanha

Mesmo com todo o poder de fogo, sozinhos os grupos de mídia não conseguem criar um mundo virtual. Ainda mais nesses tempos de redes sociais, o enfrentamento precisa ser dado através de uma estratégia de comunicação – que também não é algo feito no ar. Ela precisa estar subordinada a uma estratégia política, à identificação dos pontos nevrálgicos do noticiário, ao tratamento antecipado de todo tema sensível, à criação da agenda positivo.

De qualquer modo, na primeira reunião com seu Ministério, Dilma já definiu sua estratégia de comunicação. Juntou os Ministros e ordenou a eles mais ou menos o seguinte:

–       Vocês precisam entrar na batalha de comunicação.

Eles:

– Como?

E ela, mais ou menos assim:

–       Virem-se.

O livro da blogosfera em defesa da democracia - Golpe 16

Golpe 16 é a versão da blogosfera de uma história de ruptura democrática que ainda está em curso. É um livro feito a quente, mas imprescindível para entender o atual momento político brasileiro

Organizado por Renato Rovai, o livro oferece textos de Adriana Delorenzo, Altamiro Borges, Beatriz Barbosa, Conceição Oliveira, Cynara Menezes, Dennis de Oliveira, Eduardo Guimarães, Fernando Brito, Gilberto Maringoni, Glauco Faria, Ivana Bentes, Lola Aronovich, Luiz Carlos Azenha, Maíra Streit, Marco Aurélio Weissheimer, Miguel do Rosário, Paulo Henrique Amorim, Paulo Nogueira, Paulo Salvador, Renata Mielli, Rodrigo Vianna, Sérgio Amadeu da Silveira e Tarso Cabral Violin. Com prefácio de Luiz Inácio Lula de Silva e entrevista de Dilma Rousseff.


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6 comments

  1. claudio vitorino Responder

    Já se vao longos anos que essas empresas midiáticas, se servem do governo para manutenção de seus bel prazeres, Hoje como o leite da vaca secou, ele tenta de todas as formas agarrem o rabo do gato. Sabendo que essas mideas tendenciosa, teem seu dias contato, mês assim eles mantem um bombardeio, no governo atual, para tentarem criar uma teta. grande abraço.

  2. José Marcos Responder

    Num pais onde uma população iletrada e pseuda na memoria, eu só gostaria de perguntar a estas pessoas se ela sabem quem foram os seguintes cidadãos da época conturbada deste pais:
    Carlos Lacerda, Assis Chateaubriand,Amaury Kruel, Randal Juliano,,Adhemar de Barros,Sérgio Fleury,Edmundo Monteiro,Roberto Marinho, e outros que com os seus atos, MEC-Usaid, CIA ,IBM,Ford,Nestlé,Estadão, Folha da Manhã,Diário da Noite Última, Manchete,Emissoras Associadas, Revista “O cruzeiro” e outros, conseguiram dominar uma população oprimida, pobre, e onde milhares de pessoas que pensavam contrariamente a esta elite branca dominante foram massacradas, mortas em quarteis , delegacias,em navios, da Marinha, Exercitos e Força Aérea onde tinhamos esperança em algumas pessoas que desafiaram o sistema como o Arcebispo Arns,Luis Inácio,Ellis Regina,Augusto Boal,Nancy Fernandes,Cacilda Becker,Paulo José e outros que me fazem lembrar como foi dificil para um jovem como eu na época não poder estudar Química na USP depois de passar por uma prova de fogo como era o MAPOFEI porque a maioria dos quadros de professores estavão exonerados,mortos ou deportados.
    Não quero que isto volte……

  3. Ronaldo Moura Responder

    Engraçado estão falando da inércia do governo em relação a mídia, mas não precisa ser um gênio pra perceber que os mesmo fatos são noticiados da mesma forma em todos os meios de comunicação, inclusive meios estrangeiros e autonômos, então no meu ver falar que a globo está manipulando é bem oportunista e desculpa de alguém que foi pego em flagrante e está tentando deturpar os fatos, ou será que o mundo está contra o PT, não sou partidário e tenho certeza que os partidos que aí estão inclusive o PSDB são como vampiros abutres, mas dai a acreditar na inocência de PT é no minimo falta de inteligência ou oportunismo. Mas se isso for verdade como tem dinheiro essa oposição?! rsrs… aff…

    1. Maria Frô Responder

      Ronaldo, seria bom entender o monopólio da mídia sustentada por banqueiros e pela publicidade oficial. Na verdade, vc e eu pagamos para sermos desinformados. O post é claro ao falar da manipulação, há uma ordem clara nas redações para que os escândalos não atinja o PSDB. É uma mídia partidarizada e declaradamente anti-petista. Esta é a questão.

  4. ejportella Responder

    Desde o Império existe esse tipo de problema. Agravado pela partilha de poder em nossa falsa democracia. Com certeza com FHC abriu-se um leque, em especial para a reeleição, com o esquema de privatização para a baixaria instalada nesses últimos governos, onde a corrupção, associou-se a uma TOTAL falta de escrúpulos, cinismo e INCOMPETÊNCIA que eu nunca havia visto. Sem REFORMA POLÍTICA séria nada vai mudar. Sem a participação popular e vergonha na cara de cada cidadão quando compra produtos piratas, suborna guarda e etc. NÃO VAI ADIANTAR NADA.

  5. fabio alencar Responder

    O psdb so sabe e vender o pais e dar valor aos e a tv globo “alienar” os brasileiros numa tentativa de golpe.